1 ano de Mulher para Mulher

Há 1 ano eu começava um novo caminho na vida profissional: era o primeiro dia numa das grandes varejistas de moda que temos, uma que fala de mulher para mulher. E isso é realmente muito forte lá dentro, não é só um slogan.

A oportunidade apareceu de onde eu nem esperava, uma pessoa conhecida da igreja me mandou uma foto de um treinamento que ele estava fazendo pela Falconi (a consultoria que trabalhei por 10 anos) e eu disse que não estava mais lá. Na ocasião, eu já tinha saído há 1,5 ano. Ele perguntou se tinha interesse em mandar meu currículo e despretensiosamente disse que sim. Naquele momento havia uma vaga que se encaixava comigo.

Simultaneamente eu participava de um processo seletivo para dar aula no Mackenzie e essa seria minha primeira opção. A resposta da varejista veio primeiro e eu tinha sido aprovada no processo deles. Ainda assim, eu segui com o Mackenzie, mas lá eu não fui aprovada. Não foi a maior decepção da vida porque lá o desafio talvez fosse maior que eu e de alguma forma já tinha outra opção. Além disso, o cara que me entrevistou no Mackenzie me deu um feedback tão positivo, que até hoje trago à memória para me animar quando preciso.

Em agosto de 2018, comecei a trabalhar lá e desenvolvi uma relação com o trabalho que até então eu nunca tinha tido. De leveza. Trabalho no escritório, no coração do escritório porque minha área dá suporte direto às lojas; trabalho para facilitar a vida de todo mundo que está na ponta vendendo e garantindo que eu possa ter meu emprego. De forma bem resumida, é isso. Entendo que diariamente estou ali para que as lojas sejam capazes de vender mais, para que os gerentes tenham cada vez mais tempo para se dedicar ao mais importante. E isso me faz bem. Tenho como princípio de vida fazer diferença na vida das pessoas com as oportunidades que tenho e vejo que meu trabalho me proporciona isso. Toda vez eu ensino um gerente a fazer o processo de maneira correta, eu mudei a vida dele de alguma forma. Sempre que eu respondo uma dúvida, encurto o caminho para a solução, eu alcanço alguém que está numa loja. Minhas planilhas são minhas orientadoras para alcançar as mais de 300 lojas espalhadas por aí. E talvez enxergar a coisa dessa forma me ajudou a mudar essa relação com o trabalho.

O ambiente em que estamos inseridos ajuda muito: a empresa preza verdadeiramente pelos relacionamentos, é visível. Há uma preocupação com o indivíduo, com o ser humano que está por trás de cada computador ou cada loja. No dia a dia, claro, isso pode não ser tão transparente e óbvio; mas muitas vezes, em alguma reunião, alguém lembra que não somos máquinas. Trabalho com muita gente boa, comprometida, a liderança a que estou submetida é muito bacana. E, o principal, as pessoas são m-u-i-t-o divertidas.

Foi um ano feliz para mim. Um ano de muitas mudanças, mudanças na rotina da minha família, um ano de pessoas novas, de novos líderes, de um novo modelo de trabalho, de aprender coisas. Estou certa de que Deus me presenteou com essa chance e esse ano que passou.

Como incorporei dois novos hábitos

Defini dois novos hábitos a incorporar na minha rotina no mês de julho, os dois são para ir ajustando duas práticas que estavam me chateando: usar demais o celular e ler menos do que eu gostaria.

O uso do celular ainda está longe de ser algo ideal, mas tive que começar aos poucos. Sabe aquela história de metas factíveis? Pois é, resolvi aplicar. Ando muito ansiosa, a ponto de me atrapalhar, de bagunçar minhas ideias e tenho certeza que o uso excessivo das redes sociais no celular está totalmente ligado a isso. Então, esse mês comecei restringindo o uso do celular depois das 22h e antes das 7:30h (aqui é mais difícil que à noite, acordo às 5:30h). Só uso se for para ver previsão do tempo, despertador. Mesmo se eu vir que tem mensagem quando vou ativar o despertador antes de dormir, não abro, não leio. E nem quando eu acordo. Simplesmente desligo o despertador. Na verdade, essa já é a terceira semana que estou fazendo isso e tenho conseguido sempre. Sexta a domingo sou menos rigorosa. E passei a também monitorar quanto tempo gasto no celular por dia, identificando o quanto é de rede social, joguinho e quantas vezes eu pego o celular por dia. Pelo próprio aplicativo do Iphone dá para ver isso. Tenho anotado os valores e o próximo passo é estabelecer um limite de uso por aí também. Mas ainda não sei exatamente qual seria a meta, então estou avaliando meus números.

