O cheiro de gasolina da infância

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Rio Negro e a lancha da infância

No domingo, fomos à casa da minha sogra (estamos respeitando o isolamento social, vamos quinzenalmente lá, porque isso se fez importante depois que perdemos meu ‘sogro’) e paramos para abastecer o carro. Meu filho comentou que achava o cheiro de gasolina ruim e meu marido lembrou que na infância dele, ele gostava de sentir esse cheiro. E eu complementei: “Eu também gostava, esse cheiro me lembra dos meus passeios de barco quando era criança e a gente parava no meio do rio para abastecer”. Davi pirou: “Você já andava de barco quando era pequena?”

Morei em Manaus até praticamente meus 10 anos. Nasci lá e um passeio comum, comum entenda como quase todos os fins de semana, íamos passear de lancha. Meu tio Rodrigues (que há 4 anos vive em forma de saudade no meu coração) tinha um barco maiorzão quando éramos mais novas e depois ele trocou por uma lancha e é dela que minhas lembranças são mais fortes. A gente andou muito ali, eu amava! Amava todo o ritual que antecedia o passeio, tudo o que os adultos precisavam separar, os coletes de cor laranja, escolher os lugares que a gente sentava na lancha, parar no meio do Rio Negro e pular da lancha num mergulho corajoso, porque a gente não enxerga nada embaixo d’água. Rio Negro tem cor de coca cola, para a sorte da coca cola. A gente escolhia uma praia, parava a lancha e ficava ali um tempo. Também parávamos num restaurante flutuante e almoçávamos…e a chatice era esperar a digestão para voltar a nadar no rio. Peixe Boi se chamava o flutuante que sempre íamos, lembro até hoje. E em determinado momento do passeio, a gente parava para abastecer. Aquilo era quase mágico para mim, um posto de gasolina no meio daquele riozão, flutuando. E o cheiro. Até hoje é para este lugar que o cheiro de combustível me leva. Um lugar com uma das paisagens mais lindas que já vi, um Rio que só é possível ser entendido para quem já viu, a cor, o tamanho dele…difícil achar palavras que realmente o descrevam de forma fiel. Um lugar que me traz lembranças super doces e divertidas da minha infância, da minha relação e da minha irmã com meu tio, que sempre foi muito forte.

Quando tenho esse tipo de retorno a algum ponto da minha infância, sempre volto ao presente como mãe. E me pergunto que tipo de memórias tenho criado na vida dos meus filhos, o que tenho proporcionado de experiências na vida deles que os marquem de forma que, daqui a 30 anos, eles consigam voltar a um ponto de amor, segurança e alegria vivido no passado. Se me perguntarem para contar sobre meus brinquedos de infância, minha roupa preferida..não vou saber dizer ao certo. Mas essa experiência dos passeios de barco está viva na minha memória! Então, cada vez estou mais convecida que é isso que nos marca e é desta forma que entendo que temos que marcar nossos pequenos. Eles não precisam ter, precisam ser.

Por que o blog?

maquina escreverSempre gostei de escrever e inspirada por uma amiga que na época escrevia num blog, criei um e nele escrevia o que achava e pensava e sentia. Era o meu Livrinho, escrevia para mim mesma e um dia passei a compartilhar os textos no Facebook, foi quando comecei a ouvir comentários positivos sobre o que escrevia. E isso me fez super bem, ainda me faz até hoje. Com a gravidez da Fernanda, acabei ficando meio monotemática, como acontece com tantas mulheres, nessa época criei o Maternidade Plural, que depois passou a ter uma conta no Instagram. Naquele momento escolhi “plural” porque seria mãe de dois e porque tem muita coisa para falar sobre maternidade. Com o crescimento das crianças, a independência delas, fui retomando os temas que até então tinham sumido. Fui deixando de ser a mulher monotemática e ampliei meu repertório. Sempre penso em mudar o nome, porque já não falo mais só sobre maternidade, mas o “plural” continua fazendo sentido. Sou mãe, mas continuo sendo plural, embora a gente tenha uma fase tão singular e focada somente no filho, nos filhos, sem perceber que existe um mundo cheio de possibilidades ao nosso redor.

