O que é ser mãe para você? (3)

Finalizando, o que mais elas acham do que é ser mãe…

Outras meninas, ou melhor, outras mães já disseram aqui e aqui.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Lidiane (mãe do Pedro de 6 anos e do Miguel de 3)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

É os olhos ficarem marejados só de olhar para eles;

É sentir o amor crescer a cada dia;

É ver o amor de Deus para conosco através deles;

É querer melhorar a cada dia para dar o melhor de si para eles;

É acordar pensando neles e dormir pensando neles;

É se sentir o porto seguro para eles, quando eles correm para seus braços;

É sentir aquele amor mais puro, quando escuta um “Mamãe eu te amo”, sem nada em troca;

É escutar um “Você é linda”, mesmo quando é um dia normal;

Eu podia ficar horas, dias, meses e anos escrevendo do meu amor para com eles.

Escrever isso me fez pensar mais uma vez de como pode Deus nos amar tanto, mais que esse amor que sentimos para com os nossos filhos. Pensei nesses dois versículos:

“Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mamãe não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você!” Is.49:15

” Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Jo. 3:16

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Polly (mãe do Lucas de 4 anos e da Lara de 2 meses)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Ser mãe me leva mais para perto de Deus e me faz ser mais parecida com Jesus. Muita pretensão ? Acho que não. Foi nessa missão que aprendi a servir sem troca, a ser generosa, e amar sem medo. É ter o privilégio de hospedar anjos em casa.
É sendo mãe que descubro todos os dias quem eu sou… eu mudei , e mudo constantemente exercendo essa missão. Sou uma mulher muito melhor cada dia que passa. Eles me ensinam o que é amar ao próximo da forma mais pratica possível.
Ser mãe é ter o amor sempre no colo com o sorriso frouxo e um olhar carinhoso.
De tudo que sou o que eu mais amo é ser mãe!

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Paula (mãe do Artur de 13 anos, da Olívia de 9 e da Isadora de 6)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Ser mãe para mim é difícil colocar em palavras. Mas tentando colocar, acho que é ter o coração batendo fora do peito. É poder desfrutar da minha identidade, da minha natureza, do meu amor. Ser mãe para mim é me alegrar em cada acontecimento e cada evolução dos meus filhos. É sentir um amor genuíno mesmo quando não estamos nos nossos melhores momentos. É poder me emocionar cada vez que escuto a palavra mãe, e no meu caso que tenho 3 filhos em tonalidades e maneiras diferentes. É poder desfrutar do melhor sentimento que há em mim. Vivo a maternidade como um valioso presente e procuro aproveitar cada momento, sentimento ou situação, mesmo que a mais difícil, da melhor maneira possível. Vejo nos meus filhos a representação do amor de Deus por mim!

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Wellen (mãe do João de 15 anos, Rafaela de 13, Miguel de 5 e do Mateus de 3) 1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Ser mãe é vivenciar o inexplicável !!!
É pedir o  silêncio e dois minutos depois se incomodar com ele …
É querer jogar a toalha e dois minutos depois  pendurá-la …
É querer a casa arrumada e dois minutos depois adorar colocar tudo no lugar …
É se  orgulhar com as pequenas conquistas
É começar o dia com o melhor do que Deus pode nos oferecer …
Ser mãe é descobrir que o amor não se divide e sim se multiplica .
Ser mãe é buscar a Deus diariamente para ser exatamente a mãe que Ele deseja que sejamos .
Amo ser mãe do meu quarteto fantástico. Por eles e para eles buscando sempre ser melhor.

O que é ser mãe para você? (2)

Continuando a comemoração do mês das mães. mais duas mães compartilharam o que é ser mãe para elas. E como disse aqui, elas me fizeram rir e me emocionaram.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100Sarah (mãe da Rafaela de 1 ano e 2 meses)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Nunca havia sonhado em ser mãe, mesmo amando crianças. Para minha surpresa, Deus me concedeu ficar grávida da Rafa e tem sido uma experiência e tanto. Não posso dizer que é super legal o tempo todo pois já “surtei” algumas vezes. O estresse e o cansaço, somado com o dia a dia e noites mal dormidas (até uns meses atrás), contribuíam pra isso. Ser mãe é ser missionária. Creio em Deus e lemos a Bíblia para a Rafa e com ela desde o primeiro mês de vida.  Mas não basta só lermos, orarmos juntos e cantarmos louvores. Ser missionária é ser muito mais. É dar exemplo de uma vida com Deus e pra Deus. E nem sempre consigo isso.  Minha oração desde que a Rafa nasceu é que ela cresça e creia no Deus maravilhoso e na Sua palavra.

Ser mãe é abdicar de muita coisa em prol dela mas também é ser inovadora: é ser professora, médica, psicóloga, enfermeira, cozinheira, amiga, inventar historinhas no carro pra ela parar de berrar, inventar músicas com o nome dela pra que ela coma tudo no almoço, cantar todas as musiquinhas que ela já conhece e gosta na hora do banho, na hora de arrumar os brinquedos, na hora de se arrumar. É vibrar com cada descoberta e cada desenvolvimento novo. Parei de trabalhar fora para ficar com a Rafa em casa e tem sido muito mais cansativo do que eu imaginava. Mas ao mesmo tempo, é gratificante, divertido e eu sei que não me arrependerei disso nunca pois consegui estar presente em todos os momentos desse primeiro ano, graças a Deus.

Mesmo cansada temos a disposição pra cuidar dos nossos filhos, e mesmo quando achamos que não temos mais forças, surge uma força de dentro (que pra mim vem de Deus que me sustenta o tempo todo) e somos capazes de vencer mais um dia.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100Loide (mãe da Rebeca de 28 anos, da Carolina de 25 e do André de 24) 1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Acredito que não dá para ter uma resposta estática, já que aprendi que ser mãe é um movimento, algo diferente em cada momento.

Aos 21 anos quando tive minha primeira filha, acreditava que “ser mãe” era amamentar, conseguir dar o primeiro banho e cuidar do umbigo.

Mais tarde, pensei que “ser mãe” era ler histórias, levar na praça, ensinar a andar de bicicleta, cuidar dos arranhões com água e sabão, com aquele beijinho “sara tudo”…

Em outro momento, “ser mãe” parecia ser alguém que busca coragem para deixa-los na escola e saber que ” aquilo seria bom para eles”, apesar da separação.

Tem ainda o momento “ser mãetorista”? Inglês, natação, futebol, tênis, casa de amigo, academia….Acho que até deixar de ser palmeirense e virar corintiana faz parte deste momento de “ser mãe”.

Depois a ideia de “ser mãe” mudou para ser aquela que aconselha e ajuda a escolher as melhores amizades. Que dizer então do momento de “ser mãe” quando eles começam a namorar? Que sensação! Muitos conselhos, muita oração.

