A criança e os limites

Ultimamente tenho conversado com pessoas de grupos distintos sobre o desafio que é educar uma criança, as dificuldades desse tema e o comportamento cada vez mais frequente de crianças que fazem suas próprias vontades.

Eu tenho dois filhos e consigo perfeitamente identificar quando o comportamento deles está chato, irritando quem está em volta, estão passando do limite do engraçadinho para o desagradável. Eu tenho zero paciência com criança que faz suas próprias vontades, mas também não sou hipócrita de dizer que essa situação jamais aconteceu por aqui. Já aconteceu inúmeras, mas tenho consciência de que sempre que permito, é porque estou com preguiça de corrigir, de ajustar a rota, de conversar e orientar.

De modo geral, as pessoas têm a tendência de dizer que a criança tem um gênio difícil, que tem personalidade forte ou coisas parecidas. Isso é verdadeiro, meus dois filhos têm gênios e personalidades completamente diferentes, sendo que um deles de fato tem o gênio mais difícil e uma personalidade mais forte. O ponto é que isso não pode ser desculpa para a criança tocar o terror, para ela ditar o que vai ser feito porque como ela tem “personalidade forte” ela não aceita opinião contrária. Entendo que ninguém é obrigado a fazer algo que não quer com alegria e sorriso no rosto, mas dependendo da situação temos que fazer gostando ou não, e novamente, não gostar da “ordem” não nos dá o direito de faltar com o respeito e perder a educação. Isso vale para adultos, por que não valeria para as crianças? Sempre digo para o meu filho, você tem todo o direito de não gostar, mas nunca terá o direito de gritar, de me responder com grosseria.

Não devemos ser ditadores, nosso relacionamento com nossos filhos deve ser um lugar de acolhimento, de conversa franca, de amor, de compreensão, de diálogo mesmo, mas também deve ser lugar de disciplina. Não é honesto da nossa parte como pais, permitir que nossos filhos façam suas vontades, porque a vida não é assim. Em nenhum lugar. Existem situações que eu tenho muita dificuldade de entender: “não vou a restaurantes porque meu filho de 3,4 anos não fica sentado” – como assim, gente? Óbvio que a criança não vai ficar 3 horas sentada, prestando atenção na conversa tranquilamente, mas não consegue ficar sentada, com alguma coisa do interesse dela, enquanto os pais comem, não consegue comer com os adultos? Isso não é personalidade forte, isso é que sempre permitiram um comportamento e quando ele chegou aos 4 anos resolveu-se dizer que não pode mais ser daquele jeito. A criança por mais agitada que seja nem tem “culpa”.

A vida é feita de escolhas e consequências, de combinados – para usar uma palavra que costumo falar com meus filhos. Em qualquer circunstância da vida, com qualquer idade, quando não cumprimos um combinado, sofremos alguma consequência. Não podemos ensinar diferente às nossas crianças e desde muito pequenos eles são capazes de entender isso.