Administrando a (insistente) culpa

Por mais que tudo esteja bem, que a gente se esforce, parece que a culpa sempre está ali, guardada em algum cantinho escuro e de vez em quando ela aparece. Dando um oi, deixando claro que faça o que fizer, ela sempre estará lá no canto dela. Uma vez assisti a uma palestra onde a mãe palestrante disse que a culpa aparece, faz uma visita, mas não mora na casa dela não. É bem isso.

Voltei a trabalhar há 2 meses depois de 1 ano e meio em casa. Como já disse outras vezes, não ficava full time com as crianças, porque não ia conseguir mesmo. Elas permaneceram no integral na escola. E disso não senti culpa, porque sabia que zelava pela minha sanidade, pelo menos naquele momento.

Estar de volta ao trabalho tem sido uma grata experiência, fiquei com quase nada de tempo livre durante a semana e isso é ruim. Mas faz parte da escolha que fiz. Porém, me parece que estou numa empresa que tem mais a ver com o meu perfil, meu jeito de ver as coisas e isso torna a rotina menos pesada.

A primeira culpa na volta ao trabalho foi transferir as aulinhas de futebol que antes eram duas vezes por semana, para apenas aos sábados e em um horário mais cedo. Quando comentei isso com o Davi, ele mesmo disse que tudo bem, o importante era continuar fazendo. Mais maturidade que eu do alto dos seus quase seis anos. Pronto, a culpa veio e foi embora.

Agora a outra, é que as crianças têm que acordar mais cedo do que quando não trabalhava. Mais cedo do que quando eu estava no antigo trabalho ainda. Adaptação para eles e para mim também. A Fernanda ainda dorme na escola à tarde, mas o Davi não mais. E muitas noites vejo que ele está cansado. Isso causa a seguinte acusação da Sra. Culpa: “Por sua causa, por suas escolhas, seus filhos têm dormido menos do que deveriam, prejudicando o descanso e consequentemente o desenvolvimento deles.” Cruel né? Sou uma mãe zelosa, tenho certeza disso, não admito que me acusem dessa forma. Para isso, tenho me organizado ainda mais durante à noite, para que eles tomem banho e lanchem mais cedo, para que mais cedo estejam na cama. Outro dia fomos tão bem na utilização do nosso tempo que até jogamos um jogo de tabuleiro os três juntos (a Fê só causou no jogo, claro). Há dias mais corridos, verdade. Também tenho otimizado o máximo que posso pela manhã, para que eles possam acordar um pouco mais tarde.

Viajamos recentemente e isso quebrou um pouco a rotina de acordar que estava começando a ser estabelecida, eles também se cansaram muito por lá. E somente nessa semana que passou senti que eles começaram a entrar no ritmo novamente. E por uns três dias acordaram espontaneamente. Por enquanto, essa é a rotina da nossa família. É o que sempre digo, cada uma tem o seu modelo e atualmente esse é o nosso. E dentro do que posso, tento minimizar os reflexos “ruins” nas crianças.

A culpa pode vir, mas ela não vai montar acampamento não. Ela não tem esse direito.

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