A mãe que eu não gosto de ser

Nos últimos meses, por conta do aumento no volume de trabalho, tenho sido por muitas vezes a mãe que não gosto de ser. A mãe que não pensa, que reage como se não soubesse ponderar e não tivesse discernimento das coisas. Dessa vez não me culpo, porque entendo perfeitamente minhas reações e explosões, o que de forma alguma as justifica. Mas o isolamento por tanto tempo começa a mostrar suas consequências em mim, o home office tem inúmeras vantagens, muito mais que desvantagens para mim, mas ele também ajuda a potencializar as coisas.

Na realidade, meus filhos têm sido uma bênção, eles não reclamam e agem como crianças de praticamente 8 e 5 anos que são. Mas não conseguir concluir uma linha de raciocínio estressa, porque a cada 5 min chega uma criança falando qualquer coisa e que eu estou zero interessada naquele momento (e talvez em qualquer outro). É o link da aula de inglês que chega no whatsapp no meio da reunião, é um saci pererê que tem que cortar o olhinho e fazer uma máscara, um boi bumbá de massinha….Além do que há uma parte da maternidade que sempre me irritou muito que é o momento da refeição, a introdução alimentar foi uma das fases que mais me tiraram a paciência: preparar algo e eles não gostarem, a sujeira, o esforço absurdo para a criança comer meia colher. Eu jamais teria capacidade de seguir o método BLW, por exemplo, que é basicamente dar a comida na mão da criança e ela desenvolver a experiência assim. Nunca nem pesquisei a parte positiva do método, porque só seria capaz de usá-lo se fosse para salvar a vida deles, não tenho estrutura para ver a criança sujar absolutamente TUDO e ficar em paz. E até hoje é um momento que me tira do sério, não mais pela sujeira, mas porque os meus demoram muito para comer, fico com dó de largar na mesa sozinho, mas zera minha paciênca toda para o período da tarde só nesse momento. Mas poder almoçarmos juntos todos os dias é uma das melhores coisas do home office, olha que loucura?!

Meu marido esses dias sugeriu, num momento de estresse meu e que eu saí falando um monte, que eu não trabalhasse na sala e sim no quarto da caçula. E assim eu fiz, dessa forma não fico no mesmo lugar em que as crianças brincam, fico longe da TV e elas não ficam me contando tudo que estão fazendo. Claro que continuam vindo no quarto, mas diminuiu muito o número de interrupções. Tenho me esforçado na minha rotina da manhã, antes de começar a trabalhar, que me ajuda muito a começar o dia bem, isso inclui 30 min de atividade física 2x na semana, tomar café em paz sem crianças, fazer minha devocional, ler um pouco. Manter uma rotina de horas de sono saudável também faz muita diferença para mim, para eu conseguir fazer tudo o que gosto de manhã, acordo cedo e portanto durmo cedo também.

E na maioria das vezes em que acho que me excedi, converso com eles, peço desculpas, explico o que houve; ou antes que eu estoure por completo eu já aviso que estou ficando nervosa, que preciso terminar alguma coisa muito importante, que não posso ser interrompida, esses combinados…

Mas de tudo o que falei, o que vejo como evolução, é que hoje consigo perceber que exagerei, consigo frear antes de explodir (porque minha vontade é explodir muuuuuito mais) e explicar para eles o que está acontecendo ou vai acontecer, caso eles não colaborem. Eles já são capazes de entender. E eu tenho tentado também compreender o quanto eles também foram privados e seguem isolados por mais de 5 meses. Sempre passa pela minha cabeça uma passagem na Bíblia que Paulo diz que o bem que ele prefere fazer ele não faz, mas o mal que ele não quer, ele acaba fazendo. É isso, eu não quero ser a mãe que apoia a mão na cadeira da mesa de jantar e grita 5x seguida “Para!” – fato real que virou piada depois que passou o pico do nervosismo.

Sei que não sou a única, sei que há casos muito mais desafiadores que o meu, não sinto culpa nesse tempo e acho isso incrível. É um dia de cada vez, no ínicio da pandemia eu pensava: cada dia que passa significa um a menos para o fim de tudo isso…não sabia que o fim iria demorar tanto. Continua sendo um dia de cada vez, tentando ser um pouco melhor e tentando identificar nas coisas do dia como posso fazer para tornar tudo mais leve, para mim e para quem está comigo. Destaque para o meu marido que tem sido meu suporte e parceiro nessa jornada de trazer leveza para nossas vidas. Sei que vai passar…

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