Criando coragem para ficar longe

dois Nesse início do ano, meus filhos passaram pela primeira vez alguns dias longe de mim, de nós. Nunca tínhamos ficado tanto tempo sem eles, mas foi um conjunto de fatos: meu pai e minha madrasta estariam de férias no Rio sem viajar e eu não tinha mais a opção do curso de férias para o Davi, uma vez que ele mudou de escola e eu não tenho mais essa opção. Para esse ano, tive que mudar um pouco a nossa rotina e vou contar agora com uma pessoa para me ajudar diariamente. Sendo assim, ele até poderia ter ficado as férias aqui e essa pessoa ficaria com ele e a Fernanda iria para o curso de férias dela. Mas, vamos combinar que ia ser meio chato para ele.

Foi aí que surgiu a possibilidade de eles passarem esse tempo na casa do meu pai no Rio e eu topei. Eles se dão muito bem com meu pai e com a minha madrasta também, eles têm intimidade e estariam num lugar diferente da casa deles, o que por si só já faz alguma diferença.

Passamos o Natal e Reveillon juntos e voltamos logo depois para trabalhar. Passamos 10 dias até voltarmos para nos encontrarmos novamente. Senti muita saudade deles, nos falávamos todos os dias, nos víamos por vídeos, fotos eram enviadas de cada passeio e atividades que faziam. Foi uma experiência incrível para eles, tenho certeza. Eles foram muito à praia, passearam, comeram muito sorvete, muita melancia que eles amam, muitas brincadeiras. Até música o Davi compôs.

Só passei um fim de semana sem eles, o sábado foi muito fácil porque eu fiquei ocupada literalmente o dia inteiro. No domingo, me deu uma deprêzinha, senti muita falta deles. Durante a semana também foi mais fácil, saí mais tarde do que normalmente saio todos os dias, acordei mais cedo para os treinos, sai para jantar com o marido em dias de semana. Confirmei o que eu já sabia: a vida sem filhos é muito fácil, me perdoem aqueles que não têm filhos, mas posso garantir que é muito mais fácil sim, por inúmeras razões. Mas Deus é perfeito em tudo o que faz e a alegria, o amor envolvido e a experiência de ter filhos compensa todo e qualquer perrengue que esses fofinhos nos trazem.

Mas o grande aprendizado para mim desses dias longe, o maior período foram 10 dias, é que é possível fazer isso. Para mim, é possível. Apesar da saudade, da falta que me fizeram, ficou tudo bem aqui e lá. Foi visível que a Fernanda sentiu mais, pela maneira como ela se comportou quando nos viu e no dia que fomos embora, Davi também ficou estranho no dia que fomos embora. Mas nada que configurasse um real sofrimento. Soaria mais estranho se eles não sentissem absolutamente nada em passar 10 dias longe dos pais. A ausência foi sentida no dia da “despedida”, mas muito bem administrada por ambos e por mim também. Fiquei aliviada, de verdade. Parece bobo, mas quando eles estão longe um pensamento muito forte me persegue “E se acontecer alguma coisa com eles e eu não estiver por perto?” Isso me assola a ponto de me fazer mal, mas dessa vez consegui também conviver e de certa forma afastar isso. Sei que eu não controlo nada, mas praticar isso é muito difícil.

Tenho a possibilidade de viajar para um lugar bem mais longe, ficando mais ou menos o mesmo período longe, mas eles teriam que ficar. A viagem é tentadora e esse exercício do início do ano foi muito positivo.  Tenho semanalmente avaliado se eu viajo ou não e criando coragem para isso. Sem que me doa tanto. Culpa não sinto, mas esse sentimento de “não estar por perto” ainda me incomoda muito. Vamos ver como vou fazer! Se crio ou não coragem, mas vocês saberão. Espero daqui uns meses voltar aqui e contar como foi positiva essa experiência.

Agradecendo por 2018

fotoTer saúde, um marido parceiro para dividir a vida, filhos lindos e saudáveis, família, amigos são motivos gerais de agradecimento. Mas, inspirada por um texto da Thais do Vida Organizada, resolvi elencar motivos específicos de gratidão desse ano…

–  viagem para Santiago e NY: não conhecia nenhum dos dois e pude fazer essas viagens com meu marido, filhos, pai e madrasta.  Foram experiências muito legais, dois lugares novos, Santiago me surpreendeu muito positivamente e especialmente NY me marcou, pois tinha o sonho de conhecer e saí de lá querendo voltar. Que lugar incrível! Eu vou voltar lá, com certeza.