O outro pequeno hábito foi de ler 10 minutos todos os dias antes de dormir, mesmo nos fins de semana. 10 minutos é muito pouco, mas novamente indo na linha da meta factível. E a leitura tem que ser de um livro, não vale outra coisa. Normalmente leio dois livros em paralelo, então posso escolher. O fato de não “poder” mais ficar com o celular na cama, me ajudou nisso. Porque fico livre para a leitura e assim obrigatoriamente vou avançando nos livros. Essa consegui literalmente todos os dias.

Todo dia pela manhã eu anoto se alcancei ou não. Um tracinho para cada período sem pegar o celular e um tracinho para a meta da leitura caso tenha lido os 10 minutos. Preciso computar porque estabeleci uma recompensa: posso comprar uma capinha nova para o meu celular se conseguir e posso comprar um livro novo de crônicas. Preciso fazer 95% da meta.

Foram dois pequenos, mínimos hábitos, que consegui colocar no meu dia e que vão me trazer ganhos numa mudança de comportamento muito maior. Quanto a não usar o celular antes de dormir, vi que pego no sono mais rápido, ou fico menos agitada antes de dormir. Ou durmo mais rápido, no sentido de não desperdiçar horas mesmo com sono navegando rede social a fora. Ou então me agitando com o joguinho.

Dei dois pequenos passos em direção a algo maior e estou bem feliz com o resultado, porque tenho visto que tem dado certo. Assim vou seguir nos próximos meses, ou me aperfeiçoando nestas práticas ou inserindo coisas novas. Alguma dica?

O meu milagre da manhã

Desde que o livro “O Milagre da Manhã” foi lançado, vejo pessoas cultivando ou tentando implantar o hábito de ter o seu milagre da manhã. Para quem não leu, o “milagre” consiste em em acordar cedo e estabelecer passos na rotina matinal que visam proporcionar melhorias em várias áreas da vida. Li o livro e sinceramente não consigo atrelar o sucesso da vida, às práticas matinais propostas. Mas desde que li, comecei a prestar atenção nesse período do dia.

Sempre gostei muito de dormir e se eu dormir pouco, as horas de sono me fazem falta. Mas apesar disso, sou mais produtiva de manhã. Sempre estudei de manhã, nunca fui aquela que entrava madrugada a dentro estudando, não conseguia. E depois que li o livro, fiquei buscando aproveitar melhor esse período que é antes de sair para o trabalho.

De maneira forçada, acordo muito cedo. Digo forçada porque não foi uma ideia espontânea minha. Levanto às 5:20h por causa dos horários do Davi. Às 5:45h ele já está na mesa comendo, porque o transporte escolar passa às 6:17h. (Não é nem 6:15h e nem 6:20h, é 6:17h mesmo, impreterivelmente). Então, tenho um período livre, de silêncio e sozinha depois que ele sai.

Esse intervalo livre são 40 min, em algumas situações já voltei e dormi mais um pouquinho. Ultimamente não tenho feito isso, porque não houve necessidade, tenho preferido aproveitar de outro jeito. Antes eu descia com qualquer roupa e depois trocava a roupa do trabalho depois. Esses dias, vi que não faz muito sentido, então já tenho descido com parte da roupa que vou trabalhar e ganho um tempinho. Parece pouco, mas esses minutos rendem muito: preparo um chá ou café e faço minha devocional diária, que consiste na leitura da página correspondente aquele dia. Depois da leitura, oro, ou melhor, escrevo minha oração. Vi que assim não me distraio e foco somente na oração. Às vezes leio outras partes da Bíblia ou algum outro livro. Escrever a oração foi uma dos melhores hábitos que adquiri para esse momento. E só então, acordo a Fê, faço um chamego nela e enquanto ela toma café, eu preparo e tomo o meu, e vou terminando de me arrumar junto com ela.

Tenho conseguido manter essa rotina de maneira que tem me agradado muito, óbvio que 100% dos dias não é factível. Precisar de horas de sono, não tem a ver com a hora em que acordamos e sim com a quantidade de horas dormidas (demorei a aprender isso com o meu marido). Então, para isso dar certo eu não posso dormir tão tarde. Mas na minha casa temos o hábito de dormir cedo, isso não é problema. E dessa forma tenho conseguido cumprir duas coisas que são muito importantes para os meus dias: ter um momento devocional e ler alguma coisa.

