Conta aí, Bia!

BiaBeatriz Bomfim* (*acho que tem mais sobrenome, Rodrigues não?), mãe da Maitê (3 anos) e Gael (5 meses), (ficamos grávidas as duas vezes na mesma época.) Casada com o Franklin há 6 anos.

Profissão: professora

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela é uma mãe super dedicada e pode compartilhar como é a rotina de uma mãe de crianças que têm APLV (alergia à proteína do leite de vaca) ou outras.

Como conheci a Bia: na Catedral do Rio, trabalhamos juntas com as crianças da igreja, na UCP (União de Crianças Presbiterianas) num ano muito especial para mim. A Bia tem um senso de humor que eu gosto muito, não tem mimimi com ela. E foi numa conversa com ela que eu descobri que o Davi tinha refluxo. Ela é uma mãe que inspira a gente.

♥Como você começou a perceber que Maitê tinha alergia e onde e como você buscou informação? E que ações você teve que tomar?

BiaFoi muito difícil descobrir a alergia alimentar da Maitê. Acredito que fui mal acolhida pelos médicos da minha cidade. Maitê era um bebê que tinha muito refluxo, sofria demais. Medicada, o refluxo melhorou, mas ela começou a ter problemas pra ganhar peso. Em um mês, não engordou, só cresceu. No seguinte, não cresceu e engordou apenas 100g. E no terceiro, perdeu peso. Uma menina que comia super bem! Além disso, vivia doente, uma virose atrás da outra. A minha grande fonte de informação foi o Facebook.  Um dia, já cansada por não ter respostas, postei em um grupo chamado Alimentação Consciente uma mensagem em que desabafava. Não entendia como uma criança que comia tão bem e mamava no peito poderia ficar tão doente. Uma pessoa sugeriu investigar APLV (alergia à proteína do leite de vaca). Busquei sites sobre o assunto e, finalmente, consegui montar o quebra-cabeça. Era exatamente o que minha filha tinha! Mais tarde, descobri através de exames e testes que ela também era alérgica a ovo e soja.

♥ Quais foram as maiores dificuldades no começo? E atualmente?

Bia: No começo, a dificuldade era descobrir o que ela poderia ou não comer.

“Os rótulos dos alimentos não são claros e induzem muito ao erro.”

Felizmente, ela consumia pouquíssimos industrializados, então a alimentação dela foi fácil controlar. Eu já tinha lido que o ideal seria oferecer laticínios e glúten só depois de um ano (mesmo pra quem não é alérgico) e segui a recomendação, isso salvou a minha filha de muito sofrimento, pois acabei não introduzindo esses alimentos na dieta dela. O mais difícil mesmo foi a minha alimentação. Passei meses levando marmita para o trabalho, evitando eventos sociais em que eu não tivesse opções de comida. Para continuar amamentando, eu tive que fazer uma dieta bem restrita. Ela tinha cerca de 9 meses quando descobrimos a alergia e nem me passou pela cabeça desmamar, já que eu queria um desmame natural e gentil (que veio com 1 ano e 5 meses).
Atualmente, a dificuldade é manter a rotina de ter sempre uma marmita com comida ou lanches para ela em qualquer lugar que vamos.

♥ Como a Maitê lida com isso, com as restrições alimentares que ela possui? Que tipo de cuidado ela precisa na alimentação ainda?

Bia: Maitê lida super bem com as restrições! Como nunca comeu, não sente falta. Quando pergunta sobre alguma coisa nova, em algum evento, basta eu responder o que é e dizer “esse faz dodói na sua barriga” e ela deixa pra lá. Tenho sempre os substitutos e ela aceita muito bem. Evito buscar receitas tipo “brigadeiro de inhame” ou coisas similares ao que encontramos nas festinhas, porque acho mais fácil para ela entender que brigadeiro não pode do que entender “esse pode, esse não”. (adorei esse raciocínio!) Até para ela saber diferenciar quando estiver sozinha. Já vi situações em que foi oferecido a ela biscoito de polvilho e ela recusou, toda fofa, explicando que fazia dodói na barriga dela.
Ela ainda apresenta reações quando consome leite, ovo ou soja (acidentalmente), mas as reações estão bem mais leves, depois de um tratamento que estamos fazendo. Então, a única coisa que mudou é que agora ela pode comer comida na rua, de restaurante, desde que não leve os ingredientes acima.

♥ E foi do mesmo jeito com o Gael? Qual a diferença entre eles nesse sentido?

