Conta aí, Andrea.

andrea

Andrea Lacerda Fernandes, mãe do Bernardo (6 anos), da Ana (5 anos) e do João (1 ano). Casada com o Carlos há 11 anos.

Profissão: nutricionista

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela tem 3 filhos, 3 crianças e isso é motivo da minha admiração!! E sempre me pareceu uma mãe de verdade, presente, com escolhas que priorizaram a maternidade e isso se confirmou com o que ela contou aqui.

Como conheci a Andrea: no Colégio Anglo Americano Botafogo, que hoje nem existe mais. Nos conhecemos com uns 11 anos e fomos muito, muito amigas durante boa parte da adolescência, mas nos afastamos (por motivos de adolescente que hoje sinceramente não saberia explicar), mas concluimos o Ensino Médio juntas. Com as redes sociais voltamos a nos falar e estou encantada com a família linda que ela construiu. (AHHH! O marido dela também estudava na mesma escola que a gente, mas acho que eles começaram a namorar depois que a gente se formou)

♥Quando se viu grávida do 3º filho, além da alegria claro, bateu um medo?

Andrea: João veio de surpresa! O primeiro sentimento foi um misto de alegria e pânico! Liguei para a minha mãe num sábado às 7h e chorei muito! Repetia que não ia conseguir, que não daria conta! Mas horas depois o pânico passou e estava muito, muito feliz! Sempre quis ter três filhos. Desde criança, brincava que tinha três. Mas, a vida na pratica é outra. Só pensávamos no custo do colégio e plano de saúde! Já tinha dois pequenos que me consumiam às vezes mais do que acreditava ser capaz e não sabia como daria conta de um recém nascido. Estava me preparando para voltar a trabalhar após 6 anos em casa, começar tudo novamente após 4 anos também me deixou meio desesperada. Cheguei a me questionar se seria capaz de cuidar de um bebezinho, medo do ser humano que se vê em pânico diante de coisas que não planejamos conscientemente, mas que Deus mandou!

A vida nos mostra que não temos o controle de tudo e que Deus nos presenteia com bênçãos mesmo sem sabermos, sem pedirmos...

Foi a gravidez que mais curti. Passou rápido! O primeiro trimestre foi sofrido: vomitava muito, às vezes na rua, encostava as crianças na parede de um prédio e ia vomitar no meio fio. Elas ficavam me olhando apavoradas, mas depois de uma semana já estavam achando normal. Com certeza foi a gravidez mais gostosa que tive!

♥ Em que momento você decidiu parar de trabalhar fora e por quê? 

Andrea: Quando Bernardo nasceu já havia decidido reduzir o ritmo dos atendimentos. Queria amamentar o máximo de tempo, colocá-lo em primeiro lugar. Desejei muito o Bernardo, fiz tratamento, logo decidi me doar por completo. Sempre achei que a infância é a parte mais curta da vida e que queria estar próxima. Não queria deixar passar. Tinha uma vida inteira para me recuperar profissionalmente e a infância passa num piscar de olhos e não volta, não se recupera presença nem disponibilidade. Quando engravidei da Ana tive asma e perda de líquido. Tive que fazer repouso e acabei parando de vez! Tinha um bebezão e um bebezinho em casa e o primeiro ano foi muito difícil! Achei que ia pirar! Sei que nem todas as mulheres, infelizmente, podem fazer essa escolha. Muitas têm que trabalhar para ajudar em casa. Tive esse privilégio e sempre fui grata por isso!

♥ Qual a maior dificuldade que você encontra em ser mãe de 3 filhos?

Andrea: Dividir a atenção que eles demandam! Gostaria de poder dar mais atenção para cada um deles individualmente. De resto, costumo dizer que de três para dois não há muita diferença. A dificuldade fica mais na questão da mão de obra do dia a dia. Ajudar no dever de casa enquanto João tenta comer a massinha das crianças não é tão fácil! Mas são coisas que vamos acostumando. As crianças também se acostumam. Aquele negócio de fazer dever de casa em local silencioso e tranquilo aqui em casa não rola, por exemplo! Dou banho neles com João na porta do banheiro, no cercado, às vezes tranquilo, às vezes se esgoelando. Bernardo e Ana acabam sendo muito independentes. Arrumam a própria cama, comem sozinhos, levam o prato na cozinha, se vestem, se calçam, escovam os dentes sem ajuda, passam o requeijão no biscoito sozinhos. Não há tempo para exclusividades!

♥ Qual a relação deles entre si, como irmãos?

Andrea: Be e Ana vivem uma relação constante de amor e ódio, brigam o tempo todo mas não conseguem passar uma tarde um sem o outro. Cuidam um do outro. Se um vai para a casa do amigo, o outro passa o dia perguntando quando ele vai voltar! São muito amigos! Como são de idades muito próximas, brincam com os mesmos brinquedos e têm os mesmos amigos. Já com o João, me surpreendi! Achei que ia rolar muito ciúme, mas é muito amor! Eles cuidam, ajudam, dão beijo, às vezes tenho até que ficar de olho pois o amor é tão voraz que fica até perigoso! Agarram, beijam, apertam! Ana às vezes entra em disputa mas no geral, os dois têm muita paciência e carinho com o João! Bernardo é quase um pai, muita paciência!

