Professores marcam a gente e nossos filhos

Ontem enquanto escrevia bilhetinhos para colocar nos presentes dos professores, fiquei lembrando dos meus. É inegável a capacidade de um professor de marcar nossas vidas, tanto positivamente quanto memórias ruins também. Acredito que todos nós tenhamos uma lembrança especial de algum professor.
Eu tenho várias, minhas professoras de português do primário e do ginásio (denuniando minha velhice), a tia Marina e a Simone. Eu era ruim de interpretação, sempre me garanti na gramática, eu sabia e gostava de estudar aquilo. E elas sempre foram professoras que tinham relacionamento comigo, de afeto, de carinho. Aposto que todos que foram alunos da Simone lembram dos seus vestidos esvoaçantes. Ricardo, professor de Biologia do 2º grau (vou coninuar seguindo a linha antiga). Ele era da galera, falava a nossa língua, a gente respeitava ele sem medo, ele era amigo e tinha os quadros mais coloridos e organizados. Eu gostava de Biologia, mas nunca fui capaz de tirar notas um pouco melhores, me mantinha sempre na média. Carla, professora de Matemática ou Álgebra, também sempre gostei muito dela, muito. Eu sempre amei Matemática e isso me facilitava bastante, mas eu gostava do jeito dela.
Na faculdade, a relação já não era tão pessoal, a avaliação limitava-se em admirar ou não o professor pela sua competência, didática ou na maioria das vezes pela ausênica dela. Alguns também me marcaram, Danziger (acho que era Fernando o primeiro nome) de Fundações, ele era muito, muito bom. Amava as aulas dele, ele era gente boa também. Paulo Renato de Hidrologia, que me lembrava muito o Ricardo da época do colégio, por ser meio da galera, facilitador de algumas coisas. Antonini de Análise, por ser o “carrasco” e fazer provas bizarras que arrancavam o nosso sangue…rs, mas que com o tempo dava para ver que ele não era tão mal assim. E o de OI, que fumava um cachimbo (ou charuto?) na sala? Meu Deus. E a primeira aula que assisti na vida na Faculdade, cheguei era Cálculo I, com um professor peruano que falava enrolado e sempre olhava pro teto dando aula, chamava Perla. Também nunca esqueci. E no Mestrado, sem dúvida, Paulo Canedo, por tanto conhecimento, tanto amor pelo assunto e pelo jeito gente boa também.
O fato é que professores marcam nossas vidas como alunos e agora como mãe acho que os professores dos meus filhos também  me marcarão de alguma forma. Eles são nossos grandes parceiros, nos auxiliam na árdua tarefa de fazer das nossas crianças pessoas melhores, confiantes, felizes, questionadoras, que sabem respeitar limites e autoridades. Sim, porque eles são autoriadades dentro daquele universo. Eles podem fazer nossos filhos se sentirem amados, queridos, cuidados. E isso é muito gratificante. Faço questão de estabelecer uma relação mínima com eles, de reconhecer ao longo do ano o papel tão importante que eles desempenham.
Toda a minha admiração, reconhecimento, amor a essas pessoas que fizeram a diferença na minha vida e tantos outros que não citei. Minha gratidão aos professores dos meus filhos que passam mais tempo do dia com eles do que eu mesma e que até aqui, só tem contribuido com o desenvolvimento deles.
Parabéns a todos que escolheram esse lindo e difícil ofício. Meu desejo é que Deus abençoe o ministério de cada um!

Uma maternidade idólatra

Conversando com uma amiga (que é responsável por muito do que escrevo, porque nossas conversas são ótimas e sempre me motivam a refletir…) falávamos sobre a maneira como as mulheres têm levado a sua maternidade. Tudo começou quando disse que estava feliz no trabalho e que já não tenho tanta culpa em não estar com eles o tempo inteiro. (Mesmo sem trabalhar fora nunca fiquei, porque é difícil para mim ficar full time com duas crianças, todos os dias, sem pirar.)

Houve uma evolução significativa na maternidade se compararmos como foi a maternidade das nossas mães. Muito conhecimento foi trazido, sobre parto, amamentação, introdução alimentar, comportamentos e eu acho isso maravilhoso. Somos melhores e podemos fazer melhores escolhas em função disso.

