O que é ser mãe para você? (2)

Continuando a comemoração do mês das mães. mais duas mães compartilharam o que é ser mãe para elas. E como disse aqui, elas me fizeram rir e me emocionaram.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100Sarah (mãe da Rafaela de 1 ano e 2 meses)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Nunca havia sonhado em ser mãe, mesmo amando crianças. Para minha surpresa, Deus me concedeu ficar grávida da Rafa e tem sido uma experiência e tanto. Não posso dizer que é super legal o tempo todo pois já “surtei” algumas vezes. O estresse e o cansaço, somado com o dia a dia e noites mal dormidas (até uns meses atrás), contribuíam pra isso. Ser mãe é ser missionária. Creio em Deus e lemos a Bíblia para a Rafa e com ela desde o primeiro mês de vida.  Mas não basta só lermos, orarmos juntos e cantarmos louvores. Ser missionária é ser muito mais. É dar exemplo de uma vida com Deus e pra Deus. E nem sempre consigo isso.  Minha oração desde que a Rafa nasceu é que ela cresça e creia no Deus maravilhoso e na Sua palavra.

Ser mãe é abdicar de muita coisa em prol dela mas também é ser inovadora: é ser professora, médica, psicóloga, enfermeira, cozinheira, amiga, inventar historinhas no carro pra ela parar de berrar, inventar músicas com o nome dela pra que ela coma tudo no almoço, cantar todas as musiquinhas que ela já conhece e gosta na hora do banho, na hora de arrumar os brinquedos, na hora de se arrumar. É vibrar com cada descoberta e cada desenvolvimento novo. Parei de trabalhar fora para ficar com a Rafa em casa e tem sido muito mais cansativo do que eu imaginava. Mas ao mesmo tempo, é gratificante, divertido e eu sei que não me arrependerei disso nunca pois consegui estar presente em todos os momentos desse primeiro ano, graças a Deus.

Mesmo cansada temos a disposição pra cuidar dos nossos filhos, e mesmo quando achamos que não temos mais forças, surge uma força de dentro (que pra mim vem de Deus que me sustenta o tempo todo) e somos capazes de vencer mais um dia.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100Loide (mãe da Rebeca de 28 anos, da Carolina de 25 e do André de 24) 1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Acredito que não dá para ter uma resposta estática, já que aprendi que ser mãe é um movimento, algo diferente em cada momento.

Aos 21 anos quando tive minha primeira filha, acreditava que “ser mãe” era amamentar, conseguir dar o primeiro banho e cuidar do umbigo.

Mais tarde, pensei que “ser mãe” era ler histórias, levar na praça, ensinar a andar de bicicleta, cuidar dos arranhões com água e sabão, com aquele beijinho “sara tudo”…

Em outro momento, “ser mãe” parecia ser alguém que busca coragem para deixa-los na escola e saber que ” aquilo seria bom para eles”, apesar da separação.

Tem ainda o momento “ser mãetorista”? Inglês, natação, futebol, tênis, casa de amigo, academia….Acho que até deixar de ser palmeirense e virar corintiana faz parte deste momento de “ser mãe”.

Depois a ideia de “ser mãe” mudou para ser aquela que aconselha e ajuda a escolher as melhores amizades. Que dizer então do momento de “ser mãe” quando eles começam a namorar? Que sensação! Muitos conselhos, muita oração.

Desde o ventre sempre acreditei que orar é a base para todos os momentos de “ser mãe”

Em seguida, “ser mãe” me pareceu ser aquela que prepara o filho para uma nova jornada, para uma nova família. Um misto de alegria, perda e de missão quase cumprida. Quase? Sim… sempre serão nossos filhos! Talvez esta seja a definição de “ser mãe” deste momento: saber nunca “ser ex mãe”

Hoje, “ser mãe” pra mim é me esforçar em deixar para a próxima geração uma fé inabalável! Hoje mais do que nunca “ser mãe” é orar para que permaneçam nos caminhos do Senhor. Orar é a principal ação do “ser mãe”. Há tempo para tudo! Tempo de cuidar, tempo de brincar, tempo de ensinar, tempo de aconselhar, tempo de deixar ir… mas sempre é tempo de orar.