Sempre fico com a sensação de que parei de escrever, porque me limito ao Instagram. Tanto ao espaço físico dali, quanto ao tempo que ele me rouba rolando o feed e pulando entre stories. Ou pela criatividade que ele também me rouba por acelerar minha mente de uma forma que é zero positiva. Meu sonho é escrever um livro, para mim mesma, ebook ou físico. Os dois na verdade. Amo os livros, amo ler histórias de pessoas que se tornaram escritores depois de um tempo atuando em outros lugares, amo saber sobre a rotina de quem escreve, do processo de escrita e em todos os casos a escrita requer a prática. A própria criatividade é alimentada pelo exercício e pela constância.

Pensei muitas vezes em desistir desse espaço, mas há um apego emocional. A desistência seria talvez por uma comparação ridícula que eu me imponho em relação a pessoas mega bem sucedidas que navegam por esse mundo de redes sociais. A sensação de que para que escrever, se eu alcanço meia dúzia de pessoas? E isso tem uma causa né? A necessidade de ser aceita, de se autoafirmar, de fertilizar aquele orgulho que mora aqui dentro de mim. Durante esse tempo de pandemia, tenho estado muito mais perto de Deus, muuuuito mesmo e o que isso tem a ver com o papo? Tudo! Deus tem sempre a ver com qualquer papo. Quanto mais eu sei de Deus, mais meu autoconhecimento se aprimora e depois de pensar sobre o que estava por trás de “não escrever” aqui, vi que era essa raiz. Uma adoração a mim mesma e ao meu “incrível” (!) talento de escrever um texto qualquer.

Tenho em mim, sempre, uma vontade de fazer diferença na vida das pessoas. De verdade. Através do compartilhar das minhas experiências e, de alguma forma, quebrar o paradigma que existe sobre nós, os crentes e mais que isso, apresentar Deus a quem não O conhece de uma forma simples e real.

Entããããããão, não vou encerrar nada. Rs…Tudo bem se só uma pessoa ler, se uma única pessoa souber que eu sou crente e sou normal, se uma única pessoa disser que gostou. Tenho um espaço totalmente projetado para exercitar minha escrita, prontinho para escrever e publicar que é essa plataforma aqui. Aproveitarei esse espaço para voltar aos meus textos, a cultivar minha criatividade, esvaziar e organizar a mente. E exercitar a capacidade de não precisar de aprovação de outros, a vida não é medida em likes né? Nem em seguidores, nem em lives, nem em stories e nem em quantidade de textos postados em blogs. É tão mais que isso…as palavras têm um poder incrível de nos transportar a lugares, de alcançar o sentimento de quem não conhecemos, de acalmar nossos anseios e extravazar aquilo que não cabe em nós. E isso, desde sempre, desde que éramos só cartas e que nosso objetivo era alcançar um unico destinatário e isso nos satisfazia.

Tanta coisa essa quarentena me mostrou…acho que voltei pra cá.

Sobre o jeito de se vestir

Hoje recebi 3 comentários sobre o que eu vestia: um elogio para o meu anelzinho, para o colar e outro completo, dizendo que eu estava elegante. Isso para mim significa muita coisa, não por ser vaidosa, mas por eu ter auto estima meio ruim e ter passado a minha vida inteira me rotulando como uma mulher sem graça e sem estilo (minha irmã que o diga). 

