Somos diferentes por sermos mães

Não é fácil criar filhos. Cuidar de uma criança é relativamente fácil, embora eu só tenha descoberto isso conforme os anos foram passando e essa fase foi ficando para trás. A fase de “apenas” manter o bebê alimentado, com o sono em dia e limpinho. A exigência é física. Muita exigência, mas física e não mental. Eles vão crescendo e ficando independentes para algumas coisas e, com isso, nos dando uma folga quanto à dedicação física.

O fato é que não é fácil ter filhos. Não mesmo. Uma simples tarefa pode se tornar complexa simplesmente pelo fato de ter uma criança envolvida, ou mais de uma, como é meu caso. Às vezes, olho a vida de mulheres sem filhos e tenho a sensação de que elas são livres. Essa parte eu confesso que invejo um pouco. Não, não trocaria, talvez fosse desnecessário até dizer isso, mas vai que… Melhor deixar claro.

Mas, a maternidade embora nos limite sob alguns aspectos, nos expande em muitos, muitos outros. E sem dúvida o saldo é positivo, na minha opinião. Nem estou falando do amor e da experiência indescritível que é gerar e ter filhos. Mas digo do que a maternidade é capaz de desenvolver em nós como seres humanos.

Por mais egoísta que sejamos, ser mãe por muitas vezes nos tira dessa posição, porque involuntariamente pensamos primeiro em outra pessoa, buscamos primeiro o bem estar de outra pessoa e damos nosso melhor para viabilizar isso. Ficamos em segundo plano e aprendemos a nos virar com isso e essa nossa realidade, sem nos negligenciarmos por completo. As escolhas não são mais solitárias, individuais, mesmo que seja escolher a que horas vou fazer a unha.

Aprendemos a nos superar a cada dia, porque ninguém nos ensina a ser mãe. E ainda que alguém ensinasse, não seria suficiente. Mesmo com o segundo filho, muita coisa não sendo novidade, é preciso a superação. Porque o segundo filho é outro indivíduo, com outra personalidade e característica, que exige de nós outra postura, outra dose de paciência e resiliência. Cada fase nova que o filho entra, a gente tem que se reinventar, pesquisar, se adaptar, pensar, quebrar paradigmas. Aprendemos a jogar o jogo jogando. Não tem treino. Na hora em que o bebê nasce, o médico deveria gritar: “Valendooooo!”

Sem falar na capacidade de estar atenta às emoções de uma outra pessoa, a gente aprende a conhecer e interpretar nossos filhos pelo jeito que eles olham, como respondem, como se sentam à mesa. Desde sempre, a gente se exercita tentando entender porque choram, o que eles querem dizer quando só falam: “Dodói!” ou quando a gente sabe que aconteceu algo e eles dizem: “Não foi nada”

Não é fácil mesmo! Quando nos tornamos mães não temos a menor noção do que está por vir, no fundo ainda não tenho porque meu mais velho tem apenas 5 anos. Mas uma mulher que tem filhos tem um diferencial, devia estar no RG informando isso. Devia estar no currículo. Algo que rapidamente informasse o mundo que somos mães, ou para que ele nos desculpasse, relevasse determinadas atitudes ou nos desse o crédito que nos é devido. Não que sejamos melhores que as demais, nunca seremos. Mas somos diferentes, porque somos mães. Sem dúvida alguma.

 

 

Em busca da nova escola

Ano que vem Davi obrigatoriamente terá que se mudar de escola, pois a atual só tem educação infantil e ele irá para o primeiro ano. Há uns anos cheguei a procurar algumas, achando que faria essa mudança antes, mas não fiz e acho que fiz a escolha certa em mantê-lo na escola atual.

Gostaria de acertar novamente na escolha da próxima. Tenho procurado fazer minha parte, visitando, perguntando, pesquisando e pensando sobre o assunto. Pode parecer que está cedo, mas não está. Para mim não. Porque não acho isso uma escolha fácil, sinceramente. Muitas variáveis envolvidas e embora não seja uma escolha definitiva, eu posso mudar caso não goste ou não nos adaptemos, mas não gostaria.

Queria uma escola perto de casa, com um preço de mensalidade justo, ensino forte, espaço físico grande, com valores exatamente iguais aos meus, que formassem cidadãos e não robôs. Uma pena que ela não exista. Lamento profundamente!

