Precisava desabafar

 

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O que eu queria: me jogar e ficar ali

Nem eram 11h da manhã e eu já estava completamente sem paciência, a cota de paciência diária tinha se esgotado antes da hora do almoço. As crianças me estressaram demais, elas me fazem perguntas a cada 2 minutos, principalmente o mais velho. Eu vou comprar um dicionário para ele, certeza. Não estou brincando. Toda vez que ele quiser saber o que significa alguma coisa, ele procura no dicionário, já vou eliminar 50% das demandas dele. O dia já começou naquela vibe: “Mamãe, não fiz nada, não apertei nada, mas saiu do zoom”. M-E-U-D-E-U-S!! 8h da manhã e eu já estava perdendo a linha…Dei uma surtada de forma controlada aqui, se é que “surtada” e “controlada” cabem na mesma frase. Mas digo controlada porque eu expliquei exatamente como estava me sentindo e disse exatamente o que eu queria: eu estava muito cansada, eu estava nervosa e sem paciência; eu tinha um monte de coisa importante do trabalho para fazer, almoço para providenciar e isso estava me angustiando. E se eles continuassem a me chamar o tempo todo eu ia ficar mais irritada ainda, precisava que eles colaborassem. Pedi que ninguém falasse comigo mais, a não ser que fosse algo urgente, uma emergência e deixei bem claro: “Não quero saber como está o jogador do video game, não quero ver desenho de ninguém, não quero ouvir nenhuma piada, não quero saber o que a Laila fez com a Marinete/Lady Bug, não quero ver nenhum gol.” Claro como água e mais importante do que ser entendida, fui atendida. Eles choraram quietos num canto e contrariando a maioria das vezes, não fiquei com dó deles. Não deve ser a melhor maneira de se comunicar com crianças, mas foi o melhor que eu consegui. Passei o restante do dia à flor da pele, caía um lápis no chão e eu ficava com vontade de sumir. Fui dormir mega desanimada e acordei do mesmo jeito, porque as coisas tendem a continuar exatamente no mesmo cenário atual: sem aulas presenciais e eu trabalhando de casa. Então, vou continuar tendo que lidar com essas interrupções o tempo inteiro, eu já tenho dificuldade de me concentrar, com duas crianças dividindo a sala comigo então fica mais difícil ainda. Antes que perguntem se meu marido não divide comigo, o ritmo dele é muito pior que o meu, ele tem muito mais responsabilidades que eu, tem uma equipe de um tamanho razoável, então durante o dia ele mal sai do escritório (ou solitária, como carinhosamente chamamos). Como sei que tudo não dá e que tenho que escolher qual briga eu vou entrar, a casa é zero prioridade para mim. O que priorizo é o estritamente necessário para sobrevivência: comida, roupas limpas, louças lavadas. O resto é tudo mais ou menos, beeem mais ou menos. E está ótimo. Pela minha mínima sanidade mental, está maravilhoso.

Eu queria dormir e acordar com tudo mais ou menos estabilizado. Queria morar num lugar maior (quem sabe esse ano rola?), queria viajar, nunca tive tanta vontade de viajar e de ir à praia como nesses tempos. Esses últimos dois dias foram deprê total olhando o horizonte que temos, um horizonte que já melhorou bastante, eu sei.Mas longe de ser ainda o que era antes. Ainda vai rolar o que era antes? Alguém me diz, se souber.

Precisava desabafar, embora já tivesse desabafado no papel e verbalmente. Mas quanto mais desabafo, mais leve fica. E tudo o que tenho precisado e buscado, é leveza.

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