B7CC30F9-7233-466D-B3D4-62F6B5E203C0.jpegEsse ano fiz uma consultoria de estilo, um modelo que era mais viável finaceiramente, porque não é uma coisa barata. Mas, me dei de presente e não me arrependi. A consultoria consitiu em fazer alguns exercícios enviados previamente, para entender melhor minha rotina, meu estilo de vida, o que não gosto, etc. Algumas conversas e ao fim a entrega de um diagnóstico, falando várias coisas, dando várias dicas. Foi um divisor de águas no sentido de me aceitar e pensar em mim, foi uma terapia Nunca me achei feminina e ela me disse, em uma de nossas conversas, que eu era Mãe, e isso é o que talvez de mais feminino exista. Além de me conscientizar que não é de um dia para o outro que a gente muda, é um passinho de cada vez, um aprendizado.

Descobri, o que parece óbvio, para ser feminina não preciso parecer a Barbie; posso estar bonita, sem gastar tanto,  sem ferir meu estilo. Gosto de conforto, de praticidade e o preço das roupas faz diferença para mim. Mas comecei a expandir minhas opções, usando uma 3a peça, sempre um acessório, e roupas que combinem comigo, não adianta eu compar uma roupa sexy, um salto maravilhoso, não gosto de usar. Também não adianta comprar por comprar, sem pensar, só porque está baratinho ou porque é o que se está usando. Estão usando animal print, gosto em acessórios. Mas cropped, por exemplo, sem condições; ou aqueles tênis grandões, detesto. 

Hoje estava de saia lápis, mas jeans (uma peça feminina), comprada numa loja fofa na Black Friday num preço que me permito pagar (o que não seria factível fora da Black). Uma baby look branca lisa da Marisa que tem igual em qualquer varejista. Um anelzinho em formato de estrela, porque fiz a unha ontem e queria destacar minha mão. Uma sandália anabela e um colar coloridão de uma feirinha no Rio. Aprendi em investir em peças diferentes do meu padrão basicão, uma blusa com um modelo diferente, usar camiseta com calça social (já que gosto de camiseta), usar mais saias e vestidos, usar tênis diferentes e que combinem de alguma forma comigo.

Invisto minimamente um tempo pensando no que vestir, depois que visto sempre penso se tem algo que posso melhorar (mudar a blusa,  brinco, o colar, o sapato, etc); na hora de comprar penso, priorizo algumas peças melhores e outras podendo ser mais básicas e o MAIS importante: não uso absolutamente mais nada com o qual não me sinto bem, seja lá qual for o motivo. Nem me importa se está novo ou velho, foi caro ou barato. Outro dia, coloquei uma blusa pra trabalhar e toda vez que passava na frente do espelho em casa achava que não estava boa a estampa com a minha brancura atual…por fim, tirei. Não saio com nada que me faça sentir mal, se eu fosse bem resolvida, beleza. Mas não é o caso. Não posso passar 10 horas do meu dia com algo que não está me fazendo bem. 

E o meu texto é só para isso, no final. Não para indicar uma consultoria…mas para dizer que dá para se sentir bonita sem ferir o nosso jeito genuíno, mas não dá para ter preguiça de pensar e também não é só copiar look de revista ou da pastinha do Pinterest…como eu sempre tentei fazer. Também precisamos tentar! E o principal mesmo é só usar o que me faz bem.  

A maternidade é o que de mais feminino pode haver mesmo, mas foi essa maternidade que na demanda pela praticidade, acentuou algo que já me incomodava. Mas nunca é tarde, 7 anos depois estou eu aqui tentando fazer diferente e estou satisfeita com meus pequenos avanços. Tentem! Tentem avançar e eliminar aquilo que não faz bem.

A criança e os limites

Ultimamente tenho conversado com pessoas de grupos distintos sobre o desafio que é educar uma criança, as dificuldades desse tema e o comportamento cada vez mais frequente de crianças que fazem suas próprias vontades.

Eu tenho dois filhos e consigo perfeitamente identificar quando o comportamento deles está chato, irritando quem está em volta, estão passando do limite do engraçadinho para o desagradável. Eu tenho zero paciência com criança que faz suas próprias vontades, mas também não sou hipócrita de dizer que essa situação jamais aconteceu por aqui. Já aconteceu inúmeras, mas tenho consciência de que sempre que permito, é porque estou com preguiça de corrigir, de ajustar a rota, de conversar e orientar.