♥ Vocês se mudaram recentemente para morar no interior do Rio. Qual foi a motivação de vocês e como tem sido a adaptação das crianças?

Andrea: Mudamos por muitos motivos: custo de vida e qualidade de vida foram os principais. Mudamos para uma casa onde as crianças brincam livres e soltas! Em nenhum momento eles se queixaram de saudades! No início, somente de saudade de um ou outro amigo do colégio, mais nada! Fugimos da violência, do consumismo, da vida cheia de necessidades, por ideologia mesmo… Descobrimos que é muito fácil precisar de pouco. Um chinelo, um short, uma bola, um patinete, uma bicicleta! Criança precisa de espaço, de ser livre, de correr! Eu também estou feliz!

É maravilhoso descobrir que a alegria não se consome. As crianças estão mais calmas, e isso também me torna mais calma, e recentemente me disseram que amaram se mudar para cá!

Eu estava desesperada por uma vida mais simples. Estava asfixiada no Rio!

♥ Como nutricionista você é muito criteriosa com a alimentação deles?

Andrea: Muito! Brinco que ser filho de nutri é expiação. Na mesa não há negociação aqui em casa. Arroz integral desde sempre, um legume e uma verdura são obrigatórios diariamente e nas duas refeições. Feijão de vários tipos e fruta na sobremesa. Só compro orgânico aqui em casa. Sou vegetariana, mas dou carne para eles em respeito ao meu marido. Porém evito muita carne vermelha e só compro frango de uma marca específica… eles nunca colocaram um biscoito maisena na boca. Sempre foi integral. João já come biscoito integral daqueles durões… o açúcar, por incrível que pareça, foi a única coisa q não consegui segurar muito. Mas restrinjo aos finais de semana e dá tudo certo!

♥ Quais as principais mudanças para melhor na Andrea que foi mãe do João e a mãe do Bernardo?

Andrea: Nossa! São tantas que acho q preciso de uma folha só para essa resposta! A principal foi: parei de querer ser perfeita! Agora só quero ser feliz! Quero curtir meu filho! Não me importo com o que os livros dizem, para o que mãe e sogra falam! Faço o que acredito! Joao é o bebê que mais estou curtindo! Hoje vejo como fui boba, como deixei de viver coisas…

Meu terceiro filho foi e é com certeza a minha redenção! A minha chance de ser a mãe que quero ser, sem interferências. De ser eu mesma!

E isso já faz valer a pena toda e qualquer dificuldade!

♥ Como você se organiza com a rotina deles ? 

Andrea: Minha vida no geral é uma loucura, para não falar uma zorra! Tenho que ser criteriosa em alguns horários senão fico louca! Almoço, jantar, banho, dever de casa, são coisas que tem hora e não se discute! Mas não me dê nenhum documento importante para eu guardar pois há 90% de chance de eu guardar e não achar nunca mais! Metade do meu dia passo catando brinquedos pelo chão. Tenho pânico de mini peças de Lego e mini roupas de boneca Poli na boca do João! Atualmente não consigo fazer quase nada para mim! Isso enlouqueceria muitas mulheres, e já me enlouqueceu por um período, mas quando olho para o Bernardo e vejo como ele cresceu rápido demais, e que daqui a pouco minha presença não será mais tão importante, meu coração se acalma e vejo que não há nada que não possa esperar mais alguns anos para ser recuperado… só tenho 36 anos e minha vida está apenas começando, já a infância deles passa num piscar de olhos e não volta mais….

♥ Você conta com alguém para te ajudar nas tarefas do dia a dia?

Andrea: Tenho uma funcionária que ajuda nas coisas da casa durante a semana e minha mãe, sempre que ela pode, me ajuda a noite, para que eu possa colocar João para dormir com tranquilidade… no resto do dia, sou só eu e eles. Carlos trabalha a semana toda no Rio e só volta na sexta. No fim de semana, ele assume as crianças e veste a roupa de super pai!

♥ Como é sua relação com a única menina do time?

Andrea: Ana é a única menina e a filha do meio! É intenso! Ana é uma molequinha cheia de personalidade e amo isso! Ela é quem me demanda mais atenção! Até mais que o João no geral.

Ana é meu equilíbrio numa família muito masculina. É meu espelho também, e isso acaba sendo minha cura! Ana me ajuda a ser uma pessoa melhor! 

♥ Do que você não abre mão na educação deles?

