Conta aí, Carla!

carla e mig

Carla Medeiros, mãe do Miguel de 3 anos.  Casada com o Selmo há 9 anos.

Profissão: fisioterapeuta e se arriscando em realizar festas

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela é mãezona mesmo e antes do Miguel, ela passou por dois momentos muito delicados.

Como conheci a Carla: ela era namorada de um amigão da UFRJ, o Selmo. Fui madrinha de casamento deles e sempre que dá nos encontramos no Rio. É uma típica carioca: animadona, prática, sem frescuras, gosta de um samba e tem um sotaque bem chiado que eu amo!

♥ Antes da chegada do Miguel , você por 2 vezes teve a gravidez interrompida. Como foi esse período e o que tirou de aprendizado?

Carla: Na primeira, não cheguei a escutar o coraçãozinho. Estava de 8 semanas quando fomos a primeira ultra. Apesar de não parecer grande coisa, estávamos muito envolvidos, era um desejo imenso. Ainda tive que tomar uma decisão: fazer curetagem ou não. O meu médico da época me convenceu que seria melhor e fizemos, era Julho de 2009.

♥ A segunda perda ♥

Em fevereiro de 2010, o tão esperado positivo novamente, nessa época morávamos em Caraguatatuba. Tudo corria bem até a 18ª semana, era a Sofia quem estava a caminho e uma dor enorme começou a me perturbar. Tinha uma consulta em Caragua na semana seguinte, então corri para o Rio para ser vista pelo médico que me acompanhava. No hospital, suspeitaram de tudo pelo meu relato e como eu tinha 18 semanas, fizeram apenas uma ultra e viram que Sofia estava ótima. Mas erraram em não verificar o colo do útero. Fui medicada com analgésicos.O que eu sentia eram contrações, devido ao encurtamento do colo do meu útero, o bebê forçando a passagem e meu corpo entedia que eu estava em trabalho de parto. Daí pra frente vocês já sabem o que aconteceu… Lá fui eu pra uma segunda curetagem, era maio de 2010. Foi muito difícil, roupinhas compradas, muitos presentes, muitas ideias e tudo mudou.

“Eu e Selmo acreditamos em Deus e sabemos que Ele prepararia tudo no momento certo e que Ele só dá o fardo a quem consegue carregar. Crendo nisso, sabíamos que nossa hora chegaria, no momento certo e no momento DELE, o Senhor nos abençoaria com um lindo anjo.”

♥ O recomeço ♥

Discordando de algumas condutas do meu médico e querendo investigar, resolvi “googlar” e procurar médicos que cuidavam de gestação de risco e descobri o Dr. Paulo Gallo, esse sim “O MEU” médico!!!

Ele me investigou dos pés a cabeça, tanto eu quanto Selmo, muitos exames e tudo normal. Mas uma vídeo histeroscopia nos apresentou um quadro de incompetência istmo cervical (IIC), conhecida com incompetência uterina. Pode ser uma má formação genética do útero ou causada por uma “raspagem excessiva” nas curetagens que tinha realizado (o que Dr.Paulo, o médico que fez a video acreditam e eu também). Na próxima gestação, eu teria que realizar uma CERCLAGEM e que a primeira perda não teve relação com a segunda, foi configurada como aquela perda que 75% das mulheres estão sujeitas, o aborto espontâneo.

Faltava ainda um exame a ser feito, eu estava com medo, ouvia horrores dessa histeriosalpingografia. Demorei de janeiro a setembro para marcar, e quando decidi, no dia 27 de setembro de 2011, descobri que em meu ventre germinava uma linda semente. 

♥ Aprendizados ♥

–  precisamos passar por algumas coisas e só Deus sabe o verdadeiro motivo

–  a mulher tem a escolha durante a gestação, de decidir se será submetida a uma intervenção cirúrgica, seja ela uma curetagem ou uma cesárea (a partir do momento que a vida de ninguém esteja em risco)

– o primeiro medico não estava errado na sua conduta (eu até certo tempo pensei assim) , que simplesmente é o jeito dele de conduzir suas pacientes

– Curetagem é um procedimento necessário em alguns casos e que na primeira gestação eu podia ter esperado meu corpo reconhecer que a gestação não havia evoluído e deixar ele se encarregar de eliminar o que fosse preciso.

