Viagem sem filhos

Lembram desse post aqui contando que eu tinha ficado um tempo longe das crianças? E que havia a possibilidade de eu fazer uma nova viagem? Pois é! Eu fiz, como alguns já devem saber. Eu e Diego passamos 10 dias fora, Diego correu a maratona de Boston em Abril e teve a ideia de eu ir junto e passarmos uns dias lá. Cogitamos levar as crianças, mas pela grana e por questões de vamos-tentar-aproveitar-sozinhos decidimos deixá-las com a minha sogra.

Toda a preparação foi mais difícil para mim do que a viagem em si, sabia? Antes, me vi chorando algumas vezes em pensar em deixá-los por tanto tempo. Foram 11 dias. Na véspera, quando minha sogra veio buscá-los eu também chorei, na sala de embarque quando falei com eles por vídeo fiquei com a sensação de que estavam tristes e isso me apertou um pouco o coração. Mas foi o único momento em que senti isso durante toda a viagem. Em todas as outras vezes que nos falávamos, eles estavam bem, cheio de novidades e em algumas ocasiões meio impacientes de ter que ficar fazendo vídeo, conversando conosco.

Pensei neles todos os dias, em quase tudo o que fazíamos, comentávamos sobre eles, imitávamos o jeitinho deles, o que eles falariam, do que reclamariam. Mas sendo bem sincera, não sofri nenhum dia, não chorei nenhum dia. Para não parecer tão “má-mãe”, 2 dias antes de voltar fiquei com a sensação de que poderíamos ter voltado naquele sábado e não somente na 2a feira. Para que pudéssemos passar o fim de semana com eles e não chegar do aeroporto e ir direto ao trabalho.

Primeiro aprendizado foi que viajar sem filhos é ter uma motivação maravilhosa para querer voltar. Não deu deprê total de voltar porque estava louca para encontrá-los. Eles sentiram nossa falta, no dia que nos reencontramos a Fernanda não saiu do meu colo. Jantamos com ela sentada na minha perna, porque não queria sair. Davi passou alguns dias não querendo “nos perder de vista”, se ia ao banheiro precisava dizer onde estava. Porque ele já ficava me procurando. Certamente consequências dos dias longe dos pais, mas por outro lado seria muito estranho se eles não se importassem – daí sim teria reais motivos para me preocupar. Mas, o grude de ambos passou. Fernanda de boas longe de mim e Davi acabou de passar 4 dias num acampamento me dizendo que não queria que acabasse. Passou!

Nunca achei que eu fosse conseguir fazer isso, somos meio colados, sou meio super protetora no sentido de achar que só eu sei fazer as coisas. No fundo eu sou a que mais sei deles mesmo e que faço melhor (rs), maaaas existe muita gente que também sabe e que pode me ajudar e proporcionar experiências diferentes e agregadoras para eles também.

Esses dias foram um ótimo treino, quase tudo vai ser mais fácil que isso. Esse acampamento, por exemplo, estava aqui do lado. Qualquer coisa eu rapidamente seria capaz de encontrar o Davi, diferente dessa viagem onde foram muitos dias e a umas 10 horas de avião daqui. Duas amigas me disseram que embora muito felizes, estavam com uma saudade doída dos filhos enquanto estavam neste mesmo acampamento. Senti saudade óbvio, ficava ansiosa em ver as fotos, mas não me doeu. Zero doeu. Curti a facilidade de ter que cuidar somente de uma. E o que mais me alegrou é que não me senti culpada em estar bem, o que fatalmente aconteceria há pouco tempo. Até ano passado, a possibilidade de ver o Davi nesse acampamento me “angustiava”, pelo tempo longe….

Existe, novamente, a possibilidade de outra viagem esse ano. Por muito menos tempo, menos da metade na verdade, mas não daria para levar as crianças. Frio na barriga de novo, mas agora sei que é possível. Sei que é possível eu me divertir com leveza mesmo longe dos maiores amores da minha vida. E o maior exercício disso tudo, para mim, é a dependência de Deus, saber que é Ele quem cuida e protege e não eu.

Agradecendo por 2018

fotoTer saúde, um marido parceiro para dividir a vida, filhos lindos e saudáveis, família, amigos são motivos gerais de agradecimento. Mas, inspirada por um texto da Thais do Vida Organizada, resolvi elencar motivos específicos de gratidão desse ano…

–  viagem para Santiago e NY: não conhecia nenhum dos dois e pude fazer essas viagens com meu marido, filhos, pai e madrasta.  Foram experiências muito legais, dois lugares novos, Santiago me surpreendeu muito positivamente e especialmente NY me marcou, pois tinha o sonho de conhecer e saí de lá querendo voltar. Que lugar incrível! Eu vou voltar lá, com certeza.

– desfralde da Fernanda: parece bobagem, mas é um marco importante. Havia tentado no inicio do ano sem sucesso, a sensação que tive é que a Fê nem estava entendendo o que estava acontecendo. Resolvi esperar e no último trimestre, incentivada pela escola, retomamos. E foi tranquilo. Ela tinha de fato amadurecido e o clichê se comprovou: cada criança tem seu tempo. O desfralde me trouxe outro desafio: levar meninas em banheiros públicos….

– hábito de leitura: sempre gostei muito de ler e isso estava completamente abandonado. Retomei ano passado quando parei de trabalhar e principalmente depois que ganhei meu Kindle. Esse ano li muitos livros, foi o ano que mais li com certeza. Fiquei muito feliz, mesmo voltando ao trabalho consegui manter a rotina de leitura e para mim a principal razão é a facilidade do ebook, de ter livros no meu celular.

