Um menino chamado Miguel

Hoje indo ao trabalho, parei em um sinal fechado e tinha um menino pedindo dinheiro. Já tinha passado no dia anterior por aquele lugar e observado que tem uma família “acampada” no canteiro, com uma placa dizendo que eles precisam de comida, cobertores, fraldas e outras coisas.
Quando vi aquele menino se aproximando do meu carro, meu impulso foi fechar o vidro que estava só um dedo aberto. Mas a medida que ele foi se aproximando, meu coração foi partindo. Sempre parte quando vejo crianças no sinal. Principalmente depois que tive filhos, essas cenas acabam comigo. É inevitável não pensar nos meus próprios filhos.
Decidi então abrir todo o vidro para falar com ele, ele de fato pediu dinheiro eu disse que não tinha, mas perguntei o nome dele, se chamava Miguel e tinha 7 anos. Um lindo menino, que parecia até envergonhado, tímido com minhas perguntas, ficava colocando a gola da camisa na boca, a mão… E eu disse a ele que ele tinha um nome lindo, que eu tinha um filho da idade dele e que ele era muito bonito. O sinal abriu e eu só consegui dizer “Deus te abençoe, Miguel”. E passando com o carro, vi que tinha um menino ainda menor pedindo dinheiro também, muito provavelmente da mesma família que o Miguel.
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Não dei o dinheiro porque nem sei se ele seria beneficiado com isso, minha vontade era pegar ele e levar para casa, dar uma volta de carro, comermos algo, sei lá, proporcionar qualquer coisa para ele, embora eu saiba que ele não precisa de “qualquer coisa”, ele nem merece “qualquer coisa”. Ele tinha que estar numa casa quentinha, ter opções do que comer no café da manhã, ir a uma escola legal, conviver com outras crianças, ser cuidado. Ser criança!
A maternidade desenvolve na gente, ou em algumas de nós, uma empatia diferente, principalmente se houver uma criança, uma outra mãe envolvida na situação. A gente dedica a vida para cuidar dos filhos, indo checar nas noites de frio se eles estão cobertos, tentando minimizar a tosse, fazendo uma comida rica em nutrientes, saudável, proporcionando oportunidades de desenvolvimento. E essas como o Miguel ou em situações até piores? Não tenho resposta e talvez por isso aquele rostinho moreno, colado na minha porta, não tenho saído da minha mente durante o dia de hoje. Não é justo…
Meu desejo continua o mesmo do início da manhã, que Deus abençoe o Miguel.