♥ Na gravidez do Miguel, você ficou de repouso boa parte da gravidez. Como foi lidar com isso, já tendo passado pelas experiências anteriores?

Carla: A intercorrência na gestação do Guel já era sabida que podia se configurar. Dr.Paulo, a partir da 10ª semana, me orientou a ultras semanais para medição do colo do útero, se até a 13ª estivesse tudo ok, levaríamos a gestação sem intervenção cirúrgica.

“Na última ultra para o OK final, saí direto para o centro cirúrgico: meu colo estava abrindo e encurtado, chegou a hora da CERCLAGEM!”

Eu reagi bem a situação, sabia que me ajudaria a ter meu pequeno em meus braços e tinha total confiança no Dr.Paulo.

Fiquei da 13ª semana até a 35ª de repouso absoluto, levantava apenas para tomar banho, comer, me reclinar no máximo em 45º, fazer ultra de 15 em 15 dias e 1 vez por mês ao consultório do Dr.Paulo.

*(A cerclagem é um procedimento em que o medico faz pontos (costura) o colo do útero para não haver a expulsão da bolsa.)

♥ Como foi para você, que é super ativa, ficar quietinha durante esse tempo? 

Carla: Fiquei a gestação inteira na casa da minha mãe. Precisava de alguém 24h, Selmo sempre atencioso e preocupado, vivendo intensamente tudo comigo, mas estava trabalhando em SP  e eu precisava de ajuda física naquele momento.

“E preciso mencionar o quanto minha mãe foi importante nesse período, acho que não seria mãe se não fosse ela. Ela gerou o Miguel comigo.”

Ela me trazia comida, me secava pós banho, colocava roupa…Coisas que só mães fazem por um filho. Meu espelho, minha paixão, minha companheira de todos os momentos bons e ruins, meu tudo! Mãe, eu te amo!

Levava os dias bem tranquila, lia muito, pesquisava sobre bebês, conversava com outras mães que passavam pela mesma situação que eu num grupo de mães com IIC, fiz laços de amizades e temos contato até hoje. Sempre com visitas, primos, minha mãe organizava reuniões dos meus tios finais de semana, filmes e assim foi… Com altos e baixos, mas feliz porque tinha o Miguel comigo.

Miguel nasceu prematuro de 35/36 semanas: 49cm , 2690kg

♥ A amamentação do Miguel não foi exatamente como você e qualquer mãe espera (como váárias outras coisas na maternidade né?). Como lidou com isso?

Carla: Miguel prematuro, preguiçoso, não pegava no peito de jeito nenhum!!!  E eu fui ficando louca:

“Não é possível que depois disso tudo, amamentar meu filho que era meu desejo, que pesquisei nos dias de repouso, meu sonho não seria concretizado?”

Frequentei grupos de amamentação, contratei enfermeira, usei bico de silicone, isso nos 20 primeiros dias e nada… Não aceitava dar LA, forçava o peito um tempo, ele não pegava e nem chorava, dormia muito (alias até hoje, rs). O pouco que mamava era meu leite extraído e dado na mamadeira quando eu já estava exausta e cedia…Miguel perdendo peso, chegou a 2380kg, eu triste, entrando em depressão, achando que eu não servia para ser mãe (aqueles exageros que sempre nos acusamos nesses momentos). Aí o pediatra me deu uma dura e acho que ali acordei e desencanei um pouco, tive que ceder ao LA, frustrada, mas tenho certeza que ainda amamentarei um bebê no meu seio.

♥ Como foi conciliar sua vida profissional e como é sua rotina hoje?

Carla: Minha vida profissional foi deixada de lado desde que entrei de repouso, fiquei com ele direto até 6 meses, e minha mãe começou a me ajudar, ficando com ele 2/3 vezes na semana, e fui voltando. Com dois anos ele foi para escola, mas mesmo assim não quis abrir mão de ficar com ele. Eu e Selmo combinamos de eu manter os 3 dias de trabalho e dois dedicados ao Miguel e outras coisas.

♥ Como você faz com a alimentação dele?

Carla: SOU CHATA, até quando eu conseguir terminantemente proibido, refrigerantes. Do resto tento equilibrar tudo. Ele come muito bem, legumes, verduras, sucos naturais, frutas….Sou do tipo que não induzo, porque oferecer agora? Se um dia ele descobrirá sozinho e aí sim decidirá se comerá ou não.