Bia: Gael foi bem diferente. Fiz tudo que me foi recomendado para tentar driblar a genética e impedir o desenvolvimento da alergia (parto natural, amamentação exclusiva, eu tomei probióticos, fiz dieta ainda grávida, entre outros detalhes não publicáveis, hehehe), mas não teve jeito. Com 25 dias, ele fez um cocô muito característico da alergia, verde e com muito muco. Diferente da Maitê, que foi apresentando os sintomas aos poucos e ao longo dos meses e nunca teve muco nas fezes. Como eu estava em dieta de leite desde 36 semanas de gravidez, ele nunca teve refluxo ou cólica, mas o cocô esquisito mostrou que ele era alérgico a mais coisas. Ainda não descobrimos tudo a que ele é alérgico, estamos com um gastro maravilhoso e um médico integralista e acredito que esses esforços combinados vão fazer que Gael atinja a cura mais cedo que a Maitê (que tem 3a7m e não está totalmente curada ainda).

♥ Para você o que é mais difícil nisso tudo?

Bia: Acho que a parte mais difícil é ficar sem comer. Eu já fazia dieta de glúten, porque tenho intolerância, mas furava de vez em quando, quando aparecia alguma coisa gostosa.

“Mas amamentando, não dá para furar a dieta, porque quem sofre não sou eu, é meu filho.”

Mas a maioria dos dias, eu lido muito bem com isso, carrego minha marmita, como o que posso comer e fico bem. Claro que tem dia que dói ver as pessoas comendo a pizza, a massa, o doce na minha frente, mas nada como um dia após o outro.

♥ Que conselho você daria a mães e pais de filhos que também enfrentam essas mesmas dificuldades?

Bia: Busque ajuda especializada. A maioria dos pediatras não entende sobre alergia alimentar, então é importante encontrar um gastropediatra que saiba do que está falando. E procure grupos no Facebook sobre o assunto, tem muita informação boa e acolhimento nesses grupos.

♥ E como tem sido sua rotina agora sendo mãe de dois?

Bia: Para falar a verdade, sou muito privilegiada. Meu marido tem uma boa flexibilidade no emprego, então tem estado em casa, dividindo as tarefas com a casa e as crianças. Minha mãe também é bem presente, Maitê já está na escola, ou seja, tenho uma boa rede de apoio, a rotina não ficou tão mais pesada.

♥ Você consegue separar um tempo para você, seu marido? Como você faz para se organiza?

Bia: Aqui em casa, meus filhos vieram programados para dormir cedo e nós procuramos respeitar o soninho deles. Então, às 21h, já estão os dois dormindo, todos os dias. Isso permite que nós tenhamos um tempo pra ficar juntos, jantar, ver filmes ou séries, antes de dormir.

♥ O que te faz perder a paciência ou acha mais cansativo na maternidade?

Bia:Acho que o sono picado, dividido em períodos de 3 horas é o mais cansativo. Mas isso é passageiro, então vamos levando. Acho que minha paciência é testada quando as crianças estão com sono e não podem ou não conseguem dormir. Tudo vira motivo de choro, então lidar com isso sem reforçar o comportamento, mas com empatia, entendo o momento da criança é bem difícil. (Muuuito difícil! Tenho paciência negativa nesses momentos.)

♥ A maternidade nos faz mulheres melhores, em que você se tornou uma pessoa melhor sendo mãe da Maitê e do Gael?

Bia: A sensação que eu tenho é de que me tornei outra pessoa completamente diferente. Ideias, valores, princípios, desejos, prioridades.

“Através da maternidade, descobri uma nova maneira de enxergar e entender o mundo.”

Quando alguém fala sobre os filhos crescerem e a vida voltar ao “normal”, eu não consigo me imaginar voltando a ser quem eu era. (Eu falo isso, confesso! Mas Diego sempre me responde que essa é nossa vida normal agora!) Não dá para voltar atrás. Nem quero. Gosto muito mais da pessoa que me tornei, graças aos meus filhos e aos caminhos que percorro por eles.

♥ O que é ser mãe para você?

Bia: É a minha vocação. Sabe quando a gente encontra aquela carreira que nos faz sentir produtiva, inteligente, capaz, realizada? Então, não encontrei isso na carreira, encontrei na maternidade.

“Respeito muito mesmo (mais ainda agora) quem escolhe não ter filhos, mas eu, Beatriz, não poderia passar por esta vida sem ser mãe.”

E sinto que minha missão é grande: educar meus filhos para serem ferramentas de mudança pra nossa sociedade. Pra que eles não repitam preconceitos e estereótipos, mas ajudem outros pessoas também a expandir seus mundos. E, como toda mãe deseja, que sejam felizes. 🙂 (Sempre me emociono lendo as respostas a essa pergunta).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s