E o futuro? O que posso esperar do “ser mãe”? O que eu espero com todo o amor do meu coração, é poder olhar para cada um deles, e antes de fechar meus olhos para esta vida, poder dizer com a mais firme convicção: Nos vemos no céu…creio que neste momento poderei pensar… “fui mãe”!

Grande conquista por aqui

Sempre comprei livrinhos para o Davi, desde pequeno o incentivei com isso e é hábito nosso ler historinha antes de dormir. Ele também usa os livros para passar o tempo enquanto está no banheiro (rs!). Isso foi algo que eu queria fazer e de fato consegui, que ele se interessasse e gostasse dos livros.

Quando ele começou a ser apresentado ao mundo das letras na escola, tivemos uma reunião para entender como seria, como era o método, o que era escrita espontânea e como eles trabalhavam a escrita e leitura, uma vez que a escola não vai até o 1º ano. Juro que inicialmente achei que não daria certo, porque é muito diferente de como eu fui ensinada. Eu e meu marido duvidamos um pouco do resultado da maneira adotada, mas ao mesmo tempo dava uma tranquilidade saber que outras escolas também fazem isso, que o nosso método, quase matemático de B + A= BA é de fato coisa do passado.

Davi aprendeu a escrever seu nome, que vamos combinar que é bem fácil né? Fernanda já terá mais dificuldade nessa tarefa inicial. E isso já me deixou bem feliz. Começou a se interessar cada vez mais pelas letras, sempre me perguntando como escrevia alguma coisa e falando as letras que via. Aos pouco foi evoluindo consideravelmente, até que um dia estávamos num restaurante e ele me falou “Mamãe, ali está escrito CAXIA”. Na verdade, era caixa, mas já considerei aquilo um feito. E desde então, não parou mais e sai lendo várias palavras por aí.

Pensa num orgulho e uma alegria que me faz sorrir sozinha pensando que o meu menino, meu bebê aprendeu a ler? Demais! Não houve forçação, nem nossa e muito menos da escola. Cada criança tem seu tempo, suas preferências e o tempo do Davi chegou. Bem antes do que eu imaginava, confesso. Mas foi muito natural. É óbvio que está no início, mas posso considerar que meu filho consegue ler. E isso é incrível.

Amo os livros, o que eles representam, o que eles podem proporcionar e espero que meus filhos tenham sempre esse mesmo sentimento. Feliz demais com a conquista do meu pequeno, com a parceria mais uma vez acertada com a escola que eu escolhi lá no passado, quando ele ainda nem sabia sentar.  Feliz em ver a carinha de contentamento que ele faz quando decifra aquilo que até algumas semanas atrás eram apenas códigos. Feliz em poder vivenciar uma conquista tão importante na vida dele, da nossa família. Tem coisas que de fato só a maternidade é capaz de proporcionar nessa intensidade.

O que é ser mãe para você?

Mês das mães chegou e fiz a pergunta do título para algumas mães com as quais convivo, de perto ou de longe, mas que de alguma forma eu admiro.

Sem exceção, todas as respostas me fizeram sorrir e me emocionaram.

Não publicarei todas as respostas de uma vez, essa é a primeira delas.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Patricia Yong (mãe do Guilherme de 6 anos e Felipe de 4)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Para mim é a realização do maior sonho. Não tive muitas inseguranças com um RN. A insegurança veio quando percebi que ser mãe ia muito além de cuidar e amar um bebê. Veio quando percebi que também precisava educar, passar valores, disciplinar, relevar coisas que quando eu via acontecer com outras mães, achava inadmissível. Hoje eu defino a maternidade como uma CONFUSÃO de sentimentos! O amor incondicional prevalece, mas junto dele vem irritação, canseira, impaciência, medo, impotência e tantos outros. Com eles vou aprendendo a desenvolver o maior dom que Deus me deu, o de ser mãe. Mas o que Deus mais tem me ensinado é depender é confiar nEle. Saber que o meu amor por meus filhos é pequeno perto do amor dEle por eles, e saber que com tantas inseguranças e imperfeições, Ele me escolheu desde a eternidade para ser a mãe do Guilherme e do Felipe. E se Ele confiou em mim, Ele vai me capacitar em todas as inseguranças que ainda virão. E hoje, mesmo diante de tantos sentimentos confusos, consigo sonhar com o terceiro filho, mesmo não planejando a chegada dele.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Alzira (mãe da Gabriela de 11 anos e Fernanda de 9)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Ser mãe é sair correndo pelo meio da rua para não perder a apresentação da sua filha, só para não decepcioná-la.

