Filho doente

Filho doente angustia o coração de uma mãe. E olha que eu, graças a Deus, nunca experimentei nada mais grave, sempre problemas respiratórios, virose, coisas de criança. Sobretudo crianças que moram em São Paulo, muita poluição, tempo seco e dias frios. É começar o outono e pode dar inicio à contagem regressiva de quem vai pegar alguma coisa.

Mas uma febre que seja me tira do rumo. Às vezes, tenho a sensação de que me angustio em excesso por pequenas coisas, fico com vergonha de mim porque sei quantas lutas sérias tantas mães travam todos os dias. E eu perdendo a fome e com o coração apertado por uma febre, uma laringe detonada, uma virose que judia deles.

Outro dia desabafando com meu marido sobre isso, dizendo como fico esquisita quando eles estão meio doentinhos, ele disse que é normal, sou uma mãe que busca o bem estar da “cria”. Concordei e o fato de não ter o controle da situação é que nos deixa assim. Ou me deixa assim. A dúvida se durante a madrugada vai piorar ou não, se dá para ir à escola ou não, daí começa a comer mal e uma preocupação a mais para nossa limitada cabecinha.

Nesses momentos eu oro muito. Converso com Deus constantemente, pedindo que ele cuide. Cuide deles e de mim, que posso não estar doente fisicamente, mas de certa forma também estou mal.

E nos últimos tempos, apareceu laringite, otite (em dois ouvidos distintos, em épocas diferentes só para animar), uma gripe forte e uma faringite. Mas essa foi em mim, o que me dá vontade de chorar, porque eu odeio ficar doente quando um deles também está. Afinal, eu só queria ficar quieta no meu canto e não ter que cuidar de alguém que não fosse eu mesma. Quero ser filha e não mãe.

E assim vou administrando remédios, sintomas, carinhos, se levo ou não ao médico, oscilando entre seguir as regras ou meu coração e instinto materno. Opto sempre por seguir meu instinto materno e coração mesmo, que mesmo apertado e angustiado, torcendo para que a febre cesse, tem me guiado em decisões acertadas.

 

Não era birra

Há 15 dias, saímos da igreja pela manhã e vi que tinha uma secreção no ouvido da Fê, limpei por fora e depois disso ela começou a reclamar de dor. Ela colocava a mão no ouvido e dizia que estava doendo. Chegando em casa, tentei ver alguma coisa e dava só pra ver que estava meio esquisito. Mas, no fim da tarde, eu iria para o Rio de avião, não dava tempo de ir a um hospital. Só dei um analgésico para caso a dor piorasse com a pressão do avião.

Enfim, no dia seguinte no Rio fomos a um hospital e foi diagnosticada uma otite. Ela não tinha passado a noite bem, acordou chorando algumas vezes e com certeza era o ouvido que dóia. Porém, quando a médica foi examinar o ouvido que estava ruim, essa garota berrava na sala: “Meu ouvido não, mamãe. A tia não, mamãe. Tá doendo meu ouvido.” Berrava sinistramente e me puxava, se contorcia. Tive que praticamente deitar por cima das pernas dela, segurar os braços e a médica com força segurar a cabeça. Tadinha! Foi péssimo, devia de fato estar doendo muito. Mas era preciso examinar e não tinha outro jeito. 10 dias de antibiótico.

Essa semana aconteceu o mesmo no outro ouvido. Ninguém merece, nem eu e muito menos ela. Não reclamou de dor, mas a secreção era semelhante a da primeira vez. Acordamos e fomos direto ao hospital. No estacionamento, ela começou a chorar dizendo que o ouvido estava melhor. E a cada vez que a chamavam pelo nome, ela chorava e dizia “Médico não”. Quando entramos na sala da pediatra, ela se agarrava em mim chorando. Apontou para o instrumento que examina o ouvido e dizia: “Esse não, mamãe”. Completamente traumatizada, mas dessa vez foi um pouco melhor. Acho que não estava doendo tanto, mas ela estava com medo e eu fiquei com muita dó.  Enfim, otite novamente e uma recomendação para ir a um otorrino e investigar o que houve e examinar melhor depois que tiver passado.

Tudo isso para dizer, que quem estava no hospital e via aquela cena, de uma menina de 2 anos chorando o tempo todo, me puxando pelo braço, gritando “Médico, não” e se recusando a ir quando nos chamavam, pode ter pensado muitas coisas. Que ela era mimada, que era exagerada, que não tinha disciplina em casa, que eu era uma mole e sem controle da situação, que não sabia conter uma fofa menininha. Mas, nesse caso não era isso. Provavelmente o que ela só pensava era que ia doer o mesmo tanto como da vez anterior e ela não queria passar por aquilo de novo. Simples. Estava com medo e tentando evitar, da maneira dela, passar por aquilo novamente.

