Maternidade e carreira: vendo de outro jeito

Nos primeiros 5 anos da minha maternidade, tinha certeza de que eu só seria realizada se não passasse o dia inteiro trabalhando fora. Queria ter um trabalho no qual me dedicasse meio período ou me desse uma flexibilidade que os empregos “convencionais” ainda não dão. Isso para mim era, até então, o segredo do sucesso e mulher plena. Continuo achando essa uma ótima opção, mas não a única.

Um pouco disso se deve ao meu perfil não ser exatamente o totalmente esperado pelo mundo corporativo e por não ter na minha carreira a minha grande realização e ambição de vida. E isso não tem causa na maternidade, sempre foi assim, a maternidade só reforçou.

Sai do meu primeiro emprego depois de 10 anos atuando na empresa, fiquei 1 ano e meio em casa e voltei a trabalhar por conta de uma oportunidade que apareceu sem eu esperar, em um segmento que eu esperava menos ainda.  E aí meu relacionamento com o trabalho mudou um pouco, talvez eu esteja numa posição mais aderente ao meu perfil, numa posição confortável, que me desafia, onde interajo com pessoas legais, aprendo e ocupo meu tempo e minha mente. Não sei até quando será assim, se algum dia o clima lá pode mudar…. aprendi também a viver o hoje e entender que algumas coisas não precisam ser definitivas para todo o sempre. Quase nada é para todo o sempre. Então, vou levando esse modelo enquanto ele fizer sentido para mim e principalmente para o que considero bom para minha família.

Dentro do que creio, administrar e cuidar da casa e da família é o meu papel como mulher, o meu papel principal. O ponto que virou a chavinha para mim, recentemente, mais precisamente mês passado, é que para tornar isso realidade eu posso trabalhar fora ou não. Eu posso me dedicar a outras coisas e ter na minha família a minha prioridade. Ufa! Que alívio. A culpa se foi. Quase 7 anos depois de eu ter me tornado mãe…

Zero crítica a quem se dedica exclusivamente ao cuidado da casa e dos filhos, a quem deixa na escola, com familiares, com babá, quem nem leva para escola. Cada família sabe o que é melhor para si e adota o melhor modelo. É o que sempre repito: esse é o modelo que está fazendo sentido para gente agora. Aliás, um modelo nunca considerado por mim e que talvez seja um dos melhores momentos da minha vida desde que meu primogênito nasceu. O mais equilibrado por n razões, mas tenho a convicção de que sou uma mãe presente, disponível e que busca sobretudo agradar a Deus mesmo passando o dia fora de casa e deixando meus filhos com terceiros, ou para ficar menos chocante, com a minha rede de apoio. Aliás, uma excelente forma, e mais real na minha opinião, de enxergar o que muitos chamam de “terceirização dos filhos”. Graças a Deus pela maturidade, pela experiência e pela descoberta de outras formas de ser mãe. Deus não me quer perfeita, ele me quer dedicada!