Ser mãe é a difícil tarefa de corrigir em todo o momento, e nunca desistir!

Ser mãe é clamar pela proteção dos seus filhos, porque sabemos que só Deus pode guardá-los!

Ser mãe é passar horas no PS!

Ser mãe é o meu maior desafio, e o mais difícil também, é ser firme e doce na medida certa, mas às vezes erramos!

Ser mãe é ter a dependência do Altíssimo diariamente!

Ser mãe é dar o melhor de mim por elas!

Ser mãe é a minha maior realização!

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Veronica (mãe da Manuela de 10 anos, Guilherme de 7 e Mariana de 5)1_Primary_logo_on_transparent_75x100            

Ser mãe é uma dádiva de Deus, a missão mais desafiadora e mais difícil que já recebi . É uma mistura de felicidade e medo de errar , é se tornar uma pessoa melhor e menos egoista todos os dias , é voltar a ser criança, é reviver momentos especiais na vida de seus filhos.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Bernadete (mãe da Débora de 27 anos, Daniele de 26 e Raquel de 20.) Recentemente ganhei mais 2 filhos, o Diogenes (marido da  Débora) e o Nelson (marido da Dani)  )1_Primary_logo_on_transparent_75x100       

Ser mãe é  a coisa mais simples e mais complexa que já me aconteceu.

Por ser mãe, já dei as risadas mais gostosas e derramei as lágrimas mais profundas.

Já me senti a própria mulher maravilha por ser mãe, e já me senti o maior fracasso.

Passei de poderosa a impotente algumas vezes.

Já “tirei de letra”  muitas vezes é em outras não soube o que fazer.

Já dei conselhos sábios e já ensinei tolices.

Muitas vezes justa e muitas, incoerente.

Por ser mãe, dei os abraços mais fortes e intensos, e já travei as lutas mais pesadas.

Falei palavras doces, mas também proferi algumas que não deveria.

Aplaudi e reprovei muitas vezes.

Me orgulhei das muitas  atitudes e de outras me arrependi .

Uma caminhada de oração e clamor!

O que sempre foi igual, e de uma intensidade gigante, é o amor.

Amo demais e sei que elas me amam! Isto me basta para explicar o que é ser mãe!

    

Minha ideia…

…era tirar a chupeta da Fernanda mais ou menos na mesma época que tirei do Davi, antes de completar um ano ele já estava sem. Tirei com 8 meses. Rolou uma iniciativa, ela não leva a chupeta para a escola, mas por aqui sempre usa para dormir. Domingo, estava meio enjoadinha, mas por um real motivo dessa vez, e passou o dia todo de chupeta. Pois ela completa 1a7m essa semana e sem planos de quando darei o próximo passo em direção ao término dessa fase. De jogar fora a “Pê”.

…era que meus filhos não se atirassem no chão quando contrariados, mas Fernanda aprendeu isso muito cedo, sozinha, coisa que o irmão nunca teve o hábito de fazer. Na maioria das vezes, repreendo, falo que não pode, mas há muitas outras vezes que largo ela no chão (de casa, óbvio), passo por cima dela e abstraio.

…era nunca dar leite com achocolatado para eles. Queria bater o leite com uma Teoriafruta, cacau. Começou que o cacau não dilui no leite gelado, eu até tentei cacau no começo, mas confesso que desisti e o que rola hoje é leite com achocolatado cheio de açúcar mesmo. Eu sei, mas já me achei uma má mãe por isso. Hoje não mais. Ufa! Mas Fernanda só leite puro mesmo. E nem passou pela minha cabeça obrigar o leite puro ao Davi, até tentei, mas eu odeio leite puro, acho horrível, não consigo tomar e não tenho “coragem” de obrigá-los a isso.