“Eu não poderei evitar para sempre, então enquanto eu puder estarei ali sendo a “mala da alimentação”.

Mas se está em um grupinho e um amiguinho oferece, ele me pergunta (sempre) e eu digo, “Você não gosta filho” e se ele pedir para experimentar eu deixo… Rs

♥ O que é ser mãe para você?

Carla: Ahhhh, é um misto de sensações. É ser a pessoa mais feliz do mundo, é ter medo de deixar meu filho desamparado, é acreditar sempre que meu filho viverá num mundo melhor. Eu me empenho muito mais, depois de me tornar mãe, em ajudar nessas mudanças. É mostrar pra ele que podemos ser sim pessoas boas,é ter a deliciosa sensação de que não existe mais ninguém no mundo mais amado por ele do que eu!

“É ver o quanto consigo já mostrar pra ele que Deus existe, mesmo com tão pouca idade…”

É ter medo do meu futuro, coisa que nunca tive. É viver a vida intensamente em todos os segundos do meu dia e isso tudo só por ele!

Gravidez Davi x Gravidez Fernanda

gravidez 1 e 2

Gravidez 1 e Gravidez 2

  1. A segunda passa muito, muito , muito rápido. Sério, dormi e acordei e já estava no último trimestre. Como o estar grávida não é novidade, a ansiedade diminui um pouco e isso ajuda a não ver o tempo passar. E o principal é que não tenho tempo livre para ficar jogada no sofá pensando em como será, porque tem outra criança aqui do lado de fora demandando cuidados e atenção.
  2. Em ambas tive muitas cólicas no começo, sangramentos e não consegui tomar café por um bom tempinho, me enjoava. Nessa segunda, enjoeei um pouco. N primeira tive zero enjôos, mas nessa rolou no começo.
  3. Na do Davi, com 20 e poucas semanas tive contrações e precisei ficar uns 2 dias no hospital para investigar se eu tinha desenvolvido diabetes ou se tinha acontecido alguma outra coisa. Fiquei 1 semana de repouso nessa época e isso me assustou bastante. Pelo tempo, ele não poderia nascer mesmo. Na da Fernanda isso não aconteceu.
  4. Com 31 semanas, tive que entrar novamente em repouso na primeira e assim permanecer até completar 36. Com a Fernanda, parei de trabalhar um pouco antes, por escolha minha, mas não precisei ficar de repouso.
  5. 20 quilos na primeira x 5,5 quilos até a 37a semana da segunda
  6. Minha aliança não se transformou num pingente na segunda, ela continuou cabendo na minha mão.
  7. Na segunda, senti muito mais o bebê mexendo, porque engordei menos, porque consigo identificar mais rapidamente o que é o movimento do bebê e porque  Fernanda realmente mexe muito, muito mais que o Davi. Incrível.
  8. Pouca paciência em ambas com comentários sem cabimento, perguntas dispensáveis e dicas desnecessárias. E principalmente com a comoção nacional pelo fato de ser uma menina, como se eu não fosse ser feliz se eu tivesse dois meninos.
  9. Menos ansiedade com o que está por vir, apenas curiosidade em conhecer a Fernanda, mas como já sei como será minha rotina depois, aguento esperar tranquilamente sua chegada. Na primeira, a ansiedade me maltratava.
  10. Mais calma em providenciar as coisas, ela não precisa de berço assim que nasce, porque não vai direto para lá, não precisa ter as roupas de 3, 6 e 9 meses já compradas. Não precisa de muitas roupas de RN.
  11. Umas sensações diferentes nesse final, na primeira só tinha contração e um pouco de falta de ar. Nessa tenho muita falta de ar, muita pressão no pé da barriga, umas pontadas, sempre sentindo alguma coisa.
  12. Barriga baixa desde sempre nas duas vezes.
  13. Muito mais dificuldade para dormir nessa segunda, algumas noites acordei as 4:30, 5 da manhã sem conseguir dormir novamente.
  14. Mesmo nervosinho em relação ao parto, seja ele qual for.
  15. Amor e gratidão a Deus por me dar mais uma vez esse presente, por ter me escolhido dentre tantas mulheres para ser a mãe dessa menina, por através de mim realizar mais um milagre.

