Meus filhos cresceram

Cada vez mais forte a sensação de que meus filhos cresceram, é estranho dizer isso quando estão às vésperas de completar 4 e 7 anos, “apenas” 4 e 7. Mas, no fundo, sempre que construo essa frase na minha cabeça é: Ela vai fazer 4 anos. Meu mais velho tem 7 anos. Passou tão rápido, a maior verdade da maternidade talvez seja essa, que passa muito rápido. Talvez por essa razão, outro dia me deu vontade de ter mais um filho, mas não houve muita adesão por parte do meu marido: “Você louca!” – não foi muito receptivo à ideia de começarmos tudo do zero. Mas seria isso, a chance de começarmos do zero, de prolongarmos a vida com crianças que é cansativo, cara, nos levam ao limite em muitos momentos, mas é extremamente feliz. Ter filhos é se realizar com pequenos momentos, se admirar e se orgulhar de pequenos feitos, mas que no fundo estão construindo o caráter, as memórias e desenhando a vida de um ser humano. As crianças dão o colorido à vida e a rotina tão pesada que elas mesmo exigem.

A gente tem a oportunidade de moldar um ser humano! Olha a potência disso…. Dizem que a primeira infância é até os 7 anos, que é até aí que acontece a parte mais significativa da formação do caráter de alguém. Ou seja, a primeira infância do meu mais velho já foi. Embora ele tenha nascido ontem, embora eu me lembre de detalhes da sua chegada, a primeira infância dele passou. O que dava para ser feito foi feito e se não fiz… Aí que mora a mini-angústia , no “e se”…. e se eu não fiz, e se eu não corrigi o suficiente, e se não demostrei o quanto amei, e se não reforcei o quanto o ele é importante, e se não o ensinei a amar a Deus verdadeiramente, e se fui ausente, e se me excedi demais, e se faltei, e se frustrei, e se não dei o meu melhor ou e se o meu melhor não tenha sido o que ele precisava, e se não aproveitei como deveria, como ele merecia? Na minha cabeça, foi o melhor que eu tinha para dar e aparentemente está tudo bem. Uma coisa sei que me dediquei: às orações. Oro muito pelos meus filhos, sempre que ponho para dormir faço silenciosamente uma oração pela vida deles, agradeço, peço. Lembro de muitas vezes, quando eles ainda estavam no berço, de parar ali e orar por eles. Sei que sou falha, sei que tudo eu não vou conseguir, nunca vou suprir todas as necessidades deles, só queria minimizar essas falhas…mas a maternidade é um lugar que nos mostra diariamente que quem está no controle é Deus. A onipresença, onipotência e onisciência não são dons nossos, mas Deus sim está em todos os lugares, sabe o que se passa na mente e coração dos meus filhos. E esse mesmo Deus é infinitamente poderoso para reparar tudo aquilo que eu, na minha limitação, falhei. Que bom! Graças por isso! Mas em menos de um mês, terei um filho saindo da primeira infância e daqui a exatamente um mês minha caçulinha completará 4 anos e já terá passado pela metade desta mesma primeira infância. Sabe aquela música: “os anos se passaram enquanto eu dormia” – é isso.

Andando pelo caminho

Toda semana eu e Davi vamos caminhando até a escolinha de futebol, é perto da minha casa e o estacionamento de lá é meio apertado, chatinho de estacionar para alguém com meu nível de habilidade. Então, ir a pé é realmente a melhor opção.

Mas eu AMO esse trajeto que fazemos juntos, desde a hora que saímos do prédio. Vamos sempre conversando muito, algumas vezes cruzamos com algum outro amiguinho que também está no mesmo caminho que nós dois, outras passamos no mercado na volta para pegar alguma coisa que está faltando e ele sempre me ajuda com o carrinho, a pegar as coisas. Tudo com calma, parceria. Entendo esse momento como um reforço do nosso relacionamento, da nossa amizade e intimidade. É mais um momento em comum que temos, mais uma oportunidade gostosa de estarmos juntos, de eu ouvir as histórias malucas que ele inventa, de ouvir o que aconteceu, sob o olhar dele, na aula, de responder as suas inúmeras perguntas.

E sempre, todos os dias em que estamos nesse caminho, lembro de um versículo de Deuteronômio que diz que devemos falar de Deus e Seu amor aos nossos filhos enquanto estivermos sentados, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar. E andando por esse caminho algumas vezes já falamos de Deus, ele pergunta alguma coisa, ou Deus torna-se o assunto da conversa espontaneamente. Porque de forma muito natural, Ele sempre fez parte da vida da minha família e da do Davi.