Porééééém, existe um lugar entre dar coca cola na mamadeira para uma criança de 2 anos e só permitir que ela tome suco feito na hora de frutas que foram plantadas na minha própria horta. Entre a criança jantar macarrão e salsicha 3 vezes por semana e comer um cachorro quente quando vai a uma festinha. Entre eu ser uma mãe presente e ter que todos os dias da vida contar uma linda história antes de dormir. Entre ser atenciosa e permitir que todas as vezes que meu filho me chame eu interrompa a minha conversa para atendê-lo.

Isso é uma parte do todo que gira em torno de uma vida que é ditada por uma criança. A mulher passa a ter sua vida pautada em agradar aquele serzinho, evitar que ele se frustre a todo custo e não expo-lo em hipótese alguma a algo que não seja saudável, por exemplo. Precisamos de equilíbrio, gente. (E eu nem vou incluir mães crentes que buscando a manutenção da rotina intocável das crianças aos domingos, prejudicam sua vida espiritual, pois não vão mais aos cultos. Esquecendo-se de que foi só por Deus que elas se tornaram mães).

Hoje a gente é obrigada a fazer programas que sejam legais para a criança, se vamos ao restaurante não podemos esquecer o tablet porque o filho de 6 anos não aguenta ficar na mesa, ele fica entediado. (Estou falando de mim, do meu filho). Mas eu sou obrigada a assistir um desenho mala do caramba sem me entediar. Sou obrigada a ir ao parquinho, a pensar em algo super ultra blaster para fazer todos os sábados, porque mesmo com a casa lotada de brinquedos e mil canais para eles assistirem, eles não podem ficar no apartamento. “Tadinhos, já passam a semana toda na escola”. Não posso ficar largada no sofá enquanto as crianças brincam sozinhas, porque eles precisam da mãe ali brincando com eles para que se tornem adultos felizes. Dá não, gente. Não é saudável para ninguém, eles vão crescer achando que ditam o ritmo do mundo.

Uma coisa a gente regrediu em relação à geração anterior e talvez tenha sido isso, nossas mães cometeram vários erros, por não saberem mesmo. Mas elas não nos idolatravam. Nós seguíamos o programa que a família fosse fazer e usávamos outros métodos para nos entreter, dormir, etc. As mulheres daquela geração se anularam em alguns momentos por seus filhos, famílias, mas não foi uma geração que os idolatrou. E acho que precisamos resgatar isso. Pelo nosso bem, deles e nossa sanidade mental.

Andando pelo caminho

Toda semana eu e Davi vamos caminhando até a escolinha de futebol, é perto da minha casa e o estacionamento de lá é meio apertado, chatinho de estacionar para alguém com meu nível de habilidade. Então, ir a pé é realmente a melhor opção.

Mas eu AMO esse trajeto que fazemos juntos, desde a hora que saímos do prédio. Vamos sempre conversando muito, algumas vezes cruzamos com algum outro amiguinho que também está no mesmo caminho que nós dois, outras passamos no mercado na volta para pegar alguma coisa que está faltando e ele sempre me ajuda com o carrinho, a pegar as coisas. Tudo com calma, parceria. Entendo esse momento como um reforço do nosso relacionamento, da nossa amizade e intimidade. É mais um momento em comum que temos, mais uma oportunidade gostosa de estarmos juntos, de eu ouvir as histórias malucas que ele inventa, de ouvir o que aconteceu, sob o olhar dele, na aula, de responder as suas inúmeras perguntas.

E sempre, todos os dias em que estamos nesse caminho, lembro de um versículo de Deuteronômio que diz que devemos falar de Deus e Seu amor aos nossos filhos enquanto estivermos sentados, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar. E andando por esse caminho algumas vezes já falamos de Deus, ele pergunta alguma coisa, ou Deus torna-se o assunto da conversa espontaneamente. Porque de forma muito natural, Ele sempre fez parte da vida da minha família e da do Davi.

E assim vamos, semanalmente, eu e meu amigo, companheirinho, conversando e andando pelo caminho, descobrindo muitas coisas juntos, rindo, brincando, mas principalmente fortalecendo o vínculo tão especial, lindo, indescritível e eterno que Deus nos deu. Meu coração é muito grato por poder fazer isso, ter essa oportunidade e principalmente enxergar como é importante e fundamental nós estarmos presentes e isso não tem necessariamente a ver com tempo disponível. O mundo tem mudado muito, a maneira como as pessoas se relacionam mudado para pior, então sempre que possível é tempo de fortificar os laços com nossos pequenos, ensinando pelo caminho o que eles precisam aprender para serem homens e mulheres de bem, a serem amigos e amigas de Deus.