Quase auto ajuda


balanca 2

Essa semana fui a minha última consulta na nutróloga, entrei na 36a semana da Fernanda e fiz o acompanhamento com esta médica durante toda a gravidez. Não foi proposital. Eu já tinha marcado uma consulta com ela e no intervalo do dia que marquei até a data da consulta, descobri que estava grávida.

Foi ótimo, porque apenas mudei o objetivo que não era mais perder peso e sim não engordar muito, como foi na primeira. Minha meta inicial era engordar no máximo 10 quilos, o que já achei fantástico. Isso seria metade do que engordei quando estava esperando o Davi. Ao longo dos meses, conforme a evolução foi ocorrendo, a médica disse que eu engordaria no máximo 8 quilos. Acreditei que seria possível também.

Em nenhum momento passei fome, óbvio e a Fernanda sempre esteve dentro do tamanho e peso esperado. Não estou nem doida ainda para priorizar outra coisa que não fosse o desenvolvimento dela. E essa também sempre foi uma preocupação da própria nutróloga.

Comecei a gestação com um peso acima do que deve ser o meu normal, por esse motivo já tinha marcado a consulta. E seguindo o plano alimentar, acabei perdendo peso no começo da gravidez, por ter parado de comer doce após as refeições, cancelei os pastéis e salgadinhos no almoço e outras frituras. Substitui quase tudo por versões lights, inclui mais fibras e substitui algumas coisas aqui em casa, creme de leite por creme de ricota, achocolatado, que raramente tomo, por cacau em pó com pouco de adoçante, geleia totalmente a base de frutas com queijo minas quando quero descompensadamente comer um doce depois da refeição em casa, jantar sopa, tapioca no café da manhã e não comer até explodir. Nenhuma novidade, todo mundo cansado de falar e saber isso, inclusive eu mesma, mas a lembrança da minha forma ao final da gestação do Davi foi a minha motivação e coloquei tudo isso em prática. Não bebo nada alcoólico, uma ou duas taças de vinho no máximo às vezes, isso facilita também. Se bem que mesmo se bebesse, grávida ia ter que cancelar isso. Minha casa também nunca tem nada de gostoso para comer, não compro besteira porque se tiver é muita tentação. Não tem chocolate, não tem biscoito recheado, não tem doces no geral…Acho que isso também ajuda.

Mas o principal e o que foi um ganho considerável para mim com esses poucos quilos adquiridos foi uma motivação para cuidar mais da minha alimentação, sem paranoias, até porque meu prazer em comer é muito, muito grande, mas vi que dá para conciliar as duas coisas. Fui a algumas festinhas durante esse período e em todas comi os docinhos e bolo até passar mal, como de costume ! Ou quando todo mundo decide almoçar numa hamburgueria, não consigo pedir um frango com salada….Mas o equilíbrio com refeições saudáveis durante a semana me permitiu chutar o balde nessas ocasiões, por exemplo.  Vi que eu sou capaz e que eu mereço investir em mim mesma. Investir dinheiro, porque nem sempre as consultas são baratas e uma geleia totalmente a base de frutas custa bem mais que uma geleia comum. Enquanto isso for possível dentro do meu orçamento, por que ficar de pão-durice comigo mesma? Investir tempo, porque fui às consultas sempre na hora do almoço ou acordando bem mais cedo para não marcar nada na hora do expediente. “Investir” o mínimo do esforço e domínio próprio, porque eu amo pastel, porque eu sou capaz de comer muito mais do que aquilo que simplesmente sacia minha fome, porque um chocolate é infinitamente melhor do que uma bananinha sem açúcar ou um fatia de queijo branco com geleia, mas a cada retorno à medica que eu subia na balança e via que tinha engordado basicamente o peso do bebê era uma sensação que eu não sinto com muita frequência: de que eu sou capaz e orgulho de mim.

Faltam, no máximo, 4 semanas para Fernanda chegar. Foram, precisamente, 4,8kg até aqui se comparados com o peso inicial. Contando o que ainda engordarei até ela nascer, eu provavelmente não chego a 7 quilos. Nunca achei que isso fosse possível, mas foi e é. Esperar essa menina me trouxe muitas mudanças e estou torcendo e orando para que eu consiga mantê-las comigo. Muito, muito feliz por ter conseguido.

Conta aí, Sylvia!

IMG_5494[1]Sylvia Valente Rocha, 37 anos. 

Mãe da Maria Luiza de 7 anos e da Maria Eduarda de 6. 