Desde o ventre sempre acreditei que orar é a base para todos os momentos de “ser mãe”

Em seguida, “ser mãe” me pareceu ser aquela que prepara o filho para uma nova jornada, para uma nova família. Um misto de alegria, perda e de missão quase cumprida. Quase? Sim… sempre serão nossos filhos! Talvez esta seja a definição de “ser mãe” deste momento: saber nunca “ser ex mãe”

Hoje, “ser mãe” pra mim é me esforçar em deixar para a próxima geração uma fé inabalável! Hoje mais do que nunca “ser mãe” é orar para que permaneçam nos caminhos do Senhor. Orar é a principal ação do “ser mãe”. Há tempo para tudo! Tempo de cuidar, tempo de brincar, tempo de ensinar, tempo de aconselhar, tempo de deixar ir… mas sempre é tempo de orar.

E o futuro? O que posso esperar do “ser mãe”? O que eu espero com todo o amor do meu coração, é poder olhar para cada um deles, e antes de fechar meus olhos para esta vida, poder dizer com a mais firme convicção: Nos vemos no céu…creio que neste momento poderei pensar… “fui mãe”!

O que é ser mãe para você?

Mês das mães chegou e fiz a pergunta do título para algumas mães com as quais convivo, de perto ou de longe, mas que de alguma forma eu admiro.

Sem exceção, todas as respostas me fizeram sorrir e me emocionaram.

Não publicarei todas as respostas de uma vez, essa é a primeira delas.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Patricia Yong (mãe do Guilherme de 6 anos e Felipe de 4)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Para mim é a realização do maior sonho. Não tive muitas inseguranças com um RN. A insegurança veio quando percebi que ser mãe ia muito além de cuidar e amar um bebê. Veio quando percebi que também precisava educar, passar valores, disciplinar, relevar coisas que quando eu via acontecer com outras mães, achava inadmissível. Hoje eu defino a maternidade como uma CONFUSÃO de sentimentos! O amor incondicional prevalece, mas junto dele vem irritação, canseira, impaciência, medo, impotência e tantos outros. Com eles vou aprendendo a desenvolver o maior dom que Deus me deu, o de ser mãe. Mas o que Deus mais tem me ensinado é depender é confiar nEle. Saber que o meu amor por meus filhos é pequeno perto do amor dEle por eles, e saber que com tantas inseguranças e imperfeições, Ele me escolheu desde a eternidade para ser a mãe do Guilherme e do Felipe. E se Ele confiou em mim, Ele vai me capacitar em todas as inseguranças que ainda virão. E hoje, mesmo diante de tantos sentimentos confusos, consigo sonhar com o terceiro filho, mesmo não planejando a chegada dele.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Alzira (mãe da Gabriela de 11 anos e Fernanda de 9)1_Primary_logo_on_transparent_75x100

Ser mãe é sair correndo pelo meio da rua para não perder a apresentação da sua filha, só para não decepcioná-la.

Ser mãe é a difícil tarefa de corrigir em todo o momento, e nunca desistir!

Ser mãe é clamar pela proteção dos seus filhos, porque sabemos que só Deus pode guardá-los!

Ser mãe é passar horas no PS!

Ser mãe é o meu maior desafio, e o mais difícil também, é ser firme e doce na medida certa, mas às vezes erramos!

Ser mãe é ter a dependência do Altíssimo diariamente!

Ser mãe é dar o melhor de mim por elas!

Ser mãe é a minha maior realização!

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Veronica (mãe da Manuela de 10 anos, Guilherme de 7 e Mariana de 5)1_Primary_logo_on_transparent_75x100            

Ser mãe é uma dádiva de Deus, a missão mais desafiadora e mais difícil que já recebi . É uma mistura de felicidade e medo de errar , é se tornar uma pessoa melhor e menos egoista todos os dias , é voltar a ser criança, é reviver momentos especiais na vida de seus filhos.

1_Primary_logo_on_transparent_75x100 Bernadete (mãe da Débora de 27 anos, Daniele de 26 e Raquel de 20.) Recentemente ganhei mais 2 filhos, o Diogenes (marido da  Débora) e o Nelson (marido da Dani)  )1_Primary_logo_on_transparent_75x100       

Ser mãe é  a coisa mais simples e mais complexa que já me aconteceu.

Por ser mãe, já dei as risadas mais gostosas e derramei as lágrimas mais profundas.

Já me senti a própria mulher maravilha por ser mãe, e já me senti o maior fracasso.

Passei de poderosa a impotente algumas vezes.

Já “tirei de letra”  muitas vezes é em outras não soube o que fazer.

Já dei conselhos sábios e já ensinei tolices.

Muitas vezes justa e muitas, incoerente.

Por ser mãe, dei os abraços mais fortes e intensos, e já travei as lutas mais pesadas.

Falei palavras doces, mas também proferi algumas que não deveria.

Aplaudi e reprovei muitas vezes.

Me orgulhei das muitas  atitudes e de outras me arrependi .

Uma caminhada de oração e clamor!

O que sempre foi igual, e de uma intensidade gigante, é o amor.

Amo demais e sei que elas me amam! Isto me basta para explicar o que é ser mãe!

    

Conta aí, Andrea.

andrea

Andrea Lacerda Fernandes, mãe do Bernardo (6 anos), da Ana (5 anos) e do João (1 ano). Casada com o Carlos há 11 anos.

Profissão: nutricionista

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela tem 3 filhos, 3 crianças e isso é motivo da minha admiração!! E sempre me pareceu uma mãe de verdade, presente, com escolhas que priorizaram a maternidade e isso se confirmou com o que ela contou aqui.

Como conheci a Andrea: no Colégio Anglo Americano Botafogo, que hoje nem existe mais. Nos conhecemos com uns 11 anos e fomos muito, muito amigas durante boa parte da adolescência, mas nos afastamos (por motivos de adolescente que hoje sinceramente não saberia explicar), mas concluimos o Ensino Médio juntas. Com as redes sociais voltamos a nos falar e estou encantada com a família linda que ela construiu. (AHHH! O marido dela também estudava na mesma escola que a gente, mas acho que eles começaram a namorar depois que a gente se formou)

♥Quando se viu grávida do 3º filho, além da alegria claro, bateu um medo?