Aprendi com a maternidade a julgar um pouco menos, principalmente depois que a Fernanda nasceu. Digo um pouco menos, porque acho que ainda julgo, mas já melhorei muito. Uma criança no tablet no restaurante não quer dizer que ela é abandonada e não participa dos momentos de sua família. Um pai que não vai à reunião da escola não significa que ele é ausente. A mãe que trabalha exaustivamente fora não ama menos ou não prioriza seus filhos. Uma criança berrando no hospital pode ser só medo, um medo justificado, e não uma criança que não sabe se comportar. Se tem um lugar que é cuspir para cima e cair na testa é a maternidade. E assim, a gente vai se lapidando e aprendendo a olhar para si e para as outras mães, outras crianças e famílias, com mais boa vontade.

 

 

Precisamos criar laços

Meu filho mais velho tem só 5 anos, mas sempre me pego pensando em como será a adolescência. Muito provavelmente, difícil. Resta saber se muito ou pouco. Mas acredito que muita coisa pode ser facilitada se conseguirmos estabelecer um relacionamento verdadeiro com nossos filhos. Não adianta eu decidir ser amiga, parceira e cúmplice quando o garoto já estiver com 12 anos. Tenho que começar a construir isso ontem, desde que saíram da maternidade.

Pode parecer meio simplista e até utópico pensar assim, mas de verdade acredito que estabelecer esse relacionamento desde cedo pode minimizar muitas dificuldades. Não sou “amiguinha” dos meus filhos, existe antes disso uma relação de autoridade, de hierarquias diferentes estabelecidas. E prezo pelo cumprimento dessa hierarquia. Isso torna a relação um pouco mais complexa do que uma simples amizade, mas em nada me impede de ser de fato amiga deles. De criar um relacionamento de companheirismo, parceiria, de mostrar para eles que devem falar a verdade, que são amados incondicionalmente. Procurar entender minimamente sobre aquilo que interessa a eles, conversar, fazer do nosso lar um lugar que eles gostem muito de estar. Tarefa não muito fácil, principalmente quando ao longo dos dias temos mil outras coisas a resolver. Mas maternidade é isso mesmo. Tem que ter disposição para fazer diferença na vida das pessoas e com nossos filhos não é diferente.

Procuro criar laços com eles, não tão apertados e sufocantes como um nó, mas não pode ser frouxo porque se não desamarra né? Disciplino, mas constantemente digo que amo, abraço, fico de chamego antes de dormir, cheiro até eles se irritarem… Mas eles não podem ter dúvidas do quanto os amo.

Dia das mães chegando e queria como presente de Deus ser a mãe que Ele espera de mim, a mãe que meus filhos precisam e merecem. Daqui a 20 anos ouvir dos meus filhos que eles sempre foram cercados de amor e que têm em seus pais seus melhores amigos.


Somos diferentes por sermos mães

Não é fácil criar filhos. Cuidar de uma criança é relativamente fácil, embora eu só tenha descoberto isso conforme os anos foram passando e essa fase foi ficando para trás. A fase de “apenas” manter o bebê alimentado, com o sono em dia e limpinho. A exigência é física. Muita exigência, mas física e não mental. Eles vão crescendo e ficando independentes para algumas coisas e, com isso, nos dando uma folga quanto à dedicação física.

O fato é que não é fácil ter filhos. Não mesmo. Uma simples tarefa pode se tornar complexa simplesmente pelo fato de ter uma criança envolvida, ou mais de uma, como é meu caso. Às vezes, olho a vida de mulheres sem filhos e tenho a sensação de que elas são livres. Essa parte eu confesso que invejo um pouco. Não, não trocaria, talvez fosse desnecessário até dizer isso, mas vai que… Melhor deixar claro.

Mas, a maternidade embora nos limite sob alguns aspectos, nos expande em muitos, muitos outros. E sem dúvida o saldo é positivo, na minha opinião. Nem estou falando do amor e da experiência indescritível que é gerar e ter filhos. Mas digo do que a maternidade é capaz de desenvolver em nós como seres humanos.

Por mais egoísta que sejamos, ser mãe por muitas vezes nos tira dessa posição, porque involuntariamente pensamos primeiro em outra pessoa, buscamos primeiro o bem estar de outra pessoa e damos nosso melhor para viabilizar isso. Ficamos em segundo plano e aprendemos a nos virar com isso e essa nossa realidade, sem nos negligenciarmos por completo. As escolhas não são mais solitárias, individuais, mesmo que seja escolher a que horas vou fazer a unha.