Minha ideia…

…era tirar a chupeta da Fernanda mais ou menos na mesma época que tirei do Davi, antes de completar um ano ele já estava sem. Tirei com 8 meses. Rolou uma iniciativa, ela não leva a chupeta para a escola, mas por aqui sempre usa para dormir. Domingo, estava meio enjoadinha, mas por um real motivo dessa vez, e passou o dia todo de chupeta. Pois ela completa 1a7m essa semana e sem planos de quando darei o próximo passo em direção ao término dessa fase. De jogar fora a “Pê”.

…era que meus filhos não se atirassem no chão quando contrariados, mas Fernanda aprendeu isso muito cedo, sozinha, coisa que o irmão nunca teve o hábito de fazer. Na maioria das vezes, repreendo, falo que não pode, mas há muitas outras vezes que largo ela no chão (de casa, óbvio), passo por cima dela e abstraio.

…era nunca dar leite com achocolatado para eles. Queria bater o leite com uma Teoriafruta, cacau. Começou que o cacau não dilui no leite gelado, eu até tentei cacau no começo, mas confesso que desisti e o que rola hoje é leite com achocolatado cheio de açúcar mesmo. Eu sei, mas já me achei uma má mãe por isso. Hoje não mais. Ufa! Mas Fernanda só leite puro mesmo. E nem passou pela minha cabeça obrigar o leite puro ao Davi, até tentei, mas eu odeio leite puro, acho horrível, não consigo tomar e não tenho “coragem” de obrigá-los a isso.

…era nunca perder uma vacina. Vaciná-los conforme o calendário, sem tropeços. Isso se cumpriu com o Davi e com a Fernanda achei que estava se cumprindo, quando fui olhar a caderneta de vacinação para procurar outra informação e vejo que tem uma vacina de dezembro (!!) pendente. E continuei respondendo ao pediatra: “As vacinas estão em dia? “Sim, estão em dia sim”. Sem contar que se saiu do calendário padrão, já me atrapalho, sou desatenta. Sorte que com os Facebooks da vida sempre tem mães alertando, mostrando onde estão vacinando, lembrando de campanhas extra calendário.

…era já colocar o Davi numa escola grande desde os 4 anos, para que não sentisse tanto a mudança quando a escolinha dele atual acabasse, pois só vai até 5 anos. Pesquisei algumas escolas, visitei, fiz pré-matrícula e consegui vagas em todas. Mas, ele não vai mudar de escola. A mensalidade vai dobrar, essas escolas ainda não aceitam crianças da idade da Fê e eu quero estar ano que vem chorando com mães que eu já conheço na formatura deles. Mães que criaram uma parceria e crianças que ficarão para sempre na minha memória.

Na maternidade a mudança de rumo é constante, porque a teoria é linda, mas na teoria não tem sentimento, tudo dá certo, sem estressar, sem demandar esforço. Na vida real, na prática tem um monte de coisa que fica só no campo das ideias mesmo.

O verdadeiro sucesso

galo

Inicio do ano – escrita espontânea de “galo”

Essa semana tive a última reunião dos pais na escolinha do Davi. Eu gosto desse momento que a escola nos proporciona, existem dois formatos na escola deles quanto à execução das reuniões. E eu gosto dos dois. Gosto de encontrar as outras mães, elas em muitos aspectos se parecem comigo, me conforta ver que todas elas enfrentam dificuldades, que eu não sou a única que se atrasa para buscá-los, que eu não sou a única que os deixa tão cedo, que coisas que para mim foram fáceis de resolver, para algumas descubro que foi difícil e vice-versa. Gosto muito dessa troca de experiências e ideias.

Mas o principal desses momentos é a conversa com a professora individualmente. É quando antes mesmo de conversar com ela, eu já consigo sorrir ao ler o relatório sobre o desenvolvimento dele, de ir confirmando cada ponto ali registrado, de me alegrar em ver que a escola tem um olhar real e detalhado sobre o meu filho, ressaltando pontos verdadeiros da personalidade dele, a desenvolver e já desenvolvidos. Isso confirma que a escola que escolhi funciona para gente, nos atende e enxerga meu filho de forma carinhosa.

