1 ano e 5 meses de Fê

img_33451Há 1 ano e 5 meses eu me tornava mãe de dois filhos e mãe de uma menina. Sim, passou muito rápido esse tempo, mas lembro perfeitamente da angústia dos primeiros meses, do meu pânico quando minha mãe foi embora e eu me vi com dois. Lembro me perfeitamente da minha insegurança e do medo de saber se eu iria conseguir me dividir sem que ninguém saísse perdendo. O principal medo era de que nem por 1 segundo o mais velho se sentisse menos amado ou menos especial. Por conta dessas lembranças ainda bem vivas e de saber como é a rotina com os dois, tenho zero plano de ter um terceiro filho. Nem se eu fosse milionária rolava. A não ser que isso esteja nos planos de Deus e ele está guardando isso de forma beeeem secreta.

A caçula veio para aprimorar ainda mais minha paciência, para usar de eufemismo aqui. Porque bateu um vento, ela chora e se agarra em mim. A pessoa está a quilômetros dela e ela já cola no meu pescoço, miando que nem um gato. Ela é chorona, chiliques básicos, aquela criança que chama atenção num restaurante, porque ela causa. Mas e daí, né? Tento levar com um mínimo de bom humor, isso vai passar, como tudo na maternidade. Ela é linda, uma boneca, meu amor em forma de menina. Todo dia eu olho pra ela e penso: “Como é linda, meu Deus.” A princesinha da casa, embora a realeza ainda não esteja sendo demonstrada com atitudes. Um desenho caprichado de Deus com direito a olho azul e dessa vez eu nem pedi isso. Ela é um exemplo da criatividade de Deus, mesmo pai e mesma mãe do Davi e completamente diferente do irmão. Demandando reações e posturas nossas como pais completamente diferentes. O segundo filho se dá melhor no aspecto de ter pais mais tranquilos, menos ansiosos e percebi nitidamente essa diferença na minha maternidade com ela. A benção de ter uma criança que dorme bem permaneceu e que come bem também. Aliás, Fernanda puxou a mamãe nesse sentido, já que ela sempre quer comer alguma coisa, não importa o que seja, ela com 1 ano tem prazer na comida, fato.

Com ela eu confirmei a alegria que é ver dois filhos brincando juntos, interagindo, se divertindo, rindo e brigando pelo mesmo brinquedo (já não tããão alegre assim essa parte). A Fê me fez olhar para mim, me fez uma mulher mais bonita, mais atenta, mais cuidadosa e às vezes mais segura.  Isso foi ela e por ser menina, não sei exatamente o porquê, mas Freud certamente tem uma explicação. Diante de algumas situações, me justifico ou me incentivo pensando “Eu tenho dois filhos!”

O pânico de cuidar de dois passou, eu consegui, sei lá como, mas estou conseguindo por 1 ano e 5 meses. Acho que Davi também não “sofreu” com a chegada da irmã e com o crescimento dela, ocupando cada vez mais espaço. 1 ano e 5 meses de uma vida completamente diferente, de mais planejamento, de mais pensamentos, de mais cansaço, de mais confusão e bagunça na casa, de mais tudo de bom que um filho nos dá. Fui abençoada com esses dois pequenos e espero que eles também pensem isso de mim sempre.

Percebendo as diferenças

Dizem que não é bom comparar um filho com o outro, mas isso é quase impossível. Acho que essa afirmação talvez esteja mais relacionada a exigir os mesmos desempenhos, comportamentos e reações dos filhos. Uma tarefa que deve ser difícil, mas concordo que esse é o modelo ideal, executá-lo aí já não sei como será porque ainda não fui exposta a esse desafio.

Mas o fato é que com a chegada da caçula ficou ainda mais nítido o quanto o mais velho foi um bebê tranquilo. Muito bonzinho. Sem base de comparação eu já achava isso, com a chegada dela e conforme ela está crescendo já é possível perceber as diferenças de comportamento.

Para os parâmetros gerais, talvez ela continue sendo classificada como uma criança tranquila, mas minha base de comparação era um bebê que chorava pouco, reclamava pouco, ficava brincando bastante tempo sem demonstrar insatisfação. Nunca deu ataques contantes de choro ao ser colocado na cadeirinha do carro, ficava sentado no cadeirão interagindo com brinquedos durante o tempo em que eu lavava a louça sem resmungar logo.