Casada com o Rodrigo há 10 anos.

Porque pensei nela para estar aqui: pelas dificuldades que teve para engravidar da primeira vez e ter engravidado naturalmente da segunda. Além disso, é uma mãe muito dedicada e admiro sua relação com as meninas. Ela é muito engraçada e super animada.

Como conheci a Sylvia: É uma das irmãs da minha melhor amiga da infância, a Fernanda. Nos conhecemos desde meus 4 anos, passava tardes na casa dela, estudávamos na mesma escola e morávamos no mesmo bairro em Manaus. Temos ótimas lembranças do carro lotado de crianças onde íamos juntas para a escola.

Como começa a história…. (parte do depoimento foi extraído do blog Beta Positivo)

Aos 23 anos, ficou diagnosticado que ela tinha endometriose, localizada dentro das trompas obstruindo uma e danificando a outra. Após 9 meses de medicação, os resultados não foram animadores e foram necessárias mais 2 doses de hormônio. Para saber a trompa tinha desobstruído, foi feita uma radiografia com contraste do útero “Ninguém nunca me falou que seria tão fácil chegar à Lua, a dor me levou até ela em alguns segundos.” – descreve Sylvia.

A sequência da história, ela mesma nos conta:

As tentativas de engravidar

Aos 27, casada há 3 meses, descobri que estava GRÁVIDA!! Mas o embrião não se desenvolveu. A tristeza era imensa, coisa de chorar de dia até de noite. 

Depois de muitas tentativas, minha mãe sugeriu que fôssemos para o Rio consultar um especialista em Reprodução Assistida. A indicação foi fazer fertilização in vitro. No meio do processo, descobri que tinha um cisto ovariano e o que ia durar 15 dias, durou 45. Voltei trazendo 4 embriões fertilizados e me sentindo a mais grávida das grávidas. Mas a gestação não desenvolveu e foi quase uma depressão.  Meses depois, foram transferidos embriões novamente. Eu já estava cheia de esperanças, quando os resultados dos exames deram negativos. Mais uma decepção.

3 anos depois, uma amiga me indicou a ultrassonografista dela, Dra. Ana Luiza Santos, a adorei no mesmo momento. Conheci também o médico com quem ela já havia trabalhado.

Já estava decidida que seria meu último tratamento, se não desse certo partiria para adoção. Era julho de 2007, Pan-americano no Rio e viajamos com o pretexto de passar as férias e assistir alguns jogos. Não queria que ninguém soubesse para não ter que dar explicações.

Recomeço

Foram, então, transferidos 2 embriões fecundados. E o exame de sangue para saber se estaria grávida deu negativo novamente. Eu já estava tão calejada que nem fiquei mais tão triste. Os dias se passaram e a menstruação não vinha. No dia agendado para a ultra com a Dra. Ana Luiza, fomos eu e Rodrigo, e fui logo falando que só tinha ido pela insistência de minha mãe, os exames não acusavam gravidez. Qual foi a minha surpresa quando ela viu 2 embriões minúsculos, se desenvolvendo normalmente. Ainda não havia um coração, mas mais outro exame e lá estava o coraçãozinho mais precioso batendo de forma acelerada, o outro embrião não havia se desenvolvido, mas não tinha nenhum problema.

Maria Eduarda: a primeira recompensa

A Maria Eduarda chegou em abril de 2008. No retorno à obstetra, meu marido não pode ir, minha mãe me acompanhou. Quando foi sugerido que tomasse pílula, minha mãe, mais rápida que eu, disse que achava que eu já havia tomado hormônios demais e que no futuro poderia me fazer mal. Aos 4 meses, a Duda parou de mamar. Usava preservativo, até uma noite que demos uma escapadinha dos métodos anticoncepcionais. No mês seguinte, nada de menstruação, apareceram uns enjoos, tonturas, mas o Rodrigo insistia que deveria ser o cansaço ou uma labirintite.

Maria Luiza: a segunda recompensa

Em dezembro, fui fazer uma ultra com a querida Dra. Ana Luiza. Ela riu alto e disse Você está grávida! Parabéns!. Eu ri no efeito do susto. Para tirar a dúvida ela colocou o som do coração que já batia e eu estava grávida naturalmente de 2 meses.