De modo geral, as pessoas têm a tendência de dizer que a criança tem um gênio difícil, que tem personalidade forte ou coisas parecidas. Isso é verdadeiro, meus dois filhos têm gênios e personalidades completamente diferentes, sendo que um deles de fato tem o gênio mais difícil e uma personalidade mais forte. O ponto é que isso não pode ser desculpa para a criança tocar o terror, para ela ditar o que vai ser feito porque como ela tem “personalidade forte” ela não aceita opinião contrária. Entendo que ninguém é obrigado a fazer algo que não quer com alegria e sorriso no rosto, mas dependendo da situação temos que fazer gostando ou não, e novamente, não gostar da “ordem” não nos dá o direito de faltar com o respeito e perder a educação. Isso vale para adultos, por que não valeria para as crianças? Sempre digo para o meu filho, você tem todo o direito de não gostar, mas nunca terá o direito de gritar, de me responder com grosseria.

Não devemos ser ditadores, nosso relacionamento com nossos filhos deve ser um lugar de acolhimento, de conversa franca, de amor, de compreensão, de diálogo mesmo, mas também deve ser lugar de disciplina. Não é honesto da nossa parte como pais, permitir que nossos filhos façam suas vontades, porque a vida não é assim. Em nenhum lugar. Existem situações que eu tenho muita dificuldade de entender: “não vou a restaurantes porque meu filho de 3,4 anos não fica sentado” – como assim, gente? Óbvio que a criança não vai ficar 3 horas sentada, prestando atenção na conversa tranquilamente, mas não consegue ficar sentada, com alguma coisa do interesse dela, enquanto os pais comem, não consegue comer com os adultos? Isso não é personalidade forte, isso é que sempre permitiram um comportamento e quando ele chegou aos 4 anos resolveu-se dizer que não pode mais ser daquele jeito. A criança por mais agitada que seja nem tem “culpa”.

A vida é feita de escolhas e consequências, de combinados – para usar uma palavra que costumo falar com meus filhos. Em qualquer circunstância da vida, com qualquer idade, quando não cumprimos um combinado, sofremos alguma consequência. Não podemos ensinar diferente às nossas crianças e desde muito pequenos eles são capazes de entender isso.

Meus filhos cresceram

Cada vez mais forte a sensação de que meus filhos cresceram, é estranho dizer isso quando estão às vésperas de completar 4 e 7 anos, “apenas” 4 e 7. Mas, no fundo, sempre que construo essa frase na minha cabeça é: Ela vai fazer 4 anos. Meu mais velho tem 7 anos. Passou tão rápido, a maior verdade da maternidade talvez seja essa, que passa muito rápido. Talvez por essa razão, outro dia me deu vontade de ter mais um filho, mas não houve muita adesão por parte do meu marido: “Você louca!” – não foi muito receptivo à ideia de começarmos tudo do zero. Mas seria isso, a chance de começarmos do zero, de prolongarmos a vida com crianças que é cansativo, cara, nos levam ao limite em muitos momentos, mas é extremamente feliz. Ter filhos é se realizar com pequenos momentos, se admirar e se orgulhar de pequenos feitos, mas que no fundo estão construindo o caráter, as memórias e desenhando a vida de um ser humano. As crianças dão o colorido à vida e a rotina tão pesada que elas mesmo exigem.