Já a pequena é mais impaciente, na maioria das vezes dá um pequeno show ao sentar na cadeirinha do carro, acorda de madrugada quase toda noite. Isso não configura um problema, porque eu só coloco a chupeta e ela volta a dormir. Mas com ele, nessa idade já tinha jogado a chupeta fora e nem lembro dele acordando mais durante a noite. Ele nunca mexeu nos meus enfeites da sala, ela no primeiro dia que sentou no tapete para brincar já saiu engatinhando em direção a minha miniatura de Pão de Açúcar. E mesmo eu alertando sempre que não é para mexer ali, ela continua insistindo. E ela entende, porque quando eu digo que não pode, ela chora contrariada.

Ela quando não quer mais mamar empurra a mamadeira ou a minha mão. Entrou numa agora de que não quer mais tomar leite antes de dormir. E mesmo depois que já está dormindo há algum tempo e eu tento dar, ela continua empurrando a mamadeira e inicia um choro.

De manhã, ao acordá-la na maioria das vezes ela arrancou as meias e jogou fora do berço. E o mesmo faz com a chupeta. Joga no chão ou encaixa em algum ponto que dificulta até eu encontrar depois.

Na igreja, na escola, todos dizem que ela é boazinha. Ela tem aquele comportamento típico de criança que quando a mãe aparece estraga tudo. O mais velho nunca foi assim. Sempre foi constante no seu comportamento com ou sem a minha presença. Ela é simpática, saudável, come bem e dorme bem. O que é, sem dúvida, um presente.

Mas minha referência anterior era um bebê um pouco acima da média, até hoje ele é um menino que não dá muito trabalho. Já a pequena parece que veio um pouco mais impaciente, mais chiliquenta, mais apegada a mim (essa parte no fundo eu curto). Ainda bem que o desafio maior veio com o segundo filho. O básico pude aprender com tranquilidade e agora é como se já estivesse apta a novas rotinas.

Paciência não é o meu forte, mas tudo a gente aprende a desenvolver nessa vida. Ou quase tudo.

Trainee de CEO

Trabalho com planejamento e gestão desde sempre, mas o lugar que mais desenvolveu a minha capacidade de planejar foi a minha casa, mais especificamente a maternidade. E principalmente sendo mãe de dois.

Enquanto estava só amamentando era mais fácil, pois a preocupação com a comida não existia. Mas agora Fernanda já está na comidinha e preciso me programar para comprar o que precisa, preparar a comida do fim de semana e sempre ter uma reserva congelada. Durante a semana ela come na escolinha e isso já ajuda bastante.

Cabeça de mãe parece que está sempre na frente, eu estou sempre fazendo a conta de que horas preciso chegar no lugar e para isso que horas preciso começar a me arrumar. Começo a me arrumar com muita antecedência e ainda assim chego um pouco atrasada ou exatamente na hora. Antes da hora, uma raridade. Quem nos vê na igreja domingo à tarde, não faz ideia do mini caos que a casa ficou para que estivéssemos todos lindos e cheirosos para o culto. Minha pia que o diga. E quando a gente finalmente consegue se arrumar com uma folga e rola aquele cocô que suja a roupa toda? Para que eu quero descer!

Antecipadamente marcamos o pediatra e já chegamos lá com todas as dúvidas listadas, saindo dali providenciamos remédio, vacina, implantamos novas rotinas, mudamos alguns processos. Com a chegada do inverno, temos que substituir as calças do mais velho que não cabem mais e a gente só descobre na hora que está arrumando ele para ir à escola. Semanalmente, checa se tem dinheiro para pagar a Maria e quase nunca tem, então em algum momento vou ter que passar no caixa eletrônico. Diariamente, substitui o que sujou da escola na bolsa, vê as agendas e a da pequena gera até uma ansiedade para saber se comeu direitinho ou não. Da agenda também podem surgir desdobramentos, como guardar sucata e entregar dia x (esse dia x vai para minha agenda para não esquecer), festinha do amigo dia y, com isso vamos comprar um presentinho.