Andrea: João veio de surpresa! O primeiro sentimento foi um misto de alegria e pânico! Liguei para a minha mãe num sábado às 7h e chorei muito! Repetia que não ia conseguir, que não daria conta! Mas horas depois o pânico passou e estava muito, muito feliz! Sempre quis ter três filhos. Desde criança, brincava que tinha três. Mas, a vida na pratica é outra. Só pensávamos no custo do colégio e plano de saúde! Já tinha dois pequenos que me consumiam às vezes mais do que acreditava ser capaz e não sabia como daria conta de um recém nascido. Estava me preparando para voltar a trabalhar após 6 anos em casa, começar tudo novamente após 4 anos também me deixou meio desesperada. Cheguei a me questionar se seria capaz de cuidar de um bebezinho, medo do ser humano que se vê em pânico diante de coisas que não planejamos conscientemente, mas que Deus mandou!

A vida nos mostra que não temos o controle de tudo e que Deus nos presenteia com bênçãos mesmo sem sabermos, sem pedirmos...

Foi a gravidez que mais curti. Passou rápido! O primeiro trimestre foi sofrido: vomitava muito, às vezes na rua, encostava as crianças na parede de um prédio e ia vomitar no meio fio. Elas ficavam me olhando apavoradas, mas depois de uma semana já estavam achando normal. Com certeza foi a gravidez mais gostosa que tive!

♥ Em que momento você decidiu parar de trabalhar fora e por quê? 

Andrea: Quando Bernardo nasceu já havia decidido reduzir o ritmo dos atendimentos. Queria amamentar o máximo de tempo, colocá-lo em primeiro lugar. Desejei muito o Bernardo, fiz tratamento, logo decidi me doar por completo. Sempre achei que a infância é a parte mais curta da vida e que queria estar próxima. Não queria deixar passar. Tinha uma vida inteira para me recuperar profissionalmente e a infância passa num piscar de olhos e não volta, não se recupera presença nem disponibilidade. Quando engravidei da Ana tive asma e perda de líquido. Tive que fazer repouso e acabei parando de vez! Tinha um bebezão e um bebezinho em casa e o primeiro ano foi muito difícil! Achei que ia pirar! Sei que nem todas as mulheres, infelizmente, podem fazer essa escolha. Muitas têm que trabalhar para ajudar em casa. Tive esse privilégio e sempre fui grata por isso!

♥ Qual a maior dificuldade que você encontra em ser mãe de 3 filhos?

Andrea: Dividir a atenção que eles demandam! Gostaria de poder dar mais atenção para cada um deles individualmente. De resto, costumo dizer que de três para dois não há muita diferença. A dificuldade fica mais na questão da mão de obra do dia a dia. Ajudar no dever de casa enquanto João tenta comer a massinha das crianças não é tão fácil! Mas são coisas que vamos acostumando. As crianças também se acostumam. Aquele negócio de fazer dever de casa em local silencioso e tranquilo aqui em casa não rola, por exemplo! Dou banho neles com João na porta do banheiro, no cercado, às vezes tranquilo, às vezes se esgoelando. Bernardo e Ana acabam sendo muito independentes. Arrumam a própria cama, comem sozinhos, levam o prato na cozinha, se vestem, se calçam, escovam os dentes sem ajuda, passam o requeijão no biscoito sozinhos. Não há tempo para exclusividades!

♥ Qual a relação deles entre si, como irmãos?

Andrea: Be e Ana vivem uma relação constante de amor e ódio, brigam o tempo todo mas não conseguem passar uma tarde um sem o outro. Cuidam um do outro. Se um vai para a casa do amigo, o outro passa o dia perguntando quando ele vai voltar! São muito amigos! Como são de idades muito próximas, brincam com os mesmos brinquedos e têm os mesmos amigos. Já com o João, me surpreendi! Achei que ia rolar muito ciúme, mas é muito amor! Eles cuidam, ajudam, dão beijo, às vezes tenho até que ficar de olho pois o amor é tão voraz que fica até perigoso! Agarram, beijam, apertam! Ana às vezes entra em disputa mas no geral, os dois têm muita paciência e carinho com o João! Bernardo é quase um pai, muita paciência!

♥ Vocês se mudaram recentemente para morar no interior do Rio. Qual foi a motivação de vocês e como tem sido a adaptação das crianças?

Andrea: Mudamos por muitos motivos: custo de vida e qualidade de vida foram os principais. Mudamos para uma casa onde as crianças brincam livres e soltas! Em nenhum momento eles se queixaram de saudades! No início, somente de saudade de um ou outro amigo do colégio, mais nada! Fugimos da violência, do consumismo, da vida cheia de necessidades, por ideologia mesmo… Descobrimos que é muito fácil precisar de pouco. Um chinelo, um short, uma bola, um patinete, uma bicicleta! Criança precisa de espaço, de ser livre, de correr! Eu também estou feliz!

É maravilhoso descobrir que a alegria não se consome. As crianças estão mais calmas, e isso também me torna mais calma, e recentemente me disseram que amaram se mudar para cá!

Eu estava desesperada por uma vida mais simples. Estava asfixiada no Rio!

♥ Como nutricionista você é muito criteriosa com a alimentação deles?

Andrea: Muito! Brinco que ser filho de nutri é expiação. Na mesa não há negociação aqui em casa. Arroz integral desde sempre, um legume e uma verdura são obrigatórios diariamente e nas duas refeições. Feijão de vários tipos e fruta na sobremesa. Só compro orgânico aqui em casa. Sou vegetariana, mas dou carne para eles em respeito ao meu marido. Porém evito muita carne vermelha e só compro frango de uma marca específica… eles nunca colocaram um biscoito maisena na boca. Sempre foi integral. João já come biscoito integral daqueles durões… o açúcar, por incrível que pareça, foi a única coisa q não consegui segurar muito. Mas restrinjo aos finais de semana e dá tudo certo!

♥ Quais as principais mudanças para melhor na Andrea que foi mãe do João e a mãe do Bernardo?

Andrea: Nossa! São tantas que acho q preciso de uma folha só para essa resposta! A principal foi: parei de querer ser perfeita! Agora só quero ser feliz! Quero curtir meu filho! Não me importo com o que os livros dizem, para o que mãe e sogra falam! Faço o que acredito! Joao é o bebê que mais estou curtindo! Hoje vejo como fui boba, como deixei de viver coisas…

Meu terceiro filho foi e é com certeza a minha redenção! A minha chance de ser a mãe que quero ser, sem interferências. De ser eu mesma!

E isso já faz valer a pena toda e qualquer dificuldade!

♥ Como você se organiza com a rotina deles ? 

Andrea: Minha vida no geral é uma loucura, para não falar uma zorra! Tenho que ser criteriosa em alguns horários senão fico louca! Almoço, jantar, banho, dever de casa, são coisas que tem hora e não se discute! Mas não me dê nenhum documento importante para eu guardar pois há 90% de chance de eu guardar e não achar nunca mais! Metade do meu dia passo catando brinquedos pelo chão. Tenho pânico de mini peças de Lego e mini roupas de boneca Poli na boca do João! Atualmente não consigo fazer quase nada para mim! Isso enlouqueceria muitas mulheres, e já me enlouqueceu por um período, mas quando olho para o Bernardo e vejo como ele cresceu rápido demais, e que daqui a pouco minha presença não será mais tão importante, meu coração se acalma e vejo que não há nada que não possa esperar mais alguns anos para ser recuperado… só tenho 36 anos e minha vida está apenas começando, já a infância deles passa num piscar de olhos e não volta mais….