Em umas das que visitei a moça que me atendeu fez uma dinâmica (esse pessoal inventa tudo…), que escrevêssemos no papel o que desejávamos para os nossos filhos daqui a 10 anos, como gostaríamos de encontrá-los. Não precisava ler, só escrever mesmo. Pareceu besta na hora, mas eu escrevi e enquanto escrevia até refleti sobre o assunto. Porque no fundo quero que eles sejam felizes! Que eles se tornem homem e mulher de caráter, valores, que façam diferença onde estejam. Hoje, enquanto procuro escolas eu olho o desempenho delas no Enem, parece loucura, mas é um dado de ensino para o modelo de educação que o Brasil adota. Por enquanto o que vale ainda é o vestibular para o menino entrar na faculdade. Mas eles podem estudar na escola top da cidade, eu deixar meus rins lá pagando a mensalidade, cursarem a melhor universidade do país, mas só isso não garante que sejam felizes e bem sucedidos. Porque ser bem sucedido é beeem mais do que um diploma numa federal, embora isso ajude em alguma coisa.

Isso sem comentar a vida com Deus né? O único lugar onde de fato temos plenitude de alegria e para isso também tenho feito a parte que me cabe. E sei que Ele vai me ajudar a escolher a escola também. Porque além de todas as variáveis para escolher, tem uma que ajuda a tirar dúvida, a escola onde eu sentir paz no coração e me sentir bem em estar lá. Considero isso um sinal…

E foi isso que escrevi no papel sobre o que espero deles daqui a alguns anos: Fê e Davi, que vocês estejam aptos a enfrentar o mundo com bom humor, caráter, coragem, amor, com o intelecto diferenciado e valores que sejam os mesmos de Cristo. Que vocês possam ser bem sucedidos e principalmente felizes.

Que a próxima escola seja parceira em me ajudar a desenvolver neles tudo isso. Aguardo ansiosamente.

Viajando em família

IMG_6763Desde que a Fernanda nasceu não fazíamos uma viagem para algum lugar mais longe, viagem de férias mesmo. Fomos ao Rio, Santos e a Floripa por conta do Iron Man. Mas agora em janeiro viajamos juntos ao Chile, meu pai e minha madrasta também foram conosco.

Confesso que não escolhemos nossos destinos levando em consideração as crianças, escolhemos o destino que nos agrada conhecer, visitar e as crianças vêm junto. Eu ainda tento influenciar um pouco mais para favorecê-los e me favorecer no fundo, mas nem sempre rola. Na verdade, a escolha de Santiago foi um meio termo entre as minhas preferências e as do meu marido.

Embora não fosse uma viagem para o público infantil, tenho certeza que eles aproveitaram bastante. Não andávamos tanto a pé para que não se cansassem tanto, mas conhecemos muita coisa e até o passeio nas vinícolas que eu achei que ia ser super entediante para eles, foi muito legal. Porque as vinícolas parecem um grande parque, então muito espaço para correrem, ver e colher as uvas de brincadeirinha. Foi muito gostoso, eles se divertiram muito durante o passeio. E como Davi já entende mais as coisas, estar num lugar onde as pessoas falavam outro idioma para ele foi bem diferente e uma experiência interessante. Sem contar que andar de avião já é uma alegria e uma aventura para eles (mas não para mim, no caso, que tenho andado cada vez mais tensa com isso).

Voltei muito feliz dessa viagem, porque o que eu mais gosto nas férias é o tempo que passamos os quatro juntos. Dividindo o mesmo quarto, o dia inteiro, fazendo todas as refeições juntos. E sei que eles curtem e sentem essa diferença. Dá uma canseira por muitas vezes, mas são experiências em conjunto que ficarão sempre na minha memória pelo menos, e de alguma forma na deles também a medida que crescem. Foi um lugar novo para todos nós, eu gostei muito de Santiago, fui positivamente surpreendida pelo que vi lá. Voltamos com mais histórias em comum, que constroem assim nossa trajetória como família, parte do que foi vivido está nas fotos, outra não, ficou só com a gente mesmo. E no fundo é isso que de fato importa, quer seja nas praias, nos parques, nos brinquedos ou nas vinícolas. O bom das férias é possibilidade de estar o tempo inteiro nós quatro juntos.

 

O futebol

davi futDesde que Davi começou a escolinha de futebol que ele demonstra evolução no futebol em si, nas técnicas digamos assim. Mas muito mais que isso, ele passou a se interessar muito pelo assunto.