Tenho um desafio que é não utilizar o celular durante esse período e começar assim a diminuir o tempo gasto em redes sociais e whatsapp. Esse é bem difícil para mim, mas aos poucos, chego lá também.

 

Trainee de CEO

Trabalho com planejamento e gestão desde sempre, mas o lugar que mais desenvolveu a minha capacidade de planejar foi a minha casa, mais especificamente a maternidade. E principalmente sendo mãe de dois.

Enquanto estava só amamentando era mais fácil, pois a preocupação com a comida não existia. Mas agora Fernanda já está na comidinha e preciso me programar para comprar o que precisa, preparar a comida do fim de semana e sempre ter uma reserva congelada. Durante a semana ela come na escolinha e isso já ajuda bastante.

Cabeça de mãe parece que está sempre na frente, eu estou sempre fazendo a conta de que horas preciso chegar no lugar e para isso que horas preciso começar a me arrumar. Começo a me arrumar com muita antecedência e ainda assim chego um pouco atrasada ou exatamente na hora. Antes da hora, uma raridade. Quem nos vê na igreja domingo à tarde, não faz ideia do mini caos que a casa ficou para que estivéssemos todos lindos e cheirosos para o culto. Minha pia que o diga. E quando a gente finalmente consegue se arrumar com uma folga e rola aquele cocô que suja a roupa toda? Para que eu quero descer!

Antecipadamente marcamos o pediatra e já chegamos lá com todas as dúvidas listadas, saindo dali providenciamos remédio, vacina, implantamos novas rotinas, mudamos alguns processos. Com a chegada do inverno, temos que substituir as calças do mais velho que não cabem mais e a gente só descobre na hora que está arrumando ele para ir à escola. Semanalmente, checa se tem dinheiro para pagar a Maria e quase nunca tem, então em algum momento vou ter que passar no caixa eletrônico. Diariamente, substitui o que sujou da escola na bolsa, vê as agendas e a da pequena gera até uma ansiedade para saber se comeu direitinho ou não. Da agenda também podem surgir desdobramentos, como guardar sucata e entregar dia x (esse dia x vai para minha agenda para não esquecer), festinha do amigo dia y, com isso vamos comprar um presentinho.

Sério, eu me desenvolvi muito quanto a se planejar e me organizar de forma a facilitar minha vida com a chegada dos meus filhos. Com a Fernanda, isso se tornou ainda mais necessário. Um dia li um texto de um blog, que a autora dizia que ela era a CEO da casa dela. Quando acabei de ler queria dar um abraço nela, por ter conseguido definir tão bem o que eu sentia. A gente vive assim mesmo, cuida da logística, gerencia pessoas, coordena as agendas, providencia os suprimentos, promove o bem estar e harmonia do nosso lar, surta um pouco e ama muito. A pesada, doce, linda, desafiadora, infinita, abençoada e mais-milhares-de-adjetivos arte de ser mãe.

 

 

Top 10

♥ Não grita!

♥ Vai calçar o seu chinelo.

♥ Eu não estou gostando desse comportamento.

♥ Eu estou te chamando, vem aqui agora.

♥ É pra guardar tudo agora.

♥ Cuidado pra não derramar.

♥ Para de brincadeira e come sua comida direito.

♥ Devagar, ela é bebê.

♥ Você brincou o dia todo, agora está na hora de dormir.

♥ É a última vez que eu vou falar.

As primeiras saídas

Quando a Fernanda fez 40 dias, fomos a Igreja. Sei que o recomendável é que espere um pouco mais para sair e evite lugar fechado com muita gente (exatamente o que é a Igreja), mas para a manutenção da minha sanidade mental eu precisava ver pessoas e sair um pouco. Foi desse mesmo jeito que fiz com o Davi e deu tudo certo. Assim fomos! Toda uma logística para organizar a hora de mamar dela, para que não fosse necessário amamentar durante o culto. Nada contra, uma questão simplesmente de praticidade. Então amamentei já pronta para sair e ela passou o culto todo dormindo, chegou e saiu da Igreja dormindo.

Depois desse dia, fui só mais duas vezes, teve feriado, Diego viajou e não me aventuro de ir sozinha com os dois ainda. Mas esse domingo nós fomos de novo. Para evitar que a gente chegue muito atrasado, já vou adiantando umas coisas desde muito cedo: já deixo a bolsa dela pronta, já escolho a roupinha dela e a minha. E esquematizo o jantar do Davi, muito antes já tinha deixado a porção de comida pronta no prato só para esquentar quando chegasse a hora certa. E nem adiantou separar a roupa antes, porque vesti e quando fui ver se estava fácil para amamentar caso fosse necessário, vi que estava zero de facilidade. Tive que escolher outra.

