Uma cicatriz em mim

bandaidEm janeiro, eu e Davi estávamos brincando numa piscina de criança, quando ele ao caminhar dentro da piscina para pegar uma bola, acabou batendo o supercílio na borda da piscina. Ao ver que ele tinha caído muito próximo à borda, já fui indo até ele e quando ele levantou já foi aos berros. Sou uma pessoa que ao ver um machucado sinistro, sangue ou pontos passo um pouco mal. Não é exagero. Sei lá o que me dá, minha pressão baixa, quase desmaio. Pois bem, só estávamos nós dois ali e assim que o levantei olhei imediatamente para a boca. Tudo ok. Mas quando olhei para a testa, o sangue já estava escorrendo igualzinho um lutador de boxe. Inacreditavelmente, sai calmamente à procura de ajuda, pois estávamos num hotel no Rio. Fui acalmando ele e quando avistei um salva vidas perguntei onde tinha uma enfermaria e ele prontamente já foi chamando alguém pelo rádio para nos ajudar. Davi a essa altura já não estava mais chorando. Enquanto a ajuda chegava, fui avisar ao meu marido que lia um livro ao lado da caçula que dormia numa espreguiçadeira. Nisso, uma moça muito simpática, enfermeira, que me viu conversando com o salva vidas, disse que devíamos ir ao hospital pois o corte tinha sido longo e certamente teríamos que dar pontos. E para resumir, assim foi. Um enfermeiro do hotel fez um curativo e fomos ao hospital onde ele tomou 8 pontos. Meu marido que entrou com ele, porque aí ficou puxado para mim…Se eu não tivesse opção entraria, óbvio. Fiquei com a pequena aguardando aquele tempo que nunca passava. Marido disse que foi de cortar o coração, anestesia bem dolorida, teve que imobilizar ele (ficou enrolado tipo um charutinho) e segurar a cabeça enquanto o procedimento era realizado. A cada troca de curativos era um mini ataque, um mini escândalo, quando fomos tirar os pontos também. Fato que ele deu uma traumatizada, com toda razão. Hoje a cicatriz está lá, bem visível ainda, tendo que passar protetor solar até sei lá quando.

O problema é que esse episódio gerou um trauma em mim, eu estava a um passo dele e não pude evitar o fato. Ele estava numa brincadeira saudável, sem maluquice de criança e se machucou feio. E quando eu não estiver por perto? E se eu não estivesse na piscina, quem ia ajudar ele? Não consigo ficar sossegada se eu não estiver vendo-o brincar quando estamos em lugares mais assim, tudo acho que ele vai se estrupiar, bater a cabeça, quebrar alguma coisa…Fico a louca gritando de longe: “Cuidado”, “Não corre”, “Para com essa brincadeira”… Há 15 dias, bateu a cabeça numa mesa de vidro que quase levou ponto de novo. (Comprar um capacete para ele pode ser uma boa ou evitar bola, porque de novo ele estava indo pegar uma bola). Eu já era meio assim, mas esses 8 pontos pioraram um pouco esse meu lado.

Ele só tem 4 anos e a irmã mais nova é menos sossegada e destemida que ele, então tudo indica que há uma probabilidade dessas coisas de criança ocorrerem. As pessoas sempre me diziam quando eu explicava o que tinha ocorrido: “Normal, coisa de criança” e me davam um exemplo de incidentes semelhantes que tinham vivido. Verdade! Coisa de criança mesmo, mas no meu caso, o adulto (eu) não lidou tão bem com isso. Na noite que ele machucou, tive uma crise de choro: insegurança, dó de pensar nele tomando os pontos, impotência diante de uma coisa tão besta, mas pedi que Deus cuidasse dele todos os dias da vidinha dele. E assim tenho feito, sempre pedindo isso por ele e pela Fê.

E quando a crise de insegurança começa a tomar conta de mim excessivamente, trago à memória o que uma amiga, também mãe, me disse, quando eu queria passar o Davi recém-nascido para dormir no bercinho dele e tirá-lo do meu quarto. Estava meio sem coragem, mas eu dormia muito mal com ele do meu lado, qualquer micro barulho dele eu acordava assustada e nunca era nada. Ela virou para mim e disse com uma naturalidade e um sorriso que lembro até hoje: “Deus cuida.” É isso, Deus cuida! E se tem um lugar onde o exercício da dependência de Deus é ininterrupto e muito forte na minha vida é a maternidade. Sigamos em frente.

 

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