Sério, eu me desenvolvi muito quanto a se planejar e me organizar de forma a facilitar minha vida com a chegada dos meus filhos. Com a Fernanda, isso se tornou ainda mais necessário. Um dia li um texto de um blog, que a autora dizia que ela era a CEO da casa dela. Quando acabei de ler queria dar um abraço nela, por ter conseguido definir tão bem o que eu sentia. A gente vive assim mesmo, cuida da logística, gerencia pessoas, coordena as agendas, providencia os suprimentos, promove o bem estar e harmonia do nosso lar, surta um pouco e ama muito. A pesada, doce, linda, desafiadora, infinita, abençoada e mais-milhares-de-adjetivos arte de ser mãe.

 

 

Os irmãos

Logo que a Fernanda nasceu, Davi se mostrou curioso e depois que ela não era mais novidade passou a ignorar a existência dela. Era como se ela não existisse aqui em casa, não falava dela na escola, não a procurava, não comentava nada sobre ela conosco. E quando falávamos para ele interagir com ela de alguma forma, ele dava uma desculpinha qualquer. As poucas vezes em que ele tentou “conversar” com ela ou mostrar algum brinquedo, ela não respondeu, óbvio. Então, acho que ele desistiu.

O tempo foi passando, ela passou a interagir minimamente, dormir menos e ele começou a demonstrar algum interesse por ela. A Fê sorri muito e isso foi o que começou a chamar a atenção dele, pois quando ele fala algo com ela, muitas vezes ela sorri, emite sons, não necessariamente respondendo ao estímulo dele, mas isso pouco importa.

Hoje ele vem espontaneamente fazer carinho nela, tentar acalmar quando ela chora, dar beijos e mostrar os brinquedos. Ele até empresta a naninha de dormir dele, um leãozinho velho que ele não larga. Ele procura por ela em casa, vai no berço, vai no carrinho e quando não encontra, pergunta : “Cadê a Fê?”

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Brincando de gritar “Fêêêê” na cara dela

Coisa mais linda dessa vida é ver essas cenas! Eu tinha certeza disso, minha grande motivação em ter um segundo filho era dar um irmão para o Davi. Dei uma irmã e vê-los juntos me enche o coração de alegria, de mais amor, de uma gratidão infinita a Deus por ter me proporcionado tudo isso. Tinha muita curiosidade em saber como era possível amar outro filho do mesmo jeito. Curiosidade resolvida e quem tiver a mesma dúvida nem me pergunta, porque eu nem sei explicar. Só sei que saiu mais amor, que se fortalece quando vejo os dois irmãos aqui de casa sendo irmãos, dentro do que é possível com a idade que eles têm.

Nem tudo é igual

Ela usa o mesmo carrinho cinza que foi do irmão mais velho. E o mesmo bebê conforto que foi dado por outra amiga para o irmão.

O kit que guarda o algodão, cotonete e outros itens também foram do irmão e têm o tema, nada feminino, meio de transportes.IMG_7455[1]

Dorme no mesmo berço e com mesma roupa de cama que foi dele, com lençóis verdes, brancos e azuis. Mas tem um vermelho e rosa novos.

Ela usa as mesmas mantinhas, brancas e azuis.

A mesma cômoda guardam suas roupinhas.

Na mesma banheira ela toma banho.

A mesma persiana azul protege o quarto da claridade e do sol.

Ela usa algumas das roupinhas que foram dele, macacãozinhos. Amarelinhos e azuis.

Mas ela não tem exatamente a mesma mãe. Tem uma mãe melhor, simplesmente porque quando ela chegou a mãe já tinha 3 anos de experiência. Ela tem uma mãe mais tranquila, sem muito pânico. Uma mãe que sabe que ela vai engasgar quando mama. Uma mãe que consegue entender que o olho dela está ruim por causa do resfriado. Uma mãe que não se sente uma péssima mãe só porque ela usa chupeta, pelo contrário. Uma mãe que aproveita mais essa fase inicial, que beija mais, faz mais carinho e curte mais. Porque ela sabe que vai passar rápido, porque ela sabe que carinho, beijo e colo não estraga ninguém. E que se estragar quem vai ter que consertar é ela mesma…

Ela tem uma mãe com angústias e medos, assim como o irmão mais velho teve. Mas, sem dúvida, tem uma mãe que sabe como é ser mãe e isso faz muita diferença.