É incrível ver a evolução no aprendizado, é quase que indescritível o orgulho que dá ouvir a professora dizer tantas coisas bacanas sobre o seu filho. Conforme ela vai falando, vai passando um filme na minha cabeça, de todos os perrengues diários que eu passo para mantê-los na escola, para chegar no horário, para que a mochila esteja sempre em ordem, para que o material da natação esteja arrumado, para que o brinquedo de 6ª feira esteja escolhido, para ver se o remédio da febre na bolsa está ok, para fazer o dever de casa e devolver na 3ª feira. E ver que mais um ano se passou e tantas coisas novas ele aprendeu é motivo de muita, muita alegria para mim.

judo

Final do ano: escrita espontânea de “judô”

E, no fundo, isso é que é sucesso para mim. Ver meus filhos bem, ver o quanto eles têm aprendido e se desenvolvido, ver as conquistas deles. Não tenho dúvidas de que boa parte disso é da genética e própria personalidade deles, mas da mesma forma não tenho dúvidas de que uma importante parcela é fruto da influência que nós pais exercemos. E saí da escola como se o feedback tivesse sido sobre mim, para mim, sobre a minha conduta como mãe. Foi um ano muito importante para ele, aprendeu as letras, a reconhecer e formar palavras, a reconhecer os números e quantificar.

Poder viver isso com eles é demais, é uma bênção. Ontem quando abracei a professora meu olho encheu de lágrimas, de felicidade, de alívio por mais um ano ter terminado bem, de gratidão a Deus que é perfeito e que providencia todos os detalhes para que tudo isso seja possível. A evolução deles, de certa forma, é a minha também. No papel que mais demanda meu esforço, minha dedicação, mas no papel mais especial que eu tenho que é o de ser mãe.

 

 

Cansada, mas feliz

Sinto muita, muita falta de não ter nada para fazer. Sinto muita falta de escolher como ocupar o meu tempo, de ter tempo, ter tempo para mim, de ter a mente livre. Parece que desde que me tornei mãe ela está sempre 100% do tempo ocupada, tentando otimizar minha rotina de forma a caber tudo, sempre ocupada pensando neles, pensando que a escola fecha antes de eu sair de férias e não sei como farei com as crianças nos 3 últimos dias, pensando que não tem frutas para comer no fim de semana e eu tenho que encontrar um intervalo para comprá-las.

Só queria chegar em casa, seja de onde for, me jogar no sofá, ligar a TV em um canal X e adormecer ali. Nem lembro a última vez que sentei no sofá e vi TV por alguns minutos. Só queria não ser uma máquina de to-do-lists. Sábado passado tinha tanta coisa para fazer que eu acordei às 6:30h da manhã. Tudo bem que uma dessas coisas era dar um jeito no meu cabelo, mas essa era a única que eu não ia cancelar mesmo, porque minha auto estima estava precisando! Então, para que isso acontecesse, tive que acordar super cedo.

Por dois dias essa semana fiz um treinamento na empresa, na hora do almoço decidi sair sozinha para almoçar, porque queria comer rápido e aproveitar para dar uma voltinha no shopping e porque eu queria ficar sozinha. Ficar comigo, fazer alguma coisa para mim, escolher o restaurante sem perguntar se todo mundo concorda, comer no ritmo que eu estivesse a fim e depois comprar dois shorts e uma blusa. No último dia, o treinamento acabou um pouco mais cedo e eu pensei em aproveitar o tempo e passar no hortifruti para comprar umas frutas…Pensei por alguns minutos e conclui “Que se danem as frutas”, voltei para o shopping sentei num lugar delícia e pedi uma fatia de bolo com um café. Saí dali, comprei dois livrinhos para o Davi (a mente nunca está livre) e ainda deu tempo de comprar as frutas e chegar a tempo na escola.

Comecei o texto dizendo que queria escolher como usar o meu tempo. Mas na verdade eu escolhi e escolho todos os dias: ser mãe dos meus filhos em tempo integral mesmo que eu trabalhe fora. Entende? Eles passam quase doze horas na escola, se eu delegar o pouco de tempo que nos resta juntos durante a semana, ia ferir o que eu acredito, o que eu espero de mim mesma como mãe. Morro de preguiça de dar banho na Fê, mas é isso ai, tem que tomar banho e sou eu mesma que vou dar. Foi essa escolha que eu fiz, eu escolhi ter filhos, eu escolhi continuar trabalhando fora, eu escolhi esse modelo de criação e todas as vezes em que me questiono se eu não poderia contemplar outras alternativas, uma babá por exemplo, eu continuo com a convicção de que é isso. Juro que sinto um sussurro de Deus no meu ouvido dizendo “Continua assim mesmo”. Continuo achando que fiz a escolha certa para mim, para nós e de que outras coisas eu posso deixar de lado, não tem mais jantar todo dia aqui em casa por exemplo. Uma das vantagens com o segundo filho é que sei a velocidade com que as coisas passam, sei que elas passam e novos desafios sempre virão. Sei que tenho construído um relacionamento com eles, tento ao máximo ser uma mãe presente dentro do tempo que disponho com eles.

