1 ano de Mulher para Mulher

Há 1 ano eu começava um novo caminho na vida profissional: era o primeiro dia numa das grandes varejistas de moda que temos, uma que fala de mulher para mulher. E isso é realmente muito forte lá dentro, não é só um slogan.

A oportunidade apareceu de onde eu nem esperava, uma pessoa conhecida da igreja me mandou uma foto de um treinamento que ele estava fazendo pela Falconi (a consultoria que trabalhei por 10 anos) e eu disse que não estava mais lá. Na ocasião, eu já tinha saído há 1,5 ano. Ele perguntou se tinha interesse em mandar meu currículo e despretensiosamente disse que sim. Naquele momento havia uma vaga que se encaixava comigo.

Simultaneamente eu participava de um processo seletivo para dar aula no Mackenzie e essa seria minha primeira opção. A resposta da varejista veio primeiro e eu tinha sido aprovada no processo deles. Ainda assim, eu segui com o Mackenzie, mas lá eu não fui aprovada. Não foi a maior decepção da vida porque lá o desafio talvez fosse maior que eu e de alguma forma já tinha outra opção. Além disso, o cara que me entrevistou no Mackenzie me deu um feedback tão positivo, que até hoje trago à memória para me animar quando preciso.

Em agosto de 2018, comecei a trabalhar lá e desenvolvi uma relação com o trabalho que até então eu nunca tinha tido. De leveza. Trabalho no escritório, no coração do escritório porque minha área dá suporte direto às lojas; trabalho para facilitar a vida de todo mundo que está na ponta vendendo e garantindo que eu possa ter meu emprego. De forma bem resumida, é isso. Entendo que diariamente estou ali para que as lojas sejam capazes de vender mais, para que os gerentes tenham cada vez mais tempo para se dedicar ao mais importante. E isso me faz bem. Tenho como princípio de vida fazer diferença na vida das pessoas com as oportunidades que tenho e vejo que meu trabalho me proporciona isso. Toda vez eu ensino um gerente a fazer o processo de maneira correta, eu mudei a vida dele de alguma forma. Sempre que eu respondo uma dúvida, encurto o caminho para a solução, eu alcanço alguém que está numa loja. Minhas planilhas são minhas orientadoras para alcançar as mais de 300 lojas espalhadas por aí. E talvez enxergar a coisa dessa forma me ajudou a mudar essa relação com o trabalho.

O ambiente em que estamos inseridos ajuda muito: a empresa preza verdadeiramente pelos relacionamentos, é visível. Há uma preocupação com o indivíduo, com o ser humano que está por trás de cada computador ou cada loja. No dia a dia, claro, isso pode não ser tão transparente e óbvio; mas muitas vezes, em alguma reunião, alguém lembra que não somos máquinas. Trabalho com muita gente boa, comprometida, a liderança a que estou submetida é muito bacana. E, o principal, as pessoas são m-u-i-t-o divertidas.

Foi um ano feliz para mim. Um ano de muitas mudanças, mudanças na rotina da minha família, um ano de pessoas novas, de novos líderes, de um novo modelo de trabalho, de aprender coisas. Estou certa de que Deus me presenteou com essa chance e esse ano que passou.

Mente vazia

Prometi a mim mesma que dormiria cedo hoje, dormi muito pouco nas últimas noites e isso acaba com meu dia, mina minha energia para fazer as coisas. Mas minha cabeça está a mil, nem sei exatamente porquê, mas resolvi escrever para aliviar um pouco isso e quando for dormir, ter um pouco mais de leveza na mente. Recomenda-se esvaziar a mente…

Nitidamente minha maternidade está entrando numa nova fase, por conta da nova fase em que o Davi está entrando. A nova escola, nova rotina, convívio com mais crianças e mais velhas têm trazido questões que até então não tinham aparecido. E meu primogênito já é um serzinho que questiona, observa e demanda constantemente por respostas, explicações, validações. Se eu for satisfazer todas as demandas dele, não atendo a Fê. E isso tem me desgastado internamente, achar esse ponto de equilíbrio, os dois precisam da minha atenção, ainda que um tenha uma personalidade que acaba monopolizando um pouco. E outra, se eu for atender todos os questionamentos dele, eu não resolvo os meus. Sim, eu ainda tenho alguns.

Estou trabalhando numa empresa varejista, minha primeira experiência nesse setor. E o varejo não tem teoria descrita nos livros. Muita variável envolvida, muita atenção e aprendizado com pessoas que já têm experiência, mas isso me causa uma certa ansiedade. Ansiedade em aprender logo tudo de uma vez, como se isso fosse possível.

Desafios e combinados que estabeleci comigo estão por um fio, por falta de disciplina, falta de resiliência e falta de confiança em mim mesma, na minha capacidade e a vergonha que eu tenho de dizer que “não consegui”. Acabo optando pelo não tentar, mas me cercando de argumentos para convencer de que realmente não daria. Chega a ser infantil, como se eu devesse explicação para alguém. Ninguém paga minhas contas. Meu marido paga na verdade, mas esse sei que fecha comigo e me incetiva a continuar… Eu detesto esse lado meu, sério.

Por último, meus sonhos. Tenho alguns, que fervilham na minha mente e eu não consigo tirar de lá. Preciso tirar de lá, para que eles se tornem algo concreto, factíveis de serem perseguidos e consequentemente alcançados.

Uns dias numa praia para organizar as ideias. De preferência sozinha, sem redes sociais.Talvez só esteja precisando disso, mas como acho que não vai ser possível, preciso pensar no plano B. Dicas?

Bom, por agora pelo menos, mente esvaziada com esse texto e uma noite inteira de sono pela frente. Já é alguma coisa.