 

 

 

Pedindo ajuda

Eu tenho um pouco de dificuldade em pedir ajuda com as coisas da minha vida pessoal, de casa e com as crianças (ainda acho estranho usar plural ao me referir a meus filhos). Desde que Davi nasceu praticamente me viro sozinha, sem ajuda de uma terceira pessoa. Confesso que o modelo adotado é um pouco kamikaze muitas vezes, vou tentar fazer um pouco diferente agora, espero que consiga.

Durante os poucos meses de terapia que fiz durante a gravidez da Fê, percebi que eu não peço ajuda. Só se eu estiver quase morrendo, daí eu peço. Existem alguns pontos que ajudam a entender isso e até justificam, não temos família que more perto da gente, qualquer ajuda nesse sentido não dá para ser decidida em cima da hora. Minha mãe já veio várias vezes aqui, mas são situações pontuais em que se combina previamente. Minha sogra também já nos ajudou em outros momentos, mas não é aquela situação de ligar meia hora antes e pedir um socorro. Simplesmente a logística não permite isso. Então, fui obrigada a fazer muitas coisas sozinhas, levando o Davi junto comigo ou abrindo mão do que gostaria de fazer. Não quero ser injusta com meus amigos que já foram buscar o Davi na escola em diversas ocasiões em que me atrapalhei. Salvando o meu dia! Posso contar com muitos deles aqui e sei que eles têm prazer em ajudar.

Para outras coisas, acho que eu faço melhor que as pessoas e nesse caso não peço ajuda. Às vezes nem faço melhor, sou enjoada mesmo, por exemplo com a louça aqui de casa. Tenho uma psicose com louça engordurada, então eu mesma prefiro lavar do que permitir que alguém que eu sei que não lava do jeito que eu gosto lave a minha louça. Se eu achar que não ficou bom, depois eu lavo tudo de novo. Então melhor fazer sozinha.

E em relação às crianças, penso que os filhos são meus, então eu preciso me resolver com eles e com meu marido. Só fico 100% a vontade para deixá-los com alguém para eu me divertir, se esse alguém for nossos pais. Mas como nossos pais não moram perto, isso não é fácil.

No fim de semana, consegui por duas vezes pedir ajuda, literalmente. Davi tinha o aniversário de uma amiga e Diego tinha que trabalhar e só ia poder nos levar e buscar. Ia ficar meio puxado com os dois na festinha, porque tenho outra psicose: gosto de estar vendo o Davi, não consigo largar ele brincando em algum lugar, sem que de vez em quando eu consiga vê-lo. Mesmo com monitores. Então, avisei as outras mães que eu estaria sozinha e que ia precisar que elas me ajudassem com os dois. E deu super certo, elas foram solícitas, olharam o Davi, levaram ele para ir ao banheiro, me ofereceram carona, me levaram até o carro, olhavam a Fernanda quando eu ia brincar um pouco com o Davi. Foi ótimo.

E durante a semana, teve a apresentação na aula de natação, Diego tinha uma reunião que podia acabar um pouco depois do início previsto, preferi não arriscar e resolvi pedir carona para uma mãe que já tinha me oferecido antes e eu tinha recusado. Era tudo perto, a escola da natação, a casa da outra mãe, a escola do Davi, tudo aqui no bairro. E assim fomos. Em outros casos, teria ido de táxi, enfrentando um perrengue desnecessário. Diego chegou praticamente junto com a gente e deu tudo certo.

Por duas semanas, desci para fazer a esteira e a Fernanda ficou com a Maria, no dia que ela vem aqui. Mas nem passou pela minha cabeça pedir para ela ficar, eu ia descer levando a Fê como sempre faço, quando a Maria disse que não precisava. A Fê estava dormindo e caso precisasse ela me ligaria. Tão simples.

Não tenho babá, nem quero ter. Minha casa nem cabe alguém para dormir aqui e mesmo se coubesse, essa é uma solução que não se aplica para mim. Uma pessoa que venha todo dia aqui em casa também não é necessário ainda, nem vai ter o que a pessoa fazer. Mas gostaria muito de conseguir fazer um pouco diferente dessa vez. Ainda não sei como, essa é uma equação que tem muitas variáveis e até agora ainda não consegui encontrar qual a melhor solução. Mas acredito que com o tempo eu vou achar.