♥ Você conta com alguém para te ajudar nas tarefas do dia a dia?

Andrea: Tenho uma funcionária que ajuda nas coisas da casa durante a semana e minha mãe, sempre que ela pode, me ajuda a noite, para que eu possa colocar João para dormir com tranquilidade… no resto do dia, sou só eu e eles. Carlos trabalha a semana toda no Rio e só volta na sexta. No fim de semana, ele assume as crianças e veste a roupa de super pai!

♥ Como é sua relação com a única menina do time?

Andrea: Ana é a única menina e a filha do meio! É intenso! Ana é uma molequinha cheia de personalidade e amo isso! Ela é quem me demanda mais atenção! Até mais que o João no geral.

Ana é meu equilíbrio numa família muito masculina. É meu espelho também, e isso acaba sendo minha cura! Ana me ajuda a ser uma pessoa melhor! 

♥ Do que você não abre mão na educação deles?

Andrea: Alimentação, hora de dormir e dever de casa… acho q nessa ordem! Temos um quadro de responsabilidades aqui em casa que no final da semana se converte em semanada… as tarefas devem ser cumpridas e sou bem criteriosa nisso. Nele há coisas como: arrumar a cama, colocar roupa no cesto de roupa suja, escovar os dentes, deitar para dormir sem reclamar, ser educado (bom dia boa tarde boa noite por favor e obrigado), levar o prato para a cozinha, se vestir etc… dessas tarefas não abro mão em casa…

♥ Como você consegue se organizar e ter um tempo para cuidar de você e ficar com o Carlos?

Andrea: Atualmente esse é nosso maior desafio, estamos no esforço por aqui! Quando todos dormem tentamos aproveitar para estarmos juntos. Fazemos um foundue, vemos um filme, quando os avós estão disponíveis (o que não é tão comum nos fins de semana) saímos para um restaurante… mas nada é fácil, nem simples.

Tentamos estar próximos mesmo no meio da confusão.

Sentamos no sofá, nos abraçamos, deitamos um no colo do outro… As crianças olham, às vezes com ciúmes, e dizemos que naquele momento estamos “namorando” e que não vamos dar atenção! Criamos momentos nossos mesmo no meio do caos!

♥ O que é ser mãe para você?

Andrea: É descobrir a alegria, a gratidão e a plenitude no meio do caos!

Conta aí, Bia!

BiaBeatriz Bomfim* (*acho que tem mais sobrenome, Rodrigues não?), mãe da Maitê (3 anos) e Gael (5 meses), (ficamos grávidas as duas vezes na mesma época.) Casada com o Franklin há 6 anos.

Profissão: professora

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela é uma mãe super dedicada e pode compartilhar como é a rotina de uma mãe de crianças que têm APLV (alergia à proteína do leite de vaca) ou outras.

Como conheci a Bia: na Catedral do Rio, trabalhamos juntas com as crianças da igreja, na UCP (União de Crianças Presbiterianas) num ano muito especial para mim. A Bia tem um senso de humor que eu gosto muito, não tem mimimi com ela. E foi numa conversa com ela que eu descobri que o Davi tinha refluxo. Ela é uma mãe que inspira a gente.

♥Como você começou a perceber que Maitê tinha alergia e onde e como você buscou informação? E que ações você teve que tomar?

BiaFoi muito difícil descobrir a alergia alimentar da Maitê. Acredito que fui mal acolhida pelos médicos da minha cidade. Maitê era um bebê que tinha muito refluxo, sofria demais. Medicada, o refluxo melhorou, mas ela começou a ter problemas pra ganhar peso. Em um mês, não engordou, só cresceu. No seguinte, não cresceu e engordou apenas 100g. E no terceiro, perdeu peso. Uma menina que comia super bem! Além disso, vivia doente, uma virose atrás da outra. A minha grande fonte de informação foi o Facebook.  Um dia, já cansada por não ter respostas, postei em um grupo chamado Alimentação Consciente uma mensagem em que desabafava. Não entendia como uma criança que comia tão bem e mamava no peito poderia ficar tão doente. Uma pessoa sugeriu investigar APLV (alergia à proteína do leite de vaca). Busquei sites sobre o assunto e, finalmente, consegui montar o quebra-cabeça. Era exatamente o que minha filha tinha! Mais tarde, descobri através de exames e testes que ela também era alérgica a ovo e soja.

♥ Quais foram as maiores dificuldades no começo? E atualmente?

Bia: No começo, a dificuldade era descobrir o que ela poderia ou não comer.

“Os rótulos dos alimentos não são claros e induzem muito ao erro.”

Felizmente, ela consumia pouquíssimos industrializados, então a alimentação dela foi fácil controlar. Eu já tinha lido que o ideal seria oferecer laticínios e glúten só depois de um ano (mesmo pra quem não é alérgico) e segui a recomendação, isso salvou a minha filha de muito sofrimento, pois acabei não introduzindo esses alimentos na dieta dela. O mais difícil mesmo foi a minha alimentação. Passei meses levando marmita para o trabalho, evitando eventos sociais em que eu não tivesse opções de comida. Para continuar amamentando, eu tive que fazer uma dieta bem restrita. Ela tinha cerca de 9 meses quando descobrimos a alergia e nem me passou pela cabeça desmamar, já que eu queria um desmame natural e gentil (que veio com 1 ano e 5 meses).
Atualmente, a dificuldade é manter a rotina de ter sempre uma marmita com comida ou lanches para ela em qualquer lugar que vamos.

♥ Como a Maitê lida com isso, com as restrições alimentares que ela possui? Que tipo de cuidado ela precisa na alimentação ainda?

Bia: Maitê lida super bem com as restrições! Como nunca comeu, não sente falta. Quando pergunta sobre alguma coisa nova, em algum evento, basta eu responder o que é e dizer “esse faz dodói na sua barriga” e ela deixa pra lá. Tenho sempre os substitutos e ela aceita muito bem. Evito buscar receitas tipo “brigadeiro de inhame” ou coisas similares ao que encontramos nas festinhas, porque acho mais fácil para ela entender que brigadeiro não pode do que entender “esse pode, esse não”. (adorei esse raciocínio!) Até para ela saber diferenciar quando estiver sozinha. Já vi situações em que foi oferecido a ela biscoito de polvilho e ela recusou, toda fofa, explicando que fazia dodói na barriga dela.
Ela ainda apresenta reações quando consome leite, ovo ou soja (acidentalmente), mas as reações estão bem mais leves, depois de um tratamento que estamos fazendo. Então, a única coisa que mudou é que agora ela pode comer comida na rua, de restaurante, desde que não leve os ingredientes acima.