Andrea: Alimentação, hora de dormir e dever de casa… acho q nessa ordem! Temos um quadro de responsabilidades aqui em casa que no final da semana se converte em semanada… as tarefas devem ser cumpridas e sou bem criteriosa nisso. Nele há coisas como: arrumar a cama, colocar roupa no cesto de roupa suja, escovar os dentes, deitar para dormir sem reclamar, ser educado (bom dia boa tarde boa noite por favor e obrigado), levar o prato para a cozinha, se vestir etc… dessas tarefas não abro mão em casa…

♥ Como você consegue se organizar e ter um tempo para cuidar de você e ficar com o Carlos?

Andrea: Atualmente esse é nosso maior desafio, estamos no esforço por aqui! Quando todos dormem tentamos aproveitar para estarmos juntos. Fazemos um foundue, vemos um filme, quando os avós estão disponíveis (o que não é tão comum nos fins de semana) saímos para um restaurante… mas nada é fácil, nem simples.

Tentamos estar próximos mesmo no meio da confusão.

Sentamos no sofá, nos abraçamos, deitamos um no colo do outro… As crianças olham, às vezes com ciúmes, e dizemos que naquele momento estamos “namorando” e que não vamos dar atenção! Criamos momentos nossos mesmo no meio do caos!

♥ O que é ser mãe para você?

Andrea: É descobrir a alegria, a gratidão e a plenitude no meio do caos!

Trainee de CEO

Trabalho com planejamento e gestão desde sempre, mas o lugar que mais desenvolveu a minha capacidade de planejar foi a minha casa, mais especificamente a maternidade. E principalmente sendo mãe de dois.

Enquanto estava só amamentando era mais fácil, pois a preocupação com a comida não existia. Mas agora Fernanda já está na comidinha e preciso me programar para comprar o que precisa, preparar a comida do fim de semana e sempre ter uma reserva congelada. Durante a semana ela come na escolinha e isso já ajuda bastante.

Cabeça de mãe parece que está sempre na frente, eu estou sempre fazendo a conta de que horas preciso chegar no lugar e para isso que horas preciso começar a me arrumar. Começo a me arrumar com muita antecedência e ainda assim chego um pouco atrasada ou exatamente na hora. Antes da hora, uma raridade. Quem nos vê na igreja domingo à tarde, não faz ideia do mini caos que a casa ficou para que estivéssemos todos lindos e cheirosos para o culto. Minha pia que o diga. E quando a gente finalmente consegue se arrumar com uma folga e rola aquele cocô que suja a roupa toda? Para que eu quero descer!

Antecipadamente marcamos o pediatra e já chegamos lá com todas as dúvidas listadas, saindo dali providenciamos remédio, vacina, implantamos novas rotinas, mudamos alguns processos. Com a chegada do inverno, temos que substituir as calças do mais velho que não cabem mais e a gente só descobre na hora que está arrumando ele para ir à escola. Semanalmente, checa se tem dinheiro para pagar a Maria e quase nunca tem, então em algum momento vou ter que passar no caixa eletrônico. Diariamente, substitui o que sujou da escola na bolsa, vê as agendas e a da pequena gera até uma ansiedade para saber se comeu direitinho ou não. Da agenda também podem surgir desdobramentos, como guardar sucata e entregar dia x (esse dia x vai para minha agenda para não esquecer), festinha do amigo dia y, com isso vamos comprar um presentinho.

Sério, eu me desenvolvi muito quanto a se planejar e me organizar de forma a facilitar minha vida com a chegada dos meus filhos. Com a Fernanda, isso se tornou ainda mais necessário. Um dia li um texto de um blog, que a autora dizia que ela era a CEO da casa dela. Quando acabei de ler queria dar um abraço nela, por ter conseguido definir tão bem o que eu sentia. A gente vive assim mesmo, cuida da logística, gerencia pessoas, coordena as agendas, providencia os suprimentos, promove o bem estar e harmonia do nosso lar, surta um pouco e ama muito. A pesada, doce, linda, desafiadora, infinita, abençoada e mais-milhares-de-adjetivos arte de ser mãe.

 

 

Conta aí, Bia!

BiaBeatriz Bomfim* (*acho que tem mais sobrenome, Rodrigues não?), mãe da Maitê (3 anos) e Gael (5 meses), (ficamos grávidas as duas vezes na mesma época.) Casada com o Franklin há 6 anos.

Profissão: professora

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela é uma mãe super dedicada e pode compartilhar como é a rotina de uma mãe de crianças que têm APLV (alergia à proteína do leite de vaca) ou outras.

Como conheci a Bia: na Catedral do Rio, trabalhamos juntas com as crianças da igreja, na UCP (União de Crianças Presbiterianas) num ano muito especial para mim. A Bia tem um senso de humor que eu gosto muito, não tem mimimi com ela. E foi numa conversa com ela que eu descobri que o Davi tinha refluxo. Ela é uma mãe que inspira a gente.

♥Como você começou a perceber que Maitê tinha alergia e onde e como você buscou informação? E que ações você teve que tomar?

