As mães dos amigos

Ontem saí com algumas mães dos amigos do meu mais velho, não tenho uma suuuuuuuuper intimidade com elas, não nos conhecemos profundamente e o tempo de convívio é relativamente baixo se comparado a outras amigas com que convivo. Porém, quando acontece, é um grupo que eu gosto muito de estar junto. Temos afinidade e alguma intimidade. Elas me fazem rir e me sinto totalmente à vontade com elas, e isso é uma das coisas que mais prezo em estar com pessoas.

Temos diferenças na maneira com a qual educamos nossos filhos, temos hábitos diferentes, estilos de vida diferentes, mas há quase 5 anos tomamos uma decisão muito importante em comum: escolhemos a mesma escola para a educação infantil das nossas crianças. Esse é o último ano deles nesta escola e durante todo esse tempo nossos filhos construíram uma amizade bonita de ver, saíram das fraldas, largaram as chupetas, estão lendo. Vivemos essas fases juntas, compartilhamos a cada reunião nossos desafios e conquistas. Quantas vezes saí aliviada dessas reuniões ao ouvir os relatos delas “Que bom que não é só lá em casa que isso acontece!”

E acredito que nós também construímos algum laço. Tenho certeza que é recíproco o sentimento de que podemos contar umas com as outras em alguma situação, quando for necessário. Talvez tenhamos outras opções, com pessoas mias íntimas, mas quando dizemos umas para as outras “Qualquer coisa, me fala que eu fico com ele/ que eu pego ele/ que eu levo ele” – é verdadeiro. Não é da boca para fora. Já houve várias situações em que uma” salvou” a outra, na carona, emprestando um chapéu de festa junina, emprestando um antitérmico que está na mochila, lembrando que amanhã é o dia de entregar os desenhos pintados da natação.

Onde quer que meu filho esteja no futuro, lembrarei sempre com muito carinho dessa escola, dessa época, dessas mães e principalmente dessas crianças que ensinaram para ele o que é ter amigos (rolou até uma lágrima agora). Espero sinceramente, do fundo do meu coração total, que na próxima escola ele tenha a mesma alegria com os futuros amigos e eu a mesma parceria com as futuras mães. Deus, estou contando contigo!

Precisamos criar laços

Meu filho mais velho tem só 5 anos, mas sempre me pego pensando em como será a adolescência. Muito provavelmente, difícil. Resta saber se muito ou pouco. Mas acredito que muita coisa pode ser facilitada se conseguirmos estabelecer um relacionamento verdadeiro com nossos filhos. Não adianta eu decidir ser amiga, parceira e cúmplice quando o garoto já estiver com 12 anos. Tenho que começar a construir isso ontem, desde que saíram da maternidade.

Pode parecer meio simplista e até utópico pensar assim, mas de verdade acredito que estabelecer esse relacionamento desde cedo pode minimizar muitas dificuldades. Não sou “amiguinha” dos meus filhos, existe antes disso uma relação de autoridade, de hierarquias diferentes estabelecidas. E prezo pelo cumprimento dessa hierarquia. Isso torna a relação um pouco mais complexa do que uma simples amizade, mas em nada me impede de ser de fato amiga deles. De criar um relacionamento de companheirismo, parceiria, de mostrar para eles que devem falar a verdade, que são amados incondicionalmente. Procurar entender minimamente sobre aquilo que interessa a eles, conversar, fazer do nosso lar um lugar que eles gostem muito de estar. Tarefa não muito fácil, principalmente quando ao longo dos dias temos mil outras coisas a resolver. Mas maternidade é isso mesmo. Tem que ter disposição para fazer diferença na vida das pessoas e com nossos filhos não é diferente.

Procuro criar laços com eles, não tão apertados e sufocantes como um nó, mas não pode ser frouxo porque se não desamarra né? Disciplino, mas constantemente digo que amo, abraço, fico de chamego antes de dormir, cheiro até eles se irritarem… Mas eles não podem ter dúvidas do quanto os amo.

Dia das mães chegando e queria como presente de Deus ser a mãe que Ele espera de mim, a mãe que meus filhos precisam e merecem. Daqui a 20 anos ouvir dos meus filhos que eles sempre foram cercados de amor e que têm em seus pais seus melhores amigos.


Os irmãos

Logo que a Fernanda nasceu, Davi se mostrou curioso e depois que ela não era mais novidade passou a ignorar a existência dela. Era como se ela não existisse aqui em casa, não falava dela na escola, não a procurava, não comentava nada sobre ela conosco. E quando falávamos para ele interagir com ela de alguma forma, ele dava uma desculpinha qualquer. As poucas vezes em que ele tentou “conversar” com ela ou mostrar algum brinquedo, ela não respondeu, óbvio. Então, acho que ele desistiu.