…era nunca perder uma vacina. Vaciná-los conforme o calendário, sem tropeços. Isso se cumpriu com o Davi e com a Fernanda achei que estava se cumprindo, quando fui olhar a caderneta de vacinação para procurar outra informação e vejo que tem uma vacina de dezembro (!!) pendente. E continuei respondendo ao pediatra: “As vacinas estão em dia? “Sim, estão em dia sim”. Sem contar que se saiu do calendário padrão, já me atrapalho, sou desatenta. Sorte que com os Facebooks da vida sempre tem mães alertando, mostrando onde estão vacinando, lembrando de campanhas extra calendário.

…era já colocar o Davi numa escola grande desde os 4 anos, para que não sentisse tanto a mudança quando a escolinha dele atual acabasse, pois só vai até 5 anos. Pesquisei algumas escolas, visitei, fiz pré-matrícula e consegui vagas em todas. Mas, ele não vai mudar de escola. A mensalidade vai dobrar, essas escolas ainda não aceitam crianças da idade da Fê e eu quero estar ano que vem chorando com mães que eu já conheço na formatura deles. Mães que criaram uma parceria e crianças que ficarão para sempre na minha memória.

Na maternidade a mudança de rumo é constante, porque a teoria é linda, mas na teoria não tem sentimento, tudo dá certo, sem estressar, sem demandar esforço. Na vida real, na prática tem um monte de coisa que fica só no campo das ideias mesmo.

Conta aí, Andrea.

andrea

Andrea Lacerda Fernandes, mãe do Bernardo (6 anos), da Ana (5 anos) e do João (1 ano). Casada com o Carlos há 11 anos.

Profissão: nutricionista

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela tem 3 filhos, 3 crianças e isso é motivo da minha admiração!! E sempre me pareceu uma mãe de verdade, presente, com escolhas que priorizaram a maternidade e isso se confirmou com o que ela contou aqui.

Como conheci a Andrea: no Colégio Anglo Americano Botafogo, que hoje nem existe mais. Nos conhecemos com uns 11 anos e fomos muito, muito amigas durante boa parte da adolescência, mas nos afastamos (por motivos de adolescente que hoje sinceramente não saberia explicar), mas concluimos o Ensino Médio juntas. Com as redes sociais voltamos a nos falar e estou encantada com a família linda que ela construiu. (AHHH! O marido dela também estudava na mesma escola que a gente, mas acho que eles começaram a namorar depois que a gente se formou)

♥Quando se viu grávida do 3º filho, além da alegria claro, bateu um medo?

Andrea: João veio de surpresa! O primeiro sentimento foi um misto de alegria e pânico! Liguei para a minha mãe num sábado às 7h e chorei muito! Repetia que não ia conseguir, que não daria conta! Mas horas depois o pânico passou e estava muito, muito feliz! Sempre quis ter três filhos. Desde criança, brincava que tinha três. Mas, a vida na pratica é outra. Só pensávamos no custo do colégio e plano de saúde! Já tinha dois pequenos que me consumiam às vezes mais do que acreditava ser capaz e não sabia como daria conta de um recém nascido. Estava me preparando para voltar a trabalhar após 6 anos em casa, começar tudo novamente após 4 anos também me deixou meio desesperada. Cheguei a me questionar se seria capaz de cuidar de um bebezinho, medo do ser humano que se vê em pânico diante de coisas que não planejamos conscientemente, mas que Deus mandou!

A vida nos mostra que não temos o controle de tudo e que Deus nos presenteia com bênçãos mesmo sem sabermos, sem pedirmos...

Foi a gravidez que mais curti. Passou rápido! O primeiro trimestre foi sofrido: vomitava muito, às vezes na rua, encostava as crianças na parede de um prédio e ia vomitar no meio fio. Elas ficavam me olhando apavoradas, mas depois de uma semana já estavam achando normal. Com certeza foi a gravidez mais gostosa que tive!