Gosto de tomar banho o mais perto da hora de sair, mas com um bebê em casa nem sempre fazemos as coisas na hora que temos vontade, na maioria dos casos é quando dá mesmo. Fim de semana isso até fica mais fácil, porque Diego está em casa. E assim nos dividimos no último domingo a tarde, Diego arruma o Davi e dá o jantar dele eu arrumo a Fernanda e dou o jantar dela.

Nesse domingo consegui ir ao culto da manhã e a noite, mesmo o da manhã sendo mais longo decidi ir. O culto sempre será longo, sempre dará uma preguicinha de organizar tudo para ir, porque corre o risco de chegar lá e a garota ficar chorando e eu não assistir culto algum. Mas faz parte e resolvi tentar.

De noite antes de sair, Davi começou a chorar porque queria continuar brincando e não ir a Igreja. Ignoramos o fato, fomos pegando as coisas e saindo de casa e o garoto berrando. Nisso Fernanda que dormia se assustou com o choro e ficaramm os dois berrando no elevador. Diego me olhou e rimos um pro outro, daquela cena, dessa fase, foi um sorriso de “Tamo junto aí, vai passar!”

E mais um dia de tentativa de voltar aos poucos à rotina que funcionou. Assisti ao culto, Fernanda chorou um pouco, fez cocô, troquei, Diego ficou acalmando ela durante a parte final e deu tudo certo. Porque um dia como esse, essa realidade agora significa dar tudo certo para mim, para nós.

Conta aí, Aline!

aline_editada

Aline Salles Kolesnik Hintze da Costa*, 33 anos (*ficou meio grande esse nome, hein?)

Mãe do Edu e da Bia, gêmeos de 2 anos.

Porque ela foi a primeira pessoa que pensei para estar aqui: Profissional dedicada e meio sinistra no que faz. E é sobre esse equilíbrio entre mercado de trabalho e maternidade de gêmeos que quis que ela compartilhasse. Ela é diretora numa empresa de varejo, na área de Operações e Negócios.(Falei que ela era sinistra…)

Casada com o Diogo há 7 anos e Administradora de Empresas.

Como a conheci: na Igreja de Pinheiros, a sogra dela é uma amiga muito querida, aquela que pega o Davi na escola quando tenho alguma emergência. Aline se tornou muito especial, por quem tenho um carinho enorme. Tem uma história de luta, mas de muitas vitórias e eu a admiro por isso, ela me transmite paz e tem um papo muito bom.

♥ Quando se viu grávida de gêmeos, além da alegria claro, bateu um medo de não dar conta de tudo o que estaria por vir mais o seu trabalho?

Aline: Fizemos tratamento para engravidar. Sempre pedi ao médico apenas um bebê, achando que eu tinha algum controle sobre a situação, rs. Depois de algumas tentativas, segui o conselho médico de colocar 2 embriões, senti naquele momento que eu realmente não controlava nada e entreguei. Dois dias antes da confirmação, Deus confirmou no meu coração através de um sinal que eram gêmeos. Meu lado racional não quis aceitar, mas 18 dias depois o ultrassom confirmou que eram dois.

“A reação foi só de alegria, a preocupação passou e só queria agradecer a Deus pela benção, me sentia especial por ter minha oração atendida em dobro.”

♥ Como foi, às voltas da licença maternidade, se ver sem emprego com dois filhos em casa para criar? Bateu algum desespero? (*quando voltou da licença, a Aline foi demitida da empresa em que estava)

Aline: Bateu sim, foi muito difícil. Não só a preocupação financeira, mas foi uma surpresa, para quem mais uma vez achava que tinha o controle de tudo. Abri mão de coisas muito sólidas para tocar o projeto que estava. Foi um mês de tristeza, questionamentos e frustração. Deus deve ter me olhado e pensado, “eu acabei de permitir tantas experiências de cuidado com ela e ela já está em dúvidas se eu estou cuidando de tudo?” Mas depois do 1º mês, tudo se acalmou, Deus abriu oportunidades e uma porta muito melhor para mim e minha família, só tenho a agradecer.

♥ Nesses dois anos, é possível indicar qual a maior dificuldade na maternidade?