As pessoas sempre pensam o quão caro é ter filhos e eu sempre digo que o fator financeiro é relevante sim, não seria irresponsável de dizer que isso não é importante, mas a mudança que filho impõe no nosso modelo de vida, nas expectativas, na maneira de ver o mundo é impressionante. Por isso tenho saudade de mim, da leveza de antes da maternidade, da forma despretensiosa de se viver os dias, da época em que achava que sabia o que era cansaço. Mas ao mesmo tempo que tenho saudade, é como se Davi e Fernanda sempre tivessem existido, são eles que preenchem tudo, que consomem tudo também. São a minha herança! E a beleza de tudo isso é que nem o cansaço que sinto há 4 anos, nem a saudade de uma época, conseguem chegar perto do amor que tem dentro de mim, nem da realização que me dá vê-los crescendo e ver suas conquistas.

Sou uma mulher mais cansada, mas sou mais capaz, mais segura e sobretudo mais feliz!

Cansando de tanta informação

macaquinhosOntem teve reunião de pais na escolinha do Davi e depois de ouvirmos uma mini palestra das psicólogas convidadas, ficamos conversando sobre nossas dificuldades, os desafios que essa idade nos impõe e uma mãe pontuou sobre a quantidade de informações que temos com as redes sociais, principalmente.

Concordei muito com ela, leio bastante coisa, mas tenho optado por ler cada vez menos, selecionar mais o material de leitura. Nem tanto a fonte, mas o tema. Porque atualmente têm muita coisa legal, que ensina, que a gente descobre e aplica e dá certo. Lê muitas vezes um desabafo de uma mãe que você nem conhece, mas poderia ter sido escrito por nós mesmas.

Mas, cresce também as listas do que não se deve fazer com a criança, do que ela não pode comer, de como ela deve brincar, de como deve ser a rotina, de como deve ser a disciplina ou a ausência dela. Não pode dar uma chinelada, nem castigo, não pode açúcar, nem suco de caixinha, mas o suco natural também está sendo questionado, melhor comer a fruta inteira. Chupeta não, mamadeira com tempo limitado, leite artificial liberado só se a criança estiver morrendo. Só orgânicos. Bolo não. Escola rígida também não. Creche melhor não, babá também não, ficar com os avós melhor pensar direito. Cama compartilhada não, dormir sozinho não. Vontade de ser igual aqueles macaquinhos que não vê, nem ouve, nem fala.

Resumindo, para deixar qualquer uma confusa, culpada, se sentindo incompetente, falha e infinitos sentimentos ruins que nem deveriam passar perto de nós. Muitas vezes me vejo tentando atender um padrão que no fundo eu nem acredito. Sentindo uma culpa que nem é legítima na verdade, justamente porque fico pensando nesses “poréns” que outras mulheres estabeleceram para os seus filhos. Que funcionam lá na casa delas, nem digo que está errado. Talvez não esteja de acordo com o que eu acredito e acho que seja bom. Óbvio que não é razoável uma criança se alimentar de chocolate, tomar refrigerante no café da manhã e chupar chupeta até 12 anos. Mas o mundo está meio exagerado. Interessante a discussão sobre como criar filhos, mas cansativo às vezes. Tentando abstrair das dicas que só me deixam culpada.

Tenho uma amiga que é muito segura das suas decisões e posicionamentos em casa com os filhos. Admiro taaanto isso! Ela é coerente e firme. Não vacila com a chegada de uma nova “teoria”. Um dia chego lá… Mas vou retendo o que é bom, filtrando aquilo que não é pertinente a minha realidade e crenças. Não é fácil, sabe…mas a maternidade em alguns aspectos não é fácil para mim mesmo. Nem para mim e quase certeza que para ninguém.