– desfralde da Fernanda: parece bobagem, mas é um marco importante. Havia tentado no inicio do ano sem sucesso, a sensação que tive é que a Fê nem estava entendendo o que estava acontecendo. Resolvi esperar e no último trimestre, incentivada pela escola, retomamos. E foi tranquilo. Ela tinha de fato amadurecido e o clichê se comprovou: cada criança tem seu tempo. O desfralde me trouxe outro desafio: levar meninas em banheiros públicos….

– hábito de leitura: sempre gostei muito de ler e isso estava completamente abandonado. Retomei ano passado quando parei de trabalhar e principalmente depois que ganhei meu Kindle. Esse ano li muitos livros, foi o ano que mais li com certeza. Fiquei muito feliz, mesmo voltando ao trabalho consegui manter a rotina de leitura e para mim a principal razão é a facilidade do ebook, de ter livros no meu celular.

–  H1N1: estranho isso ser motivo de gratidão, mas Davi teve no meio do ano e agradeço porque eu não estava trabalhando, porque foi fraquinha, porque a Fernanda não pegou, porque nenhuma complicação houve. Porque esse episódio me ensinou muitas coisas em relação à dependência de Deus, com esse fato percebi o quanto esse tipo de situação me desestabiliza e de que preciso estar atenta a isso.

– corrida: comecei a correr no início do ano de forma discreta quando meu marido me deu um pacote da Centauro de experiência de corrida. Valeu muito como um incentivo e participei de uma corrida de 5k no fim do 1º semestre. Em setembro, influenciada por uma amiga querida, topei correr a meia maratona em Junho de 2019. Tenho treinado de verdade e corri meus primeiros 10k em dezembro. Foi a primeira meta parcial alcançada e isso refletiu positivamente na minha vida em muitos aspectos, muito além do físico.

– vida profissional: quem me conhece intimamente sabe minha relação com o trabalho, fiquei 1,5 ano em casa, sem sofrimento algum, aproveitei, acho que precisava desse tempo. Em julho, participei de dois processos seletivos, um para dar aula numa Universidade e outro para a Marisa. Acabei passando para a Marisa e estou muito feliz, hoje acho que isso foi o melhor para mim. Foi talvez a melhor surpresa do ano. Apesar de não ter passado no processo da universidade, eu recebi um feedback tão positivo de um professor que estava na minha entrevista, que já trouxe as palavras dele à minha memória muitas e muitas vezes.

– desempenho das crianças na escola: “Ah, criança tem que brincar!” – e tem mesmo, concordo total. Maaaaas, não vejo problema algum na criança desenvolver disciplina para o estudo, para que na agenda dela haja algum momento em que ela tenha uma “obrigação” a cumprir, uma atividade a ser realizada, obedecendo regras. Meus filhos foram muito bem esse ano, só recebi elogios e isso me faz um bem danado. Eles não precisam ser os melhores, os primeiros, eles precisam se dedicar, estarem dispostos a aprender. E eles estiveram, eles estão!

– a escrita: o sonho de escrever um livro ainda está aqui dentro de mim, e sinto que em pouco tempo ele se tornará uma realidade. Esse ano, por diversas vezes tive exemplos de que minha escrita, o modo como me expresso faz diferença para algumas pessoas. As pessoas vieram falar comigo, me elogiar, disseram que se emocionaram com algo que eu escrevi…Li um livro chamado “Como se encontrar na escrita” e me vi ali, naquelas dicas. E foi uma motivação a mais tudo o que me disseram a respeito do que eu escrevo. Em 2019, vou me dedicar mais a isso.

– nova rotina 2019: feliz com a escola que escolhi para o Davi em 2019 e consegui uma pessoa para me ajudar no dia a dia, gostei dela e me parece que vai dar certo. É bom saber que está tudo certo para o começo do novo ano, para o novo modelo que nossa família vai adotar.

Agradeço a Deus por isso tudo! E por tanto e por ser sempre generosamente abençoada, ano após ano. Mais legal do que a bênção é saber que tudo isso vem de um Deus que cuida de mim, não é aleatório. Foi decisão dEle que eu vivesse todas essas coisas. Ansiosa por 2019…

 

O último dia

daviHoje foi o último dia do Davi na escola atual, já chorei algumas vezes por estarmos encerrando esse ciclo. Me emocionei em diversos momentos ao longo do ano, tive dúvidas, incertezas sobre qual escola escolher para o ano que vem. Mas a escola foi escolhida e estou feliz com a escolha. Depois que soube que um dos melhores amigos dele vai para a mesma, fiquei ainda mais tranquila.