Aprendemos a nos superar a cada dia, porque ninguém nos ensina a ser mãe. E ainda que alguém ensinasse, não seria suficiente. Mesmo com o segundo filho, muita coisa não sendo novidade, é preciso a superação. Porque o segundo filho é outro indivíduo, com outra personalidade e característica, que exige de nós outra postura, outra dose de paciência e resiliência. Cada fase nova que o filho entra, a gente tem que se reinventar, pesquisar, se adaptar, pensar, quebrar paradigmas. Aprendemos a jogar o jogo jogando. Não tem treino. Na hora em que o bebê nasce, o médico deveria gritar: “Valendooooo!”

Sem falar na capacidade de estar atenta às emoções de uma outra pessoa, a gente aprende a conhecer e interpretar nossos filhos pelo jeito que eles olham, como respondem, como se sentam à mesa. Desde sempre, a gente se exercita tentando entender porque choram, o que eles querem dizer quando só falam: “Dodói!” ou quando a gente sabe que aconteceu algo e eles dizem: “Não foi nada”

Não é fácil mesmo! Quando nos tornamos mães não temos a menor noção do que está por vir, no fundo ainda não tenho porque meu mais velho tem apenas 5 anos. Mas uma mulher que tem filhos tem um diferencial, devia estar no RG informando isso. Devia estar no currículo. Algo que rapidamente informasse o mundo que somos mães, ou para que ele nos desculpasse, relevasse determinadas atitudes ou nos desse o crédito que nos é devido. Não que sejamos melhores que as demais, nunca seremos. Mas somos diferentes, porque somos mães. Sem dúvida alguma.

 

 

Em busca da nova escola

Ano que vem Davi obrigatoriamente terá que se mudar de escola, pois a atual só tem educação infantil e ele irá para o primeiro ano. Há uns anos cheguei a procurar algumas, achando que faria essa mudança antes, mas não fiz e acho que fiz a escolha certa em mantê-lo na escola atual.

Gostaria de acertar novamente na escolha da próxima. Tenho procurado fazer minha parte, visitando, perguntando, pesquisando e pensando sobre o assunto. Pode parecer que está cedo, mas não está. Para mim não. Porque não acho isso uma escolha fácil, sinceramente. Muitas variáveis envolvidas e embora não seja uma escolha definitiva, eu posso mudar caso não goste ou não nos adaptemos, mas não gostaria.

Queria uma escola perto de casa, com um preço de mensalidade justo, ensino forte, espaço físico grande, com valores exatamente iguais aos meus, que formassem cidadãos e não robôs. Uma pena que ela não exista. Lamento profundamente!

Em umas das que visitei a moça que me atendeu fez uma dinâmica (esse pessoal inventa tudo…), que escrevêssemos no papel o que desejávamos para os nossos filhos daqui a 10 anos, como gostaríamos de encontrá-los. Não precisava ler, só escrever mesmo. Pareceu besta na hora, mas eu escrevi e enquanto escrevia até refleti sobre o assunto. Porque no fundo quero que eles sejam felizes! Que eles se tornem homem e mulher de caráter, valores, que façam diferença onde estejam. Hoje, enquanto procuro escolas eu olho o desempenho delas no Enem, parece loucura, mas é um dado de ensino para o modelo de educação que o Brasil adota. Por enquanto o que vale ainda é o vestibular para o menino entrar na faculdade. Mas eles podem estudar na escola top da cidade, eu deixar meus rins lá pagando a mensalidade, cursarem a melhor universidade do país, mas só isso não garante que sejam felizes e bem sucedidos. Porque ser bem sucedido é beeem mais do que um diploma numa federal, embora isso ajude em alguma coisa.

Isso sem comentar a vida com Deus né? O único lugar onde de fato temos plenitude de alegria e para isso também tenho feito a parte que me cabe. E sei que Ele vai me ajudar a escolher a escola também. Porque além de todas as variáveis para escolher, tem uma que ajuda a tirar dúvida, a escola onde eu sentir paz no coração e me sentir bem em estar lá. Considero isso um sinal…

E foi isso que escrevi no papel sobre o que espero deles daqui a alguns anos: Fê e Davi, que vocês estejam aptos a enfrentar o mundo com bom humor, caráter, coragem, amor, com o intelecto diferenciado e valores que sejam os mesmos de Cristo. Que vocês possam ser bem sucedidos e principalmente felizes.

Que a próxima escola seja parceira em me ajudar a desenvolver neles tudo isso. Aguardo ansiosamente.