BiaFoi muito difícil descobrir a alergia alimentar da Maitê. Acredito que fui mal acolhida pelos médicos da minha cidade. Maitê era um bebê que tinha muito refluxo, sofria demais. Medicada, o refluxo melhorou, mas ela começou a ter problemas pra ganhar peso. Em um mês, não engordou, só cresceu. No seguinte, não cresceu e engordou apenas 100g. E no terceiro, perdeu peso. Uma menina que comia super bem! Além disso, vivia doente, uma virose atrás da outra. A minha grande fonte de informação foi o Facebook.  Um dia, já cansada por não ter respostas, postei em um grupo chamado Alimentação Consciente uma mensagem em que desabafava. Não entendia como uma criança que comia tão bem e mamava no peito poderia ficar tão doente. Uma pessoa sugeriu investigar APLV (alergia à proteína do leite de vaca). Busquei sites sobre o assunto e, finalmente, consegui montar o quebra-cabeça. Era exatamente o que minha filha tinha! Mais tarde, descobri através de exames e testes que ela também era alérgica a ovo e soja.

♥ Quais foram as maiores dificuldades no começo? E atualmente?

Bia: No começo, a dificuldade era descobrir o que ela poderia ou não comer.

“Os rótulos dos alimentos não são claros e induzem muito ao erro.”

Felizmente, ela consumia pouquíssimos industrializados, então a alimentação dela foi fácil controlar. Eu já tinha lido que o ideal seria oferecer laticínios e glúten só depois de um ano (mesmo pra quem não é alérgico) e segui a recomendação, isso salvou a minha filha de muito sofrimento, pois acabei não introduzindo esses alimentos na dieta dela. O mais difícil mesmo foi a minha alimentação. Passei meses levando marmita para o trabalho, evitando eventos sociais em que eu não tivesse opções de comida. Para continuar amamentando, eu tive que fazer uma dieta bem restrita. Ela tinha cerca de 9 meses quando descobrimos a alergia e nem me passou pela cabeça desmamar, já que eu queria um desmame natural e gentil (que veio com 1 ano e 5 meses).
Atualmente, a dificuldade é manter a rotina de ter sempre uma marmita com comida ou lanches para ela em qualquer lugar que vamos.

♥ Como a Maitê lida com isso, com as restrições alimentares que ela possui? Que tipo de cuidado ela precisa na alimentação ainda?

Bia: Maitê lida super bem com as restrições! Como nunca comeu, não sente falta. Quando pergunta sobre alguma coisa nova, em algum evento, basta eu responder o que é e dizer “esse faz dodói na sua barriga” e ela deixa pra lá. Tenho sempre os substitutos e ela aceita muito bem. Evito buscar receitas tipo “brigadeiro de inhame” ou coisas similares ao que encontramos nas festinhas, porque acho mais fácil para ela entender que brigadeiro não pode do que entender “esse pode, esse não”. (adorei esse raciocínio!) Até para ela saber diferenciar quando estiver sozinha. Já vi situações em que foi oferecido a ela biscoito de polvilho e ela recusou, toda fofa, explicando que fazia dodói na barriga dela.
Ela ainda apresenta reações quando consome leite, ovo ou soja (acidentalmente), mas as reações estão bem mais leves, depois de um tratamento que estamos fazendo. Então, a única coisa que mudou é que agora ela pode comer comida na rua, de restaurante, desde que não leve os ingredientes acima.

♥ E foi do mesmo jeito com o Gael? Qual a diferença entre eles nesse sentido?

Bia: Gael foi bem diferente. Fiz tudo que me foi recomendado para tentar driblar a genética e impedir o desenvolvimento da alergia (parto natural, amamentação exclusiva, eu tomei probióticos, fiz dieta ainda grávida, entre outros detalhes não publicáveis, hehehe), mas não teve jeito. Com 25 dias, ele fez um cocô muito característico da alergia, verde e com muito muco. Diferente da Maitê, que foi apresentando os sintomas aos poucos e ao longo dos meses e nunca teve muco nas fezes. Como eu estava em dieta de leite desde 36 semanas de gravidez, ele nunca teve refluxo ou cólica, mas o cocô esquisito mostrou que ele era alérgico a mais coisas. Ainda não descobrimos tudo a que ele é alérgico, estamos com um gastro maravilhoso e um médico integralista e acredito que esses esforços combinados vão fazer que Gael atinja a cura mais cedo que a Maitê (que tem 3a7m e não está totalmente curada ainda).

♥ Para você o que é mais difícil nisso tudo?

Bia: Acho que a parte mais difícil é ficar sem comer. Eu já fazia dieta de glúten, porque tenho intolerância, mas furava de vez em quando, quando aparecia alguma coisa gostosa.

“Mas amamentando, não dá para furar a dieta, porque quem sofre não sou eu, é meu filho.”

Mas a maioria dos dias, eu lido muito bem com isso, carrego minha marmita, como o que posso comer e fico bem. Claro que tem dia que dói ver as pessoas comendo a pizza, a massa, o doce na minha frente, mas nada como um dia após o outro.