No dia da formatura passei o dia todo melancólica durante a tarde, relembrando tudo o que vivemos nesse período, quantas coisas conquistamos nesses 5 anos. Davi entrou lá pouco antes de completar 6 meses, ele nem sabia sentar sozinho. Sai aos 6 anos lendo, escrevendo, sabendo somar umas coisas, questionando, entendendo, sai cheio de valores e experiências lindas vividas ali naquele espaço tão pequeno. Um menino que me enche de orgulho.

Lembro que quando pesquisava escolas, liguei nessa e na hora em que atenderam eu desliguei…um barulho de choro de criança no fundo, não fiquei com uma boa impressão. Depois recebi uma indicação muito positiva e dei uma nova chance, agendando uma visita. Gostei do que vi, entendi o porque daquele barulho ao fundo, as meninas às vezes atendem o telefone sem fio perto da sala do Berçário. Lembro também que não gostava muito quando a berçarista me dava alguma dica do que fazer e hoje chorei um tanto abraçando essa mesma berçarista! Ela foi uma pessoa essencial para a minha adaptação a tudo aquilo e dava graças a Deus quando essa berçarista vinha me dar dicas sobre a Fernanda. Era orgulho besta de mãe de primeira viagem talvez.

Como dissemos no nosso discurso da formatura, eles foram muito felizes. Muito mesmo! Em todos os momentos vividos ali, eles puderam ser crianças, tratados com individualidade, com respeito e com amor mesmo. Davi fez amigos, aprendeu o que é a delícia de ter amigos, de se identificar com o outro. Eu vou carregar no coração cada rostinho que dividiu essa etapa da vida dele e caso algum dia eu esteja esquecendo, vou lá e vejo as fotos que temos.

Encerro esse período cheia de alegria, mas transbordando mesmo. Passei alguns apertos tentando conciliar o trabalho e a maternidade, já chorei algumas vezes ao ver o Waze me indicando que eu chegaria depois do horário da escola fechar. No limite, teve um dia que o Davi foi para a casa da dona da escola, porque eu fiquei presa no trânsito e o Diego também. A escola foi a minha grande e fiel rede de apoio. Foi com aquela equipe que eu pude contar sempre nesses anos, meus braços durante o dia para cuidar e ensinar tantas coisas ao meu filho. E o principal, com tanto carinho.

Ele cresceu. Eu cresci. Minha família cresceu com essa convivência, com essa parceria incrível, sou grata a Deus pela escolha que fiz, pelas pessoas que eu conheci, pelos amigos que fizemos, por tudo o que vivemos ali. Não corto os laços totalmente com a escola, porque a Fê ainda continua lá. Mas hoje meu coração apertou.

Meu desejo é que sejamos felizes assim e que seja leve na próxima escola.

Um menino chamado Miguel

Hoje indo ao trabalho, parei em um sinal fechado e tinha um menino pedindo dinheiro. Já tinha passado no dia anterior por aquele lugar e observado que tem uma família “acampada” no canteiro, com uma placa dizendo que eles precisam de comida, cobertores, fraldas e outras coisas.
Quando vi aquele menino se aproximando do meu carro, meu impulso foi fechar o vidro que estava só um dedo aberto. Mas a medida que ele foi se aproximando, meu coração foi partindo. Sempre parte quando vejo crianças no sinal. Principalmente depois que tive filhos, essas cenas acabam comigo. É inevitável não pensar nos meus próprios filhos.
Decidi então abrir todo o vidro para falar com ele, ele de fato pediu dinheiro eu disse que não tinha, mas perguntei o nome dele, se chamava Miguel e tinha 7 anos. Um lindo menino, que parecia até envergonhado, tímido com minhas perguntas, ficava colocando a gola da camisa na boca, a mão… E eu disse a ele que ele tinha um nome lindo, que eu tinha um filho da idade dele e que ele era muito bonito. O sinal abriu e eu só consegui dizer “Deus te abençoe, Miguel”. E passando com o carro, vi que tinha um menino ainda menor pedindo dinheiro também, muito provavelmente da mesma família que o Miguel.
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Não dei o dinheiro porque nem sei se ele seria beneficiado com isso, minha vontade era pegar ele e levar para casa, dar uma volta de carro, comermos algo, sei lá, proporcionar qualquer coisa para ele, embora eu saiba que ele não precisa de “qualquer coisa”, ele nem merece “qualquer coisa”. Ele tinha que estar numa casa quentinha, ter opções do que comer no café da manhã, ir a uma escola legal, conviver com outras crianças, ser cuidado. Ser criança!
A maternidade desenvolve na gente, ou em algumas de nós, uma empatia diferente, principalmente se houver uma criança, uma outra mãe envolvida na situação. A gente dedica a vida para cuidar dos filhos, indo checar nas noites de frio se eles estão cobertos, tentando minimizar a tosse, fazendo uma comida rica em nutrientes, saudável, proporcionando oportunidades de desenvolvimento. E essas como o Miguel ou em situações até piores? Não tenho resposta e talvez por isso aquele rostinho moreno, colado na minha porta, não tenho saído da minha mente durante o dia de hoje. Não é justo…
Meu desejo continua o mesmo do início da manhã, que Deus abençoe o Miguel.

