Conta aí, Carla!

carla e mig

Carla Medeiros, mãe do Miguel de 3 anos.  Casada com o Selmo há 9 anos.

Profissão: fisioterapeuta e se arriscando em realizar festas

Porque pensei nela para estar aqui: Porque ela é mãezona mesmo e antes do Miguel, ela passou por dois momentos muito delicados.

Como conheci a Carla: ela era namorada de um amigão da UFRJ, o Selmo. Fui madrinha de casamento deles e sempre que dá nos encontramos no Rio. É uma típica carioca: animadona, prática, sem frescuras, gosta de um samba e tem um sotaque bem chiado que eu amo!

♥ Antes da chegada do Miguel , você por 2 vezes teve a gravidez interrompida. Como foi esse período e o que tirou de aprendizado?

Carla: Na primeira, não cheguei a escutar o coraçãozinho. Estava de 8 semanas quando fomos a primeira ultra. Apesar de não parecer grande coisa, estávamos muito envolvidos, era um desejo imenso. Ainda tive que tomar uma decisão: fazer curetagem ou não. O meu médico da época me convenceu que seria melhor e fizemos, era Julho de 2009.

♥ A segunda perda ♥

Em fevereiro de 2010, o tão esperado positivo novamente, nessa época morávamos em Caraguatatuba. Tudo corria bem até a 18ª semana, era a Sofia quem estava a caminho e uma dor enorme começou a me perturbar. Tinha uma consulta em Caragua na semana seguinte, então corri para o Rio para ser vista pelo médico que me acompanhava. No hospital, suspeitaram de tudo pelo meu relato e como eu tinha 18 semanas, fizeram apenas uma ultra e viram que Sofia estava ótima. Mas erraram em não verificar o colo do útero. Fui medicada com analgésicos.O que eu sentia eram contrações, devido ao encurtamento do colo do meu útero, o bebê forçando a passagem e meu corpo entedia que eu estava em trabalho de parto. Daí pra frente vocês já sabem o que aconteceu… Lá fui eu pra uma segunda curetagem, era maio de 2010. Foi muito difícil, roupinhas compradas, muitos presentes, muitas ideias e tudo mudou.

“Eu e Selmo acreditamos em Deus e sabemos que Ele prepararia tudo no momento certo e que Ele só dá o fardo a quem consegue carregar. Crendo nisso, sabíamos que nossa hora chegaria, no momento certo e no momento DELE, o Senhor nos abençoaria com um lindo anjo.”

♥ O recomeço ♥

Discordando de algumas condutas do meu médico e querendo investigar, resolvi “googlar” e procurar médicos que cuidavam de gestação de risco e descobri o Dr. Paulo Gallo, esse sim “O MEU” médico!!!

Ele me investigou dos pés a cabeça, tanto eu quanto Selmo, muitos exames e tudo normal. Mas uma vídeo histeroscopia nos apresentou um quadro de incompetência istmo cervical (IIC), conhecida com incompetência uterina. Pode ser uma má formação genética do útero ou causada por uma “raspagem excessiva” nas curetagens que tinha realizado (o que Dr.Paulo, o médico que fez a video acreditam e eu também). Na próxima gestação, eu teria que realizar uma CERCLAGEM e que a primeira perda não teve relação com a segunda, foi configurada como aquela perda que 75% das mulheres estão sujeitas, o aborto espontâneo.

Faltava ainda um exame a ser feito, eu estava com medo, ouvia horrores dessa histeriosalpingografia. Demorei de janeiro a setembro para marcar, e quando decidi, no dia 27 de setembro de 2011, descobri que em meu ventre germinava uma linda semente. 

♥ Aprendizados ♥

–  precisamos passar por algumas coisas e só Deus sabe o verdadeiro motivo

–  a mulher tem a escolha durante a gestação, de decidir se será submetida a uma intervenção cirúrgica, seja ela uma curetagem ou uma cesárea (a partir do momento que a vida de ninguém esteja em risco)

– o primeiro medico não estava errado na sua conduta (eu até certo tempo pensei assim) , que simplesmente é o jeito dele de conduzir suas pacientes

– Curetagem é um procedimento necessário em alguns casos e que na primeira gestação eu podia ter esperado meu corpo reconhecer que a gestação não havia evoluído e deixar ele se encarregar de eliminar o que fosse preciso.

♥ Na gravidez do Miguel, você ficou de repouso boa parte da gravidez. Como foi lidar com isso, já tendo passado pelas experiências anteriores?

Carla: A intercorrência na gestação do Guel já era sabida que podia se configurar. Dr.Paulo, a partir da 10ª semana, me orientou a ultras semanais para medição do colo do útero, se até a 13ª estivesse tudo ok, levaríamos a gestação sem intervenção cirúrgica.

“Na última ultra para o OK final, saí direto para o centro cirúrgico: meu colo estava abrindo e encurtado, chegou a hora da CERCLAGEM!”