♥ Que conselho você daria a mães e pais de filhos que também enfrentam essas mesmas dificuldades?

Bia: Busque ajuda especializada. A maioria dos pediatras não entende sobre alergia alimentar, então é importante encontrar um gastropediatra que saiba do que está falando. E procure grupos no Facebook sobre o assunto, tem muita informação boa e acolhimento nesses grupos.

♥ E como tem sido sua rotina agora sendo mãe de dois?

Bia: Para falar a verdade, sou muito privilegiada. Meu marido tem uma boa flexibilidade no emprego, então tem estado em casa, dividindo as tarefas com a casa e as crianças. Minha mãe também é bem presente, Maitê já está na escola, ou seja, tenho uma boa rede de apoio, a rotina não ficou tão mais pesada.

♥ Você consegue separar um tempo para você, seu marido? Como você faz para se organiza?

Bia: Aqui em casa, meus filhos vieram programados para dormir cedo e nós procuramos respeitar o soninho deles. Então, às 21h, já estão os dois dormindo, todos os dias. Isso permite que nós tenhamos um tempo pra ficar juntos, jantar, ver filmes ou séries, antes de dormir.

♥ O que te faz perder a paciência ou acha mais cansativo na maternidade?

Bia:Acho que o sono picado, dividido em períodos de 3 horas é o mais cansativo. Mas isso é passageiro, então vamos levando. Acho que minha paciência é testada quando as crianças estão com sono e não podem ou não conseguem dormir. Tudo vira motivo de choro, então lidar com isso sem reforçar o comportamento, mas com empatia, entendo o momento da criança é bem difícil. (Muuuito difícil! Tenho paciência negativa nesses momentos.)

♥ A maternidade nos faz mulheres melhores, em que você se tornou uma pessoa melhor sendo mãe da Maitê e do Gael?

Bia: A sensação que eu tenho é de que me tornei outra pessoa completamente diferente. Ideias, valores, princípios, desejos, prioridades.

“Através da maternidade, descobri uma nova maneira de enxergar e entender o mundo.”

Quando alguém fala sobre os filhos crescerem e a vida voltar ao “normal”, eu não consigo me imaginar voltando a ser quem eu era. (Eu falo isso, confesso! Mas Diego sempre me responde que essa é nossa vida normal agora!) Não dá para voltar atrás. Nem quero. Gosto muito mais da pessoa que me tornei, graças aos meus filhos e aos caminhos que percorro por eles.

♥ O que é ser mãe para você?

Bia: É a minha vocação. Sabe quando a gente encontra aquela carreira que nos faz sentir produtiva, inteligente, capaz, realizada? Então, não encontrei isso na carreira, encontrei na maternidade.

“Respeito muito mesmo (mais ainda agora) quem escolhe não ter filhos, mas eu, Beatriz, não poderia passar por esta vida sem ser mãe.”

E sinto que minha missão é grande: educar meus filhos para serem ferramentas de mudança pra nossa sociedade. Pra que eles não repitam preconceitos e estereótipos, mas ajudem outros pessoas também a expandir seus mundos. E, como toda mãe deseja, que sejam felizes. 🙂 (Sempre me emociono lendo as respostas a essa pergunta).

Conta aí, Camilla!


camial e helenaCamilla Winch,
39 anos. Mora na Inglaterra desde 2009, casada com Alex há 5,5 anos. É tradutora e intérprete.

Mãe da Helena de 3,5 anos e de outra menina que está na barriga. 

Porque pensei nela para estar aqui: para dividir com a gente a experiência de ser mãe de uma britânica fofa e criar sua filha num país diferente e tão longe do nosso.

Como conheci a Camilla:  é meio minha prima. Ela, tia Vânia (mãe) e a Renatinha (irmã) eram as poucas pessoas que conhecíamos quando chegamos ao Rio. Quando estava grávida do Davi fomos a Londres e passamos em Brentwood para visitá-la e conhecer a Helena que era um baby.

PARTO, MÉDICOS, ASSISTÊNCIA SOCIAL ♥

Camilla:  Durante a gravidez, você é acompanhada pela “midwife”, a parteira; não um obstetra. O sistema de saúde é público e eles priorizam o parto normal. A midwife faz o parto e se houver alguma complicação, o médico está logo ali. Pode ter o parto em casa, com ótimo acompanhamento e uma ambulância de plantão. Antes de ficar grávida, pensava que ia voltar ao Brasil e fazer uma cesárea.

“Fiz um cursinho pré-natal aqui meio assustada com a naturalidade com que falam que era nosso direito exigir um parto natural, mesmo que o bebê estivesse virado. Puro medo e preconceito.”

Ia ser complicado ter o filho no Brasil e aceitei o destino (rs). Receber a Helena em meus braços depois daquele esforço, pareceu que lutamos para que ela nascesse e ela foi guerreira e eu, humildemente, fui só uma facilitadora.