♥ E foi do mesmo jeito com o Gael? Qual a diferença entre eles nesse sentido?

Bia: Gael foi bem diferente. Fiz tudo que me foi recomendado para tentar driblar a genética e impedir o desenvolvimento da alergia (parto natural, amamentação exclusiva, eu tomei probióticos, fiz dieta ainda grávida, entre outros detalhes não publicáveis, hehehe), mas não teve jeito. Com 25 dias, ele fez um cocô muito característico da alergia, verde e com muito muco. Diferente da Maitê, que foi apresentando os sintomas aos poucos e ao longo dos meses e nunca teve muco nas fezes. Como eu estava em dieta de leite desde 36 semanas de gravidez, ele nunca teve refluxo ou cólica, mas o cocô esquisito mostrou que ele era alérgico a mais coisas. Ainda não descobrimos tudo a que ele é alérgico, estamos com um gastro maravilhoso e um médico integralista e acredito que esses esforços combinados vão fazer que Gael atinja a cura mais cedo que a Maitê (que tem 3a7m e não está totalmente curada ainda).

♥ Para você o que é mais difícil nisso tudo?

Bia: Acho que a parte mais difícil é ficar sem comer. Eu já fazia dieta de glúten, porque tenho intolerância, mas furava de vez em quando, quando aparecia alguma coisa gostosa.

“Mas amamentando, não dá para furar a dieta, porque quem sofre não sou eu, é meu filho.”

Mas a maioria dos dias, eu lido muito bem com isso, carrego minha marmita, como o que posso comer e fico bem. Claro que tem dia que dói ver as pessoas comendo a pizza, a massa, o doce na minha frente, mas nada como um dia após o outro.

♥ Que conselho você daria a mães e pais de filhos que também enfrentam essas mesmas dificuldades?

Bia: Busque ajuda especializada. A maioria dos pediatras não entende sobre alergia alimentar, então é importante encontrar um gastropediatra que saiba do que está falando. E procure grupos no Facebook sobre o assunto, tem muita informação boa e acolhimento nesses grupos.

♥ E como tem sido sua rotina agora sendo mãe de dois?

Bia: Para falar a verdade, sou muito privilegiada. Meu marido tem uma boa flexibilidade no emprego, então tem estado em casa, dividindo as tarefas com a casa e as crianças. Minha mãe também é bem presente, Maitê já está na escola, ou seja, tenho uma boa rede de apoio, a rotina não ficou tão mais pesada.

♥ Você consegue separar um tempo para você, seu marido? Como você faz para se organiza?

Bia: Aqui em casa, meus filhos vieram programados para dormir cedo e nós procuramos respeitar o soninho deles. Então, às 21h, já estão os dois dormindo, todos os dias. Isso permite que nós tenhamos um tempo pra ficar juntos, jantar, ver filmes ou séries, antes de dormir.

♥ O que te faz perder a paciência ou acha mais cansativo na maternidade?

Bia:Acho que o sono picado, dividido em períodos de 3 horas é o mais cansativo. Mas isso é passageiro, então vamos levando. Acho que minha paciência é testada quando as crianças estão com sono e não podem ou não conseguem dormir. Tudo vira motivo de choro, então lidar com isso sem reforçar o comportamento, mas com empatia, entendo o momento da criança é bem difícil. (Muuuito difícil! Tenho paciência negativa nesses momentos.)

♥ A maternidade nos faz mulheres melhores, em que você se tornou uma pessoa melhor sendo mãe da Maitê e do Gael?

Bia: A sensação que eu tenho é de que me tornei outra pessoa completamente diferente. Ideias, valores, princípios, desejos, prioridades.

“Através da maternidade, descobri uma nova maneira de enxergar e entender o mundo.”

Quando alguém fala sobre os filhos crescerem e a vida voltar ao “normal”, eu não consigo me imaginar voltando a ser quem eu era. (Eu falo isso, confesso! Mas Diego sempre me responde que essa é nossa vida normal agora!) Não dá para voltar atrás. Nem quero. Gosto muito mais da pessoa que me tornei, graças aos meus filhos e aos caminhos que percorro por eles.

♥ O que é ser mãe para você?

Bia: É a minha vocação. Sabe quando a gente encontra aquela carreira que nos faz sentir produtiva, inteligente, capaz, realizada? Então, não encontrei isso na carreira, encontrei na maternidade.

“Respeito muito mesmo (mais ainda agora) quem escolhe não ter filhos, mas eu, Beatriz, não poderia passar por esta vida sem ser mãe.”

E sinto que minha missão é grande: educar meus filhos para serem ferramentas de mudança pra nossa sociedade. Pra que eles não repitam preconceitos e estereótipos, mas ajudem outros pessoas também a expandir seus mundos. E, como toda mãe deseja, que sejam felizes. 🙂 (Sempre me emociono lendo as respostas a essa pergunta).

Conta aí, Carla!

carla e mig

Carla Medeiros, mãe do Miguel de 3 anos.  Casada com o Selmo há 9 anos.

Profissão: fisioterapeuta e se arriscando em realizar festas

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela é mãezona mesmo e antes do Miguel, ela passou por dois momentos muito delicados.

Como conheci a Carla: ela era namorada de um amigão da UFRJ, o Selmo. Fui madrinha de casamento deles e sempre que dá nos encontramos no Rio. É uma típica carioca: animadona, prática, sem frescuras, gosta de um samba e tem um sotaque bem chiado que eu amo!

♥ Antes da chegada do Miguel , você por 2 vezes teve a gravidez interrompida. Como foi esse período e o que tirou de aprendizado?

Carla: Na primeira, não cheguei a escutar o coraçãozinho. Estava de 8 semanas quando fomos a primeira ultra. Apesar de não parecer grande coisa, estávamos muito envolvidos, era um desejo imenso. Ainda tive que tomar uma decisão: fazer curetagem ou não. O meu médico da época me convenceu que seria melhor e fizemos, era Julho de 2009.