As primeiras saídas

Quando a Fernanda fez 40 dias, fomos a Igreja. Sei que o recomendável é que espere um pouco mais para sair e evite lugar fechado com muita gente (exatamente o que é a Igreja), mas para a manutenção da minha sanidade mental eu precisava ver pessoas e sair um pouco. Foi desse mesmo jeito que fiz com o Davi e deu tudo certo. Assim fomos! Toda uma logística para organizar a hora de mamar dela, para que não fosse necessário amamentar durante o culto. Nada contra, uma questão simplesmente de praticidade. Então amamentei já pronta para sair e ela passou o culto todo dormindo, chegou e saiu da Igreja dormindo.

Depois desse dia, fui só mais duas vezes, teve feriado, Diego viajou e não me aventuro de ir sozinha com os dois ainda. Mas esse domingo nós fomos de novo. Para evitar que a gente chegue muito atrasado, já vou adiantando umas coisas desde muito cedo: já deixo a bolsa dela pronta, já escolho a roupinha dela e a minha. E esquematizo o jantar do Davi, muito antes já tinha deixado a porção de comida pronta no prato só para esquentar quando chegasse a hora certa. E nem adiantou separar a roupa antes, porque vesti e quando fui ver se estava fácil para amamentar caso fosse necessário, vi que estava zero de facilidade. Tive que escolher outra.

Gosto de tomar banho o mais perto da hora de sair, mas com um bebê em casa nem sempre fazemos as coisas na hora que temos vontade, na maioria dos casos é quando dá mesmo. Fim de semana isso até fica mais fácil, porque Diego está em casa. E assim nos dividimos no último domingo a tarde, Diego arruma o Davi e dá o jantar dele eu arrumo a Fernanda e dou o jantar dela.

Nesse domingo consegui ir ao culto da manhã e a noite, mesmo o da manhã sendo mais longo decidi ir. O culto sempre será longo, sempre dará uma preguicinha de organizar tudo para ir, porque corre o risco de chegar lá e a garota ficar chorando e eu não assistir culto algum. Mas faz parte e resolvi tentar.

De noite antes de sair, Davi começou a chorar porque queria continuar brincando e não ir a Igreja. Ignoramos o fato, fomos pegando as coisas e saindo de casa e o garoto berrando. Nisso Fernanda que dormia se assustou com o choro e ficaramm os dois berrando no elevador. Diego me olhou e rimos um pro outro, daquela cena, dessa fase, foi um sorriso de “Tamo junto aí, vai passar!”

E mais um dia de tentativa de voltar aos poucos à rotina que funcionou. Assisti ao culto, Fernanda chorou um pouco, fez cocô, troquei, Diego ficou acalmando ela durante a parte final e deu tudo certo. Porque um dia como esse, essa realidade agora significa dar tudo certo para mim, para nós.

Conta aí, Sylvia!

IMG_5494[1]Sylvia Valente Rocha, 37 anos. 

Mãe da Maria Luiza de 7 anos e da Maria Eduarda de 6. 

Casada com o Rodrigo há 10 anos.

Porque pensei nela para estar aqui: pelas dificuldades que teve para engravidar da primeira vez e ter engravidado naturalmente da segunda. Além disso, é uma mãe muito dedicada e admiro sua relação com as meninas. Ela é muito engraçada e super animada.

Como conheci a Sylvia: É uma das irmãs da minha melhor amiga da infância, a Fernanda. Nos conhecemos desde meus 4 anos, passava tardes na casa dela, estudávamos na mesma escola e morávamos no mesmo bairro em Manaus. Temos ótimas lembranças do carro lotado de crianças onde íamos juntas para a escola.

Como começa a história…. (parte do depoimento foi extraído do blog Beta Positivo)

Aos 23 anos, ficou diagnosticado que ela tinha endometriose, localizada dentro das trompas obstruindo uma e danificando a outra. Após 9 meses de medicação, os resultados não foram animadores e foram necessárias mais 2 doses de hormônio. Para saber a trompa tinha desobstruído, foi feita uma radiografia com contraste do útero “Ninguém nunca me falou que seria tão fácil chegar à Lua, a dor me levou até ela em alguns segundos.” – descreve Sylvia.

