Um simples banho

Disciplinar e educar é uma tarefa desgastante mesmo, independente do modelo que se tenha adotado. Com ou sem palmada, com ou sem castigo, ela demanda de nós um esforço que não nos é natural, é muito mais fácil e simples deixar a criança fazer o que ela está a fim, na hora que ela quiser, do jeito que ela quiser. Como diz uma amiga minha, é tão mais fácil “só” cuidar, garantir que se alimentou, recebeu carinho e tomou banho….

Quando comecei a me deparar com situações onde Davi era uma criança que começava a se comportar como tal, principalmente quando começou a comer, vi que muito rapidamente as coisas me faziam perder o controle. O meu controle. A hora de comer e a confusão que às vezes rolava me tirava  a paciência total e depois, quando ele maiorzinho esse momento se tornou a hora do banho.

Lendo muitas coisas por aí, leitura até batida muitas vezes que servem para reforçar alguns conceitos que até tenho já, como “meu filho é  só uma criança”, “ele não é igual a mim”, “ele não entende como eu, passei a refletir sobre esse momento do banho que pode ser pensando de forma análoga para várias outras situações. Guardado sempre o valor de que quem manda aqui em casa continuam sendo os adultos.

Chegando da escola, já é sabido que a primeira coisa a fazer é o banho. E lá vamos nós. Meu desejo era que ele sentasse no banquinho, tirasse sua roupa, deixasse no canto, entrasse no box, esperasse calmamente o shampoo, sabonete e saísse para se enxugar na paz.

Porééém, cada sapato tirado se transforma num avião que bate nas paredes. Cada meia é uma invenção de moda para tirar, quando finge que não sabe mais como tira. Quando tira a camisa quer ficar com a camisa grudada na cabeça e imitar monstro na frente do espelho. Dentro do box, quer passar sabonete na parede, o tapete é um skate e a espuma do shampoo o transforma no papai noel. Para se enxugar, ele não é mais o Davi e sim um super herói com sua capa. Que sai voando pelado, carregando as roupinhas para colocar no cesto de roupa suja (essa parte faz direitinho!). E se demorar 1 minuto para começar a se vestir, já sentou pelado no chão e pegou alguns brinquedos.

Ele só tem 3 anos. O banho é uma obrigação para mim, que tenho as atividades da noite cronometradas na cabeça. Para ele é diversão. Ele não é um robô, ele se diverte, ele brinca, ele é saudável e normal. Ele não é igual a mim, ainda bem.

Esse entendimento e consciência é tão difícil para mim muitas vezes, mas vou seguindo atenta enquanto posso. Respirando fundo quando falo “Vem logo Davi” e ele responde “Eu não sou o Davi, eu sou o Batman”, entoando o mantra “Ele só tem 3 anos.”

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