–  H1N1: estranho isso ser motivo de gratidão, mas Davi teve no meio do ano e agradeço porque eu não estava trabalhando, porque foi fraquinha, porque a Fernanda não pegou, porque nenhuma complicação houve. Porque esse episódio me ensinou muitas coisas em relação à dependência de Deus, com esse fato percebi o quanto esse tipo de situação me desestabiliza e de que preciso estar atenta a isso.

– corrida: comecei a correr no início do ano de forma discreta quando meu marido me deu um pacote da Centauro de experiência de corrida. Valeu muito como um incentivo e participei de uma corrida de 5k no fim do 1º semestre. Em setembro, influenciada por uma amiga querida, topei correr a meia maratona em Junho de 2019. Tenho treinado de verdade e corri meus primeiros 10k em dezembro. Foi a primeira meta parcial alcançada e isso refletiu positivamente na minha vida em muitos aspectos, muito além do físico.

– vida profissional: quem me conhece intimamente sabe minha relação com o trabalho, fiquei 1,5 ano em casa, sem sofrimento algum, aproveitei, acho que precisava desse tempo. Em julho, participei de dois processos seletivos, um para dar aula numa Universidade e outro para a Marisa. Acabei passando para a Marisa e estou muito feliz, hoje acho que isso foi o melhor para mim. Foi talvez a melhor surpresa do ano. Apesar de não ter passado no processo da universidade, eu recebi um feedback tão positivo de um professor que estava na minha entrevista, que já trouxe as palavras dele à minha memória muitas e muitas vezes.

– desempenho das crianças na escola: “Ah, criança tem que brincar!” – e tem mesmo, concordo total. Maaaaas, não vejo problema algum na criança desenvolver disciplina para o estudo, para que na agenda dela haja algum momento em que ela tenha uma “obrigação” a cumprir, uma atividade a ser realizada, obedecendo regras. Meus filhos foram muito bem esse ano, só recebi elogios e isso me faz um bem danado. Eles não precisam ser os melhores, os primeiros, eles precisam se dedicar, estarem dispostos a aprender. E eles estiveram, eles estão!

– a escrita: o sonho de escrever um livro ainda está aqui dentro de mim, e sinto que em pouco tempo ele se tornará uma realidade. Esse ano, por diversas vezes tive exemplos de que minha escrita, o modo como me expresso faz diferença para algumas pessoas. As pessoas vieram falar comigo, me elogiar, disseram que se emocionaram com algo que eu escrevi…Li um livro chamado “Como se encontrar na escrita” e me vi ali, naquelas dicas. E foi uma motivação a mais tudo o que me disseram a respeito do que eu escrevo. Em 2019, vou me dedicar mais a isso.

– nova rotina 2019: feliz com a escola que escolhi para o Davi em 2019 e consegui uma pessoa para me ajudar no dia a dia, gostei dela e me parece que vai dar certo. É bom saber que está tudo certo para o começo do novo ano, para o novo modelo que nossa família vai adotar.

Agradeço a Deus por isso tudo! E por tanto e por ser sempre generosamente abençoada, ano após ano. Mais legal do que a bênção é saber que tudo isso vem de um Deus que cuida de mim, não é aleatório. Foi decisão dEle que eu vivesse todas essas coisas. Ansiosa por 2019…

 

Viajando em família

IMG_6763Desde que a Fernanda nasceu não fazíamos uma viagem para algum lugar mais longe, viagem de férias mesmo. Fomos ao Rio, Santos e a Floripa por conta do Iron Man. Mas agora em janeiro viajamos juntos ao Chile, meu pai e minha madrasta também foram conosco.

Confesso que não escolhemos nossos destinos levando em consideração as crianças, escolhemos o destino que nos agrada conhecer, visitar e as crianças vêm junto. Eu ainda tento influenciar um pouco mais para favorecê-los e me favorecer no fundo, mas nem sempre rola. Na verdade, a escolha de Santiago foi um meio termo entre as minhas preferências e as do meu marido.

Embora não fosse uma viagem para o público infantil, tenho certeza que eles aproveitaram bastante. Não andávamos tanto a pé para que não se cansassem tanto, mas conhecemos muita coisa e até o passeio nas vinícolas que eu achei que ia ser super entediante para eles, foi muito legal. Porque as vinícolas parecem um grande parque, então muito espaço para correrem, ver e colher as uvas de brincadeirinha. Foi muito gostoso, eles se divertiram muito durante o passeio. E como Davi já entende mais as coisas, estar num lugar onde as pessoas falavam outro idioma para ele foi bem diferente e uma experiência interessante. Sem contar que andar de avião já é uma alegria e uma aventura para eles (mas não para mim, no caso, que tenho andado cada vez mais tensa com isso).

Voltei muito feliz dessa viagem, porque o que eu mais gosto nas férias é o tempo que passamos os quatro juntos. Dividindo o mesmo quarto, o dia inteiro, fazendo todas as refeições juntos. E sei que eles curtem e sentem essa diferença. Dá uma canseira por muitas vezes, mas são experiências em conjunto que ficarão sempre na minha memória pelo menos, e de alguma forma na deles também a medida que crescem. Foi um lugar novo para todos nós, eu gostei muito de Santiago, fui positivamente surpreendida pelo que vi lá. Voltamos com mais histórias em comum, que constroem assim nossa trajetória como família, parte do que foi vivido está nas fotos, outra não, ficou só com a gente mesmo. E no fundo é isso que de fato importa, quer seja nas praias, nos parques, nos brinquedos ou nas vinícolas. O bom das férias é possibilidade de estar o tempo inteiro nós quatro juntos.