Liguei para o Rodrigo e ouvi um: Você é uma irresponsável! Como você ficou grávida?, eu respondona como sempre: Foi obra do Divino Espírito Santo! Por acaso não foi você que fez?As reações que se seguiram foram as mais malucas: o Rodrigo ficou de mal comigo; minha mãe queria saber como eu havia engravidado e meu pai ficou brigando como se eu tivesse engravidado na adolescência. Em julho de 2009 nasceu a Maria Luiza!”

A Sylvia mudou-se de Manaus para Curitiba há pouco e quis saber um pouco mais:

♥ Qual foi o maior aprendizado daquele tempo de tentativas?

Sylvia: Se desligar e menos ansiedade é fundamental ao tratamento ou para que venha uma gravidez natural. Havia lido bastante que a chance de dar certo na primeira tentativa era de apenas 25%, mas na minha cabeça era “claro” que daria certo, eu merecia e seria sorteada. Foram três FIV até que a minha primeira sapeca chegasse e só deu naquele momento em que larguei a ansiedade, tomava a medicação no horário correto, mas no resto do tempo estava na folia, tentava não pensar a respeito.

♥ Como você se organizou quando tinha praticamente 2 bebês em casa?

Sylvia: Essa fase é realmente cansativa, a diferença entre elas é 1 ano e 3 meses. Andava com duas bolsas montadas e tudo identificado, tinha cada uma em um quarto até que a Malu começou a dormir a noite toda, mas colocava cada fralda em uma cestinha diferente, as chupetas em caixas organizadoras também eram de cores variadas. Estabeleci uma cor padrão para cada filha, da Duda era rosa e da Malu era lilás.

No carro era outra bagunça, tinham duas cadeirinhas e o porta-malas poderia ser mudado de nome para porta-carrinhos, até de carro mudamos por conta dessa necessidade.

Aos sábados era dia de promoção de fraldas em uma farmácia, então eu ia comprar para semana, uma vez uma senhora na fila me perguntou se eu revendia, eu ri e disse que aqueles pacotes talvez durassem uma semana na minha casa.

♥ Como é sua rotina hoje com elas morando numa cidade nova?

Sylvia: Quando chegamos em Curitiba, elas estavam na forma de criação onde tinham babá, avós, todos por elas; mudamos e éramos só nós 4, o pai passa o dia no trabalho e eu que sempre trabalhei nem sabia cozinhar… A primeira semana quase fiquei doida, mas pensei que não sou a única e poderia aprender, então organizamos um lugar com todos os brinquedos que elas gostam e assim eu poderia vê-las enquanto cuidava dos afazeres. Foi bom demais, elas, que aos 4 e 5 anos, não brincavam juntas hoje passam horas brincando de bonecas e não podem se largar.

♥ Como você consegue se organizar e ter um tempo para cuidar de você?

Sylvia: Como aqui em Curitiba faz bastante frio pela manhã, elas estudam de tarde, e esse período é meu! De manhã consigo fazer a comida, lavar roupa, limpar a casa. Não temos empregada, o que faltar fica para o outro dia ou para noite. As tardes uso para artesanato, Pilates, estudo, estou mudando o rumo profissional, então vida totalmente nova!

♥ O que te faz perder a paciência, no exercício da maternidade, e ter vontade de pausar tudo e dormir por horas ou sumir?

Sylvia: Eu sou quase uma “mãe hiperativa” mas quando digo que deu, cansei e vou dormir, não conte comigo. Graças a Deus elas são bastante saudáveis e somente uma vez tive que ficar acordada a noite toda cuidando delas, que, de tão apaixonadas que são, adoeceram juntas. Sou super bem humorada, mas quando estou de TPM ou com sono nem eu me aguento, então provavelmente o problema nem é com elas, sou eu mesma (risos).

♥ O que é ser mãe para você?

Sylvia: Ser mãe é ser a mais feliz, apaixonada, realizada, amada…A cada gracinha que elas fazem meu coração transborda, fico feliz! Espero que elas possam crescer com sabedoria para encarar a vida e que todas as perguntas do dia a dia que respondo com sinceridade (de onde vem os bebês, o que significa cada palavra…) possam ajudá-las pela vida toda, para sejam atentas aos desafios.

Marias!!!!! Amo vocês mais que tudo no mundo!!!! (Elas ouvem toda hora)

Boa sorte a todas as mães!