Aline: Só uma? Rs. Achei muitas…Não sei como é ser mãe de um só, mas é uma enxurrada de afazeres, sentimentos que nascem num só dia e administrar tudo não é fácil. Agora entendo que a formação em administração, experiência com Logística, Supply Chain, me ajudaram muito, rs.

“O mais difícil sobre a rotina eu acho que é a ausência de pausas”.

Estou sempre ligada, o tempo todo fazendo algo e me organizando para dar conta da próxima atividade. Não existe a sensação de “ufa, é sexta, vou descansar!” Não tenho babá à noite, nem fim de semana, gosto de ser presente.  Sinto falta de um respiro, um banho mais longo, de ver um programa, de ficar com o Di a toa. (*Di é o Diogo, o marido, paulistas chamam as pessoas pela primeira sílaba do nome. Eu também faço isso às vezes.)

O mais difícil é se manter firme sobre o que acredito que é ser boa mãe. É muita gente analisando e por mais que eu não queira, acabo me culpando, me comparando. Ninguém conta o lado B da maternidade e o simples fato de eu sentir o lado B, eu me culpo. Como assim se cansar, sentir falta da sua própria vida, de ficar sozinha, conversar com calma com os amigos, se todos acham que a maternidade é sempre perfeita? Me agarro na certeza de que estou fazendo meu melhor.

♥ Com a maternidade, sua relação com o trabalho mudou ou você conseguiu adaptar a realidade de mãe com o dia a dia de uma executiva? 

Aline: Encaro o trabalho como ferramenta de transformação de vidas e isso não mudou. Quando recebi o convite de trabalhar aqui, disse que eu e a babá tínhamos horário, eles são minha prioridade e que eu não poderia ficar até tarde, etc. Meu chefe foi direto: “Respeito sua vida, sua maternidade e não vou te cobrar por horário. Vou te cobrar pela entrega do resultado como cobro qualquer um”. E isso acontece, fora exceções e viagens que tento sempre fazer bate volta ou ficar apenas 2 dias fora, saio às 18h correndo e cuido das crianças. Tenho uma equipe muito competente e a empresa me respeita, valoriza a minha maternidade e me cobra do mesmo jeito.

“Isso me aperfeiçoou, porque sou cada vez mais objetiva, invisto meu tempo no que é prioridade sendo mais eficiente.”

E claro, tenho um sentimento de admiração, gratidão e respeito maiores pela empresa, meus gestores, pares e equipe que fazem eu vestir a camisa até mais. Puxado e intenso, mas sinto que consegui equilibrar e isso me deixa bem feliz.

♥ Você acha que a relação dos seus chefes ou subordinados é outra agora que você é mãe? Ou seu posicionamento “blindou” qualquer tipo de diferenciação?

Aline: Como mudei de empresa, é difícil comparar. Sempre desperta curiosidade e admiração. “Nossa, você tem gêmeos e ainda dá conta de tudo?” Já ouvi comentários de outras mulheres: “Se você dá conta, eu também posso dar, né?” Além da capacidade de me colocar no lugar do outro, que aumentou com a maternidade e me dão mais serenidade. Mas faço tudo para separar, não uso meus filhos como desculpa. Não marco médico durante o expediente, não falto e faço de tudo para ninguém fazer esse vínculo e conseguir separar a Aline mãe e a profissional. Prefiro assim.

♥ Você tem alguma rotina especifica para manter tudo em dia, seus compromissos e atividades? Você é organizada, planejada para controlar o dia a dia? 

Aline: Tenho facilidade com processos, definir o começo, meio e fim, sou prática e muito objetiva. Não uso nenhum aplicativo, mas sou viciada em planilhas. Tenho a rotina da casa e das contas toda planilhada, meus afazeres do trabalho eu reviso toda manhã e se o assunto não é relevante, fica para depois. Como preciso sair em ponto, sou bem focada e organizada. Mas não uso muitos recursos para me organizar e virar mais uma obrigação.

♥ O que te diverte, te faz descansar um pouco?

Aline: Gosto de correr de manhã enquanto eles dormem, ver seriados e documentários, nada muito sério (minha vida já é séria), gosto de estar e receber amigos e me arrumar com muita calma (quando eles dormem). Isso me faz super bem.

♥ Como é a sua rotina com os meninos ao longo da semana? E fins de semana?