Viajando em família

IMG_6763Desde que a Fernanda nasceu não fazíamos uma viagem para algum lugar mais longe, viagem de férias mesmo. Fomos ao Rio, Santos e a Floripa por conta do Iron Man. Mas agora em janeiro viajamos juntos ao Chile, meu pai e minha madrasta também foram conosco.

Confesso que não escolhemos nossos destinos levando em consideração as crianças, escolhemos o destino que nos agrada conhecer, visitar e as crianças vêm junto. Eu ainda tento influenciar um pouco mais para favorecê-los e me favorecer no fundo, mas nem sempre rola. Na verdade, a escolha de Santiago foi um meio termo entre as minhas preferências e as do meu marido.

Embora não fosse uma viagem para o público infantil, tenho certeza que eles aproveitaram bastante. Não andávamos tanto a pé para que não se cansassem tanto, mas conhecemos muita coisa e até o passeio nas vinícolas que eu achei que ia ser super entediante para eles, foi muito legal. Porque as vinícolas parecem um grande parque, então muito espaço para correrem, ver e colher as uvas de brincadeirinha. Foi muito gostoso, eles se divertiram muito durante o passeio. E como Davi já entende mais as coisas, estar num lugar onde as pessoas falavam outro idioma para ele foi bem diferente e uma experiência interessante. Sem contar que andar de avião já é uma alegria e uma aventura para eles (mas não para mim, no caso, que tenho andado cada vez mais tensa com isso).

Voltei muito feliz dessa viagem, porque o que eu mais gosto nas férias é o tempo que passamos os quatro juntos. Dividindo o mesmo quarto, o dia inteiro, fazendo todas as refeições juntos. E sei que eles curtem e sentem essa diferença. Dá uma canseira por muitas vezes, mas são experiências em conjunto que ficarão sempre na minha memória pelo menos, e de alguma forma na deles também a medida que crescem. Foi um lugar novo para todos nós, eu gostei muito de Santiago, fui positivamente surpreendida pelo que vi lá. Voltamos com mais histórias em comum, que constroem assim nossa trajetória como família, parte do que foi vivido está nas fotos, outra não, ficou só com a gente mesmo. E no fundo é isso que de fato importa, quer seja nas praias, nos parques, nos brinquedos ou nas vinícolas. O bom das férias é possibilidade de estar o tempo inteiro nós quatro juntos.

 

O futebol

davi futDesde que Davi começou a escolinha de futebol que ele demonstra evolução no futebol em si, nas técnicas digamos assim. Mas muito mais que isso, ele passou a se interessar muito pelo assunto.

Bem verdade que o pai tem influenciado, o principal motivo acredito que seja porque ele quer que o Davi permaneça flamenguista mesmo morando aqui em São Paulo e não tendo nenhum amiguinho que torça para o time carioca. E depois, ele trabalha com esse universo do futebol então é um assunto que ele precisa saber o que está acontecendo, então sempre acompanha as notícias e jogos. Esse ano foi assistir Flamengo no Maracanã e ficou com o pai na área VIP, até foto com o Diego (um dos principais jogadores do Flamengo) ele tirou. Voltou rouco e cantando todas as musiquinhas de torcida. Uma graça! Nessa mesma ocasião, ele poderia ter entrado com os jogadores em campo, mas não quis ficar sozinho, não queria “ficar sem o papai”. Tentamos convencê-lo de todo jeito, mas não deu e respeitamos.

Davi passou a assistir jogos sozinho, jogos nada a ver. Por várias vezes ele tem ligado a TV direto no SporTV e não mais no Discovery. Hoje de manhã ele estava assistindo Amigos do Jô x Amigos do Fabrício, não faço ideia de quem sejam os dois. E no fundo, nem ele, mas pouco se importa com isso. Até mesa redonda ele estava assistindo espontaneamente outro dia. Inacreditável.

Acho fofo esse ponto a mais que se criou na relação com o pai, o modo que eles conversam sobre isso, a maneira como o Davi reage aos jogos imitando o jeito do pai. E que essa mudança e interesse dele em relação ao mundo do futebol foi totalmente incentivado por nós, poderia não ter se identificado, claro. Mas o fato é que nós podemos influenciar muito nossos filhos, podemos verdadeiramente moldá-los e meu desejo é que nós aqui possamos aproveitar essa chance, oportunidade, que temos nas mãos de ensiná-los a serem homens e mulheres de bem, gentis, amáveis e tementes a Deus. E isso tem que ser intencional, temos que intencionalmente nos dedicarmos a isso. O tempo passa muito depressa e eles têm sido bombardeados por coisas que não valem à pena.