Eu reagi bem a situação, sabia que me ajudaria a ter meu pequeno em meus braços e tinha total confiança no Dr.Paulo.

Fiquei da 13ª semana até a 35ª de repouso absoluto, levantava apenas para tomar banho, comer, me reclinar no máximo em 45º, fazer ultra de 15 em 15 dias e 1 vez por mês ao consultório do Dr.Paulo.

*(A cerclagem é um procedimento em que o medico faz pontos (costura) o colo do útero para não haver a expulsão da bolsa.)

♥ Como foi para você, que é super ativa, ficar quietinha durante esse tempo? 

Carla: Fiquei a gestação inteira na casa da minha mãe. Precisava de alguém 24h, Selmo sempre atencioso e preocupado, vivendo intensamente tudo comigo, mas estava trabalhando em SP  e eu precisava de ajuda física naquele momento.

“E preciso mencionar o quanto minha mãe foi importante nesse período, acho que não seria mãe se não fosse ela. Ela gerou o Miguel comigo.”

Ela me trazia comida, me secava pós banho, colocava roupa…Coisas que só mães fazem por um filho. Meu espelho, minha paixão, minha companheira de todos os momentos bons e ruins, meu tudo! Mãe, eu te amo!

Levava os dias bem tranquila, lia muito, pesquisava sobre bebês, conversava com outras mães que passavam pela mesma situação que eu num grupo de mães com IIC, fiz laços de amizades e temos contato até hoje. Sempre com visitas, primos, minha mãe organizava reuniões dos meus tios finais de semana, filmes e assim foi… Com altos e baixos, mas feliz porque tinha o Miguel comigo.

Miguel nasceu prematuro de 35/36 semanas: 49cm , 2690kg

♥ A amamentação do Miguel não foi exatamente como você e qualquer mãe espera (como váárias outras coisas na maternidade né?). Como lidou com isso?

Carla: Miguel prematuro, preguiçoso, não pegava no peito de jeito nenhum!!!  E eu fui ficando louca:

“Não é possível que depois disso tudo, amamentar meu filho que era meu desejo, que pesquisei nos dias de repouso, meu sonho não seria concretizado?”

Frequentei grupos de amamentação, contratei enfermeira, usei bico de silicone, isso nos 20 primeiros dias e nada… Não aceitava dar LA, forçava o peito um tempo, ele não pegava e nem chorava, dormia muito (alias até hoje, rs). O pouco que mamava era meu leite extraído e dado na mamadeira quando eu já estava exausta e cedia…Miguel perdendo peso, chegou a 2380kg, eu triste, entrando em depressão, achando que eu não servia para ser mãe (aqueles exageros que sempre nos acusamos nesses momentos). Aí o pediatra me deu uma dura e acho que ali acordei e desencanei um pouco, tive que ceder ao LA, frustrada, mas tenho certeza que ainda amamentarei um bebê no meu seio.

♥ Como foi conciliar sua vida profissional e como é sua rotina hoje?

Carla: Minha vida profissional foi deixada de lado desde que entrei de repouso, fiquei com ele direto até 6 meses, e minha mãe começou a me ajudar, ficando com ele 2/3 vezes na semana, e fui voltando. Com dois anos ele foi para escola, mas mesmo assim não quis abrir mão de ficar com ele. Eu e Selmo combinamos de eu manter os 3 dias de trabalho e dois dedicados ao Miguel e outras coisas.

♥ Como você faz com a alimentação dele?

Carla: SOU CHATA, até quando eu conseguir terminantemente proibido, refrigerantes. Do resto tento equilibrar tudo. Ele come muito bem, legumes, verduras, sucos naturais, frutas….Sou do tipo que não induzo, porque oferecer agora? Se um dia ele descobrirá sozinho e aí sim decidirá se comerá ou não.

“Eu não poderei evitar para sempre, então enquanto eu puder estarei ali sendo a “mala da alimentação”.

Mas se está em um grupinho e um amiguinho oferece, ele me pergunta (sempre) e eu digo, “Você não gosta filho” e se ele pedir para experimentar eu deixo… Rs

♥ O que é ser mãe para você?

Carla: Ahhhh, é um misto de sensações. É ser a pessoa mais feliz do mundo, é ter medo de deixar meu filho desamparado, é acreditar sempre que meu filho viverá num mundo melhor. Eu me empenho muito mais, depois de me tornar mãe, em ajudar nessas mudanças. É mostrar pra ele que podemos ser sim pessoas boas,é ter a deliciosa sensação de que não existe mais ninguém no mundo mais amado por ele do que eu!

“É ver o quanto consigo já mostrar pra ele que Deus existe, mesmo com tão pouca idade…”

É ter medo do meu futuro, coisa que nunca tive. É viver a vida intensamente em todos os segundos do meu dia e isso tudo só por ele!

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