A gente tem a oportunidade de moldar um ser humano! Olha a potência disso…. Dizem que a primeira infância é até os 7 anos, que é até aí que acontece a parte mais significativa da formação do caráter de alguém. Ou seja, a primeira infância do meu mais velho já foi. Embora ele tenha nascido ontem, embora eu me lembre de detalhes da sua chegada, a primeira infância dele passou. O que dava para ser feito foi feito e se não fiz… Aí que mora a mini-angústia , no “e se”…. e se eu não fiz, e se eu não corrigi o suficiente, e se não demostrei o quanto amei, e se não reforcei o quanto o ele é importante, e se não o ensinei a amar a Deus verdadeiramente, e se fui ausente, e se me excedi demais, e se faltei, e se frustrei, e se não dei o meu melhor ou e se o meu melhor não tenha sido o que ele precisava, e se não aproveitei como deveria, como ele merecia? Na minha cabeça, foi o melhor que eu tinha para dar e aparentemente está tudo bem. Uma coisa sei que me dediquei: às orações. Oro muito pelos meus filhos, sempre que ponho para dormir faço silenciosamente uma oração pela vida deles, agradeço, peço. Lembro de muitas vezes, quando eles ainda estavam no berço, de parar ali e orar por eles. Sei que sou falha, sei que tudo eu não vou conseguir, nunca vou suprir todas as necessidades deles, só queria minimizar essas falhas…mas a maternidade é um lugar que nos mostra diariamente que quem está no controle é Deus. A onipresença, onipotência e onisciência não são dons nossos, mas Deus sim está em todos os lugares, sabe o que se passa na mente e coração dos meus filhos. E esse mesmo Deus é infinitamente poderoso para reparar tudo aquilo que eu, na minha limitação, falhei. Que bom! Graças por isso! Mas em menos de um mês, terei um filho saindo da primeira infância e daqui a exatamente um mês minha caçulinha completará 4 anos e já terá passado pela metade desta mesma primeira infância. Sabe aquela música: “os anos se passaram enquanto eu dormia” – é isso.

1 ano de Mulher para Mulher

Há 1 ano eu começava um novo caminho na vida profissional: era o primeiro dia numa das grandes varejistas de moda que temos, uma que fala de mulher para mulher. E isso é realmente muito forte lá dentro, não é só um slogan.

A oportunidade apareceu de onde eu nem esperava, uma pessoa conhecida da igreja me mandou uma foto de um treinamento que ele estava fazendo pela Falconi (a consultoria que trabalhei por 10 anos) e eu disse que não estava mais lá. Na ocasião, eu já tinha saído há 1,5 ano. Ele perguntou se tinha interesse em mandar meu currículo e despretensiosamente disse que sim. Naquele momento havia uma vaga que se encaixava comigo.

Simultaneamente eu participava de um processo seletivo para dar aula no Mackenzie e essa seria minha primeira opção. A resposta da varejista veio primeiro e eu tinha sido aprovada no processo deles. Ainda assim, eu segui com o Mackenzie, mas lá eu não fui aprovada. Não foi a maior decepção da vida porque lá o desafio talvez fosse maior que eu e de alguma forma já tinha outra opção. Além disso, o cara que me entrevistou no Mackenzie me deu um feedback tão positivo, que até hoje trago à memória para me animar quando preciso.

Em agosto de 2018, comecei a trabalhar lá e desenvolvi uma relação com o trabalho que até então eu nunca tinha tido. De leveza. Trabalho no escritório, no coração do escritório porque minha área dá suporte direto às lojas; trabalho para facilitar a vida de todo mundo que está na ponta vendendo e garantindo que eu possa ter meu emprego. De forma bem resumida, é isso. Entendo que diariamente estou ali para que as lojas sejam capazes de vender mais, para que os gerentes tenham cada vez mais tempo para se dedicar ao mais importante. E isso me faz bem. Tenho como princípio de vida fazer diferença na vida das pessoas com as oportunidades que tenho e vejo que meu trabalho me proporciona isso. Toda vez eu ensino um gerente a fazer o processo de maneira correta, eu mudei a vida dele de alguma forma. Sempre que eu respondo uma dúvida, encurto o caminho para a solução, eu alcanço alguém que está numa loja. Minhas planilhas são minhas orientadoras para alcançar as mais de 300 lojas espalhadas por aí. E talvez enxergar a coisa dessa forma me ajudou a mudar essa relação com o trabalho.