♥ Em que momento você decidiu parar de trabalhar fora e por quê? 

Andrea: Quando Bernardo nasceu já havia decidido reduzir o ritmo dos atendimentos. Queria amamentar o máximo de tempo, colocá-lo em primeiro lugar. Desejei muito o Bernardo, fiz tratamento, logo decidi me doar por completo. Sempre achei que a infância é a parte mais curta da vida e que queria estar próxima. Não queria deixar passar. Tinha uma vida inteira para me recuperar profissionalmente e a infância passa num piscar de olhos e não volta, não se recupera presença nem disponibilidade. Quando engravidei da Ana tive asma e perda de líquido. Tive que fazer repouso e acabei parando de vez! Tinha um bebezão e um bebezinho em casa e o primeiro ano foi muito difícil! Achei que ia pirar! Sei que nem todas as mulheres, infelizmente, podem fazer essa escolha. Muitas têm que trabalhar para ajudar em casa. Tive esse privilégio e sempre fui grata por isso!

♥ Qual a maior dificuldade que você encontra em ser mãe de 3 filhos?

Andrea: Dividir a atenção que eles demandam! Gostaria de poder dar mais atenção para cada um deles individualmente. De resto, costumo dizer que de três para dois não há muita diferença. A dificuldade fica mais na questão da mão de obra do dia a dia. Ajudar no dever de casa enquanto João tenta comer a massinha das crianças não é tão fácil! Mas são coisas que vamos acostumando. As crianças também se acostumam. Aquele negócio de fazer dever de casa em local silencioso e tranquilo aqui em casa não rola, por exemplo! Dou banho neles com João na porta do banheiro, no cercado, às vezes tranquilo, às vezes se esgoelando. Bernardo e Ana acabam sendo muito independentes. Arrumam a própria cama, comem sozinhos, levam o prato na cozinha, se vestem, se calçam, escovam os dentes sem ajuda, passam o requeijão no biscoito sozinhos. Não há tempo para exclusividades!

♥ Qual a relação deles entre si, como irmãos?

Andrea: Be e Ana vivem uma relação constante de amor e ódio, brigam o tempo todo mas não conseguem passar uma tarde um sem o outro. Cuidam um do outro. Se um vai para a casa do amigo, o outro passa o dia perguntando quando ele vai voltar! São muito amigos! Como são de idades muito próximas, brincam com os mesmos brinquedos e têm os mesmos amigos. Já com o João, me surpreendi! Achei que ia rolar muito ciúme, mas é muito amor! Eles cuidam, ajudam, dão beijo, às vezes tenho até que ficar de olho pois o amor é tão voraz que fica até perigoso! Agarram, beijam, apertam! Ana às vezes entra em disputa mas no geral, os dois têm muita paciência e carinho com o João! Bernardo é quase um pai, muita paciência!

♥ Vocês se mudaram recentemente para morar no interior do Rio. Qual foi a motivação de vocês e como tem sido a adaptação das crianças?

Andrea: Mudamos por muitos motivos: custo de vida e qualidade de vida foram os principais. Mudamos para uma casa onde as crianças brincam livres e soltas! Em nenhum momento eles se queixaram de saudades! No início, somente de saudade de um ou outro amigo do colégio, mais nada! Fugimos da violência, do consumismo, da vida cheia de necessidades, por ideologia mesmo… Descobrimos que é muito fácil precisar de pouco. Um chinelo, um short, uma bola, um patinete, uma bicicleta! Criança precisa de espaço, de ser livre, de correr! Eu também estou feliz!

É maravilhoso descobrir que a alegria não se consome. As crianças estão mais calmas, e isso também me torna mais calma, e recentemente me disseram que amaram se mudar para cá!

Eu estava desesperada por uma vida mais simples. Estava asfixiada no Rio!

♥ Como nutricionista você é muito criteriosa com a alimentação deles?