A sequência da história, ela mesma nos conta:

As tentativas de engravidar

Aos 27, casada há 3 meses, descobri que estava GRÁVIDA!! Mas o embrião não se desenvolveu. A tristeza era imensa, coisa de chorar de dia até de noite. 

Depois de muitas tentativas, minha mãe sugeriu que fôssemos para o Rio consultar um especialista em Reprodução Assistida. A indicação foi fazer fertilização in vitro. No meio do processo, descobri que tinha um cisto ovariano e o que ia durar 15 dias, durou 45. Voltei trazendo 4 embriões fertilizados e me sentindo a mais grávida das grávidas. Mas a gestação não desenvolveu e foi quase uma depressão.  Meses depois, foram transferidos embriões novamente. Eu já estava cheia de esperanças, quando os resultados dos exames deram negativos. Mais uma decepção.

3 anos depois, uma amiga me indicou a ultrassonografista dela, Dra. Ana Luiza Santos, a adorei no mesmo momento. Conheci também o médico com quem ela já havia trabalhado.

Já estava decidida que seria meu último tratamento, se não desse certo partiria para adoção. Era julho de 2007, Pan-americano no Rio e viajamos com o pretexto de passar as férias e assistir alguns jogos. Não queria que ninguém soubesse para não ter que dar explicações.

Recomeço

Foram, então, transferidos 2 embriões fecundados. E o exame de sangue para saber se estaria grávida deu negativo novamente. Eu já estava tão calejada que nem fiquei mais tão triste. Os dias se passaram e a menstruação não vinha. No dia agendado para a ultra com a Dra. Ana Luiza, fomos eu e Rodrigo, e fui logo falando que só tinha ido pela insistência de minha mãe, os exames não acusavam gravidez. Qual foi a minha surpresa quando ela viu 2 embriões minúsculos, se desenvolvendo normalmente. Ainda não havia um coração, mas mais outro exame e lá estava o coraçãozinho mais precioso batendo de forma acelerada, o outro embrião não havia se desenvolvido, mas não tinha nenhum problema.

Maria Eduarda: a primeira recompensa

A Maria Eduarda chegou em abril de 2008. No retorno à obstetra, meu marido não pode ir, minha mãe me acompanhou. Quando foi sugerido que tomasse pílula, minha mãe, mais rápida que eu, disse que achava que eu já havia tomado hormônios demais e que no futuro poderia me fazer mal. Aos 4 meses, a Duda parou de mamar. Usava preservativo, até uma noite que demos uma escapadinha dos métodos anticoncepcionais. No mês seguinte, nada de menstruação, apareceram uns enjoos, tonturas, mas o Rodrigo insistia que deveria ser o cansaço ou uma labirintite.

Maria Luiza: a segunda recompensa

Em dezembro, fui fazer uma ultra com a querida Dra. Ana Luiza. Ela riu alto e disse Você está grávida! Parabéns!. Eu ri no efeito do susto. Para tirar a dúvida ela colocou o som do coração que já batia e eu estava grávida naturalmente de 2 meses.

Liguei para o Rodrigo e ouvi um: Você é uma irresponsável! Como você ficou grávida?, eu respondona como sempre: Foi obra do Divino Espírito Santo! Por acaso não foi você que fez?As reações que se seguiram foram as mais malucas: o Rodrigo ficou de mal comigo; minha mãe queria saber como eu havia engravidado e meu pai ficou brigando como se eu tivesse engravidado na adolescência. Em julho de 2009 nasceu a Maria Luiza!”

A Sylvia mudou-se de Manaus para Curitiba há pouco e quis saber um pouco mais:

♥ Qual foi o maior aprendizado daquele tempo de tentativas?

Sylvia: Se desligar e menos ansiedade é fundamental ao tratamento ou para que venha uma gravidez natural. Havia lido bastante que a chance de dar certo na primeira tentativa era de apenas 25%, mas na minha cabeça era “claro” que daria certo, eu merecia e seria sorteada. Foram três FIV até que a minha primeira sapeca chegasse e só deu naquele momento em que larguei a ansiedade, tomava a medicação no horário correto, mas no resto do tempo estava na folia, tentava não pensar a respeito.

♥ Como você se organizou quando tinha praticamente 2 bebês em casa?

