Mãe de dois

O título poderia ser “Mãe de mais de um”, porque acredito que o que vou dizer se aplique a mães de três, de quatro. Mas eu só posso falar concretamente sobre ser mãe de dois. E o fato é que depois que tive a caçula, descobri que a vida era bem mais simples quando só tinha o mais velho. Infinitamente mais fácil. E por aqui não passa arrependimento algum, apenas constatação de um fato que muitas vezes é disfarçado nas mídias sociais dessa vida. Ou quando eu mesma posto fotos lindas dos dois irmãos juntos e ali não é possível perceber o quão cansativo é às vezes.

O cansaço físico já foi muito maior, pois a medida que crescem essa dependência física vai diminuindo consideravelmente. Fernanda ainda me exige um pouco, mas já me exigiu muito mais. Ela dorme muito e dorme a noite inteira, o que é um presente de Deus poder dormir tranquilamente.

Não tenho ninguém que me ajude, (se quando trabalhava não tinha, agora então é que não tenho mesmo), então tudo é comigo. Ou melhor, tenho sim, a Maria que vem uma vez na semana. Isso já é um adianto porque não passo nenhuma peça de roupa. Mas os outros cuidados com as roupas eu tenho, eu que cuido das coisas da escola, eu que faço a comida, cuido de tudo que envolve a rotina deles. Mas mesmo não trabalhando, eles continuam indo à escola, período integral, entram mais tarde, saem mais cedo. Podem me achar uma má mãe, mas pude fazer essa opção (graças a Deus) pois ficar com os dois full time, todos os dias, eu teria alguma dificuldade. E é nesse ponto que digo que ter dois é mais difícil, pelo menos na fase em que estão, não posso deixar a Fernanda completamente sozinha brincando, porque ela risca o móvel, ela põe pecinhas na boca, ela quer subir onde não pode, etc. E além disso, a interação entre eles é linda e dá orgulho de ver, mas as vezes em que tira a paciência são maiores. Porque eles brigam, ela não sabe direito a brincadeira dele, ele reclama, ela chora (claro, porque eu tenho uma filha que realmente chora) e o tempo inteiro é necessária uma intervenção (frase bonita para disfarçar “é necessário um grito”).

Minha luta constante é administrar a minha falta de paciência, administrar o descontrole e fortalecer o meu domínio próprio e não simplesmente gritar. Toda vez que grito me sinto mal depois, pareço uma louca. Eles precisam ser disciplinados, mas para isso não preciso gritar, tenho certeza. E muitas vezes a “disciplina” é mais um descontrole do que algo feito de forma racional e consciente. Ou brigo porque eles estão fazendo algo que é completamente compreensível pois são crianças (nesse ponto acho que melhorei …) Alguns dias tenho vitória, consigo me conter, respiro fundo, saio daquele cenário que me causou irritação, peço a Deus que me ajude e funciona. Em outros, o grito sai antes de tudo isso e eu recomeço tudo de novo. Meus filhos são tranquilos, nada de impossíveis, mas paciência faltou um pouco para mim na verdade.

Mas acho que vida de mãe é assim mesmo, sempre tentando melhorar, convivendo com suas derrotas, culpas e sucessos. No fundo, acho que estamos sempre melhorando, a passos curtos, mas sempre melhores do que já fomos e nos preparando para a fase que virá. Porque quando a gente começa a dominar uma fase da criança, podes crer que a próxima já está na porta se apresentando.

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