O tempo foi passando, ela passou a interagir minimamente, dormir menos e ele começou a demonstrar algum interesse por ela. A Fê sorri muito e isso foi o que começou a chamar a atenção dele, pois quando ele fala algo com ela, muitas vezes ela sorri, emite sons, não necessariamente respondendo ao estímulo dele, mas isso pouco importa.

Hoje ele vem espontaneamente fazer carinho nela, tentar acalmar quando ela chora, dar beijos e mostrar os brinquedos. Ele até empresta a naninha de dormir dele, um leãozinho velho que ele não larga. Ele procura por ela em casa, vai no berço, vai no carrinho e quando não encontra, pergunta : “Cadê a Fê?”

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Brincando de gritar “Fêêêê” na cara dela

Coisa mais linda dessa vida é ver essas cenas! Eu tinha certeza disso, minha grande motivação em ter um segundo filho era dar um irmão para o Davi. Dei uma irmã e vê-los juntos me enche o coração de alegria, de mais amor, de uma gratidão infinita a Deus por ter me proporcionado tudo isso. Tinha muita curiosidade em saber como era possível amar outro filho do mesmo jeito. Curiosidade resolvida e quem tiver a mesma dúvida nem me pergunta, porque eu nem sei explicar. Só sei que saiu mais amor, que se fortalece quando vejo os dois irmãos aqui de casa sendo irmãos, dentro do que é possível com a idade que eles têm.

Orgulho de mãe

IMG_7350[1]São muitos sentimentos que me acompanham como mãe e certamente acompanham outras mulheres também. A culpa, a insegurança, o amor que não cabe no peito, a solidão às vezes, a saudade da vida de antes da maternidade, a alegria e junto com tudo isso, um orgulho também.

Orgulho de muitas coisas, algumas de fato são mérito nosso mesmo, da mãe e de mais ninguém, sendo bem sincera. Outros feitos não temos nenhuma participação, a criança nasceu assim, mas isso nos dá orgulho do mesmo jeito. Orgulho de ver o filho comendo brócolis e pedindo mais beterraba, orgulho dele pedir autorização para fazer algo, orgulho quando ele pede desculpas, orgulho quando ele vai consolar um amigo que está chorando, quando ele faz oração, orgulho quando ele faz uma coisa engraçada, quando aprende uma música nova, quando ele lembra de algo que nem você lembra, quando ele conta em inglês mesmo que errando vários números, quando ele inventa mil histórias e se diverte sozinho brincando.

Esses dias tenho vivido esse sentimento intensamente e já revi mil vezes o vídeo que fiz do Davi no aniversário de uma amiga da escola. Como esse garoto se divertiu, até a mãe da aniversariante comentou comigo. E meu orgulho foi de ver como ele é independente, como em vários momentos fui tentar “ajudar” e antes de eu chegar, ele já tinha se resolvido sozinho. Orgulho porque ele ficou brincando com várias crianças que ele nem conhecia, pois os amigos dele não quiseram ir brincar com o Mickey. E ele se divertiu muito, mesmo estando sem ninguém conhecido ali. Orgulho de ter um filho que é leve, que é querido entre seus amigos e que curte esses amigos.

Orgulho de vê-lo na festa de encerramento da escola dançando lá no palco, novamente se divertindo, caindo no chão ao executar a coreografia e rindo com os mesmos amigos da festinha de aniversário. Orgulho dele estar numa escola que é pequena, que é de bairro, mas que as crianças são crianças mesmo, elas dançam como estão a fim de dançar, de chupeta, no colo de uma professora, se divertindo, afinal a festa é delas. Orgulho de ter feito a escolha certa na escola.

Orgulho de constatar no encerramento da natação que ele fica bastante tempo embaixo d´água, que ele nem presta atenção na professora de tanto que mergulha. Orgulho de ver sua amizade com os meninos da escola, que são os mesmos da natação. Orgulho de vê-lo buscar o bastão embaixo d´água e me mostrar o feito de lá do meio da piscina. Orgulho de ouvir “Mãããe, olha aqui” e assistir o super mergulho dele.

Ele não é perfeito, nem eu, nem é o mais inteligente, nem o mais desinibido, mas ele é como eu queria que ele fosse. Ele é uma criança legal, que fica bem com outras crianças, que por enquanto brinca sozinho quando nenhum amigo quer ir com ele, mas que chora quando a amiga empurra ele numa brincadeira. Toda mãe tem orgulho da sua cria e comigo não é diferente. Muito orgulho e muito amor pelo meu menino.

O chá mais lindo

 O chá de bebê do Davi foi lindo demais, a minha cara, fiquei super emocionada com tudo. Falei um pouco dele aqui. E o da Fernanda não foi diferente.