Sylvia: Essa fase é realmente cansativa, a diferença entre elas é 1 ano e 3 meses. Andava com duas bolsas montadas e tudo identificado, tinha cada uma em um quarto até que a Malu começou a dormir a noite toda, mas colocava cada fralda em uma cestinha diferente, as chupetas em caixas organizadoras também eram de cores variadas. Estabeleci uma cor padrão para cada filha, da Duda era rosa e da Malu era lilás.

No carro era outra bagunça, tinham duas cadeirinhas e o porta-malas poderia ser mudado de nome para porta-carrinhos, até de carro mudamos por conta dessa necessidade.

Aos sábados era dia de promoção de fraldas em uma farmácia, então eu ia comprar para semana, uma vez uma senhora na fila me perguntou se eu revendia, eu ri e disse que aqueles pacotes talvez durassem uma semana na minha casa.

♥ Como é sua rotina hoje com elas morando numa cidade nova?

Sylvia: Quando chegamos em Curitiba, elas estavam na forma de criação onde tinham babá, avós, todos por elas; mudamos e éramos só nós 4, o pai passa o dia no trabalho e eu que sempre trabalhei nem sabia cozinhar… A primeira semana quase fiquei doida, mas pensei que não sou a única e poderia aprender, então organizamos um lugar com todos os brinquedos que elas gostam e assim eu poderia vê-las enquanto cuidava dos afazeres. Foi bom demais, elas, que aos 4 e 5 anos, não brincavam juntas hoje passam horas brincando de bonecas e não podem se largar.

♥ Como você consegue se organizar e ter um tempo para cuidar de você?

Sylvia: Como aqui em Curitiba faz bastante frio pela manhã, elas estudam de tarde, e esse período é meu! De manhã consigo fazer a comida, lavar roupa, limpar a casa. Não temos empregada, o que faltar fica para o outro dia ou para noite. As tardes uso para artesanato, Pilates, estudo, estou mudando o rumo profissional, então vida totalmente nova!

♥ O que te faz perder a paciência, no exercício da maternidade, e ter vontade de pausar tudo e dormir por horas ou sumir?

Sylvia: Eu sou quase uma “mãe hiperativa” mas quando digo que deu, cansei e vou dormir, não conte comigo. Graças a Deus elas são bastante saudáveis e somente uma vez tive que ficar acordada a noite toda cuidando delas, que, de tão apaixonadas que são, adoeceram juntas. Sou super bem humorada, mas quando estou de TPM ou com sono nem eu me aguento, então provavelmente o problema nem é com elas, sou eu mesma (risos).

♥ O que é ser mãe para você?

Sylvia: Ser mãe é ser a mais feliz, apaixonada, realizada, amada…A cada gracinha que elas fazem meu coração transborda, fico feliz! Espero que elas possam crescer com sabedoria para encarar a vida e que todas as perguntas do dia a dia que respondo com sinceridade (de onde vem os bebês, o que significa cada palavra…) possam ajudá-las pela vida toda, para sejam atentas aos desafios.

Marias!!!!! Amo vocês mais que tudo no mundo!!!! (Elas ouvem toda hora)

Boa sorte a todas as mães!

10 dicas para quem me cerca

Lendo um texto que anda circulando na internet e conversando com uma amiga grávida pela primeira vez e que tem muito menos paciência que eu, pensei em dar umas dicas para o mundo que me cerca….

◊ A minha barriga é baixa, desde sempre, desde que ela começou a aparecer, desde o Davi,  logo o bebê não está para nascer. Sou a prova viva de que barriga baixa não significa proximidade do nascimento.

◊ Minha barriga está grande, é o segundo e, portanto, ela cresceu mais que na primeira vez. Essa é uma teoria que pelo menos comigo se comprovou. Mas ainda assim, não está quase, ainda faltam no mínimo, 6 semanas.

(A próxima vez que me perguntarem, ou melhor, afirmarem “Tá quase, né?” vou fingir que estou entrando em trabalho de parto e o bebê está nascendo independentemente de onde eu esteja. Me deram essa ideia no chá de bebê da Fernanda e eu achei válida.)

◊ Não há problemas em tentar parto normal mesmo o primeiro tendo sido cesárea.

◊ Não, o quartinho não está pronto.

◊ O nome dela é simples mesmo, Fernanda. Nenhum motivo científico, astrológico, lógico para escolha do nome. Simplesmente acho bonito.