Aline: Acho fundamental a rotina e isso reflete diretamente no sucesso de cuidar de dois. Durante a semana, por 3 dias eu acordo às 6h e treino. Às 7h30 dou a mamadeira ainda dormindo, tomo banho e me arrumo. Às 8h, eles acordam, ficamos de chamego, a Rose* (*Rose é a babá) chega e vou para o trabalho a pé (o que foi uma conquista, nos mudamos para eu dar conta de tudo, estava pesado demais encarar o trânsito). Saio correndo às 18h, dispenso a Rose e brinco até umas 19h30. Oramos juntos, dou o jantar, enquanto preparo o meu e do Di. Assistimos TV nós 4 juntos, nos intervalos trocamos fraldas e escovamos os dentes. Às 21h30, faço as mamadeiras, a gente se despede (umas fofuras) e cada um vai dormir no seu bercinho. Eu e o Diogo dormimos às 23h. Final de semana sempre tem compromissos diferentes. Quando estamos no grupo de louvor da igreja, é uma correria e as avós nos ajudam demais (Salve as avós!). Tentamos manter certa rotina e curtir mais o dia, pracinha, parquinhos que eles curtem mais.

♥ Como você faz com a alimentação deles? O que você procura evitar, o que é terminantemente proibido?

Aline: Sou chatinha. Até os 2 anos não podia nada de industrializado, açucares, etc. Sempre comida caseira, nada de papinha, muita fruta. Hoje deixo ocasionalmente em festas eles comerem o bolo e doces. Está bem difícil controlar a Rose, os avós, tios e amigos.

“Já falei que vou montar um kit de torradinhas integrais, goji berry, geléia sem açúcar, barrinhas e castanhas para deixar nos avós, rs. Eles adoram tudo isso e não vejo necessidade de liberar doces sempre. Se eles gostam de coisas mais saudáveis, por que não?”

O Du é muito grande e forte (20 kilos e projeta 1,9m na fase adulta) com uma pancinha enorme. Não quero incentivá-lo aos doces para não virar obesidade infantil. Sou chata porque só eu jogo a favor, todos acham graça deles comendo besteiras e se eu não insistir, eles comeriam besteiras diariamente.

♥ Quando você perde realmente a paciência e tem vontade de pausar tudo e dormir por horas?

Aline: Dormir eu tenho vontade sempre, rs. Eu lembro de ter perdido a paciência seriamente por duas vezes. A primeira, eles tinham poucos meses e tive uma visita que sabia de tudo, dava ordens o tempo todo de como eu deveria fazer, tudo mesmo. Não via a hora dela ir embora. Hoje me seguro muito para não dar opinião, se alguma amiga precisar, é só me perguntar.

A segunda vez foi com o Eduardo. Ele estragou várias maquiagens e cremes novinhos, um seguido do outro. Dava a bronca, colocava de castigo e 30 minutos depois aprontava outra e não parava. Fiquei muito brava, com vontade de esganar ou fugir ou largar na avó, rs. O Diogo ficou surpreso com a minha irritação. Mas sei que vou perder muitas vezes ainda, está só começando, rs.

♥ O que é ser mãe para você? (*fiquei toda emocionada com essa resposta, não tenho gêmeos, mas muito em breve terei dois)

Aline: É se achar a melhor pessoa do mundo por vê-los me amando e admirando o tempo todo.

“É diariamente ter que escolher em quem dar o primeiro abraço, esquecer o que é ter casa arrumada, sem brinquedo espalhado.”

É virar referência: a mãe dos gêmeos. É se encher de culpa quando os dois precisam de mim e eu tenho que escolher um para dar atenção primeiro. É transformar qualquer atividade numa linha de produção. É analisar com carinho as semelhanças e diferenças de cada um e tentar aprender com isso. É assistir um desenho com os dois braços ocupados de abraço. É transformar qualquer saidinha numa aventura. É gastar dobrado. É ter duas vidinhas para acompanhar e amar ao mesmo tempo. É gerenciar conflitos, porque o brinquedo que está na mão do outro é sempre mais legal. É perceber como mesmo em ambientes tão grandes eles preferem ficar juntos, sempre encostando um no outro. É chamar atenção pela curiosidade das pessoas ao ver a dupla. É ter prazer ao responder mil vezes às mesmas perguntas de quem acha o máximo ter gêmeos, ainda mais um casal. É ver o coração se derreter quando os dois se abraçam e cuidam um do outro. É ter orgulho de receber de Deus o presente da maternidade em dobro e em casal. É ter a certeza de que mãe não ama um filho mais que o outro e no meu coração eles cabem por inteiro.