Professores marcam a gente e nossos filhos

Ontem enquanto escrevia bilhetinhos para colocar nos presentes dos professores, fiquei lembrando dos meus. É inegável a capacidade de um professor de marcar nossas vidas, tanto positivamente quanto memórias ruins também. Acredito que todos nós tenhamos uma lembrança especial de algum professor.
Eu tenho várias, minhas professoras de português do primário e do ginásio (denuniando minha velhice), a tia Marina e a Simone. Eu era ruim de interpretação, sempre me garanti na gramática, eu sabia e gostava de estudar aquilo. E elas sempre foram professoras que tinham relacionamento comigo, de afeto, de carinho. Aposto que todos que foram alunos da Simone lembram dos seus vestidos esvoaçantes. Ricardo, professor de Biologia do 2º grau (vou coninuar seguindo a linha antiga). Ele era da galera, falava a nossa língua, a gente respeitava ele sem medo, ele era amigo e tinha os quadros mais coloridos e organizados. Eu gostava de Biologia, mas nunca fui capaz de tirar notas um pouco melhores, me mantinha sempre na média. Carla, professora de Matemática ou Álgebra, também sempre gostei muito dela, muito. Eu sempre amei Matemática e isso me facilitava bastante, mas eu gostava do jeito dela.
Na faculdade, a relação já não era tão pessoal, a avaliação limitava-se em admirar ou não o professor pela sua competência, didática ou na maioria das vezes pela ausênica dela. Alguns também me marcaram, Danziger (acho que era Fernando o primeiro nome) de Fundações, ele era muito, muito bom. Amava as aulas dele, ele era gente boa também. Paulo Renato de Hidrologia, que me lembrava muito o Ricardo da época do colégio, por ser meio da galera, facilitador de algumas coisas. Antonini de Análise, por ser o “carrasco” e fazer provas bizarras que arrancavam o nosso sangue…rs, mas que com o tempo dava para ver que ele não era tão mal assim. E o de OI, que fumava um cachimbo (ou charuto?) na sala? Meu Deus. E a primeira aula que assisti na vida na Faculdade, cheguei era Cálculo I, com um professor peruano que falava enrolado e sempre olhava pro teto dando aula, chamava Perla. Também nunca esqueci. E no Mestrado, sem dúvida, Paulo Canedo, por tanto conhecimento, tanto amor pelo assunto e pelo jeito gente boa também.
O fato é que professores marcam nossas vidas como alunos e agora como mãe acho que os professores dos meus filhos também  me marcarão de alguma forma. Eles são nossos grandes parceiros, nos auxiliam na árdua tarefa de fazer das nossas crianças pessoas melhores, confiantes, felizes, questionadoras, que sabem respeitar limites e autoridades. Sim, porque eles são autoriadades dentro daquele universo. Eles podem fazer nossos filhos se sentirem amados, queridos, cuidados. E isso é muito gratificante. Faço questão de estabelecer uma relação mínima com eles, de reconhecer ao longo do ano o papel tão importante que eles desempenham.
Toda a minha admiração, reconhecimento, amor a essas pessoas que fizeram a diferença na minha vida e tantos outros que não citei. Minha gratidão aos professores dos meus filhos que passam mais tempo do dia com eles do que eu mesma e que até aqui, só tem contribuido com o desenvolvimento deles.
Parabéns a todos que escolheram esse lindo e difícil ofício. Meu desejo é que Deus abençoe o ministério de cada um!

Gratidão por uma simples entrevista

Na busca pela escola do Davi, tenho me desdobrado em pesquisar, avaliar, pagar boletos (para depois pedir a devolução…) e hoje tinha um encontro dele com a Orientadora de uma das escolas. Uma entrevista conosco, para conhecer melhor a família e tirar dúvidas.

A orientadora foi muito simpática, trouxe folhas e um monte de lápis de cor para desenhar. Ele prontamente já foi se apropriando do material e fez um desenho lindo do ursinho Puff, com direito a pote de mel, mel escorrendo pela mão do urso, Tigrão, céu, árvore. Ficou lindo mesmo. Ao final, ela recolheu e guardou o desenho.