O ambiente em que estamos inseridos ajuda muito: a empresa preza verdadeiramente pelos relacionamentos, é visível. Há uma preocupação com o indivíduo, com o ser humano que está por trás de cada computador ou cada loja. No dia a dia, claro, isso pode não ser tão transparente e óbvio; mas muitas vezes, em alguma reunião, alguém lembra que não somos máquinas. Trabalho com muita gente boa, comprometida, a liderança a que estou submetida é muito bacana. E, o principal, as pessoas são m-u-i-t-o divertidas.

Foi um ano feliz para mim. Um ano de muitas mudanças, mudanças na rotina da minha família, um ano de pessoas novas, de novos líderes, de um novo modelo de trabalho, de aprender coisas. Estou certa de que Deus me presenteou com essa chance e esse ano que passou.

A maternidade de dois

Quando eu estava grávida da Fê, busquei uma coach para dar uma orientada na minha vida profissional e acabei percebendo na época que deveria fazer uma terapia mesmo. E assim foi. Durante mais da metade da gravidez eu fiz terapia 1 vez por semana, ia na hora do almoço. Foi muito bom para mim e lembro dela dizer que o segundo filho não é tão filho dos mesmos pais que o primeiro, o segundo nasce em outro cenário, com pais experientes, com a atenção já dividida com o irmão.

E em vários momentos vejo isso na prática, às vezes ter dois mina mais rapidamente a nossa paciência, mas paradoxalmente a gente fica mais tranquila e menos exigente em muitos aspectos. A gente sabe que as fases, por pior que pareçam, elas passam. Que eles podem demorar a largar a chupeta, a desfraldar, a comer sozinhos, mas isso um dia vai acontecer. Nunca vi adulto de chupeta…e pelo menos com o segundo eu consegui dar essa relaxada em algumas situações.

A sensação de que precisamos aproveitar cada momentinho com eles ficou muito maior depois que a caçula nasceu, porque o tempo parece que deu uma acelerada. Hoje depois que já tinha deixado Davi no transporte da escola, voltei e comecei a minha rotina da manhã. Deu um tempinho, aparece a Fê quase sonâmbula, pedindo para eu deitar um pouco na cama com ela. O pedido era realmente irresistível por si só, ainda tinha uma meia hora até a hora que ela precisava acordar de fato. Abri mão da rotina da manhã e fiquei aqueles preciosos 30 minutos deitada colada com ela, sentindo o cheirinho de criança quando acorda, fazendo carinho e orando por ela, pela gente, pela minha familia, pela minha maternidade. Talvez se fosse a Rafaela só mãe do Davi, teria dito que daqui a pouco ia, e quando tivesse terminado tudo, não daria mais tempo de deitar junto.

A maternidade do segundo filho traz uma loucura, mas traz uma paz em muitos momentos. Alguma coisa a gente já sabe e minimamente mais segura estamos. Isso  faz muita diferença. Imagina a paz total que deve ser o terceiro então? Rs

Autocuidado e maternidade: é possível

Nunca fui muito vaidosa, a maternidade durante um tempo minou o pouco que restava em mim, tanto em disposição quanto em tempo livre para isso. A vaidade em excesso, ou acima da média, talvez nunca seja vista em mim, não é muito meu perfil. Mas, esse ano principalmente, percebi que existe um lugar que não é a vaidade pura e simples, existe um lugar que é o autocuidado. Muita gente que acompanho tem falado sobre esse assunto e acho bem interessante, porque apresenta uma nova maneira de ver as coisas.

Autocuidado pode remeter a gastar dinheiro, mas essa não é uma condição obrigatória necessariamente. Tenho prestado mais atenção em mim de uns tempos para cá, boa parte é porque minha rotina menos pesada me permitiu isso e porque eu de fato tenho investido e feito opções que em muitos momentos me privilegiam.