♥ A segunda perda ♥

Em fevereiro de 2010, o tão esperado positivo novamente, nessa época morávamos em Caraguatatuba. Tudo corria bem até a 18ª semana, era a Sofia quem estava a caminho e uma dor enorme começou a me perturbar. Tinha uma consulta em Caragua na semana seguinte, então corri para o Rio para ser vista pelo médico que me acompanhava. No hospital, suspeitaram de tudo pelo meu relato e como eu tinha 18 semanas, fizeram apenas uma ultra e viram que Sofia estava ótima. Mas erraram em não verificar o colo do útero. Fui medicada com analgésicos.O que eu sentia eram contrações, devido ao encurtamento do colo do meu útero, o bebê forçando a passagem e meu corpo entedia que eu estava em trabalho de parto. Daí pra frente vocês já sabem o que aconteceu… Lá fui eu pra uma segunda curetagem, era maio de 2010. Foi muito difícil, roupinhas compradas, muitos presentes, muitas ideias e tudo mudou.

“Eu e Selmo acreditamos em Deus e sabemos que Ele prepararia tudo no momento certo e que Ele só dá o fardo a quem consegue carregar. Crendo nisso, sabíamos que nossa hora chegaria, no momento certo e no momento DELE, o Senhor nos abençoaria com um lindo anjo.”

♥ O recomeço ♥

Discordando de algumas condutas do meu médico e querendo investigar, resolvi “googlar” e procurar médicos que cuidavam de gestação de risco e descobri o Dr. Paulo Gallo, esse sim “O MEU” médico!!!

Ele me investigou dos pés a cabeça, tanto eu quanto Selmo, muitos exames e tudo normal. Mas uma vídeo histeroscopia nos apresentou um quadro de incompetência istmo cervical (IIC), conhecida com incompetência uterina. Pode ser uma má formação genética do útero ou causada por uma “raspagem excessiva” nas curetagens que tinha realizado (o que Dr.Paulo, o médico que fez a video acreditam e eu também). Na próxima gestação, eu teria que realizar uma CERCLAGEM e que a primeira perda não teve relação com a segunda, foi configurada como aquela perda que 75% das mulheres estão sujeitas, o aborto espontâneo.

Faltava ainda um exame a ser feito, eu estava com medo, ouvia horrores dessa histeriosalpingografia. Demorei de janeiro a setembro para marcar, e quando decidi, no dia 27 de setembro de 2011, descobri que em meu ventre germinava uma linda semente. 

♥ Aprendizados ♥

–  precisamos passar por algumas coisas e só Deus sabe o verdadeiro motivo

–  a mulher tem a escolha durante a gestação, de decidir se será submetida a uma intervenção cirúrgica, seja ela uma curetagem ou uma cesárea (a partir do momento que a vida de ninguém esteja em risco)

– o primeiro medico não estava errado na sua conduta (eu até certo tempo pensei assim) , que simplesmente é o jeito dele de conduzir suas pacientes

– Curetagem é um procedimento necessário em alguns casos e que na primeira gestação eu podia ter esperado meu corpo reconhecer que a gestação não havia evoluído e deixar ele se encarregar de eliminar o que fosse preciso.

♥ Na gravidez do Miguel, você ficou de repouso boa parte da gravidez. Como foi lidar com isso, já tendo passado pelas experiências anteriores?

Carla: A intercorrência na gestação do Guel já era sabida que podia se configurar. Dr.Paulo, a partir da 10ª semana, me orientou a ultras semanais para medição do colo do útero, se até a 13ª estivesse tudo ok, levaríamos a gestação sem intervenção cirúrgica.

“Na última ultra para o OK final, saí direto para o centro cirúrgico: meu colo estava abrindo e encurtado, chegou a hora da CERCLAGEM!”

Eu reagi bem a situação, sabia que me ajudaria a ter meu pequeno em meus braços e tinha total confiança no Dr.Paulo.

Fiquei da 13ª semana até a 35ª de repouso absoluto, levantava apenas para tomar banho, comer, me reclinar no máximo em 45º, fazer ultra de 15 em 15 dias e 1 vez por mês ao consultório do Dr.Paulo.

*(A cerclagem é um procedimento em que o medico faz pontos (costura) o colo do útero para não haver a expulsão da bolsa.)

♥ Como foi para você, que é super ativa, ficar quietinha durante esse tempo? 

Carla: Fiquei a gestação inteira na casa da minha mãe. Precisava de alguém 24h, Selmo sempre atencioso e preocupado, vivendo intensamente tudo comigo, mas estava trabalhando em SP  e eu precisava de ajuda física naquele momento.

“E preciso mencionar o quanto minha mãe foi importante nesse período, acho que não seria mãe se não fosse ela. Ela gerou o Miguel comigo.”

Ela me trazia comida, me secava pós banho, colocava roupa…Coisas que só mães fazem por um filho. Meu espelho, minha paixão, minha companheira de todos os momentos bons e ruins, meu tudo! Mãe, eu te amo!

Levava os dias bem tranquila, lia muito, pesquisava sobre bebês, conversava com outras mães que passavam pela mesma situação que eu num grupo de mães com IIC, fiz laços de amizades e temos contato até hoje. Sempre com visitas, primos, minha mãe organizava reuniões dos meus tios finais de semana, filmes e assim foi… Com altos e baixos, mas feliz porque tinha o Miguel comigo.

Miguel nasceu prematuro de 35/36 semanas: 49cm , 2690kg

♥ A amamentação do Miguel não foi exatamente como você e qualquer mãe espera (como váárias outras coisas na maternidade né?). Como lidou com isso?

Carla: Miguel prematuro, preguiçoso, não pegava no peito de jeito nenhum!!!  E eu fui ficando louca:

“Não é possível que depois disso tudo, amamentar meu filho que era meu desejo, que pesquisei nos dias de repouso, meu sonho não seria concretizado?”

Frequentei grupos de amamentação, contratei enfermeira, usei bico de silicone, isso nos 20 primeiros dias e nada… Não aceitava dar LA, forçava o peito um tempo, ele não pegava e nem chorava, dormia muito (alias até hoje, rs). O pouco que mamava era meu leite extraído e dado na mamadeira quando eu já estava exausta e cedia…Miguel perdendo peso, chegou a 2380kg, eu triste, entrando em depressão, achando que eu não servia para ser mãe (aqueles exageros que sempre nos acusamos nesses momentos). Aí o pediatra me deu uma dura e acho que ali acordei e desencanei um pouco, tive que ceder ao LA, frustrada, mas tenho certeza que ainda amamentarei um bebê no meu seio.

♥ Como foi conciliar sua vida profissional e como é sua rotina hoje?

Carla: Minha vida profissional foi deixada de lado desde que entrei de repouso, fiquei com ele direto até 6 meses, e minha mãe começou a me ajudar, ficando com ele 2/3 vezes na semana, e fui voltando. Com dois anos ele foi para escola, mas mesmo assim não quis abrir mão de ficar com ele. Eu e Selmo combinamos de eu manter os 3 dias de trabalho e dois dedicados ao Miguel e outras coisas.

♥ Como você faz com a alimentação dele?