Muita coisa se resolve com o médico ao telefone, que nem sempre é um pediatra, é um clínico geral. Se ele perceber que precisa de algo específico, envia ao pediatra. Um dia ela teve uma febre alta e eu, no desespero de mãe de primeira viagem, disse: ”vamos ao hospital.” E me dei conta que hospital é para emergência, MESMO. Muita coisa é possível resolver em casa, com o farmacêutico ou uma consulta com o clínico geral, sim.

Há muitas atividades para mães, crianças e famílias no geral. Muitas subsidiadas pelo Council (a prefeitura) como “health visitors”, que são assistentes sociais da saúde. Eles esclareceram muita coisa que me preocupava, como o peso da Helena, se dormia bem, se estava amamentando bem etc., sem precisar consultar um pediatra.

♥ UMA CRIANÇA BILINGUE ♥

Camilla.: Li muito a respeito de criar crianças bilíngues. Tive receio de ela ficar confusa, ter dificuldades na comunicação ou se atrasar na escola. É bom que aprendam mais de um idioma desde cedo, contanto que eu fale com ela em português e o Alex sempre em inglês. E é o que fazemos. Ela entende os dois muito bem. Têm horas que ela parece saber exatamente a diferença, se dirige a mim em português e a ele em inglês. A família que vem do Brasil sempre traz um livrinho, um vídeo, o que é ótimo.

“Ela sabe “Old McDonald’s had a farm” mas também “Atirei o pau no gato”. Ufa!”

Às vezes, ela esclarece: “The window, mummy”. E se eu não entendi direito o que ela quis dizer, ela troca de idioma “janela!”. Mas têm horas que parece que é tudo um só idioma na cabecinha dela, ela mistura tudo. Ela fala: “papai, can you abre this, please” ou “mummy, I want mais leite”. Mas li que uma hora ela separa um do outro,e ela pode se beneficiar disso para o resto da vida.

♥ A ROTINA COM A HELENA

Camilla: Trabalho em casa com tradução, sou intérprete do serviço público e me chamam em prefeituras, hospitais, tribunais etc. A Helena vai para a escolinha três vezes por semana, é quando aproveito para trabalhar. Segundas e terças não tem escola, ela tem “ginastiquinha”, natação, dança e, sempre que o tempo permite, vamos a parques, festivais (festivais mesmo, como Rock in Rio para crianças (risos)), teatrinhos. Não temos empregada, é muito caro. Antes da Helena nascer eu tirava um dia de faxina, agora eu limpo aqui e ali, quase todos os dias. Como conciliar… a gente sempre dá um jeito, né. Agora mesmo estou aqui respondendo, enquanto aguardo a roupa lavar, e ela está assistindo Bubble Guppies rs.

♥ ESCOLAS NA INGLATERRA 

Camilla.: A maioria aqui vai para escolas públicas, são muito boas. As particulares são extremamente caras. Você recebe uma carta do Council e escolhe quatro escolas, que levam em consideração alguns critérios como distância, por exemplo, e até o início de abril nos enviam para qual escola ela vai.

As melhores são as religiosas, e muitas solicitam uma carta do padre (católica) ou vigário (anglicana). Para receber essa carta, só se for parte da igreja mesmo. Tem que ir à missa, participar das atividades da comunidade etc. Senão receber a cartinha, o nome da criança deve ir para o fim da fila. A Helena foi batizada na igreja católica, mais porque eu pensei já na escola, do que por crença ou fé. Como eu e o Alex não somos religiosos e, segundo o padre, já vivemos em pecado, pois ele é divorciado, então seria hipocrisia comparecer. Vamos aguardar a escolha do Council, sem a carta.

O uniforme é básico, tirando a jaqueta ou casaco com o emblema da escola, tudo pode ser comprado numa loja de departamento. Outros uniformes incluem gravata, inclusive para meninas, chapéus e bolsas.

Acho bom que a Helena vá para uma escola pública. Ela vai ter a oportunidade de conviver com vários tipos de pessoas, classes sociais e, possivelmente, várias religiões e culturas. Acho bom que ela aprenda que existe uma diversidade e desenvolva a tolerância.

♥ REALIDADE DAS MÃES BRITÂNICAS 

Camilla: A maioria das mães trabalha fora, em período integral ou parcial, e as crianças vão para escolinha. A licença maternidade é de um ano e as mães têm flexibilidade no trabalho. Conseguem entrar em acordos, trabalhando em horários diferentes.

“Conheço mães que trabalham três, quatro vezes na semana ou até um certo horário. Muitos pais também têm uma certa flexibilidade e conseguem revezar com as mães. Acho isso muito positivo para a família.”

As mães se preocupam menos com a violência. Os índices de criminalidade são bem pequenos. As crianças andam mais soltas, com uma supervisão de longe. É comum ver uma mãe andando na frente e as crianças láaaa atrás seguindo ela de longe. No início, eu pensava: “Nossa, como ela tem coragem (risos).”

