Trainee de CEO

Trabalho com planejamento e gestão desde sempre, mas o lugar que mais desenvolveu a minha capacidade de planejar foi a minha casa, mais especificamente a maternidade. E principalmente sendo mãe de dois.

Enquanto estava só amamentando era mais fácil, pois a preocupação com a comida não existia. Mas agora Fernanda já está na comidinha e preciso me programar para comprar o que precisa, preparar a comida do fim de semana e sempre ter uma reserva congelada. Durante a semana ela come na escolinha e isso já ajuda bastante.

Cabeça de mãe parece que está sempre na frente, eu estou sempre fazendo a conta de que horas preciso chegar no lugar e para isso que horas preciso começar a me arrumar. Começo a me arrumar com muita antecedência e ainda assim chego um pouco atrasada ou exatamente na hora. Antes da hora, uma raridade. Quem nos vê na igreja domingo à tarde, não faz ideia do mini caos que a casa ficou para que estivéssemos todos lindos e cheirosos para o culto. Minha pia que o diga. E quando a gente finalmente consegue se arrumar com uma folga e rola aquele cocô que suja a roupa toda? Para que eu quero descer!

Antecipadamente marcamos o pediatra e já chegamos lá com todas as dúvidas listadas, saindo dali providenciamos remédio, vacina, implantamos novas rotinas, mudamos alguns processos. Com a chegada do inverno, temos que substituir as calças do mais velho que não cabem mais e a gente só descobre na hora que está arrumando ele para ir à escola. Semanalmente, checa se tem dinheiro para pagar a Maria e quase nunca tem, então em algum momento vou ter que passar no caixa eletrônico. Diariamente, substitui o que sujou da escola na bolsa, vê as agendas e a da pequena gera até uma ansiedade para saber se comeu direitinho ou não. Da agenda também podem surgir desdobramentos, como guardar sucata e entregar dia x (esse dia x vai para minha agenda para não esquecer), festinha do amigo dia y, com isso vamos comprar um presentinho.

Sério, eu me desenvolvi muito quanto a se planejar e me organizar de forma a facilitar minha vida com a chegada dos meus filhos. Com a Fernanda, isso se tornou ainda mais necessário. Um dia li um texto de um blog, que a autora dizia que ela era a CEO da casa dela. Quando acabei de ler queria dar um abraço nela, por ter conseguido definir tão bem o que eu sentia. A gente vive assim mesmo, cuida da logística, gerencia pessoas, coordena as agendas, providencia os suprimentos, promove o bem estar e harmonia do nosso lar, surta um pouco e ama muito. A pesada, doce, linda, desafiadora, infinita, abençoada e mais-milhares-de-adjetivos arte de ser mãe.

 

 

45 minutos para mim

Depois que temos filhos, os momentos dedicados integralmente a nós mesmas tornam-se mais escassos, dependendo do modelo que adotamos para criarmos nossos filhos. Talvez isso seja uma das coisas que mais sinto saudade, tempo SÓ para mim, sem pressa, sem ter que pensar em horários, rotinas, comidinhas e afins. Sinto muita falta de sair sem me preocupar com nada. Muita falta!

Mas, desde o início do ano, ou seja, há apenas 1 mês, estou fazendo natação numa academia aqui na minha rua. Super perto, vou a pé, o que ajuda muito a ter menos preguiça de ir. Faço um dia no último horário e no outro no primeiro horário do dia, foi o que coube no esquema aqui de casa, conciliando o meu trabalho quando eu voltar, a escola, o trabalho do Diego.

Já tinha feito natação no Rio, eu amava, me sentia bem, o tempo passava depressa e tinha disposição em ir. E desde que comecei é assim que tenho me sentido. Muito bem. Gosto da aula, do cansaço bom que dá, parece que saí de uma massagem. Cabelo e pele com cloro até o último nível…mas paciência.

O melhor desses 45 minutos é o fato de tê-los só para mim. Sem nenhum filho colado, chamando “mãe” a cada 2 minutos, sem ter que preparar nada, nem pensar em nada, a não ser em quanto eu já nadei. Um tempo só meu, 45 minutos todos meus.

Cada vez mais convencida de que para sermos mães melhores, precisamos cuidar da gente, pensar em nós mesmas, seja lá o que isso signifique. Às vezes pode ser uma simples revista lida no sofá com uma xícara de chá, comigo isso funciona, mas a gente precisa se presentear, com pequenas coisas. Nossos filhos, maridos e mundo a nossa volta agradecem.

A novidade da cólica

Fernanda é um bebê bem bonzinho, dorme bem e come bem. Meu pai diz que eu dei muita sorte com meus filhos, porque eles são muito tranquilos, na verdade eu orei por isso. Especificamente pedi que ela mamasse bem e dormisse bem e para a minha alegria, Deus resolveu me atender. Diferente do Davi, ela mama muito rápido, ele quando começava a mamar caia num sono profundo, o que fazia a mamada demorar muito. Algumas vezes, eu passei gelo no pé dele para ver se acordava, e mesmo assim, nada. Ela não, mama rapidinho, o que acho ótimo.

Porém, o que Davi não teve de cólicas, ela tem. Sempre soube que isso é muito comum, mas não passei por isso. Davi tinha refluxo, mas só tive uma tarde de um choro infinito dele, logo depois descobri que era refluxo e comecei a tratar e adotar práticas que o ajudavam a não sentir tanto.

Há dias em que ela passa bem e não sente nada, minoria, mas existem. Mas na maioria das vezes, ela tem uma “crise” de cólicas e aí é papo de ficar surda com o choro no ouvido. Dá muita dó!! Visivelmente ela está com dor, se contorce, fica vermelhinha e não há nada que eu possa fazer. Antes, britanicamente às 20h começava e por 1 hora ficava oscilando entre dormir e chorar de dor, até passar de vez e ela dormir mesmo. Mas agora tem sido em outros horários. Até estou evitando algumas comidas, as clássicas que dizem ter alguma relação, mas até agora não vi relação entre o que tenho comido com a intensidade das cólicas.

No último sábado (programão para sábado!!) demorou muito para passar, estava quase largando ela no berço sozinha e pedindo para ela me chamar quando passasse. O choro de verdade, daquele alto, por 1 hora de uma criança no colo, é quase enlouquecedor. Minha paciência vai minando e começo a ficar com dó de mim também. Faço compressa, dou remédio, faço massagem, jogo no celular, converso no whatsapp, oro, coloco de barriguinha para baixo, deito, fico sentada, canto, e na posição em que ela parar de chorar eu fico. Tipo brincadeira de estátua. Independente de estar ou não confortável para mim, do meu braço já estar dormente ou não…Fico ali, até que ela comece a chorar de novo ou até que eu tenha certeza que a “crise” passou.

Ainda bem que as cólicas só apareceram no segundo filho, quando o mantra do “É só uma fase e vai passar” é entoado sem interrupções praticamente. Como com o segundo as coisas são mais tranquilas, acredito que lido com esses momentos de uma forma mais tranquila também. Tudo nessa vida tem um lado bom, nunca rolou uma crise de madrugada e já me disseram que com 1,5 mês melhora. Ou com dois. Outras que só aos três meses. Torcendo freneticamente para que eu me encaixe no grupo de que com um mês e meio já tenha melhorado.