“Temos um probleminha”

Na metade da gravidez, ao realizar uma ultra para ver se estava tudo ok com o bebê, o médico que estava super atencioso explicando as coisas com bastante detalhe, parou e disse: “Hum…estou vendo um probleminha aqui.” “Oi??? Tá me zoando né? Como assim, probleminha?” – Isso passou na minha cabeça, mas calmamente perguntei o que era.

Tratava-se de um “probleminha” no rim. Os dois rins da Fernanda estavam com o dobro do tamanho que deveriam estar, deveriam medir 4mm e estavam com 8 e 10 mm. Medicina sinistra! Incrível a possibilidade de perceber isso e fazer qualquer alerta para algo que mede 4mm. Não era possível naquele momento dizer o que causava aquilo, apenas suposições. Mas o médico continuou com sua postura atenciosa, não me apavorou, tentou ao máximo me tranquilizar, porque todo o restante daquele corpinho estava funcionando bem, inclusive a própria bexiga. E também era possível afirmar que ela fazia xixi normalmente. Coração e demais órgãos perfeitamente normais. Mas ficou indicado que eu consultasse um médico mais especialista em medicina neonatal e repetisse o exame em alguns dias.

Sai de lá bem preocupada, dei uma choradinha, várias choradinhas em casa e uma sensação de impotência e insegurança, porque de fato não havia nada que pudesse fazer a não ser aguardar próximos exames e avaliações. E claro, muita oração para que Deus, o único que podia fazer algo, fizesse.

Minha médica também me tranquilizou e me recomendou alguns médicos para realizar as próximas ultras e assim fui. Fiz mais duas num intervalo de tempo bem mais curto e ambas foram comprovando que o quadro não piorava, os rins permaneciam do mesmo tamanho e hoje já podem ser considerados normais. Ufa! Quando ela nascer provavelmente terá que ver como está tudo, mas hoje podemos afirmar que está tudo bem. Nesse meio tempo, descobri que ultrassom é caro, meu plano não cobria o laboratório dos médicos indicados, mas pouco importava também, só precisava saber como essa garota estava se comportando aqui dentro. Descobri também que isso é comum, acontece com outros bebês sem que seja algo comprometedor, se normaliza com o andar da gravidez. Mas mesmo assim, a sensação foi ruim. Todos disseram que caso tivesse que se submeter a alguma intervenção assim quem nascesse seria muitíssimo simples, não precisava se preocupar. Mas como que não se preocupa, gente?

De tudo isso, fiquei feliz e grata a Deus com a precisão e evolução da medicina. São muitos detalhes possíveis de serem vistos, checados mil vezes. Coisas que eu nem faço ideia direito. E mais grata ainda por ter acesso e possibilidade de ser acompanhada por pessoas experientes.

A gravidez é um dos momentos mais expressivos de dependência e manifestação de Deus, Ele é o único que pode interferir na formação dela, o único que conhece seu rosto de verdade, que pode preservá-la de qualquer coisa. E vivi isso um pouquinho mais intensamente nessa segunda. Continuo orando para que Fernanda venha perfeita e saudável (além de boazinha, que durma e coma bem também…). E, como não podia ser diferente, até aqui Ele tem nos sustentado. É muito bom poder descansar e confiar na fidelidade de Deus!

Deu positivo!

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Descoberta da Fernanda

Achando que iria demorar para engravidar da segunda vez, acalmei um pouco meus ânimos, e acho que posso colaborar para a estatística de que a ansiedade atrapalha um pouco nessa tentativa de engravidar.

No primeiro mês, tudo normal: não estava grávida. No segundo mês, todos os sintomas de que não estava grávida: cólicas como de costume. Os dias foram passando, passando e nada acontecia. Até que foi ficando atrasado e decidi fazer um exame de farmácia, que deu negativo. Beleza, não estava grávida ainda. Os dias continuaram passando e o “nada” continuava rolando.

Na época, eu tinha que fazer uns exames de sangue pedidos pelo dermatologista e na hora em que estava no laboratório, pedi um exame de sangue, daí seria certeiro. E assim fiz. A página do laboratório já ficou aberto no meu computador, atualizava de hora em hora, de meia em meia hora, sei lá. Era janeiro, estava de férias e dois dias depois iríamos para Disney encontrar minha irmã e meu pai.

Até que apareceu no site que estava liberado o meu resultado e confirmei o que estava suspeitando. Eu realmente estava grávida. Fui correndo na farmácia, fiz outro teste e apareceram as duas listrinhas. Nem sei para que eu fiz o de farmácia, se eu já tinha o de sangue, acho que ele é mais emocionante. Um mix de sentimentos tomou conta de mim, eu ficava rindo sozinha, agradeci a Deus, chorei, fiquei com a minha cabeça viajando e a minha sorte é que já tinha arrumado 90% das malas para a nossa viagem, porque depois que soube da notícia, guardava uma roupa na mala e ficava por uma hora jogada na cama pensando.

Minha vontade era sair ligando para todo mundo, mas o primeiro a saber deveria ser o Diego, óbvio. Queria contar pessoalmente e o esperei chegar do trabalho para contar. Quando chegou ele perguntou se estava tudo bem com os exames de sangue eu tinha feito, os do dermato, e já comecei a rir antes de dizer qualquer coisa. Falei que tinha feito outros exames também e rindo. A primeira coisa que ele disse foi: “Sério ou tá de sacanagem?” Dei a opção para ele comprovar ou pelo de farmácia ou pelo de sangue. E ele romanticamente me disse: “Não te falei que não ia demorar dessa vez.” Mas depois dessa frase rolou um abraço digno para a ocasião.

Só liguei para a minha médica para dizer que estava grávida, comunicar o resultado dos exames e pedir algum remédio caso precisasse na viagem.

E assim fizemos nossa primeira viagem juntos. Assim como o Davi, a Fernanda fez sua primeira viagem internacional ainda na barriga. Ele foi para Londres e ela para EUA.  Desde então, somos quatro e não mais três.