Bem verdade que o pai tem influenciado, o principal motivo acredito que seja porque ele quer que o Davi permaneça flamenguista mesmo morando aqui em São Paulo e não tendo nenhum amiguinho que torça para o time carioca. E depois, ele trabalha com esse universo do futebol então é um assunto que ele precisa saber o que está acontecendo, então sempre acompanha as notícias e jogos. Esse ano foi assistir Flamengo no Maracanã e ficou com o pai na área VIP, até foto com o Diego (um dos principais jogadores do Flamengo) ele tirou. Voltou rouco e cantando todas as musiquinhas de torcida. Uma graça! Nessa mesma ocasião, ele poderia ter entrado com os jogadores em campo, mas não quis ficar sozinho, não queria “ficar sem o papai”. Tentamos convencê-lo de todo jeito, mas não deu e respeitamos.

Davi passou a assistir jogos sozinho, jogos nada a ver. Por várias vezes ele tem ligado a TV direto no SporTV e não mais no Discovery. Hoje de manhã ele estava assistindo Amigos do Jô x Amigos do Fabrício, não faço ideia de quem sejam os dois. E no fundo, nem ele, mas pouco se importa com isso. Até mesa redonda ele estava assistindo espontaneamente outro dia. Inacreditável.

Acho fofo esse ponto a mais que se criou na relação com o pai, o modo que eles conversam sobre isso, a maneira como o Davi reage aos jogos imitando o jeito do pai. E que essa mudança e interesse dele em relação ao mundo do futebol foi totalmente incentivado por nós, poderia não ter se identificado, claro. Mas o fato é que nós podemos influenciar muito nossos filhos, podemos verdadeiramente moldá-los e meu desejo é que nós aqui possamos aproveitar essa chance, oportunidade, que temos nas mãos de ensiná-los a serem homens e mulheres de bem, gentis, amáveis e tementes a Deus. E isso tem que ser intencional, temos que intencionalmente nos dedicarmos a isso. O tempo passa muito depressa e eles têm sido bombardeados por coisas que não valem à pena.

Andando pelo caminho

Toda semana eu e Davi vamos caminhando até a escolinha de futebol, é perto da minha casa e o estacionamento de lá é meio apertado, chatinho de estacionar para alguém com meu nível de habilidade. Então, ir a pé é realmente a melhor opção.

Mas eu AMO esse trajeto que fazemos juntos, desde a hora que saímos do prédio. Vamos sempre conversando muito, algumas vezes cruzamos com algum outro amiguinho que também está no mesmo caminho que nós dois, outras passamos no mercado na volta para pegar alguma coisa que está faltando e ele sempre me ajuda com o carrinho, a pegar as coisas. Tudo com calma, parceria. Entendo esse momento como um reforço do nosso relacionamento, da nossa amizade e intimidade. É mais um momento em comum que temos, mais uma oportunidade gostosa de estarmos juntos, de eu ouvir as histórias malucas que ele inventa, de ouvir o que aconteceu, sob o olhar dele, na aula, de responder as suas inúmeras perguntas.

E sempre, todos os dias em que estamos nesse caminho, lembro de um versículo de Deuteronômio que diz que devemos falar de Deus e Seu amor aos nossos filhos enquanto estivermos sentados, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar. E andando por esse caminho algumas vezes já falamos de Deus, ele pergunta alguma coisa, ou Deus torna-se o assunto da conversa espontaneamente. Porque de forma muito natural, Ele sempre fez parte da vida da minha família e da do Davi.

E assim vamos, semanalmente, eu e meu amigo, companheirinho, conversando e andando pelo caminho, descobrindo muitas coisas juntos, rindo, brincando, mas principalmente fortalecendo o vínculo tão especial, lindo, indescritível e eterno que Deus nos deu. Meu coração é muito grato por poder fazer isso, ter essa oportunidade e principalmente enxergar como é importante e fundamental nós estarmos presentes e isso não tem necessariamente a ver com tempo disponível. O mundo tem mudado muito, a maneira como as pessoas se relacionam mudado para pior, então sempre que possível é tempo de fortificar os laços com nossos pequenos, ensinando pelo caminho o que eles precisam aprender para serem homens e mulheres de bem, a serem amigos e amigas de Deus.

Comemoração dos pequenos

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Acho uma delícia comemorar aniversário de filho, eu gosto do dia do meu aniversário e do deles é um sentimento ainda mais especial. É quase um dia de ação de graças, meu coração fica cheio de gratidão por tudo o que foi vivido no último ano e por todas as oportunidades que ainda teremos.