Carla: SOU CHATA, até quando eu conseguir terminantemente proibido, refrigerantes. Do resto tento equilibrar tudo. Ele come muito bem, legumes, verduras, sucos naturais, frutas….Sou do tipo que não induzo, porque oferecer agora? Se um dia ele descobrirá sozinho e aí sim decidirá se comerá ou não.

“Eu não poderei evitar para sempre, então enquanto eu puder estarei ali sendo a “mala da alimentação”.

Mas se está em um grupinho e um amiguinho oferece, ele me pergunta (sempre) e eu digo, “Você não gosta filho” e se ele pedir para experimentar eu deixo… Rs

♥ O que é ser mãe para você?

Carla: Ahhhh, é um misto de sensações. É ser a pessoa mais feliz do mundo, é ter medo de deixar meu filho desamparado, é acreditar sempre que meu filho viverá num mundo melhor. Eu me empenho muito mais, depois de me tornar mãe, em ajudar nessas mudanças. É mostrar pra ele que podemos ser sim pessoas boas,é ter a deliciosa sensação de que não existe mais ninguém no mundo mais amado por ele do que eu!

“É ver o quanto consigo já mostrar pra ele que Deus existe, mesmo com tão pouca idade…”

É ter medo do meu futuro, coisa que nunca tive. É viver a vida intensamente em todos os segundos do meu dia e isso tudo só por ele!

Conta aí, Camilla!


camial e helenaCamilla Winch,
39 anos. Mora na Inglaterra desde 2009, casada com Alex há 5,5 anos. É tradutora e intérprete.

Mãe da Helena de 3,5 anos e de outra menina que está na barriga. 

Porque pensei nela para estar aqui: para dividir com a gente a experiência de ser mãe de uma britânica fofa e criar sua filha num país diferente e tão longe do nosso.

Como conheci a Camilla:  é meio minha prima. Ela, tia Vânia (mãe) e a Renatinha (irmã) eram as poucas pessoas que conhecíamos quando chegamos ao Rio. Quando estava grávida do Davi fomos a Londres e passamos em Brentwood para visitá-la e conhecer a Helena que era um baby.

PARTO, MÉDICOS, ASSISTÊNCIA SOCIAL ♥

Camilla:  Durante a gravidez, você é acompanhada pela “midwife”, a parteira; não um obstetra. O sistema de saúde é público e eles priorizam o parto normal. A midwife faz o parto e se houver alguma complicação, o médico está logo ali. Pode ter o parto em casa, com ótimo acompanhamento e uma ambulância de plantão. Antes de ficar grávida, pensava que ia voltar ao Brasil e fazer uma cesárea.

“Fiz um cursinho pré-natal aqui meio assustada com a naturalidade com que falam que era nosso direito exigir um parto natural, mesmo que o bebê estivesse virado. Puro medo e preconceito.”

Ia ser complicado ter o filho no Brasil e aceitei o destino (rs). Receber a Helena em meus braços depois daquele esforço, pareceu que lutamos para que ela nascesse e ela foi guerreira e eu, humildemente, fui só uma facilitadora.

Muita coisa se resolve com o médico ao telefone, que nem sempre é um pediatra, é um clínico geral. Se ele perceber que precisa de algo específico, envia ao pediatra. Um dia ela teve uma febre alta e eu, no desespero de mãe de primeira viagem, disse: ”vamos ao hospital.” E me dei conta que hospital é para emergência, MESMO. Muita coisa é possível resolver em casa, com o farmacêutico ou uma consulta com o clínico geral, sim.

Há muitas atividades para mães, crianças e famílias no geral. Muitas subsidiadas pelo Council (a prefeitura) como “health visitors”, que são assistentes sociais da saúde. Eles esclareceram muita coisa que me preocupava, como o peso da Helena, se dormia bem, se estava amamentando bem etc., sem precisar consultar um pediatra.

♥ UMA CRIANÇA BILINGUE ♥

Camilla.: Li muito a respeito de criar crianças bilíngues. Tive receio de ela ficar confusa, ter dificuldades na comunicação ou se atrasar na escola. É bom que aprendam mais de um idioma desde cedo, contanto que eu fale com ela em português e o Alex sempre em inglês. E é o que fazemos. Ela entende os dois muito bem. Têm horas que ela parece saber exatamente a diferença, se dirige a mim em português e a ele em inglês. A família que vem do Brasil sempre traz um livrinho, um vídeo, o que é ótimo.

“Ela sabe “Old McDonald’s had a farm” mas também “Atirei o pau no gato”. Ufa!”

Às vezes, ela esclarece: “The window, mummy”. E se eu não entendi direito o que ela quis dizer, ela troca de idioma “janela!”. Mas têm horas que parece que é tudo um só idioma na cabecinha dela, ela mistura tudo. Ela fala: “papai, can you abre this, please” ou “mummy, I want mais leite”. Mas li que uma hora ela separa um do outro,e ela pode se beneficiar disso para o resto da vida.

♥ A ROTINA COM A HELENA

Camilla: Trabalho em casa com tradução, sou intérprete do serviço público e me chamam em prefeituras, hospitais, tribunais etc. A Helena vai para a escolinha três vezes por semana, é quando aproveito para trabalhar. Segundas e terças não tem escola, ela tem “ginastiquinha”, natação, dança e, sempre que o tempo permite, vamos a parques, festivais (festivais mesmo, como Rock in Rio para crianças (risos)), teatrinhos. Não temos empregada, é muito caro. Antes da Helena nascer eu tirava um dia de faxina, agora eu limpo aqui e ali, quase todos os dias. Como conciliar… a gente sempre dá um jeito, né. Agora mesmo estou aqui respondendo, enquanto aguardo a roupa lavar, e ela está assistindo Bubble Guppies rs.

♥ ESCOLAS NA INGLATERRA 

Camilla.: A maioria aqui vai para escolas públicas, são muito boas. As particulares são extremamente caras. Você recebe uma carta do Council e escolhe quatro escolas, que levam em consideração alguns critérios como distância, por exemplo, e até o início de abril nos enviam para qual escola ela vai.

As melhores são as religiosas, e muitas solicitam uma carta do padre (católica) ou vigário (anglicana). Para receber essa carta, só se for parte da igreja mesmo. Tem que ir à missa, participar das atividades da comunidade etc. Senão receber a cartinha, o nome da criança deve ir para o fim da fila. A Helena foi batizada na igreja católica, mais porque eu pensei já na escola, do que por crença ou fé. Como eu e o Alex não somos religiosos e, segundo o padre, já vivemos em pecado, pois ele é divorciado, então seria hipocrisia comparecer. Vamos aguardar a escolha do Council, sem a carta.

