Pedindo ajuda

Eu tenho um pouco de dificuldade em pedir ajuda com as coisas da minha vida pessoal, de casa e com as crianças (ainda acho estranho usar plural ao me referir a meus filhos). Desde que Davi nasceu praticamente me viro sozinha, sem ajuda de uma terceira pessoa. Confesso que o modelo adotado é um pouco kamikaze muitas vezes, vou tentar fazer um pouco diferente agora, espero que consiga.

Durante os poucos meses de terapia que fiz durante a gravidez da Fê, percebi que eu não peço ajuda. Só se eu estiver quase morrendo, daí eu peço. Existem alguns pontos que ajudam a entender isso e até justificam, não temos família que more perto da gente, qualquer ajuda nesse sentido não dá para ser decidida em cima da hora. Minha mãe já veio várias vezes aqui, mas são situações pontuais em que se combina previamente. Minha sogra também já nos ajudou em outros momentos, mas não é aquela situação de ligar meia hora antes e pedir um socorro. Simplesmente a logística não permite isso. Então, fui obrigada a fazer muitas coisas sozinhas, levando o Davi junto comigo ou abrindo mão do que gostaria de fazer. Não quero ser injusta com meus amigos que já foram buscar o Davi na escola em diversas ocasiões em que me atrapalhei. Salvando o meu dia! Posso contar com muitos deles aqui e sei que eles têm prazer em ajudar.

Para outras coisas, acho que eu faço melhor que as pessoas e nesse caso não peço ajuda. Às vezes nem faço melhor, sou enjoada mesmo, por exemplo com a louça aqui de casa. Tenho uma psicose com louça engordurada, então eu mesma prefiro lavar do que permitir que alguém que eu sei que não lava do jeito que eu gosto lave a minha louça. Se eu achar que não ficou bom, depois eu lavo tudo de novo. Então melhor fazer sozinha.

E em relação às crianças, penso que os filhos são meus, então eu preciso me resolver com eles e com meu marido. Só fico 100% a vontade para deixá-los com alguém para eu me divertir, se esse alguém for nossos pais. Mas como nossos pais não moram perto, isso não é fácil.

No fim de semana, consegui por duas vezes pedir ajuda, literalmente. Davi tinha o aniversário de uma amiga e Diego tinha que trabalhar e só ia poder nos levar e buscar. Ia ficar meio puxado com os dois na festinha, porque tenho outra psicose: gosto de estar vendo o Davi, não consigo largar ele brincando em algum lugar, sem que de vez em quando eu consiga vê-lo. Mesmo com monitores. Então, avisei as outras mães que eu estaria sozinha e que ia precisar que elas me ajudassem com os dois. E deu super certo, elas foram solícitas, olharam o Davi, levaram ele para ir ao banheiro, me ofereceram carona, me levaram até o carro, olhavam a Fernanda quando eu ia brincar um pouco com o Davi. Foi ótimo.

E durante a semana, teve a apresentação na aula de natação, Diego tinha uma reunião que podia acabar um pouco depois do início previsto, preferi não arriscar e resolvi pedir carona para uma mãe que já tinha me oferecido antes e eu tinha recusado. Era tudo perto, a escola da natação, a casa da outra mãe, a escola do Davi, tudo aqui no bairro. E assim fomos. Em outros casos, teria ido de táxi, enfrentando um perrengue desnecessário. Diego chegou praticamente junto com a gente e deu tudo certo.

Por duas semanas, desci para fazer a esteira e a Fernanda ficou com a Maria, no dia que ela vem aqui. Mas nem passou pela minha cabeça pedir para ela ficar, eu ia descer levando a Fê como sempre faço, quando a Maria disse que não precisava. A Fê estava dormindo e caso precisasse ela me ligaria. Tão simples.

Não tenho babá, nem quero ter. Minha casa nem cabe alguém para dormir aqui e mesmo se coubesse, essa é uma solução que não se aplica para mim. Uma pessoa que venha todo dia aqui em casa também não é necessário ainda, nem vai ter o que a pessoa fazer. Mas gostaria muito de conseguir fazer um pouco diferente dessa vez. Ainda não sei como, essa é uma equação que tem muitas variáveis e até agora ainda não consegui encontrar qual a melhor solução. Mas acredito que com o tempo eu vou achar.

3 comentários sobre “Pedindo ajuda

  1. Renata disse:

    Rafa sei muito bem o que voce sente, sempre fui assim com o Rafael e nunca fiquei longe dele, mas comecei me esforçar e deixar mais na casa da Dinda e com tudo que aconteceu semana passada ficou 2 dias na casa do Dan, me senti muito feliz pois ele adorou e pude contar xom pessoas maravilhosas cuidando dele como se fosse eu, por isso te falo conte comigo pro que precisar! Ja estou melhor e posso ficar com o Davi quando quiser e com a Fe também bjus

    Curtir

  2. Anelise disse:

    Rafa, entendo você. Mas pense q poder ajudar é um prazer para quem ajuda. É retomar um pouquinho o senso de comunidade, tão esquecido em cidades grandes como a q vivemos. Nos sentimos mais acolhidos, amparados e protegidos. Bj grande

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s