♥ ALIMENTAÇÃO 

CamillaAs crianças começam a comer coisas que eu considero porcaria muito cedo. A Helena demorou mais de dois anos para comer um bolo, por exemplo, e não fui eu que dei. Na escolinha, eles dão mais sobremesas que são doces e em casa, a sobremesa era fruta. Não é sempre, claro. Também não gosto muito do que eles chamam de “crisps”, que são as batatinhas chips, os fandangos etc., e vê-se muito por aqui a criança comendo aqueles pacotinhos.

Poucos restaurantes oferecem um cardápio saudável. São hambúrgueres, pizzas e umas linguicinhas que eu não entendo. A Helena come bem, gosta de brócolis, tomate, cenoura, berinjela e abobrinha.

“Não entendo porque um frango precisa ter um formato de estrelinha ou um peixe com brócolis precisa parecer nuggets para criança comer.” – (adorei esse comentário!!!)

A comida vira enfeite e perpetua a ideia de que criança come mal por natureza e de que comida é prazer e não alimento. Mas a maioria das mães tenta, claro, e se preocupa se estão comendo bem. Há muitos alimentos orgânicos e também bastante alimento para criança sem sal, sem açúcar, sódio reduzido etc.

♥ A RELAÇÃO DA HELENA COM O BRASIL 

Camilla: Ela tem um mapa mundi no quarto. Mostro onde a família está, ela reconhece o mapa do Brasil e a bandeira. Desde que nasceu, canto Tom, Cartola e Cazuza para ela. Ela fala que mamãe e vovó falam português e nasceram no Brasil e papai fala inglês e nasceu na Inglaterra. Ela vê aviões no céu e pergunta se estão indo para o Brasil. Ela tem livrinhos muito legais para criança sobre a mata atlântica ou sobre índios do Brasil. Ela já foi ao Brasil várias vezes, mas ainda não no Rio de Janeiro, infelizmente. E tem a família, claro. Nos falamos por What’s app, Skype, Facebook. Tento enviar o máximo de fotos e vídeos , estamos em contato constante.

♥ O QUE FAZ PERDER A PACIÊNCIA NA MATERNIDADE 

Camilla: Paciência nunca foi meu forte e não melhorou com a maternidade. As manhas, os choros sem motivo aparente, em que eu sinto que só bola de cristal resolve porque ela ainda não sabe me explicar, ou por coisa pequena como um raladinho no joelho. A minha vontade é dizer, “ok, caiu, normal, todo mundo cai, levanta, sacode a poeira” etc. (risos). Mas eu retiro forças não sei de onde para consolar a pequena. Quem sou eu para julgar o que é dolorido para ela. Ela é pequena e não tem maturidade para lidar com as próprias emoções.

“O imediatismo infantil. Quando ela quer algo ela repete até conseguir: quero suco, quero suco, quero suco, quero suco… (risos)”

Disciplinar tem sido difícil. Jamais vou bater nela e, no fundo, não acredito em castigo. Acredito em reforço positivo e o efeito disso leva um tempo, mas… mencionei que paciência não é comigo? Pois é.

Ela nunca foi de dormir bem, infelizmente. Já tentei de tudo, acalmar à noite, leite quente, sem TV, rotina, banho e até mesmo a tal técnica do “choro controlado”, mas é muito difícil. Resolve um tempo até que viajamos e a rotina se vai. Vez ou outra ela ainda corre para nossa cama e eu já estou muito cansada para relutar. Prezo muito meu sono. Sentar para comer com calma, também. Fico insuportável se não descanso ou estou com fome. Não era assim, mas é agora.

Eu sinto falta de tomar decisões só para mim. Vivi muito tempo solteira e morando sozinha. Eu gosto de ficar sozinha, realmente.

“Eu gosto de decidir o que quero fazer aos 45 do segundo tempo e, pronto, fazer; sem pensar em ninguém além de mim. Não posso mais. Minha vida não é mais só minha. Não que seja negativo, mas é algo que sinto falta vez em quando.”

♥ COMO SE DIVERTIR E DESCANSAR 

Camilla: Dormir (risos). Eu moro em Essex e não Londres, mais para o interior. Ir a Londres é uma diversão, adoro trens. Ler muito e aprender uma coisa nova. Café na esquina. Assistir seriados. Aproveitar o pouco de sol que temos e sair de casa, viajar. Adoro conhecer lugares novos aqui, com tanta história para contar, da época em que o Brasil nem tinha sido invadido pelos portugueses. Ir ao cinema ou ver um filme em casa mesmo, com o pé para cima. Tomar um vinho, comendo queijo. Sentir o cheiro do verde dos bosques e olhar tantos pássaros diferentes e coloridos, como não dá para se ver morando em São Paulo. Observar no horizonte aqueles moinhos no meio do mar, ao longe, e pensar que aquilo gera uma energia danada só com a força do vento me faz viajar. É poético, até.