Como já comentei, eu e algumas outras mulheres amigas da Igreja organizamos o chá de bebê uma das outras, pensamos no tema, preparamos a decoração, as comidas, as brincadeiras e rateamos as despesas. A mamãe é a estrela e a homenageada do dia.

Fico muito, muito curiosa para saber qual o tema e o que estão preparando, já que tudo é surpresa mesmo. Mas como ajudo nos outros, sei que que no final vai ficar tudo lindo, embora não haja nenhum profissional de eventos entre nós, fica tudo muito mais especial do que se tivesse. Porque muitas de nós são realmente muito boas nisso e porque foi tudo preparado com amor de verdade e sabemos que o coração de todo mundo está de fato feliz com a chegada do novo bebê.

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A mesa mais linda e as amigas mais lindas também

No da Fernanda o tema foi Coruja e  pensem numa mesa linda de morrer? Era a mesa desse chá de bebê. Uns detalhes lindos, com cara de menina fofa, sem me enjoar, porque além do rosa, tinha cinza, azul, verde…Até brinquei que iria trocar meu nome para Fernanda para que eu pudesse aproveitar algumas coisas que tinham o nome dela escrito.

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Os bloquinhos fofos

As lembrancinhas era bloquinhos de papel com capas de vária estampas fofésimas (rs). Uma das coisas que mais amo nessa vida são bloquinhos de papel!!!

O melhor de tudo é que nessa tarde me senti a mais especial das mulheres, a mais querida e amada. Foi tudo feito para nós duas, carinhosamente preparado por mulheres que Deus me deu de presente, colocando cada uma delas na minha vida de forma especial. E as fotos do ensaio e do chá, também presentes para mim? Nem tem como agradecer direito, fica sempre parecendo pouco. A única participação minha no chá foi fazer a lista de quem eu gostaria que fosse…Ouvi uma mensagem especial de Deus para mim e muitas dicas e histórias compartilhadas pelas meninas comigo. Além de muito, muito amor que eu senti em cada palavra que elas disseram para mim e sobre mim.

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Além de lindo, só coisa boa de comer

Da mesma maneira que foi o do Davi, nem se eu tivesse contratado o mais chique e eficiente buffet de SP teria sido tão a minha cara, tão perfeito e tão especial. Tudo isso porque Deus me ama, ama a Fernanda e separou para estarem comigo e perto de mim, mulheres lindas por dentro e por fora, que me inspiram, divertem, motivam e me fazem ter o coração grato a esse Deus que nos uniu nesse caos de cidade. Nem sei como seria sem elas por aqui…

Mais um dia para guardar com carinho e contar para a Fernanda quando ela for maior.

Irmãos e amigos em potencial

Sempre me pego pensando em como será a adaptação do Davi à chegada da Fernanda, me angustia achar que ele em algum momento possa se sentir preterido por algum motivo, se sentir menos amado ou menos especial. Tenho orado para que eu e Diego tenhamos sabedoria para minimizar tudo isso. Mas me pego pensando num futuro mais distante também, na relação de amizade e cumplicidade que eles terão. Uma das principais razões que me levaram a decidir sobre ter o segundo filho se baseou no fato de querer que o Davi tivesse irmão. Mesmo que tenha amigos da igreja, da escola, do prédio, não é a mesma coisa. E primos ele não terá muitos, afinal só tem duas tias. E primo não é irmão. Amigo por mais perfeito que seja não é irmão. Existem casos em que a relação entre os irmãos não tem essa cumplicidade, intimidade e é mais distante do que muitos outros relacionamentos. Mas não foi essa experiência que tive, a minha irmã sempre foi a minha melhor amiga mesmo, dividimos o mesmo quarto até o dia que sai de casa para casar. E sempre tivemos a opção de ter quartos separados, mas nunca quisemos. Até hoje lembramos de histórias muito, muito antigas, temos códigos para nos referirmos a alguém, ou alguma situação, ainda temos as mesmas bobeiras da adolescência, ainda que tenhamos mais de 30 anos.

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Vendo desenho com a Fernanda

E também por esse motivo preferia que fosse outro menino, acho que a probabilidade de se tornarem grandes amigos é maior, há mais semelhanças, mais identificação acho. Sei lá. Mas desde que descobri que era uma menina, comecei a observar irmãos de sexo diferente e que tem uma relação bonita, como eu gostaria que eles tivessem, relação de intimidade e amizade verdadeira. É possível. Óbvio que não igual a que seria se fossem dois meninos, mas acredito que tenham muitas vantagens também, muito a aprender um com o outro e eu com os dois. Serão muitas novidades para todo mundo.

Independente dos sexos, acho que a maneira como eles serão criados influenciará um pouco essa dinâmica entre eles. Quero que eles se tornem muito amigos, tenho feito esse pedido a Deus, tenho certeza que Ele vai me atender nesse caso.