“Temos um probleminha”

Na metade da gravidez, ao realizar uma ultra para ver se estava tudo ok com o bebê, o médico que estava super atencioso explicando as coisas com bastante detalhe, parou e disse: “Hum…estou vendo um probleminha aqui.” “Oi??? Tá me zoando né? Como assim, probleminha?” – Isso passou na minha cabeça, mas calmamente perguntei o que era.

Tratava-se de um “probleminha” no rim. Os dois rins da Fernanda estavam com o dobro do tamanho que deveriam estar, deveriam medir 4mm e estavam com 8 e 10 mm. Medicina sinistra! Incrível a possibilidade de perceber isso e fazer qualquer alerta para algo que mede 4mm. Não era possível naquele momento dizer o que causava aquilo, apenas suposições. Mas o médico continuou com sua postura atenciosa, não me apavorou, tentou ao máximo me tranquilizar, porque todo o restante daquele corpinho estava funcionando bem, inclusive a própria bexiga. E também era possível afirmar que ela fazia xixi normalmente. Coração e demais órgãos perfeitamente normais. Mas ficou indicado que eu consultasse um médico mais especialista em medicina neonatal e repetisse o exame em alguns dias.

Sai de lá bem preocupada, dei uma choradinha, várias choradinhas em casa e uma sensação de impotência e insegurança, porque de fato não havia nada que pudesse fazer a não ser aguardar próximos exames e avaliações. E claro, muita oração para que Deus, o único que podia fazer algo, fizesse.

Minha médica também me tranquilizou e me recomendou alguns médicos para realizar as próximas ultras e assim fui. Fiz mais duas num intervalo de tempo bem mais curto e ambas foram comprovando que o quadro não piorava, os rins permaneciam do mesmo tamanho e hoje já podem ser considerados normais. Ufa! Quando ela nascer provavelmente terá que ver como está tudo, mas hoje podemos afirmar que está tudo bem. Nesse meio tempo, descobri que ultrassom é caro, meu plano não cobria o laboratório dos médicos indicados, mas pouco importava também, só precisava saber como essa garota estava se comportando aqui dentro. Descobri também que isso é comum, acontece com outros bebês sem que seja algo comprometedor, se normaliza com o andar da gravidez. Mas mesmo assim, a sensação foi ruim. Todos disseram que caso tivesse que se submeter a alguma intervenção assim quem nascesse seria muitíssimo simples, não precisava se preocupar. Mas como que não se preocupa, gente?

De tudo isso, fiquei feliz e grata a Deus com a precisão e evolução da medicina. São muitos detalhes possíveis de serem vistos, checados mil vezes. Coisas que eu nem faço ideia direito. E mais grata ainda por ter acesso e possibilidade de ser acompanhada por pessoas experientes.

A gravidez é um dos momentos mais expressivos de dependência e manifestação de Deus, Ele é o único que pode interferir na formação dela, o único que conhece seu rosto de verdade, que pode preservá-la de qualquer coisa. E vivi isso um pouquinho mais intensamente nessa segunda. Continuo orando para que Fernanda venha perfeita e saudável (além de boazinha, que durma e coma bem também…). E, como não podia ser diferente, até aqui Ele tem nos sustentado. É muito bom poder descansar e confiar na fidelidade de Deus!

10 dicas para quem me cerca

Lendo um texto que anda circulando na internet e conversando com uma amiga grávida pela primeira vez e que tem muito menos paciência que eu, pensei em dar umas dicas para o mundo que me cerca….

◊ A minha barriga é baixa, desde sempre, desde que ela começou a aparecer, desde o Davi,  logo o bebê não está para nascer. Sou a prova viva de que barriga baixa não significa proximidade do nascimento.

◊ Minha barriga está grande, é o segundo e, portanto, ela cresceu mais que na primeira vez. Essa é uma teoria que pelo menos comigo se comprovou. Mas ainda assim, não está quase, ainda faltam no mínimo, 6 semanas.

(A próxima vez que me perguntarem, ou melhor, afirmarem “Tá quase, né?” vou fingir que estou entrando em trabalho de parto e o bebê está nascendo independentemente de onde eu esteja. Me deram essa ideia no chá de bebê da Fernanda e eu achei válida.)

◊ Não há problemas em tentar parto normal mesmo o primeiro tendo sido cesárea.

◊ Não, o quartinho não está pronto.