Andrea: Muito! Brinco que ser filho de nutri é expiação. Na mesa não há negociação aqui em casa. Arroz integral desde sempre, um legume e uma verdura são obrigatórios diariamente e nas duas refeições. Feijão de vários tipos e fruta na sobremesa. Só compro orgânico aqui em casa. Sou vegetariana, mas dou carne para eles em respeito ao meu marido. Porém evito muita carne vermelha e só compro frango de uma marca específica… eles nunca colocaram um biscoito maisena na boca. Sempre foi integral. João já come biscoito integral daqueles durões… o açúcar, por incrível que pareça, foi a única coisa q não consegui segurar muito. Mas restrinjo aos finais de semana e dá tudo certo!

♥ Quais as principais mudanças para melhor na Andrea que foi mãe do João e a mãe do Bernardo?

Andrea: Nossa! São tantas que acho q preciso de uma folha só para essa resposta! A principal foi: parei de querer ser perfeita! Agora só quero ser feliz! Quero curtir meu filho! Não me importo com o que os livros dizem, para o que mãe e sogra falam! Faço o que acredito! Joao é o bebê que mais estou curtindo! Hoje vejo como fui boba, como deixei de viver coisas…

Meu terceiro filho foi e é com certeza a minha redenção! A minha chance de ser a mãe que quero ser, sem interferências. De ser eu mesma!

E isso já faz valer a pena toda e qualquer dificuldade!

♥ Como você se organiza com a rotina deles ? 

Andrea: Minha vida no geral é uma loucura, para não falar uma zorra! Tenho que ser criteriosa em alguns horários senão fico louca! Almoço, jantar, banho, dever de casa, são coisas que tem hora e não se discute! Mas não me dê nenhum documento importante para eu guardar pois há 90% de chance de eu guardar e não achar nunca mais! Metade do meu dia passo catando brinquedos pelo chão. Tenho pânico de mini peças de Lego e mini roupas de boneca Poli na boca do João! Atualmente não consigo fazer quase nada para mim! Isso enlouqueceria muitas mulheres, e já me enlouqueceu por um período, mas quando olho para o Bernardo e vejo como ele cresceu rápido demais, e que daqui a pouco minha presença não será mais tão importante, meu coração se acalma e vejo que não há nada que não possa esperar mais alguns anos para ser recuperado… só tenho 36 anos e minha vida está apenas começando, já a infância deles passa num piscar de olhos e não volta mais….

♥ Você conta com alguém para te ajudar nas tarefas do dia a dia?

Andrea: Tenho uma funcionária que ajuda nas coisas da casa durante a semana e minha mãe, sempre que ela pode, me ajuda a noite, para que eu possa colocar João para dormir com tranquilidade… no resto do dia, sou só eu e eles. Carlos trabalha a semana toda no Rio e só volta na sexta. No fim de semana, ele assume as crianças e veste a roupa de super pai!

♥ Como é sua relação com a única menina do time?

Andrea: Ana é a única menina e a filha do meio! É intenso! Ana é uma molequinha cheia de personalidade e amo isso! Ela é quem me demanda mais atenção! Até mais que o João no geral.

Ana é meu equilíbrio numa família muito masculina. É meu espelho também, e isso acaba sendo minha cura! Ana me ajuda a ser uma pessoa melhor! 

♥ Do que você não abre mão na educação deles?

Andrea: Alimentação, hora de dormir e dever de casa… acho q nessa ordem! Temos um quadro de responsabilidades aqui em casa que no final da semana se converte em semanada… as tarefas devem ser cumpridas e sou bem criteriosa nisso. Nele há coisas como: arrumar a cama, colocar roupa no cesto de roupa suja, escovar os dentes, deitar para dormir sem reclamar, ser educado (bom dia boa tarde boa noite por favor e obrigado), levar o prato para a cozinha, se vestir etc… dessas tarefas não abro mão em casa…

♥ Como você consegue se organizar e ter um tempo para cuidar de você e ficar com o Carlos?

Andrea: Atualmente esse é nosso maior desafio, estamos no esforço por aqui! Quando todos dormem tentamos aproveitar para estarmos juntos. Fazemos um foundue, vemos um filme, quando os avós estão disponíveis (o que não é tão comum nos fins de semana) saímos para um restaurante… mas nada é fácil, nem simples.