E assim vamos, semanalmente, eu e meu amigo, companheirinho, conversando e andando pelo caminho, descobrindo muitas coisas juntos, rindo, brincando, mas principalmente fortalecendo o vínculo tão especial, lindo, indescritível e eterno que Deus nos deu. Meu coração é muito grato por poder fazer isso, ter essa oportunidade e principalmente enxergar como é importante e fundamental nós estarmos presentes e isso não tem necessariamente a ver com tempo disponível. O mundo tem mudado muito, a maneira como as pessoas se relacionam mudado para pior, então sempre que possível é tempo de fortificar os laços com nossos pequenos, ensinando pelo caminho o que eles precisam aprender para serem homens e mulheres de bem, a serem amigos e amigas de Deus.

A aula teste de futebol

Era só uma aula teste na escolinha de futebol hoje pela manhã. Mas ver meu mais velho, às vésperas de completar 5 anos, naquela quadra me emocionou. Ele está crescendo tão rápido, o tempo passa tão depressa que dá uma angústia no peito às vezes e tenho certeza que outras mães concordam comigo. É uma bênção ver diariamente esse crescimento, cheio de novidades, de descobertas, de frustrações, mas isso por vezes dá um nó na garganta e enche meu olho de lágrimas.

Achei demais a aula. Nada de inovador, mas o esporte traz tanta coisa boa a ser aprendida que na aula teste estava certa de aquilo faria muito bem para ele. Estar com outras crianças, mais velhas já que ele é por enquanto o caçula da turma vai ser produtivo. Ter de se submeter a outras regras, a outra liderança também. Além de aprender os fundamentos do futebol em si. Mas, no fundo, acho os outros aprendizados mais relevantes do que “não chutar a bola com o bico do pé e sim com a chapa do pé”.

Do banco algumas vezes eu me meti, corrigindo alguma coisa que ele estava fazendo, mas depois percebi que definitivamente aquele não era o meu papel ali. Eu era apenas uma expectadora. A partir daí, me comportei e não me meti mais. Só me meti quando precisava carregá-lo para beber água, porque nem lembrei de levar uma garrafinha e ele ainda não dava pé para o bebedouro que tinha.

Teve uma hora que ele bateu uma lateral e a bola bateu com força num outro menino, daí o jogo parou alguns minutos. Não foi nada sério, o menino saiu jogando logo depois. Mas enquanto o professor verificava se estava tudo bem, Davi virou de costas para o campo, apoiou a mão na grade e começou a chorar. Eu de longe, pensei: Eu sabia que ele ia chorar! Minha vontade era ir lá, dar um abraço nele e falar que estava tudo bem, pois tinha sido sem querer. Mas novamente não era o meu papel, outras crianças fizeram isso e os professores também: “Normal, Davi. Isso é coisa do jogo mesmo.” Uma das várias lições aprendidas do dia.

Meu pequeno está ficando um menino grande, quando fico contemplando ele dormindo sempre me dou conta disso, o corpinho cada vez mais comprido deitado na cama. Hoje foi mais um dia de novidades, de pessoas diferentes e uma nova experiência juntos. E que Deus siga nos proporcionando tantas coisas novas juntos. No futuro, quero ter muita história para contar.

Trainee de CEO

Trabalho com planejamento e gestão desde sempre, mas o lugar que mais desenvolveu a minha capacidade de planejar foi a minha casa, mais especificamente a maternidade. E principalmente sendo mãe de dois.

Enquanto estava só amamentando era mais fácil, pois a preocupação com a comida não existia. Mas agora Fernanda já está na comidinha e preciso me programar para comprar o que precisa, preparar a comida do fim de semana e sempre ter uma reserva congelada. Durante a semana ela come na escolinha e isso já ajuda bastante.

Cabeça de mãe parece que está sempre na frente, eu estou sempre fazendo a conta de que horas preciso chegar no lugar e para isso que horas preciso começar a me arrumar. Começo a me arrumar com muita antecedência e ainda assim chego um pouco atrasada ou exatamente na hora. Antes da hora, uma raridade. Quem nos vê na igreja domingo à tarde, não faz ideia do mini caos que a casa ficou para que estivéssemos todos lindos e cheirosos para o culto. Minha pia que o diga. E quando a gente finalmente consegue se arrumar com uma folga e rola aquele cocô que suja a roupa toda? Para que eu quero descer!

Antecipadamente marcamos o pediatra e já chegamos lá com todas as dúvidas listadas, saindo dali providenciamos remédio, vacina, implantamos novas rotinas, mudamos alguns processos. Com a chegada do inverno, temos que substituir as calças do mais velho que não cabem mais e a gente só descobre na hora que está arrumando ele para ir à escola. Semanalmente, checa se tem dinheiro para pagar a Maria e quase nunca tem, então em algum momento vou ter que passar no caixa eletrônico. Diariamente, substitui o que sujou da escola na bolsa, vê as agendas e a da pequena gera até uma ansiedade para saber se comeu direitinho ou não. Da agenda também podem surgir desdobramentos, como guardar sucata e entregar dia x (esse dia x vai para minha agenda para não esquecer), festinha do amigo dia y, com isso vamos comprar um presentinho.