♥ O QUE É SER MÃE 

Camilla: A cada dia vou descobrindo uma coisa nova e, ainda sim, não sei se é isso mesmo. Só sei que me parece uma responsabilidade enorme, mais do que pude imaginar. Acho também que o planeta precisa passar por uma mudança radical para as futuras gerações terem o mínimo de qualidade de vida, então… do fundo do meu coração, espero estar criando um ser humanozinho bom. Bom, assim, uma pessoa boa, altruísta, solidária, sensível aos problemas do mundo, tolerante com as diferenças, que contribua para sociedade de alguma forma e, claro, que seja muito, mas muito feliz.

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Quase auto ajuda


balanca 2

Essa semana fui a minha última consulta na nutróloga, entrei na 36a semana da Fernanda e fiz o acompanhamento com esta médica durante toda a gravidez. Não foi proposital. Eu já tinha marcado uma consulta com ela e no intervalo do dia que marquei até a data da consulta, descobri que estava grávida.

Foi ótimo, porque apenas mudei o objetivo que não era mais perder peso e sim não engordar muito, como foi na primeira. Minha meta inicial era engordar no máximo 10 quilos, o que já achei fantástico. Isso seria metade do que engordei quando estava esperando o Davi. Ao longo dos meses, conforme a evolução foi ocorrendo, a médica disse que eu engordaria no máximo 8 quilos. Acreditei que seria possível também.

Em nenhum momento passei fome, óbvio e a Fernanda sempre esteve dentro do tamanho e peso esperado. Não estou nem doida ainda para priorizar outra coisa que não fosse o desenvolvimento dela. E essa também sempre foi uma preocupação da própria nutróloga.

Comecei a gestação com um peso acima do que deve ser o meu normal, por esse motivo já tinha marcado a consulta. E seguindo o plano alimentar, acabei perdendo peso no começo da gravidez, por ter parado de comer doce após as refeições, cancelei os pastéis e salgadinhos no almoço e outras frituras. Substitui quase tudo por versões lights, inclui mais fibras e substitui algumas coisas aqui em casa, creme de leite por creme de ricota, achocolatado, que raramente tomo, por cacau em pó com pouco de adoçante, geleia totalmente a base de frutas com queijo minas quando quero descompensadamente comer um doce depois da refeição em casa, jantar sopa, tapioca no café da manhã e não comer até explodir. Nenhuma novidade, todo mundo cansado de falar e saber isso, inclusive eu mesma, mas a lembrança da minha forma ao final da gestação do Davi foi a minha motivação e coloquei tudo isso em prática. Não bebo nada alcoólico, uma ou duas taças de vinho no máximo às vezes, isso facilita também. Se bem que mesmo se bebesse, grávida ia ter que cancelar isso. Minha casa também nunca tem nada de gostoso para comer, não compro besteira porque se tiver é muita tentação. Não tem chocolate, não tem biscoito recheado, não tem doces no geral…Acho que isso também ajuda.

Mas o principal e o que foi um ganho considerável para mim com esses poucos quilos adquiridos foi uma motivação para cuidar mais da minha alimentação, sem paranoias, até porque meu prazer em comer é muito, muito grande, mas vi que dá para conciliar as duas coisas. Fui a algumas festinhas durante esse período e em todas comi os docinhos e bolo até passar mal, como de costume ! Ou quando todo mundo decide almoçar numa hamburgueria, não consigo pedir um frango com salada….Mas o equilíbrio com refeições saudáveis durante a semana me permitiu chutar o balde nessas ocasiões, por exemplo.  Vi que eu sou capaz e que eu mereço investir em mim mesma. Investir dinheiro, porque nem sempre as consultas são baratas e uma geleia totalmente a base de frutas custa bem mais que uma geleia comum. Enquanto isso for possível dentro do meu orçamento, por que ficar de pão-durice comigo mesma? Investir tempo, porque fui às consultas sempre na hora do almoço ou acordando bem mais cedo para não marcar nada na hora do expediente. “Investir” o mínimo do esforço e domínio próprio, porque eu amo pastel, porque eu sou capaz de comer muito mais do que aquilo que simplesmente sacia minha fome, porque um chocolate é infinitamente melhor do que uma bananinha sem açúcar ou um fatia de queijo branco com geleia, mas a cada retorno à medica que eu subia na balança e via que tinha engordado basicamente o peso do bebê era uma sensação que eu não sinto com muita frequência: de que eu sou capaz e orgulho de mim.

Faltam, no máximo, 4 semanas para Fernanda chegar. Foram, precisamente, 4,8kg até aqui se comparados com o peso inicial. Contando o que ainda engordarei até ela nascer, eu provavelmente não chego a 7 quilos. Nunca achei que isso fosse possível, mas foi e é. Esperar essa menina me trouxe muitas mudanças e estou torcendo e orando para que eu consiga mantê-las comigo. Muito, muito feliz por ter conseguido.