Tentamos estar próximos mesmo no meio da confusão.

Sentamos no sofá, nos abraçamos, deitamos um no colo do outro… As crianças olham, às vezes com ciúmes, e dizemos que naquele momento estamos “namorando” e que não vamos dar atenção! Criamos momentos nossos mesmo no meio do caos!

♥ O que é ser mãe para você?

Andrea: É descobrir a alegria, a gratidão e a plenitude no meio do caos!

Uma cicatriz em mim

bandaidEm janeiro, eu e Davi estávamos brincando numa piscina de criança, quando ele ao caminhar dentro da piscina para pegar uma bola, acabou batendo o supercílio na borda da piscina. Ao ver que ele tinha caído muito próximo à borda, já fui indo até ele e quando ele levantou já foi aos berros. Sou uma pessoa que ao ver um machucado sinistro, sangue ou pontos passo um pouco mal. Não é exagero. Sei lá o que me dá, minha pressão baixa, quase desmaio. Pois bem, só estávamos nós dois ali e assim que o levantei olhei imediatamente para a boca. Tudo ok. Mas quando olhei para a testa, o sangue já estava escorrendo igualzinho um lutador de boxe. Inacreditavelmente, sai calmamente à procura de ajuda, pois estávamos num hotel no Rio. Fui acalmando ele e quando avistei um salva vidas perguntei onde tinha uma enfermaria e ele prontamente já foi chamando alguém pelo rádio para nos ajudar. Davi a essa altura já não estava mais chorando. Enquanto a ajuda chegava, fui avisar ao meu marido que lia um livro ao lado da caçula que dormia numa espreguiçadeira. Nisso, uma moça muito simpática, enfermeira, que me viu conversando com o salva vidas, disse que devíamos ir ao hospital pois o corte tinha sido longo e certamente teríamos que dar pontos. E para resumir, assim foi. Um enfermeiro do hotel fez um curativo e fomos ao hospital onde ele tomou 8 pontos. Meu marido que entrou com ele, porque aí ficou puxado para mim…Se eu não tivesse opção entraria, óbvio. Fiquei com a pequena aguardando aquele tempo que nunca passava. Marido disse que foi de cortar o coração, anestesia bem dolorida, teve que imobilizar ele (ficou enrolado tipo um charutinho) e segurar a cabeça enquanto o procedimento era realizado. A cada troca de curativos era um mini ataque, um mini escândalo, quando fomos tirar os pontos também. Fato que ele deu uma traumatizada, com toda razão. Hoje a cicatriz está lá, bem visível ainda, tendo que passar protetor solar até sei lá quando.

O problema é que esse episódio gerou um trauma em mim, eu estava a um passo dele e não pude evitar o fato. Ele estava numa brincadeira saudável, sem maluquice de criança e se machucou feio. E quando eu não estiver por perto? E se eu não estivesse na piscina, quem ia ajudar ele? Não consigo ficar sossegada se eu não estiver vendo-o brincar quando estamos em lugares mais assim, tudo acho que ele vai se estrupiar, bater a cabeça, quebrar alguma coisa…Fico a louca gritando de longe: “Cuidado”, “Não corre”, “Para com essa brincadeira”… Há 15 dias, bateu a cabeça numa mesa de vidro que quase levou ponto de novo. (Comprar um capacete para ele pode ser uma boa ou evitar bola, porque de novo ele estava indo pegar uma bola). Eu já era meio assim, mas esses 8 pontos pioraram um pouco esse meu lado.

Ele só tem 4 anos e a irmã mais nova é menos sossegada e destemida que ele, então tudo indica que há uma probabilidade dessas coisas de criança ocorrerem. As pessoas sempre me diziam quando eu explicava o que tinha ocorrido: “Normal, coisa de criança” e me davam um exemplo de incidentes semelhantes que tinham vivido. Verdade! Coisa de criança mesmo, mas no meu caso, o adulto (eu) não lidou tão bem com isso. Na noite que ele machucou, tive uma crise de choro: insegurança, dó de pensar nele tomando os pontos, impotência diante de uma coisa tão besta, mas pedi que Deus cuidasse dele todos os dias da vidinha dele. E assim tenho feito, sempre pedindo isso por ele e pela Fê.