Sério, eu me desenvolvi muito quanto a se planejar e me organizar de forma a facilitar minha vida com a chegada dos meus filhos. Com a Fernanda, isso se tornou ainda mais necessário. Um dia li um texto de um blog, que a autora dizia que ela era a CEO da casa dela. Quando acabei de ler queria dar um abraço nela, por ter conseguido definir tão bem o que eu sentia. A gente vive assim mesmo, cuida da logística, gerencia pessoas, coordena as agendas, providencia os suprimentos, promove o bem estar e harmonia do nosso lar, surta um pouco e ama muito. A pesada, doce, linda, desafiadora, infinita, abençoada e mais-milhares-de-adjetivos arte de ser mãe.

 

 

45 minutos para mim

Depois que temos filhos, os momentos dedicados integralmente a nós mesmas tornam-se mais escassos, dependendo do modelo que adotamos para criarmos nossos filhos. Talvez isso seja uma das coisas que mais sinto saudade, tempo SÓ para mim, sem pressa, sem ter que pensar em horários, rotinas, comidinhas e afins. Sinto muita falta de sair sem me preocupar com nada. Muita falta!

Mas, desde o início do ano, ou seja, há apenas 1 mês, estou fazendo natação numa academia aqui na minha rua. Super perto, vou a pé, o que ajuda muito a ter menos preguiça de ir. Faço um dia no último horário e no outro no primeiro horário do dia, foi o que coube no esquema aqui de casa, conciliando o meu trabalho quando eu voltar, a escola, o trabalho do Diego.

Já tinha feito natação no Rio, eu amava, me sentia bem, o tempo passava depressa e tinha disposição em ir. E desde que comecei é assim que tenho me sentido. Muito bem. Gosto da aula, do cansaço bom que dá, parece que saí de uma massagem. Cabelo e pele com cloro até o último nível…mas paciência.

O melhor desses 45 minutos é o fato de tê-los só para mim. Sem nenhum filho colado, chamando “mãe” a cada 2 minutos, sem ter que preparar nada, nem pensar em nada, a não ser em quanto eu já nadei. Um tempo só meu, 45 minutos todos meus.

Cada vez mais convencida de que para sermos mães melhores, precisamos cuidar da gente, pensar em nós mesmas, seja lá o que isso signifique. Às vezes pode ser uma simples revista lida no sofá com uma xícara de chá, comigo isso funciona, mas a gente precisa se presentear, com pequenas coisas. Nossos filhos, maridos e mundo a nossa volta agradecem.

Curtindo meu bebê

Por mais cansativo que seja, é muito bom ter um bebezinho em casa. Por aqui, a fase mais cansativa já passou, ainda não temos uma rotina estabelecida, tem dia que dorme o dia todo, outros só de manhã. Não há muita previsibilidade ainda. Mas as madrugadas são tranquilas e as cólicas se foram completamente.

IMG_7931[1]

Calma! Ela não dorme com o bichinho, portanto não irá se sufocar.

É muito gostoso acompanhar as mínimas evoluções, o olhar que acompanha algo colorido, a descoberta dos pés, aqueles sorrisos banguelas, a perna que não para e faz maior bagunça no banho, a boquinha branca de leite… Consigo aproveitar muito mais a Fernanda, curtir mais, não há tanta insegurança como no primeiro filho, estou mais tranquila e sei que passa rápido tudo isso. Tenho tentado aproveitar o máximo que posso, esmago muito, dou muito beijo, muito abraço, dormimos juntas.

Sempre que olho o Davi dormindo, penso “Como ele cresceu”. Nenhum sinal de bebê mais, um menino deitado numa cama de adulto. Quer dizer, ainda temos a fralda de noite, há sinais de bebê sim! A Fê cresceu, mas só 4 meses ainda. A rapidez com que o tempo passa me dá um aperto, de verdade. Graças a Deus pelo crescimento e desenvolvimento deles, mas é muito rápido. Muito! Quem é mãe também, vai entender exatamente esse sentimento.

Pelos nossos planos, não haverá um terceiro bebê por aqui, então tenho que curtir muito minha pequena. Porque ontem mesmo era o irmão dela que eu amamentava naquela mesma poltrona, naquele mesmo quarto e daqui a pouco, que eu sei, ela é que será a menina dormindo numa caminha de adulto.