Estava um clima bem tranquilo e cada pergunta que era feita, ele respondia, pensava, sem se intimidar. Estava muito à vontade. E eu em nenhum momento interrompi ou ajudei a responder (me segurei em vários momentos, por exemplo quando ele disse que não gostava de fazer lição de casa). Mas fiquei ao lado dele, observando o meu menino com tanta desenvoltura e tranquilidade do alto dos seus quase 6 anos.

O tempo passou! Passou, mas passou bem lindo também. Quando a orientadora pediu para eu falar um pouco dele, principais características, eu só tinha coisa legal para dizer. E não é coisa de mãe, porque nesse ponto eu não me deixo “cegar”. Reconheço as dificuldades deles, quando estão chatos, porque eles ficam chatos às vezes. Mas eu não tinha nenhum ponto relevante a destacar para a escola, algo que precisasse ser trabalhado nele quando ingressasse ali. Está tudo bem. Sempre esteve! Os pontos que ressaltei foi que ele tem dificuldade de perder, que ele quando se intimida, sente vergonha, chora. Mas não chora descompensado (esse estilo é mais da Fê…rs), chora sentido, porque de fato ficou mal, incomodado. Ele tem medo de errar, de se destacar seja por qual for o motivo. Ele não é perfeito, claro. Mas os pontos de atenção são simples, nada preocupante.

Ela ia perguntando várias coisas sobre independência, histórico escolar, hábitos como chupeta, dormir sozinho, etc…E à medida que ia respondendo sentia um sorriso querendo sair, um sorriso de feliz, feliz com o “resultado” alcançado depois de 6 anos, depois de tantas fases que passamos juntas e prestes a começar mais uma com a chegada da nova escola.

Como minha irmã sempre me diz quando conto algo dele, “meu bebê cresceu”! Daqui a 5 dias ele completa 6 anos de uma linda jornada até aqui, de um menino gente boa, questionador, inteligente e sensível.

Talvez ele nem vá para essa escola, mas foi muito bom poder no meio da semana fazer essa retrospectiva, sentir essa gratidão por ter sido escolhida para ser a mãe de um carinha maneiro como ele. Voltamos da entrevista conversando sobre o desenho, sobre qual será a futura escola, sobre a falta que ele vai fazer para a Fernanda porque ela não vai mais vê-lo na escola. Voltamos conversando: isso é ser mãe de uma criança de (quase) 6 anos. E graças a Deus por isso!

As mães dos amigos

Ontem saí com algumas mães dos amigos do meu mais velho, não tenho uma suuuuuuuuper intimidade com elas, não nos conhecemos profundamente e o tempo de convívio é relativamente baixo se comparado a outras amigas com que convivo. Porém, quando acontece, é um grupo que eu gosto muito de estar junto. Temos afinidade e alguma intimidade. Elas me fazem rir e me sinto totalmente à vontade com elas, e isso é uma das coisas que mais prezo em estar com pessoas.

Temos diferenças na maneira com a qual educamos nossos filhos, temos hábitos diferentes, estilos de vida diferentes, mas há quase 5 anos tomamos uma decisão muito importante em comum: escolhemos a mesma escola para a educação infantil das nossas crianças. Esse é o último ano deles nesta escola e durante todo esse tempo nossos filhos construíram uma amizade bonita de ver, saíram das fraldas, largaram as chupetas, estão lendo. Vivemos essas fases juntas, compartilhamos a cada reunião nossos desafios e conquistas. Quantas vezes saí aliviada dessas reuniões ao ouvir os relatos delas “Que bom que não é só lá em casa que isso acontece!”

E acredito que nós também construímos algum laço. Tenho certeza que é recíproco o sentimento de que podemos contar umas com as outras em alguma situação, quando for necessário. Talvez tenhamos outras opções, com pessoas mias íntimas, mas quando dizemos umas para as outras “Qualquer coisa, me fala que eu fico com ele/ que eu pego ele/ que eu levo ele” – é verdadeiro. Não é da boca para fora. Já houve várias situações em que uma” salvou” a outra, na carona, emprestando um chapéu de festa junina, emprestando um antitérmico que está na mochila, lembrando que amanhã é o dia de entregar os desenhos pintados da natação.

Onde quer que meu filho esteja no futuro, lembrarei sempre com muito carinho dessa escola, dessa época, dessas mães e principalmente dessas crianças que ensinaram para ele o que é ter amigos (rolou até uma lágrima agora). Espero sinceramente, do fundo do meu coração total, que na próxima escola ele tenha a mesma alegria com os futuros amigos e eu a mesma parceria com as futuras mães. Deus, estou contando contigo!