O uniforme é básico, tirando a jaqueta ou casaco com o emblema da escola, tudo pode ser comprado numa loja de departamento. Outros uniformes incluem gravata, inclusive para meninas, chapéus e bolsas.

Acho bom que a Helena vá para uma escola pública. Ela vai ter a oportunidade de conviver com vários tipos de pessoas, classes sociais e, possivelmente, várias religiões e culturas. Acho bom que ela aprenda que existe uma diversidade e desenvolva a tolerância.

♥ REALIDADE DAS MÃES BRITÂNICAS 

Camilla: A maioria das mães trabalha fora, em período integral ou parcial, e as crianças vão para escolinha. A licença maternidade é de um ano e as mães têm flexibilidade no trabalho. Conseguem entrar em acordos, trabalhando em horários diferentes.

“Conheço mães que trabalham três, quatro vezes na semana ou até um certo horário. Muitos pais também têm uma certa flexibilidade e conseguem revezar com as mães. Acho isso muito positivo para a família.”

As mães se preocupam menos com a violência. Os índices de criminalidade são bem pequenos. As crianças andam mais soltas, com uma supervisão de longe. É comum ver uma mãe andando na frente e as crianças láaaa atrás seguindo ela de longe. No início, eu pensava: “Nossa, como ela tem coragem (risos).”

♥ ALIMENTAÇÃO 

CamillaAs crianças começam a comer coisas que eu considero porcaria muito cedo. A Helena demorou mais de dois anos para comer um bolo, por exemplo, e não fui eu que dei. Na escolinha, eles dão mais sobremesas que são doces e em casa, a sobremesa era fruta. Não é sempre, claro. Também não gosto muito do que eles chamam de “crisps”, que são as batatinhas chips, os fandangos etc., e vê-se muito por aqui a criança comendo aqueles pacotinhos.

Poucos restaurantes oferecem um cardápio saudável. São hambúrgueres, pizzas e umas linguicinhas que eu não entendo. A Helena come bem, gosta de brócolis, tomate, cenoura, berinjela e abobrinha.

“Não entendo porque um frango precisa ter um formato de estrelinha ou um peixe com brócolis precisa parecer nuggets para criança comer.” – (adorei esse comentário!!!)

A comida vira enfeite e perpetua a ideia de que criança come mal por natureza e de que comida é prazer e não alimento. Mas a maioria das mães tenta, claro, e se preocupa se estão comendo bem. Há muitos alimentos orgânicos e também bastante alimento para criança sem sal, sem açúcar, sódio reduzido etc.

♥ A RELAÇÃO DA HELENA COM O BRASIL 

Camilla: Ela tem um mapa mundi no quarto. Mostro onde a família está, ela reconhece o mapa do Brasil e a bandeira. Desde que nasceu, canto Tom, Cartola e Cazuza para ela. Ela fala que mamãe e vovó falam português e nasceram no Brasil e papai fala inglês e nasceu na Inglaterra. Ela vê aviões no céu e pergunta se estão indo para o Brasil. Ela tem livrinhos muito legais para criança sobre a mata atlântica ou sobre índios do Brasil. Ela já foi ao Brasil várias vezes, mas ainda não no Rio de Janeiro, infelizmente. E tem a família, claro. Nos falamos por What’s app, Skype, Facebook. Tento enviar o máximo de fotos e vídeos , estamos em contato constante.

♥ O QUE FAZ PERDER A PACIÊNCIA NA MATERNIDADE 

Camilla: Paciência nunca foi meu forte e não melhorou com a maternidade. As manhas, os choros sem motivo aparente, em que eu sinto que só bola de cristal resolve porque ela ainda não sabe me explicar, ou por coisa pequena como um raladinho no joelho. A minha vontade é dizer, “ok, caiu, normal, todo mundo cai, levanta, sacode a poeira” etc. (risos). Mas eu retiro forças não sei de onde para consolar a pequena. Quem sou eu para julgar o que é dolorido para ela. Ela é pequena e não tem maturidade para lidar com as próprias emoções.

“O imediatismo infantil. Quando ela quer algo ela repete até conseguir: quero suco, quero suco, quero suco, quero suco… (risos)”

Disciplinar tem sido difícil. Jamais vou bater nela e, no fundo, não acredito em castigo. Acredito em reforço positivo e o efeito disso leva um tempo, mas… mencionei que paciência não é comigo? Pois é.

Ela nunca foi de dormir bem, infelizmente. Já tentei de tudo, acalmar à noite, leite quente, sem TV, rotina, banho e até mesmo a tal técnica do “choro controlado”, mas é muito difícil. Resolve um tempo até que viajamos e a rotina se vai. Vez ou outra ela ainda corre para nossa cama e eu já estou muito cansada para relutar. Prezo muito meu sono. Sentar para comer com calma, também. Fico insuportável se não descanso ou estou com fome. Não era assim, mas é agora.

Eu sinto falta de tomar decisões só para mim. Vivi muito tempo solteira e morando sozinha. Eu gosto de ficar sozinha, realmente.

“Eu gosto de decidir o que quero fazer aos 45 do segundo tempo e, pronto, fazer; sem pensar em ninguém além de mim. Não posso mais. Minha vida não é mais só minha. Não que seja negativo, mas é algo que sinto falta vez em quando.”

♥ COMO SE DIVERTIR E DESCANSAR 

Camilla: Dormir (risos). Eu moro em Essex e não Londres, mais para o interior. Ir a Londres é uma diversão, adoro trens. Ler muito e aprender uma coisa nova. Café na esquina. Assistir seriados. Aproveitar o pouco de sol que temos e sair de casa, viajar. Adoro conhecer lugares novos aqui, com tanta história para contar, da época em que o Brasil nem tinha sido invadido pelos portugueses. Ir ao cinema ou ver um filme em casa mesmo, com o pé para cima. Tomar um vinho, comendo queijo. Sentir o cheiro do verde dos bosques e olhar tantos pássaros diferentes e coloridos, como não dá para se ver morando em São Paulo. Observar no horizonte aqueles moinhos no meio do mar, ao longe, e pensar que aquilo gera uma energia danada só com a força do vento me faz viajar. É poético, até.

♥ O QUE É SER MÃE 

Camilla: A cada dia vou descobrindo uma coisa nova e, ainda sim, não sei se é isso mesmo. Só sei que me parece uma responsabilidade enorme, mais do que pude imaginar. Acho também que o planeta precisa passar por uma mudança radical para as futuras gerações terem o mínimo de qualidade de vida, então… do fundo do meu coração, espero estar criando um ser humanozinho bom. Bom, assim, uma pessoa boa, altruísta, solidária, sensível aos problemas do mundo, tolerante com as diferenças, que contribua para sociedade de alguma forma e, claro, que seja muito, mas muito feliz.

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