E quando a crise de insegurança começa a tomar conta de mim excessivamente, trago à memória o que uma amiga, também mãe, me disse, quando eu queria passar o Davi recém-nascido para dormir no bercinho dele e tirá-lo do meu quarto. Estava meio sem coragem, mas eu dormia muito mal com ele do meu lado, qualquer micro barulho dele eu acordava assustada e nunca era nada. Ela virou para mim e disse com uma naturalidade e um sorriso que lembro até hoje: “Deus cuida.” É isso, Deus cuida! E se tem um lugar onde o exercício da dependência de Deus é ininterrupto e muito forte na minha vida é a maternidade. Sigamos em frente.

 

1 ano e 5 meses de Fê

img_33451Há 1 ano e 5 meses eu me tornava mãe de dois filhos e mãe de uma menina. Sim, passou muito rápido esse tempo, mas lembro perfeitamente da angústia dos primeiros meses, do meu pânico quando minha mãe foi embora e eu me vi com dois. Lembro me perfeitamente da minha insegurança e do medo de saber se eu iria conseguir me dividir sem que ninguém saísse perdendo. O principal medo era de que nem por 1 segundo o mais velho se sentisse menos amado ou menos especial. Por conta dessas lembranças ainda bem vivas e de saber como é a rotina com os dois, tenho zero plano de ter um terceiro filho. Nem se eu fosse milionária rolava. A não ser que isso esteja nos planos de Deus e ele está guardando isso de forma beeeem secreta.

A caçula veio para aprimorar ainda mais minha paciência, para usar de eufemismo aqui. Porque bateu um vento, ela chora e se agarra em mim. A pessoa está a quilômetros dela e ela já cola no meu pescoço, miando que nem um gato. Ela é chorona, chiliques básicos, aquela criança que chama atenção num restaurante, porque ela causa. Mas e daí, né? Tento levar com um mínimo de bom humor, isso vai passar, como tudo na maternidade. Ela é linda, uma boneca, meu amor em forma de menina. Todo dia eu olho pra ela e penso: “Como é linda, meu Deus.” A princesinha da casa, embora a realeza ainda não esteja sendo demonstrada com atitudes. Um desenho caprichado de Deus com direito a olho azul e dessa vez eu nem pedi isso. Ela é um exemplo da criatividade de Deus, mesmo pai e mesma mãe do Davi e completamente diferente do irmão. Demandando reações e posturas nossas como pais completamente diferentes. O segundo filho se dá melhor no aspecto de ter pais mais tranquilos, menos ansiosos e percebi nitidamente essa diferença na minha maternidade com ela. A benção de ter uma criança que dorme bem permaneceu e que come bem também. Aliás, Fernanda puxou a mamãe nesse sentido, já que ela sempre quer comer alguma coisa, não importa o que seja, ela com 1 ano tem prazer na comida, fato.

Com ela eu confirmei a alegria que é ver dois filhos brincando juntos, interagindo, se divertindo, rindo e brigando pelo mesmo brinquedo (já não tããão alegre assim essa parte). A Fê me fez olhar para mim, me fez uma mulher mais bonita, mais atenta, mais cuidadosa e às vezes mais segura.  Isso foi ela e por ser menina, não sei exatamente o porquê, mas Freud certamente tem uma explicação. Diante de algumas situações, me justifico ou me incentivo pensando “Eu tenho dois filhos!”

O pânico de cuidar de dois passou, eu consegui, sei lá como, mas estou conseguindo por 1 ano e 5 meses. Acho que Davi também não “sofreu” com a chegada da irmã e com o crescimento dela, ocupando cada vez mais espaço. 1 ano e 5 meses de uma vida completamente diferente, de mais planejamento, de mais pensamentos, de mais cansaço, de mais confusão e bagunça na casa, de mais tudo de bom que um filho nos dá. Fui abençoada com esses dois pequenos e espero que eles também pensem isso de mim sempre.