Antes e depois

Hoje uma amiga postou a foto do nascimento do seu primeiro filho, aquela foto mais linda da vida, que pouco importa de como estamos fisicamente. É uma foto que sempre nos provoca um sorriso.

A dela em especial até me emocionou. Pela legenda que ela colocou e por eu voltar no tempo e pensar que mal ela sabe tudo o que a aguarda. Naquele momento ela já estava achando tudo inexplicável. Imagina só… O filho tinha minutos de vida e ela já conseguia perceber que a maternidade é inexplicável.

Ela, a partir dali, passa a viver uma nova vida, que nunca mais volta ser o “que era antes”. Muito além do que apenas noites mal dormidas. Muito além do que aquelas tentativas ansiosas da amamentação. Muito além de qualquer coisa que tenhamos pensado nos nossos mais otimistas (e pessimistas) pensamentos.

Depois que me tornei mãe, passei a dividir as pessoas em “com e sem filhos”. São grupos completamente distintos. E os divido sem nenhum juízo de valor, não é por aí. Mas não são comparáveis. Quando uma mulher sem filhos me diz que está cansada, eu concordo e o cansaço é legítimo. Mas o cansaço de filhos é outro. Quando uma mulher sem filhos me diz que não tem tempo para nada, eu da mesma maneira acredito, valido, mas a capacidade de otimizar o tempo quando se tem filhos é outro nível. Da mesma maneira que é uma dor diferente quando a gente vê uma criança de rua, uma mulher grávida dormindo na escadaria da Catedral da Sé. Papo de escorrer lágrima do olho. A gente se torna mais histérica, ao mesmo tempo que consegue com calma falar para o mais velho que não pode brincar de sentar na barriga da irmã mais nova, porque vai machucar muito. A gente consegue de maneira ninja segurar um vômito na mão, mas ter ânsia de vômito diante de uma fralda lotada de cocô.

Nada é mais como antes. Antes do primeiro. Antes do segundo. Lembro com saudades do antes, ao mesmo tempo que tenho dificuldades em descrever como era. Só sei que era menos. Menos tudo. Somos apresentadas a uma nova mulher quando nos tornamos mães, mulheres melhores na maior parte do tempo, mas às vezes piores em alguns aspectos. Mas o saldo é positivo.

Dei boas vindas à amiga. É um mundo novo, um mundo que, usando o maior clichê, realmente não dá para explicar. Ou melhor, dá para explicar, não dá é para entender verdadeiramente a menos que já tenha passado por aqui. Sem dúvida, ela será muito feliz. Eles serão muito felizes.

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