◊ Não sei como vou fazer depois, se vou precisar de uma pessoa diariamente para me ajudar, nem como vou fazer para buscar o Davi na escola, nem várias outras coisas. Conforme elas forem acontecendo, vou definindo a solução.

◊ Vou tentar ao máximo não aceitar o doce que você está me oferecendo. Engordei pouco até agora e o objetivo é exatamente esse. Não, eu não estava ótima na primeira. Estava super inchada e engordei 20 kilos e isso nunca deixará uma pessoa ótima.

◊ O Davi não “vai ter que cuidar da irmãzinha dele”, não “vai ter que dar o exemplo”. Ele é só irmão mais velho dela. E ele só terá 3 anos quando ela nascer. Ele não está com ciúmes e não faço a menor ideia como será.

◊ Se você não tiver nenhuma intimidade comigo, por favor, não precisa fazer carinho na minha barriga.

◊ Para mim seria “Que máximo!” mesmo se fossem dois meninos, amo ter um menino, esse era o meu desejo. Estou bem feliz agora de ter uma menina, mas nunca foi meu sonho e para mim se realizar como mãe não tem nada a ver com o sexo do bebê. Se eu parar por aqui, não tem nenhuma relação com o fato de que “que agora terei um casal”.

Se fizer algum dos comentários acima, eu responderei educadamente, talvez nem me irrite taaanto dependendo de quem você seja. Na maioria das vezes tenho um bom filtro entre o que eu penso e o que eu falo, ainda bem.

Deu positivo!

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Descoberta da Fernanda

Achando que iria demorar para engravidar da segunda vez, acalmei um pouco meus ânimos, e acho que posso colaborar para a estatística de que a ansiedade atrapalha um pouco nessa tentativa de engravidar.

No primeiro mês, tudo normal: não estava grávida. No segundo mês, todos os sintomas de que não estava grávida: cólicas como de costume. Os dias foram passando, passando e nada acontecia. Até que foi ficando atrasado e decidi fazer um exame de farmácia, que deu negativo. Beleza, não estava grávida ainda. Os dias continuaram passando e o “nada” continuava rolando.

Na época, eu tinha que fazer uns exames de sangue pedidos pelo dermatologista e na hora em que estava no laboratório, pedi um exame de sangue, daí seria certeiro. E assim fiz. A página do laboratório já ficou aberto no meu computador, atualizava de hora em hora, de meia em meia hora, sei lá. Era janeiro, estava de férias e dois dias depois iríamos para Disney encontrar minha irmã e meu pai.

Até que apareceu no site que estava liberado o meu resultado e confirmei o que estava suspeitando. Eu realmente estava grávida. Fui correndo na farmácia, fiz outro teste e apareceram as duas listrinhas. Nem sei para que eu fiz o de farmácia, se eu já tinha o de sangue, acho que ele é mais emocionante. Um mix de sentimentos tomou conta de mim, eu ficava rindo sozinha, agradeci a Deus, chorei, fiquei com a minha cabeça viajando e a minha sorte é que já tinha arrumado 90% das malas para a nossa viagem, porque depois que soube da notícia, guardava uma roupa na mala e ficava por uma hora jogada na cama pensando.

Minha vontade era sair ligando para todo mundo, mas o primeiro a saber deveria ser o Diego, óbvio. Queria contar pessoalmente e o esperei chegar do trabalho para contar. Quando chegou ele perguntou se estava tudo bem com os exames de sangue eu tinha feito, os do dermato, e já comecei a rir antes de dizer qualquer coisa. Falei que tinha feito outros exames também e rindo. A primeira coisa que ele disse foi: “Sério ou tá de sacanagem?” Dei a opção para ele comprovar ou pelo de farmácia ou pelo de sangue. E ele romanticamente me disse: “Não te falei que não ia demorar dessa vez.” Mas depois dessa frase rolou um abraço digno para a ocasião.

Só liguei para a minha médica para dizer que estava grávida, comunicar o resultado dos exames e pedir algum remédio caso precisasse na viagem.

E assim fizemos nossa primeira viagem juntos. Assim como o Davi, a Fernanda fez sua primeira viagem internacional ainda na barriga. Ele foi para Londres e ela para EUA.  Desde então, somos quatro e não mais três.