A maternidade nos põe numa posição de privilegiar os filhos e de automaticamente pensar neles primeiro, atendê-los primeiro em detrimento de nós mesmas. Normal talvez, né? Talvez isso seja inerente ao papel de mãe, mas priorizar filho não significa nos negligenciar por completo. Atender filho em primeiro lugar, não significa não nos atender nunca. É óbvio que quando estamos falando de filhos bebês, realmente não sobra tempo, aí não é uma questão de prioridade, é uma questão de ciência exata mesmo: o dia só tem 24 horas. E nesse caso, autocuidado seja simplesmente atender necessidades básicas, como horas de sono ou um banho com um shampoo bem cheiroso.

Atualmente, tenho buscado de forma intencional alguns “cuidados” comigo: me dou 15 min jogadas no sofá quando chego do trabalho, hidratante depois do banho, dormir cedo, não sair com nenhuma roupa/sapato que eu não esteja me sentindo bem, pensar melhor nas roupas que compro e comprar com propósito, fazer minha devocional diariamente, ler mais e diariamente, tentar reduzir o uso do celular, me planejar melhor, fiz 1 curso que queria muito (esse envolveu algum $)…e outras coisas mais. Percebe que são momentos só meus? Onde a principal (e talvez única) beneficiada sou eu mesma? Isso faz muita diferença…

E daí não preciso ser escrava da duração ou frequência desses momentos, se eu tiver num dia com preguiça de passar o hidrante eu não vou passar e tudo bem. Posso ler várias páginas ou ler dois parágrafos e ok também. E assim, sem taaaaantas cobranças, vou construindo mínimos hábitos (mínimos mesmo), que consomem poucos minutos, mas que têm como único alvo eu mesma. Cuido de todo mundo aqui em casa, não é justo me deixar de fora…

Maternidade e carreira: vendo de outro jeito

Nos primeiros 5 anos da minha maternidade, tinha certeza de que eu só seria realizada se não passasse o dia inteiro trabalhando fora. Queria ter um trabalho no qual me dedicasse meio período ou me desse uma flexibilidade que os empregos “convencionais” ainda não dão. Isso para mim era, até então, o segredo do sucesso e mulher plena. Continuo achando essa uma ótima opção, mas não a única.

Um pouco disso se deve ao meu perfil não ser exatamente o totalmente esperado pelo mundo corporativo e por não ter na minha carreira a minha grande realização e ambição de vida. E isso não tem causa na maternidade, sempre foi assim, a maternidade só reforçou.

Sai do meu primeiro emprego depois de 10 anos atuando na empresa, fiquei 1 ano e meio em casa e voltei a trabalhar por conta de uma oportunidade que apareceu sem eu esperar, em um segmento que eu esperava menos ainda.  E aí meu relacionamento com o trabalho mudou um pouco, talvez eu esteja numa posição mais aderente ao meu perfil, numa posição confortável, que me desafia, onde interajo com pessoas legais, aprendo e ocupo meu tempo e minha mente. Não sei até quando será assim, se algum dia o clima lá pode mudar…. aprendi também a viver o hoje e entender que algumas coisas não precisam ser definitivas para todo o sempre. Quase nada é para todo o sempre. Então, vou levando esse modelo enquanto ele fizer sentido para mim e principalmente para o que considero bom para minha família.