◊ O nome dela é simples mesmo, Fernanda. Nenhum motivo científico, astrológico, lógico para escolha do nome. Simplesmente acho bonito.

◊ Não sei como vou fazer depois, se vou precisar de uma pessoa diariamente para me ajudar, nem como vou fazer para buscar o Davi na escola, nem várias outras coisas. Conforme elas forem acontecendo, vou definindo a solução.

◊ Vou tentar ao máximo não aceitar o doce que você está me oferecendo. Engordei pouco até agora e o objetivo é exatamente esse. Não, eu não estava ótima na primeira. Estava super inchada e engordei 20 kilos e isso nunca deixará uma pessoa ótima.

◊ O Davi não “vai ter que cuidar da irmãzinha dele”, não “vai ter que dar o exemplo”. Ele é só irmão mais velho dela. E ele só terá 3 anos quando ela nascer. Ele não está com ciúmes e não faço a menor ideia como será.

◊ Se você não tiver nenhuma intimidade comigo, por favor, não precisa fazer carinho na minha barriga.

◊ Para mim seria “Que máximo!” mesmo se fossem dois meninos, amo ter um menino, esse era o meu desejo. Estou bem feliz agora de ter uma menina, mas nunca foi meu sonho e para mim se realizar como mãe não tem nada a ver com o sexo do bebê. Se eu parar por aqui, não tem nenhuma relação com o fato de que “que agora terei um casal”.

Se fizer algum dos comentários acima, eu responderei educadamente, talvez nem me irrite taaanto dependendo de quem você seja. Na maioria das vezes tenho um bom filtro entre o que eu penso e o que eu falo, ainda bem.

O terceiro trimestre

A primeira novidade que rolou para mim quando me vi grávida, da primeira vez, é que contamos esse período em semanas e não em meses. A do Davi por exemplo foram 40 semanas e 1 dia, sendo bem precisa.

Paradoxalmente, existe o marco do início de cada trimestre. E agora, eu estando no último, começo a ver na prática que estamos na reta final, embora na minha cabeça ainda falte tanto tempo. Mas não falta, chegamos a 31 semanas, ou seja, faltam só 9.

Na gravidez do Davi, fiquei 15 dias de repouso quando tinha em torno de 24 semanas e depois, com 32 semanas também entrei de repouso e parei de trabalhar. Então, não sei como é continuar com as atividades normais até mais tarde. Nessa, graças a Deus está tudo bem e acredito que vou conseguir prorrogar ao máximo o início da licença-bênção-incrível-de-Deus-maternidade.

Dormir já está meio confuso, aquele negócio de não encontrar uma posição, não consigo ficar muito tempo de lado, nem apoiando uma almofada embaixo da barriga. Virar de um lado para o outro também já está meio lento. Acho que meu pé começou a inchar um pouco e isso foi bem traumático na primeira para mim. Fiquei muito inchada, meu tornozelo sumiu, não queria ficar sem tornozelo de novo. Cada vez mais repito as mesmas e mesmas roupas. E sinto um pouco de dor na lombar, o que não senti da vez passada. E o andar de pata ou pinguim, como preferirem, também já entrou em ação. Tenho sentido mais fome também, cada vez mais difícil controlar a boca. E a Fernanda mexe muito, muito, muito mais que Davi e por estar mais magra e não ter uma camada de gordura sinistra na barriga, sinto mais também. Por incrível que pareça, há momentos em que me incomoda, ela fica me empurrando muito de um mesmo lado. Não consigo focar em outra coisa a não ser em ficar olhando para minha barriga. Muitas vezes é visível minha barriga mexendo.

Mesmo com todos esses contras, eu curto o fato de ter minha barriga. Senti saudades dela. Um orgulho de mim, uma sensação de que tenho super poderes, uma barriga de grávida acaba arrancando um sorriso de quem está passando na rua, uma gentileza de um homem não cavalheiro originalmente e o carinho especial das pessoas que são queridas. (Arranca comentários folgados e sem noção de pessoas que não tem intimidade também.). Estou muito curiosa para conhecê-la, muito mesmo. Ansiosa não, porque sei que o início é bem tenso. Mas uma coisa tenho certeza: sentirei falta dela quando não estiver mais aqui dentro, principalmente porque há, quem sabe, alguma possibilidade de essa ser a última gravidez.