Desde que todos nós aqui de casa ganhamos um kit com camisas do Flamengo, coloquei na cabeça que esse seria o tema da festinha deles caso fizesse> Porque desde esse dia fiquei imaginando nós quatro vestidos com nossas camisas, configurando o verdadeiro time que somos. Porque de fato somo um, não tenho dúvidas.

Conforme o mês foi se aproximando, fui organizando as coisas, decidi que esse ano faria algo bem menor no meu prédio mesmo, com poucas pessoas. Eu mesma montaria a mesa e contrataria só a comida, pois é o único elemento obrigatório. Como teriam muitas crianças, achei por bem chamar alguém para fazer recreação com eles e foi a decisão mais acertada de toda a festa. Salão de festas de prédio não tem brinquedo né? As crianças iam ficar entendiadas, correndo pelo salão, me levando a  loucura e aos seus pais também. Assim, deu tudo certo, elas conseguiram se divertir e eu gostei muito dos fornecedores da animação.

As coisas da mesa comprei na 25 de março e pelo site de outras lojas também da 25 e coloquei dois urubus que tínhamos do Flamengo como parte da decoração também. Time de Futebol não é o mais feminino dos temas, mas uni o útil ao agradável: a Fernanda ainda não reivindica esse tipo de coisa e o Davi está numa vibe de futebol e temos que incentivá-lo com um time carioca.

Mas no final eu gostei muito do resultado. A mesa ficou bonitinha, caseira mas nada que estivesse queimando o filme. As crianças se divertiram e meus filhos mais ainda. Os dois brincaram muito, comeram salgadinhos, docinhos, riram, curtiram a festa que era deles, para eles, para comemorar mais um ano lindo na vidinha deles.

Mesmo economizando, fazer uma festinha sempre implica em gastamos um dinheirinho, mas acho um momento tão gostoso deles, que se for possível vale à pena gastar, na minha opinião. Ninguém vai se endividar para fazer festa de aniversário, mas se não for comprometer o orçamento da casa, eu considero válido o investimento em poucas horas. E eles não precisam de muito. Para ser uma festa, para eles basta ter um bolo com parabéns. Eles são bem mais simples do que a gente imagina, a gente é que complica demais.

 

A aula teste de futebol

Era só uma aula teste na escolinha de futebol hoje pela manhã. Mas ver meu mais velho, às vésperas de completar 5 anos, naquela quadra me emocionou. Ele está crescendo tão rápido, o tempo passa tão depressa que dá uma angústia no peito às vezes e tenho certeza que outras mães concordam comigo. É uma bênção ver diariamente esse crescimento, cheio de novidades, de descobertas, de frustrações, mas isso por vezes dá um nó na garganta e enche meu olho de lágrimas.

Achei demais a aula. Nada de inovador, mas o esporte traz tanta coisa boa a ser aprendida que na aula teste estava certa de aquilo faria muito bem para ele. Estar com outras crianças, mais velhas já que ele é por enquanto o caçula da turma vai ser produtivo. Ter de se submeter a outras regras, a outra liderança também. Além de aprender os fundamentos do futebol em si. Mas, no fundo, acho os outros aprendizados mais relevantes do que “não chutar a bola com o bico do pé e sim com a chapa do pé”.

Do banco algumas vezes eu me meti, corrigindo alguma coisa que ele estava fazendo, mas depois percebi que definitivamente aquele não era o meu papel ali. Eu era apenas uma expectadora. A partir daí, me comportei e não me meti mais. Só me meti quando precisava carregá-lo para beber água, porque nem lembrei de levar uma garrafinha e ele ainda não dava pé para o bebedouro que tinha.

Teve uma hora que ele bateu uma lateral e a bola bateu com força num outro menino, daí o jogo parou alguns minutos. Não foi nada sério, o menino saiu jogando logo depois. Mas enquanto o professor verificava se estava tudo bem, Davi virou de costas para o campo, apoiou a mão na grade e começou a chorar. Eu de longe, pensei: Eu sabia que ele ia chorar! Minha vontade era ir lá, dar um abraço nele e falar que estava tudo bem, pois tinha sido sem querer. Mas novamente não era o meu papel, outras crianças fizeram isso e os professores também: “Normal, Davi. Isso é coisa do jogo mesmo.” Uma das várias lições aprendidas do dia.

Meu pequeno está ficando um menino grande, quando fico contemplando ele dormindo sempre me dou conta disso, o corpinho cada vez mais comprido deitado na cama. Hoje foi mais um dia de novidades, de pessoas diferentes e uma nova experiência juntos. E que Deus siga nos proporcionando tantas coisas novas juntos. No futuro, quero ter muita história para contar.