Dentro do que creio, administrar e cuidar da casa e da família é o meu papel como mulher, o meu papel principal. O ponto que virou a chavinha para mim, recentemente, mais precisamente mês passado, é que para tornar isso realidade eu posso trabalhar fora ou não. Eu posso me dedicar a outras coisas e ter na minha família a minha prioridade. Ufa! Que alívio. A culpa se foi. Quase 7 anos depois de eu ter me tornado mãe…

Zero crítica a quem se dedica exclusivamente ao cuidado da casa e dos filhos, a quem deixa na escola, com familiares, com babá, quem nem leva para escola. Cada família sabe o que é melhor para si e adota o melhor modelo. É o que sempre repito: esse é o modelo que está fazendo sentido para gente agora. Aliás, um modelo nunca considerado por mim e que talvez seja um dos melhores momentos da minha vida desde que meu primogênito nasceu. O mais equilibrado por n razões, mas tenho a convicção de que sou uma mãe presente, disponível e que busca sobretudo agradar a Deus mesmo passando o dia fora de casa e deixando meus filhos com terceiros, ou para ficar menos chocante, com a minha rede de apoio. Aliás, uma excelente forma, e mais real na minha opinião, de enxergar o que muitos chamam de “terceirização dos filhos”. Graças a Deus pela maturidade, pela experiência e pela descoberta de outras formas de ser mãe. Deus não me quer perfeita, ele me quer dedicada!

Como incorporei dois novos hábitos

Defini dois novos hábitos a incorporar na minha rotina no mês de julho, os dois são para ir ajustando duas práticas que estavam me chateando: usar demais o celular e ler menos do que eu gostaria.

O uso do celular ainda está longe de ser algo ideal, mas tive que começar aos poucos. Sabe aquela história de metas factíveis? Pois é, resolvi aplicar. Ando muito ansiosa, a ponto de me atrapalhar, de bagunçar minhas ideias e tenho certeza que o uso excessivo das redes sociais no celular está totalmente ligado a isso. Então, esse mês comecei restringindo o uso do celular depois das 22h e antes das 7:30h (aqui é mais difícil que à noite, acordo às 5:30h). Só uso se for para ver previsão do tempo, despertador. Mesmo se eu vir que tem mensagem quando vou ativar o despertador antes de dormir, não abro, não leio. E nem quando eu acordo. Simplesmente desligo o despertador. Na verdade, essa já é a terceira semana que estou fazendo isso e tenho conseguido sempre. Sexta a domingo sou menos rigorosa. E passei a também monitorar quanto tempo gasto no celular por dia, identificando o quanto é de rede social, joguinho e quantas vezes eu pego o celular por dia. Pelo próprio aplicativo do Iphone dá para ver isso. Tenho anotado os valores e o próximo passo é estabelecer um limite de uso por aí também. Mas ainda não sei exatamente qual seria a meta, então estou avaliando meus números.

O outro pequeno hábito foi de ler 10 minutos todos os dias antes de dormir, mesmo nos fins de semana. 10 minutos é muito pouco, mas novamente indo na linha da meta factível. E a leitura tem que ser de um livro, não vale outra coisa. Normalmente leio dois livros em paralelo, então posso escolher. O fato de não “poder” mais ficar com o celular na cama, me ajudou nisso. Porque fico livre para a leitura e assim obrigatoriamente vou avançando nos livros. Essa consegui literalmente todos os dias.

Todo dia pela manhã eu anoto se alcancei ou não. Um tracinho para cada período sem pegar o celular e um tracinho para a meta da leitura caso tenha lido os 10 minutos. Preciso computar porque estabeleci uma recompensa: posso comprar uma capinha nova para o meu celular se conseguir e posso comprar um livro novo de crônicas. Preciso fazer 95% da meta.

Foram dois pequenos, mínimos hábitos, que consegui colocar no meu dia e que vão me trazer ganhos numa mudança de comportamento muito maior. Quanto a não usar o celular antes de dormir, vi que pego no sono mais rápido, ou fico menos agitada antes de dormir. Ou durmo mais rápido, no sentido de não desperdiçar horas mesmo com sono navegando rede social a fora. Ou então me agitando com o joguinho.

Dei dois pequenos passos em direção a algo maior e estou bem feliz com o resultado, porque tenho visto que tem dado certo. Assim vou seguir nos próximos meses, ou me aperfeiçoando nestas práticas ou inserindo coisas novas. Alguma dica?